Backseat Serenade

24 23. Pequeno mascote.


Fernando observava o menor adormecido. No momento, odiava Godric mais do que agradecia pela ajuda. Não havia dado tão certo. Não inteiramente. Não era pra acabar em um hospital. Levou uma mão até o rosto do menor, acariciando-o com cuidado. Sabia que ele acordaria em breve e isso o aliviava. Se não tivessem chegado a tempo e Guilherme tivesse se machucado mais, ele nunca se perdoaria.

A porta do quarto se abriu e Fernando pode observar enquanto Debbie e Godric entravam no mesmo. Notou que a garota parou ao seu lado, mas Godric permaneceu parado ao lado da porta. As lágrimas ainda escorriam pelo rosto da garota e ela não fazia questão em disfarçar.

— Acabei de conversar com Hazel. — Debbie se pronunciou, esperando ter alguma reação de Fernando. O maior apenas suspirou antes de responder

— Como ela está?

— Um pouco confusa e bastante preocupada. Ela queria vir aqui ver o Gui, mas os médicos não deixaram. — a menina respondeu enquanto levava uma mão até os cabelos de Fernando. — Acho que é melhor mesmo ela não vê-lo tão machucado. Principalmente agora.

— Você está certa. — Fernando respondeu enquanto ainda fitava o rosto do menino.

— Eu queria que ele acordasse logo.

— Acho que ele não acorda hoje. — Godric respondeu, recebendo um olhar torto por parte dos outros dois. — O que? Ele foi sedado para não sentir dor. É até melhor que ele não acorde agora.

— Você não poder ser mais sensível? — Debbie perguntou, incrédula.

— E se ele está assim, a culpa é sua. — Fernando desviou o olhar do pequeno para o ruivo, irritado.

— Minha culpa? Mesmo? E por que isso?

— Porque foi você quem teve essa ideia idiota de deixar que o pai dele o encontrasse e batesse nele.

— Mas deu certo, não deu? Ele está preso. O Guilherme e a mãe podem conseguir um mandado de restrição, impedindo que o outro chegue perto dos dois. Deu tudo certo!

— Mas ele se machucou mais do que o previsto! Não era para acabar em um hospital.

— O fato de ter acabado em um hospital é bom para eles! Mostra como o pai dele é mesmo um louco!

— Ele poderia ter morrido! — Fernando exclamou enquanto Debbie apertava o seu ombro, tentando acalma-lo. Godric apenas deu de ombros sem demonstrar nenhum tipo de sentimento.

— Mas ele não morreu. Deu tudo certo!

— Só deu certo porque o idiota do Ezra o viu e decidiu avisar a Debbie. —Fernando respondeu. — Nós ficamos dependendo de um babaca pra poder salva-lo! Nós devíamos ter estado ao lado dele o tempo todo.

— E como você pretendia fazer isso, Fernando? Como nós íamos adivinhar que ele ia chegar atrasado? Ou que o cara ia vir antes da hora? Pare de ficar achando problemas. Deu tudo certo, agora ele vai poder ser feliz sem ter que ficar fugindo. Acredito que até ele faria de novo se tivesse o mesmo resultado. — Debbie se afastou de Fernando, caminhando até Godric.

— Vamos dar uma volta antes que vocês dois acabem brigando de verdade e nos impeçam de ver o Gui.

Fernando apenas observou enquanto a amiga puxava Godric para fora do quarto, concordando mentalmente com a ideia dela. Estava irritado e poderia bater no amigo a qualquer momento. Mesmo que não fosse exatamente ele quem era o culpado pela sua raiva.

Do lado de fora, Debbie puxava o ruivo até a parte externa do hospital. A menina tentava controlar seus nervos, mas sabia que iria explodir em breve. E quando acontecesse, ela queria estar longe de Fernando. Ele já estava preocupado demais e não precisava ouvir tudo o que a menina tinha para dizer.

Godric se mantinha em silêncio, apenas observando a menina e se deixando ser puxado. O ruivo mantinha um sorriso no canto nos lábios. Sabia que tinha mais algumas explosões para aguentar, mas estava pronto para mais. Fernando e Debbie eram apenas o começo. O pior viria quando Guilherme acordasse e ele precisava estar pronto. Debbie parou de andar assim que estavam em um jardim na parte de trás do hospital. Tinham poucas pessoas e sabia que ele imaginava que seria assim.

— Não ache que só o Fernando está bravo com você! Porque eu estou irada! Eu falei para vocês dois esperarem o Guilherme estar por perto para ligarem, mas não! Vocês tinham que ligar sozinhos! Ele nem ao menos estava preparado para isso.

— Você acha que não, Debbie? O Guilherme é inteligente! Ele devia ao menos suspeitar que nós já fôssemos agir. Nós já tínhamos conversado.

— Mas não tinham dado certeza de quando ia começar. — Debbie exclamou encarando os olhos do outro. — E estou com vontade de te bater por ser tão idiota.

— E eu com vontade de te beijar por ser tão linda quando está brava.

— Não é hora para isso, Godric! O Guilherme poderia ter morrido. — apesar de ter censurado o ruivo, Debbie não pode evitar se acalmar.

— Mas não morreu. Deu tudo certo. Ele está bem. Ele vai se recuperar e viver uma vida linda ao lado do Fernando. Vocês dois estão desesperados a toa. — Godric sorriu para a garota enquanto se aproximava de Debbie. Enlaçou a cintura da menina e aproximou o rosto dos dois. — Agora se acalme. Vai dar tudo certo.

Guilherme ouvia um barulho de apitos no fundo. Isso estava irritando-o e impedia-o de voltar a dormir. Sentia seu corpo dolorido e extremamente cansado. Parecia que havia sido atropelado por um ônibus. Ou algo muito maior. Com certa dificuldade, Guilherme se forçou a abrir os olhos. O quarto estranho estava escuro e a lua era a única coisa que iluminava o quarto. Tentou mexer o braço, mas um peso nele fez com que desviasse o olhar e lá ele viu.

Fernando havia pegado no sono com a cabeça apoiada no braço do menor. A posição parecia bastante desconfortável e isso fez com que Guilherme sorrisse. Sentia dor no corpo inteiro e o braço dormente, mas não sabia se devia acordar o maior. Esticou o outro braço e levou a mão até os cabelos escuros do mais velho, acariciando-o.

Fernando despertou assustado, em um sobressalto. Seus olhos encontraram os despertos do menor e ele se permitiu sorrir. Viu que o garoto retribuiu com sorriso pequeno e doloroso. De todo o corpo, o rosto era o mais machucado então qualquer movimento nos músculos do rosto faziam com que a dor fosse intensa.

— Como você está? — o maior perguntou, em um tom baixo.

— Confuso. Eu estou mesmo em um hospital? — Guilherme perguntou no mesmo tom. Sua voz saiu mais rouca que o normal e sua garganta doía por estar seca.

— Sim. Quando nós chegamos lá, você já estava inconsciente. — Fernando respondeu enquanto levava uma mão até os cabelos do menor, acariciando-os levemente. — Eu fiquei desesperado quando o Ezra mandou uma mensagem para a Debbie falando que você estava sendo arrastado para fora da escola por um cara estranho, você deu sorte de ele sempre matar aula.

— Eu realmente fiquei desesperado quando eu percebi que não tinha ninguém por perto. Mas eu não podia fugir e desistir.

— Se você tivesse chegado na hora certa, você não teria passado por isso sozinho.

— Não tenho culpa se deu tudo errado de manhã. — o menor resmungou, mas logo se permitiu sorrir. — Mas deu certo depois que eu apaguei?

— Ele está na cadeia e você e sua mãe vão conseguir impedir que ele chegue perto de vocês. Vocês estão livre. — Fernando sorriu e depositou um beijo leve na cabeça do menor. —Agora não tem mais porque vocês irem embora.

— Parece que você vai ter que me aguentar por mais tempo. — Guilherme brincou arrancando uma risada de Fernando.

— Na verdade, você que vai ter que me aguentar. —Fernando respondeu mantendo um sorriso no rosto.

— Como minha mãe está? — Guilherme perguntou mais sério que antes, ainda tinha suas preocupações.

— Morrendo de preocupação e enlouquecendo os médicos que não deixam que ela saia do quarto para vir te ver. —Fernando respondeu bem-humorado e Guilherme sorriu em resposta. Gui bocejou e se ajeitou na cama, o cansaço voltava a dominar o seu corpo e seus pensamentos estavam ficando mais lentos. — Agora, você deveria voltar a dormir.

O menor apenas concordou com a cabeça e deixou o cansaço domina-lo.

Quando acordou de novo, Guilherme podia ouvir as conversas no quarto e não evitou sorrir. Seus olhos avelã demoraram um tempo para se acostumar com a claridade e logo fixou nas três pessoas em seu quarto. Debbie sorriu animadamente quando viu o garoto acordar e logo se jogou em cima dele, sem nem ao menos pensar na dor que poderia causar. Mas logo quando o menor soltou um gemido, a garota se afastou e sorriu minimamente.

— Mil desculpas, Gui! Eu esqueci! Mas eu estou tão feliz que você tenha acordado! Tão feliz! Eu fiquei tão preocupada com você, achei que você fosse demorar séculos para acordar e nós fossemos ficar nos perguntando se você algum dia ia fazê-lo e...

— Obrigado, Debbie. — Guilherme respondeu, interrompendo o falatório da menina. Debbie apenas alargou o sorriso e depositou um beijo no rosto do menor.

— Você vai acabar fazendo com que ele precise ficar mais tempo aqui no hospital. — Godric censurou a menina que apenas revirou os olhos. — Você está melhor? Esses dois quase arrancaram a minha cabeça porque eu liguei para o seu pai sem ter te avisado antes.

— Eu já imaginava que vocês já tinham ligado. — Guilherme deu de ombros. — Foi mais culpa minha do que de qualquer um de vocês dois.

— O importante é que deu tudo certo. O Fernando já te deu as boas notícias? — Debbie perguntou animada.

— Sobre a cadeia e ele não poder chegar nunca mais perto de mim? Contou.

— Então você vai poder ficar! — a garota comentou animada, contendo a vontade de se jogar no amigo.

— Parece que sim! — seus olhos encontraram os de Fernando, arrancando um sorriso de Godric.

— Vem, Debbie, vamos deixar o casalzinho sozinho. — o ruivo se pronunciou enquanto recebia um olhar atravessado da garota.

— Eu volto em breve, não se empolguem.

Guilherme apenas riu enquanto via a menina acompanhar Godric para fora. Fernando sorriu para o menor enquanto revirava os olhos. Ele sentou na poltrona ao lado do garoto.

— Esses dois ficam se pegando e acham que eu sou cego. Como se eu não conhecesse os dois desde sempre. — Fernando resmungou fazendo o menor rir.

— Desde quando você sabe?

— Desde sempre. Parece que eles acham que eu vou mata-los por causa disso.

— Um dia eles assumem. Tanto para você quanto para eles mesmos. — Guilherme sorriu levemente enquanto o maior se debruçava na borda da cama. — Você deveria voltar para a sua casa. Daqui a pouco começa a ficar fedido.

— Eu passo o dia inteiro com você para garantir que você está bem e você me retribui assim? Falando que eu sou fedido.

— Eu não posso te mimar. Você sabe muito bem como fica convencido. — Fernando revirou os olhos enquanto Guilherme ria. — Agora falando sério, obrigado.

— Eu só fiz o meu dever.

— Dever como?

— Dever de dono para seu mascote. — Fernando falou fazendo com que outra risada escapasse pelos lábios do menor.

— Ainda com essa história de mascote.

— É. Só porque você é o meu pequeno mascote.

— Acho que sou bem mais que isso.

— É verdade, você é o meu último mascote. E o único que me faz realmente querer que você permaneça do meu lado o tempo todo.

— Acho que no fim, você quem virou o meu mascote.

Fernando riu e deu de ombros antes de selar com cuidado os lábios do menor. No final, eles seriam assim donos e mascotes um do outro. Pelo tempo que fosse preciso, pelo tempo que durasse.

Notas finais
Então, é o fim. Espero que gostem! Muito obrigada a todos que leram, comentaram, deixaram recomendações e deram mais vida ainda a essa fic! Vocês são incríveis e eu não sei nem como agradece-los. Eu comecei a postar minha nova fanfic, ela se chama Inward Tide. Espero vê-los lá. Muito obrigada novamente.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!