Bad Boy Boogie
2 Capítulo 2 - Carne Fresca
Notas iniciais
Continuando....
Os dois embarcaram no ônibus, dirigido por um homem já de meia idade, porém com os cabelos encaracolados um pouco comprido ,com um visual hippie. Katy não se intimidou pelos outros três caras que a devorava com os olhos, espalhados pelos bancos estofados estampados de leopardo do ônibus.
-Esses são Vince — Nikki apontou para um loiro primeiro. Depois para os outros dois de cabelos escuros desfiados logo atrás — Tommy e Mick. Aquele é o velho Bill, nosso motorista. E essa é a Katy. Ah e ela não é prostituta. -Nikki acrescentou.
Os outros continuaram a encarando. O ônibus começou se movimentar.
- Fique á vontade boneca. -Vince, o loiro, a cortejou, beijando sua mão e a puxando para seu lado no assento.
Ela olhou em volta, viu alguns instrumentos espalhados, inclusive o tal de Mick estava tocando uma guitarra.
-Então vocês são uma banda? -a garota perguntou.
- Mötley Crüe. Nunca ouviu falar? -perguntou Vince.
Katy negou com a cabeça.
-De onde vocês são?
-Los Angeles baby. — o loiro ainda jogava seu charme para cima da garota.
Katy deveria mesmo ter chamado a atenção deles, não apenas por ser uma garota. Não era alta, nem magra, mas tinha um corpo cheio de curvas. Tinhas os cabelos castanhos naturais tingidos de preto , impecavelmente lisos até a cintura e uma franja assimétrica. Também tinha um estilo um pouco diferente, vestia naquele dia uma saia jeans detonada com meias 7/8 , coturno, e uma camiseta roubada do irmão á algum tempo dos Sex Pistols. Para eles, a garota de aparencia de boneca era na verdade, um pedaço de carne fresca.
- Que irônico... -ela pensou.
- O que é irônico? -Tommy se aproximou e entrou na conversa. Tinha o cabelo mais bagunçado dali e girava uma baqueta com os dedos.
- Meu irmão foi pra lá á algum tempo pra tentar formar uma banda. Ele é baixista. E minha irmã esta passando uns dias lá com ele.
-Por acaso estava fugindo pra lá? Encontramos um Opala muito foda parado na direção oposta que provavelmente deve ser seu. -Nikki supôs.
Ela riu. Era realmente isso que parecia.
-Na verdade, o carro é da minha irmã. Só estava dando uma volta mas aí ele parou de funcionar. Bem que eu queria estar fugindo pra Los Angeles mesmo, esse lugar é um fim de mundo. E por falar nisso, o que traz vocês aqui?
- Vamos fazer alguns shows. — Tommy respondeu -Está convidada a ir.
-Na verdade, está intimada a ir. Foi frustrante saber que você não nos conhece... -Nikki fez um certo drama, ainda de pé.
Katy gostou da idéia.
- Me desculpe, mas realmente nunca ouvi falar. Mas agora estou curiosa, talvez apareça mesmo em seu show.
A curiosidade dela não apenas quanto ao show, mas também a Nikki. Ela o achou completamente lindo , seu estilo era perfeito pra ela. Mas quem estava na dela mesmo, era Vince. O loiro não ficava tão atrás do moreno, tinha um corpo bem definido á mostra por uma regata e uma calça justa, seus olhos estavam delineados em preto e ele era bom de papo.
- Quer beber alguma coisa Katy? -Mick estava mais ao fundo, fuçando em uma pequena geladeira embutida.
Sua garganta seca implorou pela garrafa de cerveja que estava nas mãos dele.
-Não obrigada. Não bebo nada que venha de estranhos.
-É sempre tão desconfiada? -Vince perguntou rindo.
- Quase o tempo todo.
Nikki pegou uma garrafa, deu alguns goles e depois estendeu para Katy.
-Viu? Não está envenenada nem com algum tipo de sedativo.
Ela acabou se rendendo á bebida , a tomando desesperadamente como se fosse água para matar sua sede. As garrafas seguintes ,ao longo da conversa, foram por puro prazer em beber mesmo.
Quando Katy percebeu, já estavam se aproximando do centro da cidade.
-Podem me deixar por aqui mesmo.
Bill, o hippie, estacionou o ônibus em frente a uma lanchonete que tinha alguns adolescentes em frente.
- Muito obrigada pela carona.
-Foi legal te conhecer Katy. -disse Tommy.
- Foi muito bom te conhecer. -disse o galanteador Vince beijando suas mãos outra vez.
Nikki a acompanhou até as escadas do ônibus.
-Vai aparecer no show hoje á noite não é?
-Hoje? -ela ficou surpresa, afinal, já era quase noite.
- Ás onze. -ele deu uma piscadela e voltou para dentro.
Katy ficou parada vendo o ônibus escuro com o nome da banda escrito nas laterais seguindo seu rumo, até que dois garotos de sua escola foram falar com ela.
- Aquele era o ônibus da Motley Crue?
-Era . E daí? -respondeu ácida. Não ia com a cara do povo de sua cidade, muito menos com os meninos infantis e estúpidos que transbordavam naquele lugar.
- Você conhece eles? -o outro perguntou impressionado.
- Sim, conheço. Agora me dêem licença que eu tenho mais o que fazer.
Tinha duvidado que a banda daqueles quatro malucos pudesse ser mesmo famosa, ao que parecia eles só queriam impressioná-la, mas pelo visto, eles tinham mesmo certa fama.
Quando se aproximou de sua casa, cuja garagem servia de oficina mecânica, respirou fundo e tomou coragem. Ia precisar dela.
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