Bad Boy

37 Anormal (capítulo final)


Notas iniciais
Heey!! SE VOCÊ CLICOU NESSE CAPÍTULO PRIMEIRO, SAIBA QUE EU POSTEI DOIS HOJE, ENTÃO TENHA CERTEZA DE QUE LEU O ÚLTIMO!! Último capítulo de Bad Boy, por favor leiam as notas finais! COmo sempre, eu reli o capítulo, mas erros sempre passar, então me avisem por favor!! Boa leitura! o/ E obrigada por ficarem comigo até aqui! (AVISO: LEMON)

Como todo bom ser humano, era uma estrutura racional.

E como todo bom ser humano quando está só, era uma estrutura desmiolada.

É um completo desastre o quanto cansa ser humano.

Mas tão profícuo, tão prazeroso, é ser seu.

—x-

oOo

—X-

Semanas depois

Allen pagou com as poucas moedas que guardava o cobrador do ônibus. Estava realmente procurando uma forma de se livrar destas, que eram numerosas e pesadas ainda. O homem o olhou torto, mas era algo que já estava acostumado, seja pelo albinismo, seja pelos últimos resquícios de um olho roxo que já se esvaía.

Com um lugar à janela vago, sentiu-se sortudo. E isso era estranho quando notado.

Desde que sua vida voltou a ser repleto de preocupações não mais emocionantes que uma recuperação, uma equação logarítmica, as compras de fim de mês e um lugar vago no ônibus, sentia-se tão...normal.

E desde quando ser normal era estranho?

Desceu no ponto certo, uma pequena vitória, pois tinha o costume de se distrair ou deixar-se levar pelo sono. Parou com espontaneidade na pequena barraca de flores para gastar as últimas moedas numerosas em poucas e simples rosas vermelhas.

Flores clichês, com certeza, mas, de mesma forma, bonitas.

Apesar do clima frio, o Sol despontava com timidez entre as nuvens. Fazia o começo de tarde parecer promissor e, quem sabe, seria. Quem sabe mais um lugar vago no caminho de volta.

Ainda assim, apesar do sol, apesar das flores, apesar do sorriso no rosto, o peito ainda apertava, naquele sentimento profundo que não tem explicação. Uma sensação de perda tremenda que ainda residia, hóspede parasita inflamando o coração e a mente, que não tinha razão nem contentamento. Era a pura perda. Eram flores de velório que ele mal havia pensado em carregar.

O albino enfiou o rosto nas poucas rosas que tinha nas mãos, porque, apesar de não serem para si as mais perfumosas, não eram de se ignorar. Era bom e confortante, o cheiro impregnava seu nariz.

Com sorte, agora Kanda gostaria de flores nessa situação. Talvez.

Pegou o celular para visualizar doze ligações perdidas de Tiedoll que não queria retomar de jeito nenhum e uma mensagem de Lavi que não queria ler. Tinha a mente cheia e nenhum costume de mexer no celular e andar ao mesmo tempo.

Mas se por ventura caísse, estava mesmo a caminho de um hospital, quem sabe fosse um modo mais rápido de chegar ao destino.

Tanto pensou e já havia chegado. Andava por aqueles corredores com afinidade, fazia parte de sua rotina desde pouco tempo e até sabia nomes de alguns funcionários e histórias familiares de alguns pacientes.

Parou no balcão, como sempre fazia.

-Oi, Allen! Está mais radiante hoje!– a moça, jovem, que o recepcionava sorriu para as flores- Trouxe flores?

O garoto deu de ombros, um pouco envergonhado.

-Obrigado. Passei por elas na rua, estavam bonitas na barraca- e, ironicamente, acrescentou- apesar de que acho que ele não vá se agradar muito com o gesto.

A mulher riu, porque sabia como qualquer outro funcionário o trabalho que era conter aquela pessoa no quarto e fazer os tratamentos necessários. Era uma violência difícil de ser contida e rotineira agora para o hospital.

-É, não parece mesmo algo do gosto dele- ela concordou- mas são muito bonitas mesmo... Pena que Kanda não está mais aqui, ele recebeu alta hoje. Quer dizer, ele meio que se deu alta hoje.

O albino não pôde nem fingir não estar surpreso.

-Quê?

-É. Ele teria que esperar mais alguns dias para melhor avaliação, mas mesmo assim pegou as coisas, ofendeu praticamente todo mundo e saiu ameaçando os médicos. Ele falou que você talvez fosse passar por aqui.

-E...

-Só isso, não falou para onde ia, nem se tinha que falar algo pra você- ela tentou esconder o riso, sem sucesso- Desculpa.

-Não, tudo bem- o garoto suspirou, esfregando o rosto- acho que eu deveria esperar algo assim dele.

-Bem, o tio dele disse que iria te avisar, mas vendo você aqui acho que ele não conseguiu?

Allen lembrou das tantas ligações para seu celular e percebeu que se fosse menos preguiçoso teria se poupado de uma caminhada inútil. Tantas ligações de Tiedoll já foram fúteis, mas a única que ele ignora vem a ser produtiva.

-Eu vou nessa, então- o garoto disse, ácido, planejando como iria matar seu namorado por ser um completo idiota egocêntrico enquanto corria para a porta tentando não derrubar ninguém no caminho.

-Boa sorte!- ela gritou.

-Obrigado!- Allen quase trombou com um enfermeiro enquanto respondia, derramou pétalas de flores pelo chão inteiro, mas alcançou a saída.

Enquanto esperava o próximo ônibus, tentava ligar para Tiedoll como garantia, no entanto já tinha em mente o exato lugar onde procurar.

—X-

oOo

—X-

Lavi voltava com o jornal do dia em uma mão para onde Alma e Kanda estavam sentados na calçada. Na outra, vigiava mensagens no celular, o que o fez dizer assim que se aproximava:

-Ei, Yuu. O Allen parece meio bravo nas mensagens que ele me mandou. Você não avisou que estava saindo do hospital?

O moreno, sentado em uma posição que não provocava seu ferimento em processo de cicatrização, apenas o encarou com um olhar promissor. Praticamente um ano com Allen e ele já começava a desenvolver habilidades de expressão como essa.

Claramente já tendo imaginado a resposta, o ruivo apenas balançou a cabeça. Se riu, não contaria para Allen, porque este, pelo que lia nas mensagens, estava a um bom álibi de matar o próprio namorado recém-saído do hospital.

-Será que vocês alguma vez vão parar de ficar provocando o outro desse jeito?- ele respondeu, no lugar- Parece que nunca vão parar de brigar.

Alma ofereceu-lhe o pacote de ruffles do qual comia assim que Lavi se acomodou ao lado deles e aceitou de bom grado o petisco que o moreno recusara.

Os três, lado a lado na calçada esburacada, assistiam como se fosse um espetáculo os construtores do outro lado da rua, transformando um antigo bar reduzido a cinzas em uma nova construção. O que era, nenhum deles sabia ainda. Quem sabe um novo bar renasceria ali mesmo, mas Alma esperava mesmo que nascesse ali algo novo e altruísta. Algo para visitarem e verem o quanto haviam transpassado, o que ficaria para trás.

O garoto olhou para Kanda, que, apesar de tentar manter o rosto firme e a postura rígida, ainda se via inconscientemente mexendo a perna para encontrar uma boa posição, encontrava dificuldade em andar sem mancar de vez em quando. Foram tempos difíceis, mas ele sobreviveu com tão grande sorte por não ter tido uma artéria ferida, que ninguém poderia reclamar.

Alma ainda tinha dores aqui e acolá, pequenas manchas roxas que ainda não clarearam por completo, mas não tinha um buraco perigoso na perna. Ele e Lavi tinham se recuperado fisicamente com grande êxito.

Ao contarem as grandes novidades ao resto dos Exorcistas, mantidos nas sombras por grande tempo, seja por ressentimento, seja por medo, foram recebidos, o ruivo e o garoto, com abraços e lágrimas de felicidade que acompanhavam um bom espírito festeiro que deles era característico. No entanto, a despeito de toda a comemoração, pois, veja, agora as ruas estavam livres, pertenciam a eles mais uma vez, era diferente. Cada um havia embargado de forma diferente na vida. Tinham o receio, novas visões, grandes saudades. Krory, aquele homem acanhado, havia arranjado até mesmo uma namorada.

Todos ainda eram Exorcistas, carregavam a aventura no sangue, mas não mais dessas mesmas ruas. O medo havia despertado neles outras grandes aventuras.

E Kanda, naquele tempo, ainda passava por difíceis procedimentos médicos, Alma roeu todas as unhas e Allen completou todas as palavras cruzadas possíveis nas salas e quartos do hospital, ninguém poderia imaginar a situação.

Ainda assim, felizardo era o albino, cujo nome era sempre o primeiro a ser chamado pelo moreno sempre que acordava de um longo período de sono induzido por medicamentos. O nome, não mais o apelido.

Tivera tempos em que Alma e Lavi confortaram um Allen que se via obrigado a imaginar um mundo em que viveria sem o moreno. Não foram bons momentos, mas foram breves. Logo os dois namorados começaram com suas usuais brigas e discussões, o que significava, e os médicos logo captaram, que ele estava ficando bem.

Agora podia até fugir do hospital com tranquilidade, como bem viam.

E, ainda que ambos discutissem constantemente, era inegável para qualquer um o alívio e a felicidade que eles transmitiam ao olhar um para o outro e saberem que um estava lá pelo outro. Até Lavi, que sempre teve um rancor com esse relacionamento, ficou mais alegre quando as coisas voltavam a se endireitar entre eles.

Alma apenas pousou a mão no ombro do amigo, assustando Kanda com o contato súbito e sem sentido. O moreno o encarou com o usual olhar violento, mas Alma não recuou.

—Tsc. O que foi?- Kanda acabou por perguntar, já que ele não tirava a mão do seu ombro.

—Nada...só estou feliz que você está aqui- Kanda o olhou como se fosse um alienígena, mas acabou por não responder nada, nem desviar do contato.

—E também queria dizer que o Allen está vindo nessa direção e não parece nem um pouco feliz.

Os três voltaram seus olhares para o garoto que vinha em passos rápidos pela rua, claramente cansado porque ofegava um pouco e tinha a testa coberta em suor. Assim que o albino localizou Kanda, apressou-se furiosamente, ao ponto em que, quando estava a poucos metros do trio, Alma e Lavi distanciaram-se do moreno, um alvo imóvel.

—Bakanda!- o albino esbravejou, apertando sem querer as flores que ainda tinha em uma mão.

Kanda, por sua vez, o encarou sem esconder o mínimo sorriso sardônico que tinha no rosto, o que apenas enfureceu o outro ainda mais.

— O quê? Vai bater em alguém ferido?- o moreno falou sarcasticamente, apontando para a perna sem demonstrar uma ínfima impressão de que ele mesmo se preocupava com o buraco cravado à bala em seu corpo.

Allen apertou os olhos, acostumado com as provocações, então golpeou o ombro do namorado sem poupar forças antes de sentar-se ao seu lado e, portanto, unir-se aos outros a observar a construção do outro lado da rua.

—Sério?- Kanda perguntou, esfregando o lugar golpeado.

—O buraco está na sua perna, não no seu ombro- Allen explicou-se -Poderia ao menos ter me falado, ia me poupar o dinheiro que eu gastei no ônibus.

—Eu não tinha muito tempo para pensar nisso, já que estava tentando FUGIR daquele lugar. Tsc.

—Não custava uma ligação.

Mesmo com o tom acusatório, o albino depositou sua cabeça no ombro do mais velho e pareceu encerrar a discussão por ali mesmo, pois Kanda tornou a beijar sua testa como retribuição.

—O que vocês acham que vai ser ali? Agora que não é mais o Midnight Mercy?- Allen apontou para onde os construtores trabalhavam.

—Um bar, com certeza- Lavi espreguiçou-se. Desde o conflito suas costas tinham dado um mal jeito incômodo- Nenhuma outra coisa funcionaria direito por aqui.

Alma revirou os olhos, o que não lhe era muito costumeiro.

—Eu espero que seja algo como uma escola- ele falou, observando os homens carregarem para lá e para cá materiais de construção- mas não acho que com a situação do bairro isso aconteça...

O albino subitamente se alegrou, o que irritou Kanda porque ele se afastou do seu ombro para se aproximar de Alma. Por isso, ele se viu obrigado a pelo menos ouvir a conversa.

—Ei, meu pai me disse, Alma. Você vai começar a estudar comigo, é isso mesmo?

O outro também se iluminou ainda mais, um sorriso que nenhum deles tinha visto ser tão grande, ainda que Alma sorrisse constantemente.

—É! Tiedoll realmente conseguiu convencer meu pai. Ele é realmente bondoso por ajudar... Bem que Kanda podia ter metade de toda essa bondade.

Kanda apenas revirou os olhos. Um dia Alma ainda tentaria colocar seu namorado contra ele e Lavi certamente ajudaria sem pensar duas vezes.

—Tsc. Deveria agradecer por não ser irritante que nem aquele velho.

O ruivo riu alto, assustando alguns funcionários do outro lado.

—Ué, Yuu, você acha que você não é irritante?

—Usagi, se você gosta de viver, melhor não abrir mais a boca.

—Honestamente- Allen disse, já se apoderando do pacote de ruffles- da próxima vez que vocês quiserem partir para os socos, eu vou deixar e só um vai sair vivo.

Lavi pulou para o lado do albino e passou-lhe o braço pelos ombros, em um quase abraço.

—Claramente o Allen irá torcer pelo melhor amigo, né?- Lavi disse, apertando-o — Namorados em segundo plano.

Kanda tirou o braço do ruivo que envolvia o albino com um pouco mais de força que o necessário, fazendo os outros três rirem e quase engasgarem com o salgado. Guardando a raiva, resolveu ele mesmo colocar o braço ao redor de Allen e prontamente lançar um olhar pouco amigável a Lavi, que parecia se divertir mais com a situação.

Estava claro para tanto o moreno quanto o ruivo que a rivalidade se desvanecia, para restar o que para Allen sempre fora realidade, que era a amizade forte entre este último e Lavi. Todos cresceram, em meio a todo o caos do perigo, para aceitar que seria assim e nessa configuração sentiam-se muito bem.

Não havia outro para Allen assim como não havia outro para Kanda, Lavi bem sabia. Eram dois dos melhores amigos que nunca pensou que teria, apesar das mentiras, apesar das confusões. Apesar das dores e das mortes.

—E você, Allen?- Alma perguntou.

—Eu o quê?

—O que vocês espera que eles construam no lugar do Midnight Mercy?

Com uma expressão pensante de olhos apertados, o albino ponderou sobre o lugar. Kanda não diria, mas achava o modo como seu rosto se contorcia ao pensar extremamente atraente. Fazia-o querer toma-lo ali e agora, para matar a saudade que conversas em um quarto do hospital não saciavam.

—Eu acho que vai ser uma moradia. Talvez um albergue? Outro prédio? Não sei.

—Para mim não dá para ser mais nada além de um bar- Lavi completou mais uma vez e folheou o jornal que havia trazido nas mãos- por falar nisso, vocês souberam algo do Tyki? Nunca mais vi nada suspeito nos jornais, agora que os Exorcistas- e nisso ele apontou para todos eles, sentados numa calçada vazia, avaliando o trabalho de construtores e brigando por um pacote de batatas- não estão ativos.

—Nada sobre Akumas?- Alma questionou.

Lavi balançou a cabeça, passando rapidamente as folhas, cuja manchete era nada mais que uma matéria econômica.

—Depois do incêndio e do anúncio da prisão do Conde, nada mesmo. É como se nenhuma gangue mais estivesse nas ruas.

—Das duas, uma- Allen pensou alto- ou Tyki sumiu por si só, ou ele realmente conseguiu assumir novamente os Akumas e está se organizando. Para mim, ele seguiu com o plano e por isso nem veio a intervir com a construção acontecendo no próprio bar.

Lavi deu de ombros.

— Talvez ele só não queira se ver envolvido na confusão policial associada ao que aconteceu. É o que eu faria. Eu me esconderia um pouco para decidir o que fazer. Talvez nunca mais ouçamos falar deles, essa é a realidade.

—Mas ele não estava em uma situação mais grave que o Kanda?- Alma perguntou- O ferimento, eu quero dizer. Os médicos me disseram, mas eu só o vi uma vez no hospital e ele estava inconsciente.

Allen e Lavi também haviam visto Tyki apenas uma vez, pouco consciente e ainda sofrendo tratamentos para as injúrias perigosas. Mal puderam trocar palavras, mal puderam entrar no quarto.

—Tsc. O Verruga saiu antes de mim do hospital- Kanda contou- Acho que os novos capangas dele deram um jeito. Diferente de vocês, que me deixaram para escapar sozinho.

Allen apertou os olhos para o moreno.

—É porque o plano era você ficar lá até os MÉDICOS te liberarem. Ou então eu não teria ido te visitar hoje e gastado meu tempo.

Ele apenas revirou os olhos em resposta. Odiava hospitais e como os enfermeiros ficavam lhe fazendo perguntas e vindo checar seu estado a cada cinco minutos. Era irritante e ninguém poderia culpa-lo por ter tomado medidas violentas.

Todo o tempo que passou sendo obrigado a fazer exames e a ficar deitado o dia inteiro poderia ter sido passado com Allen.

E agora estava aqui, com ele em seus braços.

Kanda beijou as costas da mão dele para tentar espantar a rasa raiva que o assolava, recebendo um aperto de volta.

—Então essas flores eram para o Yuu?- Lavi perguntou, apontado para as milagrosamente vivas rosas nas mãos de Allen e segurando sem sucesso uma risada.

O albino subitamente lembrou que as estava segurando, estavam um pouco cansadas, talvez por toda a agitação e o derramamento de pétalas no caminho, mas imaginava que poderia coloca-las em água para salva-las.

—Mais ou menos...- foi a resposta que conseguiu- Eu estava pensando... eu estava pensando em deixa-las na casa de Daisya.

Foi claro o impacto que ainda tinha aquele nome. Instantaneamente, o silêncio instalou-se no grupo, que se viu mais concentrado no barulho dos funcionários empilhando e carregando peso. Mais surreal que o conflito de pouco tempo atrás, era pensar em um amigo que partira tão repentinamente.

Agora, porém, ao invés de um grande peso nas costas, Daisya mais parecia uma força, mantendo-os firmes aonde precisavam.

—É- Alma disse- a gente devia fazer isso. Ele vai ficar muito feliz.

Allen sorriu de volta. Alma era um amigo que tinha ganhado em toda essa anormalidade e tinha grande felicidade em tê-lo conhecido.

—Então...- Lavi falou generalizando, mas olhou diretamente para Kanda, sempre um líder- o que será dos Exorcistas?

Kanda observou atento o lugar que tanto frequentava ter ruído para tornar-se algo completamente novo. Tantas pessoas, montando tijolo por tijolo, cimento por cimento, diretamente das ruínas em cinzas de algo completamente capenga. Sua perna doía e ele tinha a impressão de que teria isso impregnado no corpo até o fim.

—Tsc. O que você tá falando? Ainda estamos aqui, não estamos?

Lavi sorriu, o jeito de sorrir que só ele conseguia fazer parecer natural.

—Você que fala, chefe- brincou, suspirando- acho que mesmo sem sair por aí quebrando todo mundo, a gente consegue se manter. Quando chegarmos nos setenta anos a gente transforma os Exorcistas em um clube do livro e tá tudo certo.

—Ah- Alma pensou nos ferimentos doloridos pós-briga, inconscientemente esfregando as marcas esvanecendo na cabeça- por mim a gente já podia passar pro clube do livro agora.

—Quem sabe assim o Kanda me fala sobre os livros que ele tanto lê e não me diz o nome- o albino falou, um pouco ácido.

—Allen- Kanda não segurou o tom que anunciava a todos uma nova discussão do casal.

—Sabe- o garoto falou, apertando-se mais no conforto do outro- agora que você fala meu nome, não fica tão ameaçador quanto antes.

O moreno sorriu, um raro gesto honesto que estava ficando cada vez mais frequente. Para alegria de Allen, claro, que amava aquela expressão no rosto dele e sempre fazia questão de deixar isso o mais evidente possível.

—Vamos- Lavi disse, se levantando — vamos deixar essas flores na porta do Daisya antes que escureça.

Allen levantou-se e observou Lavi e Kanda tentarem ao mesmo tempo levantar Alma, cada um segurando um braço e puxando enquanto este ria das tentativas falhas e sem sincronia da dupla.

É. Ele era realmente muito feliz por ter esses idiotas em sua vida.

—X-

OOo

—X-

Mana agachou-se no túmulo da esposa, para depositar um buquê de flores.

Antes, tinha o costume estranho de conversar com ela, contar-lhe as novidades de Allen e da vida. Coisas que ela certamente acharia muita graça, porque nisso ele tinha prática, sabia exatamente como ela agiria e isso o ajudou em todos os anos em que cuidou sozinho do filho. Porque nunca esteve sozinho.

Agora, tinha a impressão de que ela sempre sabia o que acontecia, independente do que ele contasse ou não. Ela sempre estava sabendo, pois estava sempre com eles, observando e suportando-os, conversando com eles por pensamentos e ideias.

Por isso, agora costumava vir e deixar-lhe flores, apenas. Buscava sua companhia.

Ao se levantar, despedindo-se com pensamentos bons, Tiedoll o seguiu pelo cemitério, até encontrarem o túmulo de Jun, pai de Kanda.

Para ele, Mana fez questão de sentar para conversar após deixar-lhe um outro buquê de flores. Fazia um bom tempo que não passava por esse túmulo, estava mais que na hora de voltar a esse costume.

—Eu não fazia ideia de que vocês se conheciam- Tiedoll disse, deixando dessa vez suas flores para o irmão.

Mana riu, porque era seu costume ter um sorriso no rosto.

—Nem Allen sabe, nem Kanda, creio eu- respondeu- por isso eu resolvi te contar, não achei justo que não soubesse também.

—Bons amigos?

—Ótimos amigos- corrigiu- éramos da mesma faculdade, depois nos afastamos. Nunca cheguei a conhecer sua família, mas eu já sabia que Kanda era seu filho... Foi muito estranho, era como se Allen e ele estivessem cumprindo nossa amizade- riu, mais alto do que antes- só que eles foram para muito mais que isso.

Tiedoll sorriu, ao se agachar ao seu lado. Com certeza sentia falta de seu irmão, ele sabia como lidar com o temperamento do filho como ninguém e tinha uma compaixão transparente.

Começava a ver como Allen conseguia trazer esse lado perdido de Kanda e como esse relacionamento apenas faziam dos dois algo melhor. Juntos.

—Ei, Jun- Mana disse, um pouco tímido- Nossos filhos se conheceram. Juro que não tive nada a ver com isso, eu nem imaginava. Eles só...se encontraram. E estão namorando. É algo maravilhoso- ele suspirou, ajeitando as flores no túmulo- eu realmente queria que você estivesse aqui para ver o quando cresceram, o quanto seu filho cresceu.

Tiedoll por si só já havia passado longas horas nesse lugar, com e sem Kanda no encalço.

Quando o garoto se envolveu com as ruas, tudo que ele podia imaginar era o que Jun faria em seu lugar, porque apesar de todas suas tentativas, ele nunca se desligou do costume. Agora sabia, no entanto, que era preciso mais do que ele tinha disponibilizado e foi Allen quem soubera, ainda que não soubesse naquele tempo.

Mana se levantou, a idade atrapalhando o movimento que já doía nas pernas. Expulsou a poeira impregnada na calça, já tinha compartilhado o que precisava com o velho amigo.

—Sabe- Tiedoll percebeu que se dirigia a ele- por muito tempo eu me senti culpado. Por Allen, pela minha esposa e por ele. Só estávamos naqueles lados da cidade porque eu tinha trabalho e ele queria me apresentar sua família... Nossa, que dia horrível. Eu estava tão feliz por reencontrar meu amigo, mas nunca aconteceu, porque a tragédia veio antes. E então nunca mais.

—Não tinha como nenhum de vocês saber. De nada serve carregar uma culpa tão grande assim.

—É-Mana sorriu- agora eu sei. Agora eu sei.

Tiedoll deu-lhe tapas nas costas, sabendo que às vezes o silêncio é ótimo conforto.

—Agora você o reencontrou- disse- seu filho e o Yuu continuaram a história. Um salvou o outro. Eu sei que o Jun está feliz e que em nenhum momento deixou de acreditar na amizade de vocês. Acho que ele sempre soube.

Mana espantou uma lágrima solitária, esperando que o outro não a captasse. Apesar de sempre ser aberto às emoções, não era sempre que gostava de demonstrar os mais frágeis lados de suas dimensões.

Ele realmente queria ter feito mais pelo amigo, mas quem havia feito mais fora Allen.

—Essas crianças são realmente inexplicáveis, não são?

Tiedoll riu ao lado do novo amigo.

—É. É como se fosse destino- ajustou suas vestimentas simples e olhou pela última vez o túmulo do irmão, onde jaziam dois buquês diferentes e ajeitados, estava na hora de ir, ou desabaria mais uma vez- vamos nessa? Já está escurecendo e estou faminto! -guiaram-se para saída do cemitério, satisfeitos em espírito, mais leves do que entraram- se quiser pode aparecer para jantar, sempre há sobra de comida.

—Imagino que Allen vá passar a noite por lá? Soube que Kanda saiu do hospital.

—Escapou, na verdade- Tiedoll deixou transparecer a raiva que ainda tinha. Havia feito de tudo para manter o garoto lá até que estivesse totalmente curado, sabendo do desgosto deste por locais como aquele, mas os esforços foram em vão. Parecia que Kanda fazia por fazer ser contrário.

Mana até tentou conter o riso, mas agora sabia porque Allen parecia tão agressivo ao contar-lhe por mensagens.

—Você é um bom guardião- disse-lhe, porque era verdade. A preocupação e o carinho de Tiedoll pelo moreno era transparente. Sabia que ele movimentaria montanhas e reviraria cidades se fosse preciso pelo bem do sobrinho.

Ele respondeu com um sorriso, sentindo-se afortunado pelo elogio. Era o que mais precisava ouvir sempre.

Amava Yuu como um filho que nunca teve e que agora certamente tinha.

Na rua, com a despedida do Sol e o cumprimento das luzes artificiais em prédios e calçadas, avistaram sombras conhecidas. A idade apertava a visão e os dois só puderam identifica-los quando já estavam próximos.

—Pai? Tiedoll?- e assim Mana soube que se tratavam de Allen, Kanda, Alma e Lavi, que estavam a caminho da casa de Daisya.

—Allen- Mana o apertou em um abraço de cumprimento- Onde vocês tão indo agora? Achei que estavam na construção.

—A gente estava- o garoto respondeu, enquanto seu pai bagunçava seu cabelo afetuosamente- Mas agora nós estamos...nós estamos indo visitar um amigo.

Todos os outros concordaram, o albino, inconscientemente, ajeitando na mão as flores resistentes.

—E vocês dois?- o garoto perguntou, curioso. Era difícil ver seu pai na rua a essa hora quando ele geralmente estava se preparando para fazer o jantar.

—Nós também. Estávamos visitando um amigo. — Mana olhou para Tiedoll, que olhava para Kanda como quem começa a escolher as palavras para uma bronca. Allen sorriu para o pai, não lembrando-se de um amigo que ele compartilhasse com o tio do moreno, mas ainda assim bem feliz por seu pai estar saindo em horários tão adversos.

—Estamos indo para casa. Tiedoll nos chamou para jantar, mas eu já tinha planejado comer em casa. Imagino que você já tenha planejado passar por lá.

Ainda que o rosto de Allen enrubesceu-se, o pai mal percebeu.

—Hã...mas pai se você for comer sozinho eu posso ficar em casa e passar amanhã.

Mana dissipou a preocupação com um gesto generalizado.

—Allen Walker, deixa disso. Seu namorado acabou de sair do hospital- apertou-lhe as bochechas, lembrando de como gostava de fazer isso- claro que você pode passar tempo com ele. Vai visitar seu amigo, porque já está anoitecendo- ele olhou prontamente nos olhos do filho, sério e preocupado- e você sabe que fica perigoso.

—Obrigado, pai – ele sorriu, apressando-se a avisar os outros.

Mana despediu-se do filho com um aceno junto de Tiedoll, recebeu um aceno de cabeça de Kanda, um agradecimento em disfarce que ele também estava aprendendo a reconhecer. Agora sabia depositar tal confiança no grupo, apesar de tudo.

Tudo estava ficando bem.

Cherry e Jun sabiam também.

—X-

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—X-

Poucos minutos para a meia noite, eles nem pensavam em dormir.

Era como se depois de tudo, a vida, minuto por minuto, fosse importante para viver. Sem desperdícios, sem subestimar nenhum momento.

Deitados na cama do moreno, Allen olhava para as sombras de movendo no teto do quarto enquanto Kanda enfiava-se num livro. Depois de tantas semanas numa cama sem mais nada para fazer além de ler, era de imaginar que ele iria cansar, mas não parecia nem perto disso.

Cansado de ver formas transformarem-se acima de sua cabeça, o albino virou para o outro, que ainda lia atentamente, e arriscou se aproximar mais. E mais. E mais. Ao ponto que seu nariz encostava na lateral do rosto de Kanda.

O moreno apenas moveu os olhos para olhar o outro e voltou-se à leitura novamente.

—O que foi?- perguntou para o garoto cada vez mais grudado em si. Sentia-se amarrado a um polvo assustado.

Allen apenas enfiou-se ainda mais no espaço do outro, passando a esfregar seu nariz no pescoço do moreno. Kanda não era de passar perfumes, mas tinha um cheiro marcante misturado a sabonete e desodorante que o albino nem sabia que tinha sentido saudade de sentir até esse momento.

Para alguém que considerou nunca mais ter a possibilidade de sentir esse cheiro novamente ou ter companhia nessa cama, era muita emoção para se processar.

—Allen, você tá bem?- percebendo a quietude do outro, Kanda largou a leitura e voltou-se a ele. Nunca pensou em si mesmo como alguém carinhoso ou preocupado, mas aqui estava, um pouco aflito pelo outro.

Allen por sua vez, não tinha ainda se acostumado com ele falando seu nome ao invés do apelido. Toda vez que ele pronunciava aquelas poucas letras, seu estômago borbulhava de felicidade.

—Do que você tá rindo?- havia uma pontada de raiva no tom do moreno e o albino nem havia percebido que ria até que ele apontasse.

—Nada- falou, olhando nos olhos do outro. Às vezes esquecia do quão penetrante conseguiam ser, o escuro confundia-se com a pupila, olhavam-no com tanta intensidade que lhe tirava o ar- Só... lembrando do quanto eu senti sua falta.

Apesar do menor ter ignorado a voz trêmula, o outro não foi tão misericordioso, sentindo a verdade que aquela frase carregava. Até porque ele mesmo também havia sentido, quando estava ponderando se sobreviveria com aquele ferimento, ele nem saberia como se despedir. Pela primeira vez, realmente temeu pela sua vida, agarrou-se a ela como nunca antes.

Allen fungou, espantando olhos marejados rapidamente, para voltar a encarar Kanda.

Os olhos prateados enquadravam-no, faziam-no sentir-se pequeno, mas tão capaz. Encostou-lhes os narizes, querendo se aproximar mais das íris claras como um lago congelado e craquelado.

—Eu também.

O albino sorriu de orelha a orelha. “Olha a felicidade do desgraçado”, pensou Kanda, apenas para manter os costumes.

—Também o quê?

—Tsc- revirou os olhos- você sabe.

—Hm?

—Tsc.

—Fala.

—Não.

—Por favor?- Allen tentou sua técnica infalível de olhos pedintes, vendo que Kanda quase caiu, mas recuperou-se. Estaria ele agora imune a essa tentativa?

Ao invés de responder, os olhos do moreno adquiram uma expressão diferente e faminta que o albino logo soube identificar, esmagando os lábios juntos em um beijo longo e repentino.

Tinham trocado alguns aqui e acolá quando estavam no hospital, porém nunca tinham tido privacidade suficiente para realmente demonstrarem o quanto sentiam a falta um do outro. Agora, no entanto, tinham de sobra.

Tentando mover-se para cima do garoto, Kanda sentiu uma dor excruciante na perna e interrompeu o beijo para segurar-se numa posição confortável. O albino pousou a mão onde o moreno estava pressionando o ferimento até que a dor passasse.

Mesmo que ele tentasse não mostrar, Allen identificou a dor que ele certamente sentia.

—A gente não precisa fazer isso ainda- sussurrou com um sorriso, passando a mão pelo rosto do maior.

—Eu quero- Kanda respondeu, com uma determinação característica que dizia que não pararia até sua perna cair e provar que não havia modo de acontecer.

Allen apenas sorriu mais e selou-lhe um beijo rápido nos lábios. E decididamente colocou-o de volta a deitar na cama.

O moreno, surpreendido, pensou em um ou dois xingamentos, que foram interrompidos pelo albino tomando uma posição acima dele e apressando-se em tirar as roupas de ambos, com calma e ainda assim velozmente.

Ao tirar a camisa de um Kanda ainda surpreso -em um bom sentido, claro- beijou-lhe o nariz, depois a testa, as bochechas, o pescoço... Demorava-se a passar, seu rosto percorria extensões de pele antes de depositar-se.

—Hoje eu faço tudo — Allen beijou os lábios de Kanda demoradamente, não querendo se desfazer do contato tão desejado- você acabou de sair do hospital.

O albino voltou a distribuir beijos, pelo peito, pelo abdômen, tomando seu tempo para apreciar o namorado, mostrar um amor por gestos, por calentura, porque às vezes palavras simplesmente não eram suficientes. Kanda afundou os dedos nos cabelos de Allen, acompanhando a cabeça enquanto este passeava pelo seu corpo.

—Allen- chamou, vendo o garoto olhar para si, olhos marejados de desejo e boca rosada de tanto distribuir beijos.

O albino sorriu tão forte ao voltar a beijá-lo, nos lábios dessa vez, que Kanda não se impediu de fazer o mesmo. Nossa, os músculos do rosto doíam de tanto sorrir e isso é uma dor que ele nunca pensou que ele fosse sentir.

—Desculpa- Allen disse ofegante e ainda sorrindo maleficamente após quebrar o beijo prolongado- eu estou com um pouco de pressa, então...

Kanda concordou com a cabeça, mas admite que não ouviu nada que o albino havia falado, estava distraído demais com sua própria excitação pulsante e os lábios do garoto. Viu-o alcançar o criado-mudo para encontrar o lubrificante que sempre estava por ali e quando foi mexer-se para ajudá-lo a se preparar, foi interrompido por uma mão no peito o empurrando de volta para a cama.

—Eu disse que hoje eu faço tudo- Allen explicou, uma expressão acesa e sedutora no rosto, decerto perverso como ficava quando jogava cartas- seu trabalho é relaxar e observar.

O moreno deu de ombros, colocou as mãos atrás da cabeça e ficou a observar, gostando daquilo.

Terminado a fala, lambuzou os dedos com demora, vendo o namorado impaciente. Pousou a mão no peito de Kanda e as pernas uma em cada lado de seu corpo, inclinando-se o bastante para seu dedo encontrar sua entrada.

O rosto encostado no de Kanda, provocando-o com a proximidade, colocou o primeiro dedo, não deixando de mostrar-lhe o quão bem se sentia. Em movimentos vagarosos, duradouros, o dedo ia e vinha para prepara-lo para o segundo. E o terceiro.

Allen olhava-o nos olhos, gemendo baixo enquanto os dedos sumiam em sua entrada, o excesso de lubrificante espalhando um barulho escorregadio pelo quarto. Kanda sentia seu membro pulsar de onde ele encostava no do menor, igualmente excitado.

Inquieto, o maior tirou os braços de trás da cabeça para passeá-los pelo corpo do outro. O gesto notoriamente causou efeito e Allen tremia sob seu toque, seus dedos ainda sumindo dentro de si e seu membro friccionando no de Kanda.

Em seu limite, Allen retirou os dedos lambuzados de sua entrada agora disposta e não esperou nem dois segundos para começar a introduzir o membro ávido abaixo de si. Estava ele talvez ainda mais apressado que o moreno. Os dois sabiam que não iria durar tanto, esse era o momento que imaginavam há semanas, momentos de intimidade que não puderam ser cumpridos.

Allen calou os gemidos de Kanda ao abaixar-se e encaixá-lo com um beijo mais uma vez, ainda que não durável.

—Eu senti falta disso- ele disse, assim que toda a extensão estava inserida, massageando sua próstata vagarosamente quando ele fazia pequenos movimentos- eu realmente senti falta disso dentro de mim.

—Allen...- Kanda ofegou, não querendo implorar para que este se movesse. Mais um pouco nessa situação e ficaria louco, com certeza.

Sabia exatamente o que ele esperava e sorriu quando levantou o quadril o bastante para que quase todo o membro saísse e voltou a descer. Gemeram em uníssono, uma sensação que trazia estrelas abaixo dos olhos, explodindo como supernovas.

Allen continuou os movimentos, para cima e para baixo até acomodar-se. Com uma mão espalmada no peito de Kanda, tomou a liberdade de aumentar a velocidade, descendo cada vez mais frenético, com maior intensidade e força, o misto de emoções se tornando estalos de carne em carne correndo pelas quatro paredes e fazendo a cama ranger contra a parede.

—Kanda...- ele conseguiu soltar, entre uma fala ininteligível e outra.

Os sons extasiados percorriam-no pelo corpo todo, observando o moreno fechar os olhos em completo prazer. Não era apenas um ato carnal, eles sabiam, aquilo era perfeito para queimar tudo o que sentiam, lembrar-se que apesar de ter pensado que talvez nunca mais pudesse sentir-se assim, estava novamente sentindo.

Ele sentia que estava a vir, mas fora Kanda que alcançara o ápice primeiro, tremendo abaixo de si e pequenos espasmos que correram rapidamente da cabeça até a ponta dos pés.

O moreno rosnou ao ainda ver o albino investindo-se contra ele sem diminuir a rapidez. Seus dedos ainda corriam pelo corpo alheio, estimulando seus pontos mais sensíveis. Kanda tinham-nos decorados e nunca parava de pensar neles.

As duas mãos apertaram-lhe as nádegas e Allen atingiu imediatamente o clímax, não segurando os sons que tornaram a sair de sua boca.

Exausto e ébrio, então, desabou com o outro na cama, não se preocupando em primeira instância em tirar o membro que permanecia em sua entrada.

Estava mais preocupado em capturar aquele momento, os dois, olho no olho, ofegando no pequeno espaço que dividiam. Estavam mais que saciados: estavam felizes.

Assim que recuperaram o ar, ambos começaram a rir. Algo histérico, inexplicável, porém tão satisfatório que nenhum deles questionou até que a vontade tivesse passado e estivessem apenas os dois, um sorrindo como bobo para o outro.

Allen tirou-lhe a camisinha usada e tentou mirá-la na lixeira mais próxima, errando por milímetros, mas sem se encanar. Agora tinham todo o tempo do mundo para consertar pequenos erros juntos.

O albino afundou a cabeça no peito do maior, sem explicações, apenas querendo sentir o coração dele bater contra seu ouvido, o melhor som que o fazia dormir sabendo que tinha a pessoa amada ao seu lado. Agora sem condições, sem aflições. Apenas um calor cômodo e uma fina camada incômoda de suor.

O moreno afundou o nariz nos cabelos claros, sentindo o cheiro de xampu misturado a um quê que era só dele. Ali, sentindo pele em pele e aquele aroma singular, via-se pensando na vida. Realmente pensando. Em um futuro, em novas ideias e novos ideais. Nunca tinha parado para pensar no que significava estar vivo e agir por querer estar. Agora parou e sabia o que era.

—Eu te amo- sussurrou, vendo o albino que quase se entregara ao sono enrijecer de surpresa.

—Eu também te amo, Bakanda- respondeu, sem pensar duas vezes- e eu realmente acho que temos que tomar um banho- riu, mas não saiu do lugar.

Não precisava nem pensar nisso. Amar Kanda era algo agora tão natural para Allen.

Às vezes ele lembrava-se como sua vida era normal, um tédio que ele mal aguentava. Rotina robótica e sem emoções que ele repetia com garantias. Agora, tinha saudades da normalidade, mas não, nunca, do que conheceu fora dela. Quem conheceu, o que aprendeu... E, principalmente, como se sentiu.

Fora um amor anormal e não por isso menos que um amor normal.

Ambos dormiram mais uma vez nos braços um do outro. Dali até o fim.

FIM

Notas finais
GENTE, sério, como começar a agradecer? 1 mol de muitíssimo obrigadíssima!!!! Por aqueles que acompanharam, que comentaram, favoritaram e me encheram o saco também. Nada seria o que foi sem vocês. Bad Boy foi uma grande experiência para mim e espero que também tenha sido para vocês e fico feliz por ter conseguido terminá-la apesar dos problemas, dos desvios que cometi da história original e hiatus não planejados hahaha Apesar de não ter sido exatamente como imaginei, ainda assim me contentei com a história. Ainda mais, me contentei com o suporte que recebi aqui por vocês depois de todo esse tempo e por isso não tenho mais ninguém para agradecer além de vocês, seus lindos e lindas!!! s2 Espero realmente que tenham gostado e que talvez possa vê-los em Pure (que eu prometo terminar com dignidade) e outras histórias que eu talvez venha a escrever! (E venho aqui também divulgar uma série norueguesa chamada Skam que realmente me encantou (mas não tem disponível para nós, então tem que procurar sites na internet), principalmente a terceira temporada que trata do Isak, um garoto que está descobrindo sua homossexualidade. Eu amei como a série tratou o assunto, focando muito no desenvolvimento da personagem e até em transtornos mentais. E, também, Yuri on Ice!! Um anime de patinação no gelo que não vai te decepcionar. Viktuuri é maravilhoso! Desculpa, precisa compartilhar essas minhas duas novas obsessões hahaha) Sério, gente, muitíssimo obrigadíssima!! Obrigada por me darem essa experiência maravilhosa que foi escrever essa história! Até uma próxima! o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!