Bad End Night
2 Forget 'bout Good and Bad
Não sabia em qual taça de vinho estava. Sem dúvida, já havia chegado ao seu estado bêbado e talvez um pouco além. O mundo parecia um lugar mais alegre, e Miku aprendia que aquelas pessoas que a acolheram são muito mais agradáveis do que de se esperar. Ela sabia que suas gargalhadas exasperadas e exageradas poderiam ser ouvidas de longe, mas quem liga? Já havia se esquecido da última vez que havia rido tanto, isso é, se já havia rido tanto.
– Mais uma taça, senhorita? – Gakupo se aproximou da cadeira na qual estava sentada, e ela encarou a taça de vinho antes de responder.
– Ora, vamos, só mais uma! Por que não?
Ela riu.
– Quem disse isso? – sua voz saiu embargada e arrastada atrás do som da música. Meiko riu também, afinal, ela também não estava em seu estado mais lúcido.
– Quem disse o que, Hatsune? – dois soluços seguiram a risca a sentença.
Talvez só estivesse ouvindo coisas, mas ouvindo ou não, quem quer que disse aquela frase estava certo – porque não?
– Claro, senhor! Encha a taça! – e caiu em risadas novamente. Não sabia o que era tão engraçado, mas não queria que parasse. A vida parecia finalmente algo que valia a pena. Isso apenas depois alguns agrados alcoólicos.
O mordomo obedeceu e a taça de vidro se viu cheia outra vez. Mas não demorou muito para que todo seu conteúdo descesse a garganta da garota de uma só vez.
– Sabe, Hatsune-san – Kaito começou. Estava sentado ao seu lado, e se inclinou um pouco quando começou a falar. Parecia de leve melancólico, mas Miku sabia que isso se devia a tudo que ele havia bebido, tanto antes quanto depois da sua chegada – deve ter sido o destino, para que nos encontrássemos desse jeito.
Miku se sentiu lisonjeada e sorriu instantaneamente.
– Isso sim é uma festa! – Len gritou, do divã vermelho. Devia ser um pouco mais novo que Hatsune, mas igualmente fora de si. Sua irmã estava ao seu lado, sentada, em altas gargalhadas.
– Ora Len, cale a boca! – soprava entre risos – Você está louco! Vou ter que te dar um banho de gelo desse jeito!
– Ahh, Luka-san! – ele berrou – Aumente essa maldita música, por favor!
– Ah, a música alta. Eu adoro. Você não adora, Hatsune?
– Hã? – Miku olhou para os lados, mas não havia ninguém para lhe dizer nada.
Deve ser coisa da minha cabeça pensou esse vinho está começando a mexer comigo.
Luka se sentou a sua frente.
– Hastune-san, você está bem? Parece meio pálida. Está com fome?
Miku sorriu.
– Eh, Luka-sama, não quero incomodar, realmente. Estou bem. Entretanto, poderia me trazer um copo d’água, por favor?
Luka se levantou com um sorriso alegre e satisfeito no rosto. Não havia bebido nem uma gota de álcool naquela noite.
– Claro! Alguma coisa mais? Talvez umas torradas? Gumi as fez há pouco tempo, devem estar deliciosas.
– Não, mas muito obrigada.
Alguns instantes depois, Luka voltou com uma taça com água.
– Aqui está.
Miku bebeu em segundos. Talvez sua sede fosse maior do que pensava.
– Senhorita, se não for muita intromissão de minha parte, ainda não contou o que estava fazendo na floresta e porque ia para a cidade. Quero dizer, as trilhas são mais seguras do que andar no denso da floresta.
– Sim, Hatsune-san – Kaito chegou um pouco mais perto e ele a olhou com curiosidade incontida soberba.
– É, Miku. Nos diga.
E ela diria. Se se lembrasse.
– Eu... Eu não lembro... Acho que eu tinha que entregar algo a alguém... Ou comprar alguma coisa... – sua cabeça se embaralhava enquanto tentava se lembrar, mas parecia impossível. Talvez fosse o efeito da bebida sobre si, talvez quando acordasse amanhã se lembrasse. Tinha que lembrar.
Gakupo e Luka se entreolharam de um jeito estranho. Kaito fitou as próprias mãos mas acabou por sorrir no final.
– Ah, está tudo bem. – disse ele, enfim – ei, Hatsune-san, você parece cansada. Porque não dorme um pouco?
Ela sorriu para ele e concordou.
– Seria ótimo.
– Venha. – ele levantou e abriu espaço para que ela levantasse também. – É minha convidada e me vejo da obrigação de mostra-la seu quarto. É o mínimo que posso fazer.
Ele a guiou devagar pelo corredor e a ajudou a subir as escadas. Estava sendo um verdadeiro cavalheiro. No final de um extenso corredor que terminava em uma janela de vitrais transparentes, uma porta dava pro seu quarto. Ela se sentou na cama enquanto ele explicava onde conseguiria as coisas.
– No armário tem um vestido que deve caber em você. Há toalhas também, e use o banheiro quando bem entender. Há alguns pentes e fitas na penteadeira, caso queira arrumar seus cabelos quan... – ele ia dizendo mas interrompeu a si mesmo quando percebeu que Hatsune já havia adormecido sem jeito, na beira da cama.
Ele riu do jeito como ela parecia uma criança.
A endireitou na cama e a cobriu com as cobertas. Percebeu que ela fazia uns sons baixos enquanto dormia – algo parecido com um ronronar de um gato.
Parou na porta e a encarou por alguns segundos.
– Me dói ver como ele é cruel em escolher quem entra nessa casa. – pensou alto, e por fim, saiu do quarto.
– Não dói a mim ver isso.
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