Bad Blood

1 Prólogo


-Não.

Essa foi a minha curta resposta para a pergunta idiota da minha irmã. Qual era a maldita pergunta? Se eu acreditava em fantasmas, vamos rir.

-Qual sua comida preferida? – perguntou Elly continuando a sessão de perguntas sem noção.

-Lasanha. – respondi

Ela abriu a boca para perguntar outra coisa mas eu a interrompi.

-Já acabou? – perguntei a ela que estava à meia hora fazendo essas perguntas sem noção só para tirar o tédio da viagem.

Ela se virou e encarou a janela com um olhar triste. Depois que a nossa mãe faleceu tudo perdeu a graça, o mundo perdeu sua cor, pelo menos para nós. Elly chorava todas as noites bem baixinho para o papai não escutar mas ela mal sabia que ele também chorava a noite. Desde que a mamãe morreu eu que tive que assumir a casa, digamos assim, e cara eu só tenho 13 anos mas sei que se eu não fizer isso, ninguém vai fazer e a ultima coisa que eu quero é ver minha irmã sofrer.

O céu estava azul porém, sem nuvens. Estávamos indo para a casa da minha vó em uma roça, sempre passamos as férias lá, é meio que uma tradição (uma tradição bem chata e que engorda).

Eu estava escutando Bad Blood do Bastille (vamos admitir, eles são sambistas) enquanto lia meu livro do colégio que por incrível que pareça era bem legal e que tinha várias frases, hm, inspiradoras? ‘’À medida que a amizade se esvai, o ressentimento cresce. Caminharemos nossos caminhos diferentes’’’ Wow, essa frase minha mãe teria adorado, vou anotar (sim, eu anotava as frases que eu gostava). Não fico mais triste quando penso em minha mãe, eu sei que ela deve estar em um ‘’paraíso’’, como dizem na verdade, no céu. Minha mãe sempre foi um doce de pessoa, ajudava todos independente se estava cansada ou não, ou qualquer coisa assim. Ela estava lá para tudo e para tudo, para o que der e viesse.

-Matthew atende meu celular, por favor.

Fingi que não escutei meu pai, além do mais estava com fone de ouvido.

-MATTHEW ATENDA A PORCARIA DO CELULAR, AGORA!

Continuei a fingir que não ouvi e até que deu certo porque ele finalmente se virou para pegar a droga do celular que mais parecia uma telha.

Meu erro foi não ter pego o celular. Não teve tempo de gritar muito menos de meu pai desviar, um caminhão estava vindo na nossa direção e de repente tudo escureceu.

Aquilo era um sonho? Tudo estava em preto e branco. Uma cena horrível se passava diante dos meus olhos, meu pai e minha irmã sendo levados para dentro de uma ambulância em uma maca e... eu, todo cheio de sangue e esticado no chão.

Comecei a correr em direção a minha irmã que ainda estava consciente e que gritava meu nome mas ela não conseguia me ver. Doía tanto ouvir os gritos desesperados dela. Doía tanto ver meu pai deitado em uma maca.

Tudo preto e branco. O céu, as árvores, os pássaros, as pessoas, tudo. Nada mais fazia sentido e simplesmente, a culpa era toda minha.

Eu não sei como cheguei aqui e nem porque, só sei que estou sentado em baixo de uma árvore e chorando. Eu acabei com a vida da minha família. Droga. E com a minha também se é que eu ainda estou vivendo. Uma mão pousa sobre meu ombro, uma mão que me parece familiar. Várias lembranças de minha infância aparecem em minha mente em uma fração de segundos.

Não. Não pode ser ela.

De repente eu não vejo mais nada e só sei que eu estava sendo carregado para algum lugar bem longe do acidente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.