Bad Dreams

5 Como Eu Odeio Baladas Romanticas


Notas iniciais
Leiam as notas finas :)

-POV ANÚBIS

Mesmo do lado de fora do Colégio Lirceu, era possível ouvir a batida extremamente alta de uma música qualquer (Jay-Z? Lill Wayne? Flo Rida? Eu não sabia diferenciar). As pessoas passavam do meu lado rindo e falando alto, vestida com fantasias extremamente idiotas. Eu e Walt trocávamos olhares engraçados, nos segurando para não rir.

-Me lembra de novo do que você está fantasiado, Anúbis? – perguntou Walt com uma voz debochada.

Revirei meus olhos e arrumei minha gravata borboleta.

-Não é óbvio? Estou fantasiado de Bond. James Bond. – respondi sorrindo.

Minha fantasia não passava de um smoking totalmente preto feito sob medida e uma arma de plástico. Eu havia escolhido ela porque, além de eu ser um grande fã de 007, eu realmente não queria parecer um idiota.

E eu estava na esperança de que Sadie viesse de Bond Girl.

-E você, meu caro Walt, está fantasiado de... Príncipe? – perguntei arqueando uma de minhas sobrancelhas.

Walt jogou a cabeça para trás e riu abertamente, mas assentiu. Era uma fantasia de príncipe muito simples, preta como meu smoking, sem capa ou nenhuma coisa do gênero.

Estávamos na entrada do COLA, esperando Sadie chegar para escoltarmos ela até... Bem, até Ramon.Maldito menino, queimará no mármore do... Hã, Duat.

Era algo estranho, tanto para mim quanto para Walt, esperar por ela para entrega-la para outra pessoa. Como se já não bastássemos termos que competir entre si por ela ainda tínhamos que simplesmente vê-la se esfregando no mexicano.

Um silêncio levemente desconfortável se instalou. Walt chutou uma pedrinha do chão enquanto eu fingia ignorar uma garota que acenava para mim. Nunca fui muito bom com o silêncio por isso disse para quebrar o gelo:

-Então... – hesitei um pouco para pensar no que dizer – Do que você acha que Sadie vai vir?

-Eu não tenho ideia. – disse ele – Mas eu sei que ela pintou o cabelo de preto para essa fantasia.

Preto? Hm, talvez ela tenha ouvido meus pedidos e decidido vir de Bond Girl.

Walt deu um risinho abafado. Virei-me para ele, confuso e ele explicou, dando de ombros:

-Estava só imaginando Sadie em uma fantasia ridícula como, sei lá, carta de baralho ou algo do tipo.

-Walt, Walt, Walt... – disse eu balançando minha cabeça de forma reprovadora – Todo o plano se baseia em Sadie seduzir o maldito mexicano. É óbvioque ela vai usar uma fantasia sexy.

Walt engasgou-se em meio a uma risada. Eu não pude evitar rir também. A imagem de Sadie enfiada em uma fantasia de gatinha de fato era algo no mínimo hilariante. Principalmente com seus coturnos.

-Isso vai ser algo no mínimo interessante de se ver. – disse ele risonho.

Eu assenti.

-Interessante é uma boa palavra. – concordei.

Antes de continuar a narração, sinto que preciso explicar melhor onde eu estava. Eu e Walt estávamos de frente à escadaria do colégio, ao lado de um enorme arco de mármore que se abria para um longo corredor que estava servindo de recepção para a festa que acontecia no ginásio, no final do mesmo corredor. A minha frente, havia apenas o jardim da frente e a rua por onde vinham os alunos e seus acompanhantes.

Nós esperamos ali por apenas mais dez minutos em um silêncio desconfortável. Vimos Carter chegar com Zia, fantasiados como um casal de gregos. Cloe e Jaz também chegaram, fantasiadas de fada. Vimos até o tal Ramon, com seus cabelos escuros e encaracolados e pele bronzeada, chegar, com uma estranha fantasia de mosqueteiro (eu estava muito mais bonito, só para constar). Todos pareciam chegar menos Sadie.

Quando eu achava que ela finalmente havia decidido desistir desse plano ridículo, uma limusine parou no meio-fio. Pude ver Bes por de trás do vidro, sorrindo para o banco de trás. Ele disse algo que eu não conseguir ouvir e sorriu, saindo do carro. Ele contornou o carro e abriu a porta traseira para Sadie.

Eu tenho certeza de que se eu não tivesse apoiada em uma coluna, eu teria caído para trás. Ao meu lado, o queixo de Walt quase se deslocou. Ela estava tão incrivelmente linda que eu conseguia ver todos os garotos do lado de fora torcer o pescoço para olha-la.

Ela vestia uma fantasia de Cleópatra, porém um pouco diferente da comum. Ela consistia em um top de linho branco com o decote decorado com fios de ouro e fios azuis, uma saia que descia até os pés, também de linho branco, com uma fenda lateral que subia até o meio de sua coxa direita, deixando a mostra sua perna levemente bronzeada. Seu cabelo estava pintado de preto e descia até um pouco abaixo do ombro, com uma franja. Na sua cabeça, havia uma espécie de tiara dourada enfeitada com pedras coloridas. Seu rosto estava perfeitamente maquiado com azul, dourado e preto e, desenhado em seu próprio olho direito, estava o olho de Hórus. Ela também usava diversos colares e pulseiras dourados, mas eu sabia que por de baixo de tudo aquilo estava o amuleto de Walt.

Não era uma fantasia de Bond Girl. Era mil vezes melhor.

Ela saiu do carro e caminhou até a escadaria. Quando passou por nós, deu uma piscadinha travessa e continuou andando sem dizer nenhuma palavra. Eu e Walt a encaramos, aturdidos, depois a seguimos para dentro do ginásio.

A decoração era a mesma de todas aquelas que você já viu em filmes, por isso não vou me prender aos detalhes. Apesar dos esforços do comitê do baile para transformar o lugar em um ambiente mágico e luxuoso, o ginásio ainda se parecia com um ginásio enfeitado de forma desleixada com balões e faixas. Até eu poderia fazer melhor.

Sadie estava a alguns metros de nós, ao lado da mesa de ponche, servindo-se de algo. Eu olhei em volta e vi Ramon parado no lado contrário do salão encarando descaradamente as pernas dela com um olhar desejoso. Ao seu lado estava parado outro garoto, tão parecido com ele que poderia ser seu irmão. Ele estava encostado de forma displicente na parede e olhava Ramon maliciosamente. Ele disse algo que Ramon respondeu com um sorriso torto e um aceno de cabeça. Esse se afastou do amigo/irmão e seguiu na direção de Sadie.

Por um segundo, uma vontade imensa de entrar em seu caminho e empurra-lo para longe dela e soca-lo até seu rosto latino ficar amassado como um taco. Mas assim que dei um passo para frente, Walt, mais racional que eu, me segurou, lançando-me um olhar significativo. Tudo o que eu pude fazer foi voltar a ficar parado assistindo o mexicano se arrastar até ela e dizer alguma coisa.

Ela agia de forma levemente mecânica e seguia um padrão, como se alguém tivesse dito a ela como agir (o que provavelmente Jaz havia feito). Ele dizia algo, ela sorria e abaixava a cabeça, colocando o cabelo atrás da orelha. Ela não dizia muito, mais o escutava e ria esporadicamente de seus comentários. Ela trocava de posição para virar seu corpo para ele e ela respondia aos seus gestos. Sadie estava flertando.

Ambos foram para a pista de dança onde, de repente, começou a tocar uma lenta balada antiga que faziam os casais dançarem mais perto um do outro, abraçados. Mas que conveniente. Porque não poderia tocar um punk rock? Ah, não, o destino achou que seria engraçado coloca-los juntos, abraçados, com a mão dele na cintura dela e a cabeça dela em seu peito, balançando no ritmo da música cafona.

Eles dançaram por mais duas músicas, que irritantemente continuavam a serem lentas baladas, até que a sessão “Ramon e Sadie agarradinhos” acabou. Ela riu bobamente da careta que ele fez e sussurrou algo no ouvido dele. Ele olhou para ela surpreso, porém satisfeito e assentiu. Ela sorriu discretamente e semicerrou os olhos, numa expressão que eu suponho que deveria ser sexy, e pegou a mão dele, o trazendo para a saída do ginásio. Quando ela passou por mim e Walt, fez um sinal positivo com o polegar nas costas, mas não nos olhou, seguindo seu caminho para fora do salão.

Eu me virei para Walt que encarava a saída com a testa franzida.

-Eu não achei que seria tão fácil. – confessou ele.

-Quem diria que ela teria tanto poder de sedução. – concordei balançando a cabeça.

Ele colocou as mãos nos bolsos e abaixou a cabeça.

-Sadie não sabe o quão bonita ela é. Ela não sabe o poder que tem. – disse ele em tom baixo.

-Acho que ela acabou de descobrir. – comentei.

Ele não me respondeu.

Passaram-se alguns segundos de silêncio reflexivo até que Carter apareceu junto com Zia e disse nervosamente:

-Está na hora de voltarmos para a Casa do Brooklyn.

Notas finais
Por favor não me matem!
Desculpem pela demora, gente! Eu demorei porque eu fui viajar e lá na casa de praia não tem net! Além disso, eu estava com bloqueio criativo, então relevem minha demora.
Eu fiz o desenho da fantasia da Sadie, mas não consegui tirar foto, depois eu posto. Mas aqui está o link da maquiagem dela http://weheartit.com/entry/41412432 .
Obrigada pela paciência, meninas, vou tentar postar o próximo capitulo bem rápido!
Beijos ♥