Bad Blood
1 ✘ Elas serão como irmãs
Notas iniciais
As duas mulheres correram o mais rápido que as pernas permitiam, e no caso delas, sim, era uma grande velocidade. Tessa e Goldie rumavam para escapar daquela explosão prestes a acontecer. A missão que fora atribuída a elas era quase funesta, levando em conta que precisavam testar o seu valor na A.C.C.I (Agência de combate ao crime internacional). Se tornaram amigas desde o treinamento intensivo, depois disso, as duas moças uniram forças e tornaram-se uma a proteção da outra. Posteriormente, Tessa casou com John Young e Goldie casou-se com Uriel Holt.
— Corre, Goldie. – Gritou a loira.
Tessa era uma mulher bela, de formas bonitas, cabelos loiros e olhos espalhados em tão profunda água, que um oceano assemelhava-se ao seu olhar. Goldie, por sua vez, era um pouco mais baixa, mas não menos bonita. Cabelos longos e negros, com olhos em tons de mel. A fábrica se desintegrava atrás delas, enquanto os pés não cessavam a corrida. Os maridos encontravam-se em outra missão, não em dupla, mas um em Londres e o outro em Detroit. Nova York era delas naquele momento. John advertiu que Tessa não deveria voltar, não tão pouco depois de Catelyn nascer, e o mesmo valia para Goldie. É, elas poderiam ser gêmeas, assim como, suas filhas recém-nascidas. Da mesma forma como Goldie e Tessa se tornaram amigas, o destino faria Catelyn e Asryn tornarem-se irmãs de convívio. Elas esperavam que assim fosse.
Estavam em casa, sozinhas, enquanto as mães tentavam defender o mundo, trazer um pouco de calma para aquele lugar. A máfia não parecia desistir de tomar para si cada parte daquele pedaço de terra, da mesma forma que a A.C.C.I também não estava disposta a entregar a nação para os vermes desprezíveis. Várias partes do uniforme negro e justo delas estavam rasgadas, devido aos momentos dentro daquele empório de sucatas. Deveriam coletar algo, algo que não sabiam, mas tinha conhecimento que estava naquela maleta. Sucesso, elas haviam conseguido, mas não haviam driblado parte dos capangas de “X”, o líder, o mentor de toda a destruição.
Nunca viram seu rosto, mas sabiam quem ele era. Ele fazia questão de deixar claro, mesmo que seu rosto fosse um mistério trancado a sete chaves. Um grupo de atiradores saiu da parte de trás da antiga fábrica e com seu armamento pesado deflagravam tiros na direção das duas mulheres, estas, habilidosas, esquivavam-se com maestria. Uma sorriu para outra, quão maroto era o puxar de lábios que davam nos momentos de cumplicidade. Quando você entra para a A.C.C.I, fica para trás tudo que sua vida costumava significa, mas uma nova vida surge, e na maioria das vezes ela acaba te surpreendendo. Foi isso que fez por gerar a amizade entre Goldie e Tessa, talvez a perda da família de Goldie, talvez o rompimento de Tessa com a família.
Em meio aos tiros que ecoavam sem parar, a loira puxou a morena e viraram numa esquina. Conheciam aquela cidadã como a palma de suas respectivas mãos. Tessa sabia que haveria um muro no final daquele beco, aparentemente, sem saída. Pular não seria difícil. Goldi virou rapidamente e atirou uma lâmina afiada, que rapidamente acertou o pomo de adão de um dos sentinelas.
— Está pronta? – Perguntou Tessa ao ver o muro aparecendo à sua frente. A loira rodopiou uma pequena cápsula nas mãos. Era revestida em ferro, semelhante à uma granada. Mas não, aquele objeto seria apenas para distraí-los.
— Se você está pronta, eu estou pronta. – Goldie sorriu.
Num movimento furtivo, Tessa arrancou o lacre superior de ferro e jogou o objeto na direção da entrada do beco, fazendo com que qualquer um que se aproximasse dali naquele momento pudesse sentir os olhos queimarem e a tontura. Ao notarem a proximidade máxima do muro, Goldie preparou o suporte para que a loira pudesse saltar primeiro, no entanto, algo abalou seu corpo. Algo a perfurou e transfixou ao outro lado. Uma bala.
— Goldie! – O grito de Tessa ecoou.
O corpo da morena tombou no chão imediatamente. O momento tornou-se ainda mais tenso e perigoso, pois mesmo sabendo que podia ser atingida, Tessa correu até o chão. As vestes de Goldie já começavam a destacar as manchas tão escuras quanto o tecido da mesma. A loira cobriu a boca:
— Péssima hora para ser pega e para chorar, amiga. — Disse Goldie ao tocar na barriga, local onde a bala transfixou.
— Eu tenho de tirar você daqui.
— Não vai ter chance, não há como. Vai precisar quebrar o código uma vez. – Advertiu a morena. A dor a consumia.
— Cala a boca, Goldie. – Tessa tentou pegá-la e ajudar a levantar do chão, todavia, isto foi inútil. A fumaça parecia esvair-se do portal do beco.
Tessa sentiu os olhos começarem a ficar úmidos por uma quantidade de lágrimas que brotaram ao ver a melhor amiga naquele estado. E pensou que a vida estava passando rapidamente diante dos olhos, era a última vez que veria Goldie. E ela nunca esteve preparada para dizer adeus. Você aceita os riscos quando decide salvar vidas, mas não aceita os laços partidos pelo destino.
Goldie tateou a buscar pelas mãos da amiga:
— Me faz um favor? – Ela chorava também.
— Faço. – Tessa disse.
— Cuida da minha pequena, não deixa Asryn sozinha. Ela está sozinha, nunca vai conhecer nem a mim e nem o Urie. Dê uma família para ela.
— Ela e a Catelyn vão ser grandes amigas, vão ser irmãs, amiga. Eu prometo. – A fumaça enganosa já era quase inexistente.
— Tessa? – A voz de Goldie estava embargada e ao mesmo tempo sumindo — Me perdoe por deixar você, Tessa.
— Você não tem culpa. – E então a loira a abraçou como podia.
Em meio aquelas lágrimas, então, a morena disse algo:
— Irmãs, elas vão ser irmãs, assim como, nós vamos ser para sempre. Foge! – A ordem foi clara, mesmo que tão fraca.
A loira de um beijo nas costas da mão da amiga e levantou-se com determinação. Ao saltar no muro e ver os guardas começarem a atirar, conseguiu escapar par ao outro lado de tijolos. E enquanto Tessa corria pelo caminho de volta, sabia que jamais se perdoaria por deixa-la. Mas também tinha outra certeza, Asryn teria uma família.
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