Notas iniciais
Hey!! Como vocês estão? Longo caminho do último capítulo pra cá hahaha Anyway, se você veio aqui primeiro, tem um capítulo antes desse que postei agora, ok? Leia primeiro :) -Eu estou me sentindo extremamente comunicável nesse momento, então...é, eu vou falar umas coisas nas notas finais sobre minha opinião em uma coisa e, sei lá, se você quiser ler... É sobre política, podem ler depois, mas eu queria muito compartilhar... -LEMON ALERT!!! Se não curte muito...fique atento. E, olha, faz muito tempo que eu não escrevo lemon e eu fico muito preocupada com isso, então se puderem me dar uns toques sobre o que eu escrevi, ficaria muito agradecida :) -Caramba, eu escrevi muito. Desculpa, ficou ainda mais perceptivo agora e eu tinha que falar... -Eu já me expliquei no outro cap, então...boa leitura o/

Kanda se apressou em se encostar no sofá. As sobrancelhas estavam nervosas e seu rosto parecia incansavelmente cansado de estar ali, preferindo guerrear contra os móveis. Quem sabe aquela porta estivesse tentando puxar briga? Ali, parada...

–Eu ouvi gritos, lá para aquele lado da cidade. Eu estava com meu pai, ele estava em uma loja qualquer querendo falar com algum amigo-umedeceu os lábios, escolhendo palavras-e você estava lá, naquela rua. Sua mãe estava no chão. Tinha sangue. Eles....cravaram isso-apontou para a cicatriz estranha- no seu olho. E...eu fiquei lá. Observei tudo. Não fiz nada.

Allen devia ter reconhecido os detalhes, porque afundou o rosto nos dedos em um suspiro. De repente, um pensamento solto lhe ocorreu, encaixando-se junto aos outros e causando um arrepio pela sua espinha.

–E o fato da sua...mãe te...odiar, tem a ver com...

Kanda não respondeu. Mas Allen viu como seus olhos desviaram dos seus, querendo evitar que sejam lidos. Querendo evitar que revelassem mais que o necessário. Quase como se...

...como se quisesse protegê-lo.

O albino se deixou transparecer um pouco irritado por isso. Remexeu-se no assento.

–Não vou perguntar nada- disse, com o tom pesado de tristeza e irritação- mas se acha que me protege tenho que esclarecer que tenho punhos fortes, pés bem mirados e uma cabeça no lugar. Posso lidar sozinho.

Kanda o olhou com uma expectativa estranha no olhar. Allen, que estava com o copo a meio caminho da boca, suspirou e resolveu devolvê-lo a mesa.

–Não é como se eu fosse me surpreender com isso, Kanda-disse, brincando com os dedos- estou, sim, extremamente incerto, chocado ou qualquer coisa do tipo. Mas...você se você se sente tão impotente diante daquela cena quanto eu me sentia...-balançou a cabeça-...sinto, bem, eu não sei nem o que falar. Mas, pensa só, eu olhava para você esse tempo inteiro e sentia aquele gosto de nostalgia, de que não era só isso e você me diz isso e...eu acho que agora está explicado.

Os dois ponderaram os olhares um sobre o outro antes de um suspiro duplo. Enfiaram as cabeças entre as mãos, exaustos do que quer que fosse a vida.

–Você não acha isso estranho?- o albino perguntou.

–Acho de mau gosto.

A risada veio entre um tom amargo e feliz para Allen.

–Parece até coisa do destino, quer dizer- fez gesto entre os dois- nós dois, temos...hã...-outros gestos, o que Kanda tomou como significando a relação-...isso. E agora mais isso. E...cara, estou confuso.

–Eu não estou lá muito melhor.

–Que tal a gente fazer como todo adolescente e ignorar os problemas enquanto tomamos alguma coisa?

–Topado.

Os dois se levantaram com uma dificuldade. Era como se tivessem corrido uma maratona. Allen deixou que ele o seguisse até a cozinha, onde puderam encher novamente os copos com algo que não fosse água. Refrigerante estava de bom tamanho.

–Então, como isso funciona?-Kanda estava literalmente confuso. Estava esperando voltar para casa com um olho roxo pelo menos- A gente volta ao normal? Assim?

Allen pareceu encontrar uma boa piada naquilo.

–Normal?-quase cuspiu o refrigerante- Não que eu esteja implicando, mas “normal” não se aplica a gente, Kanda. Quer dizer-ele usou novamente os gestos- um albino, um delinquente, que se conhecem em um beco, tem um-mais gestos-isso aí e brigam e todo aquele vai e vem e depois descobrem que na verdade já se conheciam e...-ele ponderou por um instante longo- cara, isso é realmente esquisito.

Kanda devolveu um rosto de “disse, não disse?”. Estava se sentindo extremamente familiar com o garoto. Era como se estivessem sempre caminhando nessa maré, não importa o que acontecesse. Era como uma ligação que ninguém impedia, muito menos os dois.

–É, mas que seja- o moreno resmungou, a respiração ondulando a bebida.

–Você acha que com isso nós podemos recomeçar? Eu não queria deixar esse buraco. Eu não queria deixar um...-ele pensou tanto sobre a palavra que Kanda ficou ainda mais nervoso-...amigo para trás só porque o mundo tem um senso de humor bem negro.

Kanda se lembrou da noite, tão longe, em que os dois estavam no bar. O olhar do garoto enquanto destruía o jogo de homens com o triplo da sua idade usando somente sorrisos e cartas nunca deixava de ser hilário...e extremamente interessante.

O moreno refletiu bastante sobre sua posição, pensou na sua mãe, sem eu pai, em Alma, até Lavi (que, a propósito, estava agindo distorcidamente demais para seu gosto), em seu tio, em seu mordomo impertinente, em como se sentia estranho em uma casa tão grande com tanto eco, no jardim não-tão-mais-secreto exagerado, no escuro e no cheiro das ruas do subúrbio, no gosto e na textura de sangue, na familiaridade assustadora em estar ao lado de Allen, nas implicâncias e apelidos que queria usar, na facilidade com a qual amolecia perto dele, nas palavras melosas que saíram naturalmente sem que ele percebesse. Seus olhos caíram sobre o garoto albino que com uma graciosidade anormal colocava mais refrigerante em seu copo.

Não. Kanda não se deixaria perder oportunidades por estupidez mais do que já tinha.

A vida curta não deixava espaço para mais arrependimento. E quando ele olhava para aquele garoto, sofrido, com tanto pesar nas costas que só aumentaram quando ele entrou em sua vida, e ainda assim em pé e com aquele sorriso que fazia algo borbulhar no seu estômago...

Vida curta. Arrependimento demais. Seu pai não estava mais aí e isso já se provava.

Colocou o copo vazio na pia e tomou liberdade para se aproximar. Allen cheirava a canela naquele momento.

–Tsc. Recomeçar é besteira.

Allen fungou, quase tirando humor da fala.

–Não acho que seja. A gente está tão fod...ferrado- Kanda achou adorável o mdo como ele se censurava firmemente- para mim a confusão é tanta que eu estou sem ação. Você é...é a personificação de uma antítese.

–De uma o quê?-Kanda não sabia se deveria se sentir ofendido, mas recuou só por precaução.

–Você é uma pessoa muito contrariada- simplificou, com um suspiro.

O moreno sabia reconhecer verdades quando as ouvia. E não esperava se sentir tão mal por isso.

–Tsc. Eu já pedi desculpas- sua voz ficou amarga sem que pedisse.

–Eu sei- o japonês se surpreendeu quando a mão passou a acariciar seu ombro- e estou muito feliz por feliz. De verdade.

Não era assim que era para ser. O moreno havia planejado ser calmo, havia montado uma grande cena em sua cabeça (o mais romântico que sua mente aguentava sem provocar um vômito), com palavras em excesso e até um sorriso exclusivo que ele sempre quis mostrar direito. Mesmo assim,, quando deu por si o estava beijando de novo.

Allen arregalou os olhos em surpresa quando a força jogou suas costas de encontro a mesa da cozinha, mas não dispensou o contato. Os olhos do outro estavam tão cerrados que não pensou duas vezes antes de correspondê-lo com carícias.

Eles se sentiam tão bem, tão espontaneamente bem assim em contato que esqueceram que, bem, tecnicamente estava brigados e, ok, tecnicamente deviam ir devagar com isso.

Mas, então, ir devagar nunca foi do feitio dos dois, então...quem vai se opor?

Allen empurrou o peito do outro com as mãos espalmadas, não por não gostar, mas por lembrar que precisavam respirar. Ofegante, ele engoliu em seco.

–Ei, ei, ei- riu baixo, testa em testa- até parece que não consegue esperar.

–Não consigo mesmo-seu rosto afundou no pescoço do albino, que passava os dedos calmamente pela sua nuca.

–Discussões para depois?

–Discussões para depois.

Allen pediu para que ele se afastasse, desamassando a roupa onde havia se apertado contra. Pegou-o pela mão sem pressa e sorriu.

Kanda sabia que estava perdido quando viu o modo como ele torceu a boca. Era O sorriso. Mas havia um toque ali. Um toque triste que não podia desviar.

O albino guiou-o pela casa até o andar de cima.

Até o seu quarto.

O coração do moreno batia como se quisesse desesperadamente sair. Ele estava mesmo...? Tipo....mesmo....? Aquilo era....?

...mesmo?

O quarto do albino era uma bagunça só. Roupas para cá, cadernos para lá. Mas no momento não era o que importava. Teria momento para examinar o local depois. Fazia quanto tempo que não se permitia tocá-lo e agora o próprio o estava tocando pela mãe.

E isso o lembrou. O que mesmo que Allen queria falar para ele antes de tudo?

Não teve tempo para pensar antes de ter os lábios (acredite se quiser) tomados. Segurou o corpo do outro entre os braços, deixando que ditasse o que quisesse nele, seguindo o ritmo que precisasse nas bocas.

Mas por mais desesperado, por mais que quisesse, aquilo não estava certo. Estava estranho. Queria olhá-lo nos olhos e ver o que pensava, entender o que acontece e...o que ele queria falar?

O moreno franziu as sobrancelhas. Estava preocupado.

–Ei, está tudo bem?- sussurrou para o garoto quando se separaram.

–Uhum, estou sim- ele respondeu, mas por um momento parou de se mexer antes de continuar a falar-só...saudades eu acho?

Kanda acenou com a cabeça, puxando-o para um abraço que significava tudo. Simplesmente. Se ele pudesse ou conseguisse dizer o quanto ele precisava daquilo, estaria feito.

Era o que a consciência dentro de si lhe dizia.

Contra e a favor de sua vontade, fez questão de criar o máxima de contato possível. Grudou as testas com as mãos apertando os lados da cabeça do albino. Leia-me, era como se pedisse com os olhos.

Não notou como os do albino estiveram brilhando. Estavam molhados. Por isso por pouco não seguiu os mesmos passos. Apesar de ter, de fato, sentido os olhos arderem com aquilo.

–É...acho que sim-sussurrou, querendo tirar toda a dor que algum dia já havia causado no mundo. Ver alguém importante chorar...ele não queria mais tirar nada daquilo-desculpa.

Apesar da palavra ter soado mais entediada e resmungada para seu gosto, Allen se sentiu melhor com aquilo. Porque aquilo era Kanda. Não era um garoto escondido no canto de um beco e se trancando sozinho num quarto cheio de nada, vazio de luz ou um homem violento que caminha na sombra das ruas, procurando vítimas, procurando alívio naquilo que os punhos e a lâmina alcançavam.

Era,a na verdade, um rapaz raivoso, que falava com os olhos e lhe dizia as mais lindas coisas sem precisar abrir a boca. Que estava se preocupando, que lhe abraçava com força e lhe chamava de moyashi com aquelas sobrancelhas franzidas. Que estava melhorando. Que estava desistindo de fugir e de machucar.

Allen secou as lágrimas com as costas das mãos. Não podia ver o rosto de Kanda agora que estava afundado em sua clavícula.

–Eu estou bem. Sério-riu, passando as mãos pelas costas largas- só um pouco surpreso, cansado, emocional...mas bem, eu acho. Só precisava de companhia-teve que usar um pouco mais de força para se separar, para que assim pudesse olhar-lhe nos olhos como queria- eu aceito as desculpas, ok? Eu acredito em você, então não me decepcione...-ele esquadrinhou o rosto dele, subitamente quebrando-se em um sorriso maldoso- ou eu devo avisar que tenho meus métodos e não são nada sutis nem bondosos.

–Tsc. Presumo que você deva me dedurar para o Alma.

O albino riu. O som fraco reverberou entre os corpos, causando algo engraçado no maior.

–Também. Ele é bem eficiente.

Allen queria vê-los. Seus amigos. Lavi, Alma, Lenalee, todos eles. Os novos, velhos e os com os quais nunca havia conversado antes. Queria se sentir acolhido e seguro.

Esquecer-se da ideia que vinha rondando sua cabeça com tanta força nos últimos dias.

E, como se pudesse ler o que se passava pela sua cabeça, Kanda se adiantou em beijá-lo ali mesmo. O contato inesperado e confortável dos lábios fez nublar sua preocupação. Isso valeu para os dois lados.

Não desgrudaram os rostos nem por um momento, mas assim que o moreno percebeu, tão concentrado estava naquele pequeno toque, estavam subindo na cama do albino com o próprio guiando-os pelo caminho turbulento. O que não foi lá uma tarefa muito fácil. Não queriam parar o beijo, então cada livro, caderno, roupa a guardar que estavam jogados em cima da cama de solteiro tinham que ser atirados para fora dali às cegas para não serem esmagados.

Quando o albino liberou a boca com um estalo para tirar um caderno de matemática de onde estava sentado, Kanda se viu conflitando com algo que ele nunca iria nem pensar em conflitar: vontade alheia.

–Hã...-subitamente, as palavras se sentiam na necessidade de vir, enquanto observava o outro tirar outros empecilhos do lugar- você...tem...certeza disso?

As orelhas de Allen estavam vermelhas, fervilhando por muitas sensações diferentes...principalmente vergonha.

–Hm...é...-até suas bochechas facilmente pintadas ficaram quentes. Ele parou de arrumar o lugar. Estava sendo apressado? Estava sendo ruim? Teria feito algo errado? Ele não tinha muita experiência com relações, então desde que estivesse a vontade e se sentindo bem, estaria bem para ele, mas...e se Kanda não quisesse?-P-Por quê? Se você não quiser, tudo bem. Eu não te vejo nem falo com você só pra isso...

–Quê? Tsc-o moreno passou as mãos pelo rosto, olhando com atenção o rosto envergonhado do outro, já começando a sentir o rosto esquentar com tudo que se passava- Não, eu não quis dizer...é que...aaah, foda-se.

Kanda pegou o rosto gentilmente entre as palmas da mão. Allen quase riu de alegria ao ver como o outro estava completamente vermelho. A situação não ajudava. Mas os olhos estavam tentando ao máximo ser sérios, então o albino se manteve firme em escutá-lo.

–Desculpa- o modo como a veia se destacava perto da sobrancelha apenas indicava que o esforço era grande- eu vou ficar melhor nisso.

–E eu vou ficar melhor...-Allen olhou cima a baixo a posição dos dois-...nisso.

O albino se assustou ao sentir os dedos passarem pela sua bochecha com calma. E...aquilo no rosto do Kanda era um (projeto de) sorriso?

–Você já é bom- se ele não estivesse sentindo todo aquele calor e aqueles dedos na sua pele, Allen chutaria estar sonhando quando Kanda o estava elogiando (de seu próprio jeito)- muito bom.

O albino não entendeu de imediato. Pelo menos até sentir algo duro cutucar sua perna esticada.

“Oh”, ele pensou, vendo como Kanda franzia as sobrancelhas envergonhado ao seguir a trilha dos olhos cinza até o meio da sua perna onde a ereção viva dava sinal de fumaça, abria um outdoor e criava uma propaganda de carro a seu favor. Os olhos do albino triplicaram de tamanho.

O moreno quase deu para trás, imaginando estar assustando-o com todo o movimento repentino e depois...”aquilo” encostado em sua panturrilha nas pernas entrelaçadas. Até que Allen suspirou no que pareceu alívio e coçou nervoso a nuca.

–Ainda bem...- algo como um sorriso passou pelos seus lábios- eu achei que só eu estava...assim.

O japonês esquadrinhou aquele rosto de pura beleza e qualidades por última vez antes de avançar impiedoso sobre ele. O beijo foi demorado, longo, profundo, alcançando cada parte que os dedos e a língua pudessem tocar. Tampouco estavam sentados um sobre o outro, tão logo estavam deitados um sobre o outro sem o menor sinal de que queriam parar com aquilo.

Kanda agarrou tão desesperadamente as costas do outro, querendo sussurrar algumas desculpas de novo, que Allen se desfez do beijo e gemeu sem saber se era de dor ou prazer. Bem, tanto faz, significados não eram urgentes no momento. Queria ter mais daquilo nele. Estava precisando. Os céus sabiam que ele estava e apenas eles.

O quarto estava cheio do som da respiração. E antes estivesse frio, agora já começavam a dar os primeiros sinais de suor no rosto dos dois, com o desejo e a vontade se jogando de cabeça em caldeiras efervescentes de lava sem maiores problemas, dando adeus logo depois de um olá.

Allen nunca diria em voz alta, mas gostava do modo como o japonês o segurava protetoramente, os dedos compridos firmados na pele das suas costas como se quisesse garantir que, sim, ele estava ali, e, claro, ele não estava fugindo. Pode tocar a vontade.

Quando os lábios de Kanda desceram até as bochechas, dali até o queixo, então voltando ao nariz e até os olhos, traçando sua gentil trilha de beijos que em nenhum momento Allen estava esperando. “Ele está gastando um bom tempo nisso”, pensou, vendo como o moreno estava cuidadoso com cada ato, demorando o quanto fosse preciso para acontecer.

Allen aproveitou para aprofundar as mãos nos cabeços compridos, dando a si próprio a liberdade de libertá-los do prendedor. Foi uma tarefa não muito fácil, já que havia um japonês faminto por carne fazendo sua refeição no seu pescoço. De tempos em tempos, suas mãos tremiam com a sensação tão boa dos dentes na sua pele, seguidos pela língua macia que finalizava o gesto.

Por mais que as palavras de Kanda lhe parecessem muito sinceras, Allen não conseguia parar de pensar em outras coisas que ele já havia dito. Que ele havia sido apenas uma vez conveniente, que era um pirralho intrometido, que devia desistir, deixá-lo em paz...

O medo de estar sendo usado não o deixava. E ele temia com todas as forças que fosse isso. Se sentia sozinho naquela cena. Apenas ele se contorcendo, somente ele fazendo sons vergonhosos... estava totalmente encabulado com tudo o que fazia, ao mesmo tempo em que sabia ser impossível parar aquilo. Castigou a si mesmo nos pensamentos, sabendo que o corpo faria tudo de proibido...

...até que Kanda gemeu durante uma mordida particularmente forte que deu. Seu pescoço ficava perto do ouvido, por isso escutou com clareza o som confortante estremecer pelo seu corpo inteiro.

O albino decidiu, dando a si mesmo pêsames, que seria capaz de se entregar inteiro agora...

...sem saber que o moreno pensava o mesmo.

Quando a boca viajante do japonês começava a descer pela sua clavícula, Allen o fez parar. Kanda pensou que ele tinha desistido de dar uma chance e algo precioso quebrou dentro dele mesmo. Mas algo ainda pior ameaçou trincar quando as mãos do albino desceram até a barra da própria camisa: o auto-controle.

Camisas largas eram especialmente boas para essas situações. Sem maiores problemas, o pequeno jogou a camisa voando pelo quarto. O moreno, por sua vez, estava ocupado pensando em lamber aquela pele tão limpa e branca.

O modo como os olhos negros o secavam deixaram-no ainda mais envergonhado.

–Ei, para de encarar- riu, sem graça- eu vou me sentir encurralado.

“Nãoécomoseeununcativessevistonãoécomoseeununcativessevistonãoécomoseeununcativessevisto”, Kanda lambeu os lábios inconscientemente, tentando voltar a realidade: agir, não só pensar em agir.

Sem perceber que estava agindo assim, os dedos passaram por cada onda, cada osso, cada músculo na extensão do abdômen e tórax que agora estava a mostra. E os mamilos, ah, ele se demoraria ali.

–Sério, você está me assustando com toda essa calmaria...- Allen sussurrou, mais como gemido que tudo. Os dedos do outro estavam esbarrando, sem saber se era propositalmente, pelos mamilos sensíveis.

Nunca. Nunca que Kanda acharia o corpo de qualquer outro (argh) homem atraente assim.

Porém Allen não era “qualquer” outro homem. Ele era o homem.

E, bem, se “o homem” dizia que não queria calmaria...quem era ele para recusar?

Não teve dois segundos antes de tomar a pele sensível sob a língua. Ele sabia que o albino tinha reações um tanto delicadas quando dava atenção aos mamilos, lembrava com clareza da única vez em que tinham estado desse jeito. Enrolados. Fisicamente.

Porque metaforicamente eles sempre estavam.

Allen não conseguia se manter quieto sob aquilo. Sua respiração ficava mais forte a cada segundo, seus quadris se antecipavam, movendo-se para frente onde queria encontrar a ereção do outro para se aliviar. Ele sabia que estava fazendo sons nem um pouco baixos, mas a casa estava vazia e Kanda estava sobre si, então não havia por que nem como impedir.

Os lábios desceram novamente, deixando a pele agora avermelhada para trás e seguindo pelos músculos abdominais. O albino era magro, Kanda conseguia sentir as costelas sob os dedos e os beijos. Somente quando chegou ao cós da calça jeans que teve que parar.

Allen protestou, claro. Porém quando viu os dedos trabalharem fielmente em abrir seu zíper. O dedos entraram pela peça e agiram rapidamente para tirá-la e jogá-la em outro canto. O albino usava apenas sua boxer cinza e por isso nunca iria conseguir esconder o volume ansioso que se destacava na virilha.

O moreno em nenhum momento pensou em estranhar que, bem, ambos tinham esse volume. Ambos eram homens. Estava ocupado demais antecipando as ações e se movendo pelo que os sentimentos diziam.

O que, caso ninguém tenha entendido ainda, era um grande “foda-se”.

E algumas coisas melosas, mas isso já é outra história.

Foi quando a risada fraca e rouca do albino alegrou o quarto. A calça de Kanda parecia três números menor.

–Acho que eu gosto de você assim- o albino disse, puxando o tecido do moreno com os dedos.

O japonês arqueou as sobrancelhas e quando falou percebeu que sua voz também estava falha e a garganta seca.

–Você tem fetiche por fazer esse tipo de coisa com homens vestidos?- estranhou, ao mesmo tempo que não.

Allen sorriu, algo entre pensativo, alegre e extremamente constrangido. Allen quis imitar o gesto, porque gostava de vê-lo assim. O albino o puxou de volta para perto, catando-se em um beijo suado.

As roupas começavam a pesar em seu corpo, o membro apertado contra o tecido duro da calça em nada ajudava. Sem desgrudar a boca do garoto, tirou o que cobria seu corpo e não se preocupou em onde estava jogando suas peças. As mãos leves do outro o ajudaram a tirar a camisa, tomando conta de seu abdômen firme e musculoso sempre que podiam.

Sempre que ajeitavam os rostos buscando um ângulo em que melhor se encaixassem, a inspiração forte fazia eco no quarto. Allen ouviu um último sonoro THUMP de tecido jogado no chão antes de se afastar, ansiando pela visão do que tinha na sua frente.

Sorriu, algo que mais lhe pareceu melancólico.

–Esquece o que eu disse sobre as roupas-afirmou, passando os dedos nos bíceps vigorosos-acho que assim é melhor.

Era engraçado como cada elogio vindo dele fazia uma festa no coração de Kanda. Sem perceber que tinha franzido as sobrancelhas (o que não foi uma resposta muito madura para a vergonha), Allen enfiou os dedos em sua testa para amenizar as linhas.

Voltou para realidade como um flash. Allen. Embaixo dele. Nu. Sorrindo.

Ele tinha prioridades. Como mostrar para aquele garoto de merda que tipo de coisa ele causava nele.

Tipo, agora.

Agorinha.

Agora mesmo.

–Ei, o que está encarando?- Allen cobriu o rosto vermelho com as mãos. Os olhos cinza espiavam entre os dedos e os joelhos se encolheram no que parecia uma tentativa de amenizar a exposição.

Só então o moreno percebeu que o estava secando de modo tão óbvio. Piscou os olhos, desviando para baixo para não se prender aos olhos. Balançou a cabeça em negação, um sinal para dispensar as preocupações.

Principalmente porque se esforçasse um pouco mais para olhar, veria que quem estava sendo secado era ele.

As ereções tensas dos dois não fazia do tempo e espera algo possível. Assim, quando a mão agarrou o volume ansioso de Allen, ele não pôde evitar o gemido que acompanhou a surpresa.

Os sons só faziam com que o moreno se afligisse mais. Queria tocá-lo daquele jeito, senti-lo como uma única vez sentiu. Allen conseguia ser extremamente sexy, assim, deitado sob ele com aquelas bochechas vermelhas, a boca entreaberta do mesmo modo que os olhos, esperando por algo que aliviasse a queimação no baixo ventre.

A pele macia que ele mordia, o cheiro de perfume masculino e suor que nem um pouco o incomodava, os olhos molhados tentando desviar de si, os braços agarrados ao seu pescoço prendendo-o a tarefa de beijar sua pele, os lábios pedintes tão quietos e os sons impudicos circundando o lugar inteiro.

Os abdomens se esfregavam com a tentativa se aproveitar o atrito. O moreno queria fazê-lo se sentir bem. Era algo impregnado em sua existência. Toda vez que via algum mínimo sinal de lamúria nos prateados vívidos, era agora sua tarefa usar de tudo para reverter. Ia aliviar o membro do albino com a mão que o acariciava acima da boxer, sentindo-se molhar e manchar o tecido.

Foi quando Kanda sentiu o toque em sua própria ereção. O som engasgado escapou antes que o detivesse. Viu o albino ainda respirando com dificuldade determinado a roçar os dedos receosos no falo ereto dentro de sua própria boxer. Aquela visão poderia preencher seus mais luxuriosos sonhos.

Mas ainda havia coisa melhor. Ele constatou ao sentir a mão entrar na última peça de roupa e envolver a carne por inteiro. Allen lambeu os lábios abaixo de si, ainda recostado ao travesseiro (ou a uma zona de lençóis que eles não se incomodavam em reconhecer) e o moreno fez o possível para esconder o rosto vermelho, mesmo que a atenção do albino estivesse em outro lugar de seu corpo.

Kanda Yuu corado. Nisso Allen só pensaria mais tarde, quando os quadris estivessem doloridos e a consciência estivesse mais forte.

Por mais que os pudores existissem, a tristeza batesse o coração e o embaraço estivesse firme e forte ainda nos dois, o desespero e a vontade tinham uma voz muito mais forte.

Saudades. Quem nunca?

O moreno observou com um sorriso sincero o olhar do outro, não querendo mais ler além do misto de desejo que plantava daqueles olhos. Os seus não estavam diferentes. Deixou que o outro fizesse o que quer que quisesse, querendo saber que ideia estava naquela cabeça.

Allen não tinha tanta apreciação ao olhar para as partes íntimas alheias, mas por algum motivo não tinha qualquer coisa que desviasse seus olhos do membro excitado de Kanda. E nem chegava a se perguntar como e por que se sentia tão familiar com aquilo sendo que só tinha chegado a tal ponto uma única vez. Com uma única pessoa.

O japonês gemeu com a mão passando pela sua extensão ansiosa, querendo mais do que tudo estar dentro de um certo albino nesse momento. Estava tão concentrado imaginando, que se surpreendeu ao sentir algo mais quente, quase subjetivo, bater naquele lugar.

E quando olhou... não foi um ataque cardíaco, mas talvez um derrame que ele tenha tido.

–Moyashi...- sussurrou, surpreendendo-se por como sua voz soava- o que...?

Queria perguntar, mas não queria interromper o albino enquanto sua boca estava tão próxima de seu membro. Não era tão difícil adivinhar o que ele queria fazer, quando os olhos luxuriosos alimentavam-se da visão e expectativa e os lábios eram umedecidos pela língua macia, mas o que Kanda queria saber era por que, como, quando, um moleque tão facilmente envergonhado conseguia se dispor a fazer aquilo.

De qualquer jeito, Allen estava lá, entre as pernas do moreno, deitado na cama. Virou os olhos grandes e brilhantes para cima, querendo ler algum tipo de permissão do outro.

–Tsc- Kanda resmungou. Como se ele fosse capaz de recusar...

O japonês apenas acariciou os cabeços brancos do menor, trazendo mechas lisas para serem presas na orelha do outro.

–Você tem certeza...?-resmungou, com as mãos passando pelos cabelos do outro, tentando buscar uma visão certeira do rosto- Tsc. Eu não quero ser taxado depois de controlador e blabla-

–Cala boca, Yuu Kanda. Eu estou tentando fazer um boquete bem sucedido e já é bem complicado para uma pessoa que não tem técnica nenhuma, se você for ficar falando vai me desconcentrar.

–Quem precisa de concentração para isso?

–Uau. Virou profissional, agora?- o sorriso dele tinha algo debochado que fez Kanda apertar suas orelhas em resposta.

O moreno suspirou, tentando sem sucesso esconder o sorriso contente que seus lábios formaram ao ver que, não, não era o único querendo sentir. E não, aquilo não era forçado. Era fluído.

–Então faça como quiser.

Na verdade, uma parte dele achava que Allen daria para trás. Então se lembrou com firmeza: Allen é o cabeça dura mais teimoso que ele conhecia. Talvez depois dele mesmo.

O menor se aproximou cauteloso no volume, a respiração torturante acariciando a pele sem que ele percebesse. E aquele rosto tão concentrado na ação como se não pudesse falhar. Não ajudava.

A língua do garoto foi tímida pelo membro, percorrendo sua ponta com um beijo. Kanda tremeu quando o garoto segurou-o pela base para ter segurança para passar por todo o comprimento. Não ligava para o gosto estranho que tinha, continuou passando beijos por ali, tentando juntar na cabeça todas as referências que podia do ato. Que não eram muitas, mas bem específicas.

Enquanto subia com a língua, teve a coragem de olhar para cima. Algo queimou ainda mais em seu quadril quando viu como Kanda se esforçava tanto para ser estoico diante das sensações que o rosto fumegava. As sobrancelhas estavam se unindo no meio da testa.

Allen não ligava mais para o incômodo ou a queimação nos olhos, enfiou tudo que podia até o máximo na boca de olhos fechados, recebendo apenas dedos apertados em seu couro cabeludo. Era esquisito sentir aquilo cortando espaço dentro dele, mas era bom de um jeito que ele nunca saberia explicar.

Talvez fosse o gemido que saiu como um raivoso abafo acima dele, ou o modo como antecipava o que iriam fazer depois. Só sabia que não estava nem aí para o gosto nem a estranheza.

Não havia cabido muito, mas estava dando o melhor para não errar. A mão que não o estava apoiando na cama ainda segurava-se perto da virilha, movimentando-se no mesmo ritmo que os lábios, para cima e para baixo, tentando criar prazer na prática.

Kanda não precisava mais do que a vista daquelas costas delgadas, cheias de marcas que ele nem lembrava de ter feito, se movendo em um ritmo aprazível em cima de si. A mão que antes estava segurando o membro do moreno calmamente foi sumindo embaixo do corpo do outro, buscando saciar a si mesmo pela frente.

Ok, desde quando Allen era assim? O moreno quase sentiu uma pontada de ciúmes plantar quando pensou nele colocando aquilo em prática com outros homens, o bastante para guiar-se na cama. E então se obrigou a esquecer. Allen estava livre, podia fazer o que bem entendesse.

Mas isso não o impedia de ficar extremamente ciumento.

Não estava nem perto nem longe de explodir e mesmo assim tateou os ombros do garoto para que ele levantasse a cabeça. O albino gemeu ainda com ele dentro da cavidade molhada. Os olhos se abriram, estavam molhados sem nenhuma tristeza. Kanda calmamente guiou sua cabeça para que soltasse seu membro e olhasse para ele, não impedindo que uma ponte de saliva ficasse entre os corpos.

–Droga, eu fiz algo errado? -a voz rouca sussurrou.

A boca estava vermelha, úmida, pedindo para ser ocupada. E Kanda o fez. Segurou o queixo do albino e se curvou sobre sua barriga para beijá-lo, apenas tocando os rostos por alguns segundos.

–Não, idiota.

Os olhos do albino permaneceram fechados mesmo após a separação, como se absorvesse o tempo passando. Kanda sentiu uma facada no peito ao pensar nele nos braços de outro, como se sentir que não era mais único, que nada fazia tanto sentido quanto precisava.

E ele repetia em sua mente “eu não tenho autoridade para isso, não posso fazer nada por isso”. E se contentava com o futuro, porque duvidoso ainda parecia melhor que incerto. E melhor que certo.

Porém qualquer besteira que estivesse pensando desapareceu assim que seus lábios foram vorazmente atacados com um fervor que ele nunca esperaria, nem mesmo naquela situação. Não tinha nada a reclamar, então apenas abraçou com força o garoto, apertando a pele entre os dedos sem resguardo.

Cuidadosamente, trocou as posições, deitando o albino cujas mãos estavam ocupadas agarradas em seu pescoço como um coala muito afeiçoado. Allen sentiu a cabeça no macio de um travesseiro e as costas em uma bagunça de lençóis frios, mas estava ocupado traçando caminhos pelas costas do moreno para ligar para a mudança de temperatura. Era confortável, considerando que suava até os cabelos grudarem na testa.

E sua ereção ainda ali, dando sinal. Seu quadril se movimentava buscando toque sem que ele impedisse.

–Kanda...-forçou a separação com dificuldade, sua respiração estava tão cansada que fazia o ar esbranquiçar bastante-...rápido.

Kanda usou um último resquício de controle para beijá-lo uma última vez e procurar o material.

Até que percebeu estar em um lugar desconhecido. Onde, naquela bagunça imensa, Allen guardava esse tipo de coisa? Ou melhor, ele TINHA esse tipo de coisa?

O albino o agarrou pelo pescoço e mordeu o lóbulo de sua orelha sem força para dizer:

–Eu comprei, achando que poderia usar- acenou com a cabeça para o cômodo ao lado- gaveta. Segunda. Rápido.

O moreno odiava ordens, mas aquela estava mais do que ótima. Achou um tubo muito útil ainda lacrado (ele até suspirou ao constatar) e apenas quando voltou para a cama, com aquilo em mãos que percebeu uma coisa.

–Camisinha?- perguntou para o garoto. Ele também não era de seguir regras, mas, sabe como é, segurança em primeiro lugar.

Allen ergueu as sobrancelhas, parecendo finalmente notar a falta quando praguejou com a cabeça no travesseiro.

O japonês olhou para a ereção dele e para a sua já revigorada, ponderando sobre a situação com um gosto que ele não gostava de sentir.

–Eu sou limpo- afirmou, extremamente sério-Tiedoll me fez passar por exames anuais.

O albino olhou para ele por um bom tempo, mas acabou rindo fraco pelo nariz. Kanda ficou dividido entre achar adorável ou irritante. Isso basicamente resumia o relacionamento.

–Eu também sou. Exames semestrais-afirmou, com convicção- Mana leva a sério esse tipo de coisa.

–Tsc. Não estamos aqui para discutir a rotina médica -o moreno balançou o tubo na mão- acho que isso é uma permissão.

–É uma permissão- Allen ergueu o tronco para plantar uma mordida no pescoço do moreno- e um pedido para que vá LOGO.

–Moyashi idiota...

Foi difícil molhar os dedos com lubrificante quando o garoto estava agarrado a sua nuca, plantando carinhos em sua clavícula, mas Kanda conseguiu. Logo em seguida sentou na cama e pediu para que o albino sentasse em seu colo.

O primeiro dedo entrou calmamente. O rosto de Allen estava afundado em seu pescoço, mas apenas sentindo o tremor em sua pele e o gemido acanhado, ele soube que era desconfortável. Tentou levar seu tempo em fazer os movimentos para dentro e para fora, buscando acostumá-lo totalmente.

Allen fazia sons manhosos em seu ouvido a medida que ele afundava o dedo na carne alheia. Estava escorregando mais facilmente que esperava, então não foi um longo tempo até o garoto vir a resmungar, sob efeito do sentimento:

–Pode colocar o outro.

Quando o segundo entrou, teve um quê bom no modo como Allen gemeu em seu pescoço. Seu quadril começava a se mover na direção dos dedos, buscando profundidade, o que de modo algum ajudou Kanda a se manter firme e forte. Seu membro pulsava de antecipação imaginando que sons arrancaria dele quando pudesse se mover.

O terceiro dedo entrou sem grandes dificuldades. Os sons do albino ficavam altos, libidinosos, como se não houvesse mais dor alguma a sentir no ato. O moreno nem mais precisava mover as mãos, assistia para seu contento o menor subir e descer de encontro aos dedos.

Não conseguia ver seu rosto do ângulo em que estava, então quando o garoto se afastou para olhá-lo nos olhos...foi ver a perdição dizendo oi e o controle dando adeus.

O rosto avermelhada por inteiro, brilhante de suor escorregando pela testa, pelo peito, os músculos contraídos no corpo esguio que cabia na palma da mão, os olhos entreabertos, chorosos, pedindo por algo intenso demais para ser verbalizado, os lábios chamativos que hora ou outra se umedeciam sem pedir. E a voz...

–Kanda...-o moreno engoliu em seco ao vê-lo sem querer ver como o estava olhando-...Kanda...

O japonês contou até três antes de colocá-lo deitado na cama. A decepção lamuriosa veio junto quando os dedos saíram de dentro da entrada apertada.

Não havia tempo a perder, então o moreno molhou o próprio membro com lubrificante, não sabendo onde jogou por fim o potinho. Ergueu as pernas do garoto para os lados de seu corpo, beijou-o no pescoço e encostou a ponta do falo na abertura vermelha pelo preparo.

Olhou para o garoto, vendo-o tão erótico deitado com a pele vermelha, expressão implorante. Pediu permissão com o olhar e recebeu-a com um toque de pressa.

E fez seu caminho pela entrada, devagar.

Cada pedaço o fazia sentir a loucura, sua cabeça começava a suar, fumegar com as sensações sem nem as ter completado ainda. As unhas de Allen cravaram no lençol, os olhos cerrados com força, a boca aberta não fazia sons, tentando silenciar a dor inicial.

–Hmf...-o albino abafou o som com a mão enquanto Kanda ia se colocando dentro de si.

Era desconfortável, mas não era de todo ruim. Allen abriu um pouco os olhos, além das lágrimas insistentes que embaçavam a visão. O moreno mantinha uma expressão entre o concentrado e descontrolado. Pingos de suor formavam-se na sua testa e o lado de seu rosto ficavam vermelhos até as orelhas. Os fios livres e soltos faziam cócegas no abdomes do menor a medida que Kanda ia se aproximando, com as mãos apoiadas um de cada lado de sua cabeça na cama.

Ficaram um bom tempo assim, só se acostumando as posições e passando os olhos um pelo outro.

–Oe- a voz,apesar de rude, não condizia com o olhar do moreno- você está bem?

Allen não sabia se estava ou não aparentando estar bem, mas ele sabia muito bem como se sentia.

Riu fraco, segurando no braço do maior.

–Ótimo-respondeu, mesmo sob o olhar duvidoso do outro-é sério.

Kanda apertou ainda mais as sobrancelhas. Allen claramente pensou que não era hora para dar uma de preocupado. Rolou os olhos e mexeu o quadril para ir de encontro ao outro.

O moreno apertou o olhar com a sensação lasciva em seu baixo ventre.

–Pode se mexer-o albino completou nem um pouco arrependido pelo quão desesperado ele soava desse modo, apertou os braços ao redor do pescoço do outro. Queria ele perto de si o momento inteiro agora.

Foi uma pequena espera de hesitação antes que o albino sentisse a primeira estocada. O movimento não era de todo tranquilo. Allen escondeu um engasgo ao sentir a pele raspar dentro de si, sabendo que seu parceiro estava bem com aquilo apesar de tudo.

Respirou fundo, tentando afastar a dor inicial. “Tudo bem, eu já fiz isso uma vez”, ele disse para si mesmo, esforçando-se para minimizar os efeitos ruins com coisas boas.

Kanda se moveu mais uma vez. Agora, pego se surpresa, o gemido saiu um pouco sofrido, não passando despercebido pelo moreno. O menor tinha a pele enrugada entre as sobrancelhas apertadas, como se estivesse tentando concentrar-se nos olhos para a dor passar.

O japonês parou de tentar se mover, serrando os dentes com a decepção, mas ainda cheio da consciência de que, não, se não fosse bom para os dois, não seria bom para nenhum.

Desde quando ele dá valor a isso é uma coisa. Saber que ele se importa é outra.

Allen forçou ainda mais a linha na testa quando percebeu a ausência de tentativa.

–O que foi?- resmungou, os olhos pesados sobre o outro.

E como Kanda estava. Linhas duras, rígidas, expressão impassível, fechada, como se estivessem baixando o albino a uma linha menor. O que não queria dizer nada, já que as letras estavam decoradas por Allen como capítulos de um livro muito difícil de ser interpretado.

Quando ele disser que o namorado dele diz belas palavras, que o namorado dele é um Machado de Assis nessa era moderna, ele não vai estar falando de cartas ou declarações que ele tenha recebido.

Mesmo com o incômodo inicial, a dor não duraria para sempre. Allen leu a preocupação estranha naqueles olhos negros que tremulavam diante de sua imagem, o rosto fazendo sombra dentre a cortina capilar que escorria até a cama. Soltou um riso abafado, limpando resquícios de lágrimas inofensivas e encostando os dedos trêmulos da sensação do moreno ainda estar, aliás, dentro de si no rosto. Kanda reagiu diante do toque, mas as mãos apoiadas na cama não saíram do lugar.

–Ei, eu disse que pode se mover, não disse?-sem que esperasse mais um segundo, o albino apertou a orelha do maior-Está tudo bem. A dor sai. Só não estou acostumado, faz tanto tempo...

Um súbito calor alegre subiu pelo moreno ao tirar daquelas palavras a notícia de que não tinha rivais atuando no seu caminho. Pelo menos esperava.

Afundou-se mais, com o incentivo das mãos fincadas em suas costas, tecendo linhas de unhas em sua pele. Por mais que até gostasse daquilo, o melhor era ouvir os quase miados do garoto em seu pescoço. Para esconder a vontade de retribui-los, usava da boca para marcar os ombros e pescoço de Allen, querendo aproveitar o que conseguia da vontade de tocar que tinha tão intensamente abalado seus pensamentos.

A sensação queimante que subia toda vez que se movia era demais. As estocadas que antes eram cuidadosas pouco a pouco iam perdendo a calma diante da aprovação do albino.

Tudo estava bem. Allen estava terrivelmente adorável entre seus braços, seu corpo suava de tanto prazer correndo pelos movimentos, sentia os braços abraçarem com vontade sua nuca enquanto se enterrava no garoto. Mas ele sabia que algo estava faltando. A noite estava indo bem. Muito bem, para falar a verdade.

E não demorou muito para achar. A abrupta mudança no tom da voz do moyashi, quase como um grito surpreso arrancado da garganta, as unhas afundando de repente onde as mãos se agarravam em seu pescoço. Kanda achou que o tinha machucado de alguma forma, praguejou qualquer coisa em sua mente. Até que ouviu com clareza o complemento implorado do outro:

–Hm...de novo, Kanda...-Allen gemeu contra a sua pele, Kanda sentiu a ereção do outro raspar em seu abdômen quando ele o puxou para mais perto-...ah...bom...ali....

Não seria agora nem nunca que ele recusaria. O japonês tomou as palavras como sinal de aprovação certeiro, aumentando o ritmo gradualmente e buscando sempre aquele ponto no fundo que fazia o albino fazer sons tão eróticos preencherem seu ouvido.

Havia suor em suas costas, mas Allen não podia ligar menos. Uma das mãos soltou do pescoço, fazendo seu corpo perder o apoio e cair de costas na cama macia. Os dedos envolveram seu próprio membro pulsante, tentando aumentar o prazer que já sentia com os movimentos de Kanda dentro de si.

Com o colchão mole indo a cima e a baixo, a cabeceira trombando alternadamente com a parede, e as mentes nubladas de volúpia fervente, o compasso das estocadas chegava a um som frequente de pele em pele a medida que se intensificava a favor dos dois.

Allen ouvia claramente o moreno rosnar e gemer coisas que ele não conseguia nem precisava entender. Tinha a pele do peito até o rosto mordiscada e beijada até não sentir mais direito o que era dor e deleite. De fato, não precisava.

Conforme o ritmo ditava, o albino aumentava seu próprio sobre seu membro.

No quarto não se via direito nem se ouvia direito. A concentração era sentir.

Mesmo assim, o modo como o lugar se preenchia de súplicas, gemidos e declarações que não seriam exatamente lembradas, fazia de tudo ainda mais divertido.

Quando o albino sentiu que estava próximo do limite, fez questão de parar com os movimentos em seu próprio corpo para focar no outro. Era um pouco difícil com a água salgada ofuscando sua vista e o moreno se movendo em cima de si, mas não era difícil prender os olhos em Kanda tanto quanto parecia.

Como o japonês parecia focado demais em se mover, quando a unha de Allen sutilmente passou pelo seu ouvido, virou o rosto rapidamente para o garoto querendo saber se tudo corria tão bem para ele quanto ele sentia. Somente a visão debaixo de si, com sua expressão devassa, imersa, sorrindo para ele...Allen já era bonito e adorável normalmente, mas se pudesse vê-lo assim o tempo todo com certeza não seria ele a reclamar.

Algo o avisou que não estava longe de parar.

–Não quero pressionar, nem nada...-com a voz trêmula e rouca pela garganta seca, Allen resmungou- mas eu acho que-

–Eu também- Kanda nem esperou para falar.

Allen foi surpreendido por uma estocada forte que o fez aumentar o volume da voz por um momento. O moreno estava empenhado agora em chegar até o ponto que daria prazer ao albino.

Allen cobriu o rosto com um dos braços enquanto o prazer canalizava pelo seu corpo inteiro em meio às estocadas rápidas e fortes do parceiro. A respiração quente embaçava o ar a sua volta.

O albino pressionou os lábios um sobre o outro, tentando reagir diante da onda de prazer que percorreu seu corpo tão intensamente em espasmos corridos que o fizeram apertar até os dedos do pé.

Quando a sensação se foi, tão cansado estava, com um alívio estranho tomando conta de sua respiração, que quando tirou o braço dos olhos somente que percebeu o líquido branco sujando os dois corpos e algo esquisito onde Kanda ainda estava. Ou seja, dentro dele.

Então se lembrou, como uma lembrança corriqueira.

–Ah, sem camisinha-disse, enquanto o moreno tentava normalizar a respiração pós-orgasmo.

Ouviu-o engolir em seco firmemente. Kanda calmamente escorregou para fora de si, percebendo que havia se liberado ainda dentro do garoto tão imerso estava para lembrar-se de detalhes.

–Acho que vou ter que limpar isso depois...- Allen riu, com a garganta seca, chamando a atenção do moreno. Queria mais era que Kanda deixasse de preocupação, que parasse de egoísmo, mas que não deixasse de pensar em si. Que visse que o perdão estava ali e que não precisava se atentar a tudo tão preciosamente quando podia simplesmente se aproveitar.

Tinha tantas coisas que queria mostrar ao moreno.

E então o gosto amargo que o consumia por dentro veio para a boca. Engoliu forte, tentando esquecer e não sabendo completamente se havia sido bem sucedido.

–Bem- abraçou o outro com firmeza, nem se preocupando em limpar o líquido que escorria pelos abdomens e pela sua entrada ou ainda com a bagunça do quarto- mas eu estou cansado agora, se não se importa eu vou dormir.

Kanda, jogado ao seu lado na cama, entre seus braços viu o albino fechar os olhos e sussurrar um boa-noite apressado e bocejado. OS olhos negros esquadrinharam o rosto sereno que ainda dava indícios de cansaço. Fazia tempos que não sentia vontade de dormir como sentia agora.

Sem mais uma palavra, envolveu o corpo inteiro do menor nos braços e fechou os olhos, esperando que aquele brilho de medo e insegurança que por um momento apareceu no olhar do menor fosse apenas uma ilusão do momento.

Notas finais
Ok, como foi? Reprovado? Aprovado? Eu sei...escrevi demais...sorry. -Cara, eu estou tão feliz por ter postado... :) tão leve. - O próximo deve ser Self Destruction :) -Enfim sobre o que eu queria falar...é sobre as eleições. Minha opinião, ok? Nada contra nenhuma outra corrente de pensamento, peço que sejam tolerantes... Para começar, não sou a favor do PT nem do PSDB. Não gosto da Dilma nem do Aécio. Muito pelo contrário, creio que acabaria votando nulo, por mais errado que pareça, mas algumas opiniões me infernizam. Olha, eu vivo em um bairro classe média, estudo em uma escola particular razoável, tenho uma casa, um carro, assim como a maioria dos meus colegas de classe e de escola. Obviamente que a coisa que eu mais ouço é "Ah, nordestinos burros, colocando a Dilma, não veem que estão sendo enganados. A gente vai ter que sustentar um bando de vagabundo pobre agora, votou pra ser sustentado!", ok, pense assim, mas isso é um pensar totalmente egoísta. Eu falei para os meus pais minha opinião e eles já vieram falar que eu estava alienada, que só porque sou mais esquerda não sei o que estou fazendo, que sou muito jovem para dar opinião e que quando crescer e ganhar meu dinheiro eu vou entender tudo. Primeiro, muito jovem para dar opinião? Meus caros, se eu não tiver opinião aos 16 anos de idade, eu não estou viva não é possível. E se os jovens não vão ter opinião, quem vai agir pra mudar algo? A grande parte de adultos de meia idade que fica reclamando sentados no sofá, jantando calmamente e nada faz? Sei não, acho que se me lembro bem, liberdade de expressão existe, então eu posso usar. Segundo, pobre vagabundo? Isso não passa de uma generalização de uma mente estadunidense! Pobre no Brasil vai para escola pobre em educação, não tem mais. Lugares onde professores às vezes partem para violência porque os alunos são violentos, onde há tráfico de drogas, acesso a armas de fogo...conheço pessoas que estudaram em uma escola por uma semana e o amigo que fez lá foi morto por uma bala! Que tipo de ambiente educacional é esse? Enquanto pessoas saem da escola para trabalhar nas classes baixas, os mais ricos desfrutam de uma escolaridade boa, paga, onde tudo é organizado e de qualidade. Pobres vagabundos? Imagina fazer essas duas populações competirem em um mercado de trabalho! Quem vence? O mais rico que tem educação boa ou o pobre que não tem nenhuma? Pobre não carece de oportunidade. Brasil é um país ruim que quer pensar como Estados Unidos, mas veja: lá, a educação até ensino médio é PÚBLICA, então ambas partes da população saem com a mesma base de ensino. É muito fácil criticar assim quando está confortável. Terceiro, vamos parar com a xenofobia? Sério, não é respeitoso, muito menos pra quem se diz saber como votar para salvar o Brasil. O Nordeste teve investimento da Dilma, é óbvio que eles iriam votar nela, assim como Aécio favorece outra parte da população que quer votar nele. Simples. Você vota em quem te faz melhor, não é? Não vale nada ficar caindo em cima dos outros por isso. Quarto, não acham que talvez estejam sendo "alienados" a favor do Aécio? A coisa flui dos dois lados. Não fiquem achando que ele será o salvador da pátria não. Basta um pouco de busca pelo histórico dele. Na verdade, qualquer político. A maioria não demonstra muita experiência de vida, porque grande parte tem alguém na família no ramo, o que significa ser sustentado pelo dinheiro da família, o chamado playboy. Uma pessoa disse que queria colocar o Aécio apenas para uma mudança de rumo no governo, se ele não fosse bom, tirariam. Ok, na mesma energia e força que as manifestações do ano passado? Que virou festa de foto pro instagram? Não tenho certeza sobre isso... Quinto, de forma ALGUMA eu estou defendendo a Dilma, ok? Eu, na verdade, até apoio programas de redistribuição de renda. Ajuda, tá? Não são todos que são sustentados pela Bolsa Família, e os que usam para conseguir escolaridade para os filhos e então emprego ainda estão na contagem. Isso não quer dizer que precise ser o PT no poder. Eu não apoio a permanência do PT, acho que é muito ruim para o Brasil e não deve se prolongar mais do que isso. Sexto, meus pais votaram no Aécio no primeiro turno, alegando que "não, ele é ruim, mas é menos pior que a Dilma". Ah, então desde o começo foi só DilmaxAécio (xMarina)? Aposto que muitos ridicularizaram as propostas de outros candidatos (como eu vi alguns falando do PV, tipo, pra caramba, mas, não que eu apoie também, não perceberam a essência das propostas) e só se concentraram nesses três. Porque eu vi muito disso. Há outros partidos, ok? Existem outros caminhos além do PT e PSDB. Sétimo, na Alemanha, eles tem educação sobre política desde pequenos. Quantos de npos tem aula de política? Com a mídia tendenciosa, a falta de informação pode ser enorme. Eu fico muito preocupada com isso. Oitavo, lembrando que eu levei um esporro por expressar minha opinião em casa. Por ser JOVEM e ALIENADA. Porque ter uma opinião diferente significa estar errado e completamente manipulado. É só uma opinião, não vou sair por aí que nem o Robin Hood haha Nono, só porque eu falei que achava bom o Bolsa Família (não, sério, olhe, além da oportunidade de escolaridade e sustento maior para poder conseguir um modo de fazer seu próprio dinheiro, temos que lembrar que eles não ganham uma fortuna com o bolsa família, né... e pense, só, com eles tendo dinheiro, há possibilidade de consumo, o que quer dizer que podem comprar, veja só, de você! Significa economia de movimento e beneficiando você também!) eles começaram a falar sobre socialismo, que eu sou socialista e vou dar dinheiro dos ricos para os pobres. Rá, espera. EU nunca disse que sou socialista. pelo contrário, desprezo! Socialismo é ditadura, é injustiça. Aristóteles dizia que justiça é tratar desigualmente os desiguais para equilíbrio das relações sociais. Justiça é diferente de igualdade, se você fez mais, você merece. Quem nem a economia de comunhão de algumas empresas: enquanto há empresas em que o salário é fixo não importando o lucro da empresa que faz o chefe lucrar mais, há aquelas em que é proporcional, a faxineira não ganha mais que o chefe, mas quando a empresa cresce, o salário dela também aumenta. Não sou socialista. Definitivamente não. Se precisasse escolher, acho que tenderia mais para o anarquismo, ainda que não seja exatamente isso... Décimo, é, acho que já escrevi demais. Desculpa por isso...mas para você que leu até agora...me fale sua opinião. Se você gosta do Aécio, tudo bem, só tentei mostrar outro lado do pensamento. Se gosta de Dilma, tudo bem, tentei dar uma variada de pensamento. Se gosta do PSOL, ok, se gosta do PV, ok, se gosta da Marina, ok. Gosta de batatas, super ok! Anti-partidário? Ok! Me diga, o que eu falei condiz com o que você pensa? Não? Me conte!! Pode discordar, eu não mordo e não odeio ninguém hahaha de verdade, eu gosto de ouvir as pessoas. Se quiser vir me entregar uma teoria sobre a felicidade, pode vir hahaha -Até o/ obrigadíssima por lerem e me esperarem!