Backseat Serenade
21 20. O Plano
Notas iniciais
Guilherme olhava ansioso para os três parados ao seu lado. Fernando mantinha um braço em volta da cintura do menor enquanto observava Debbie e Godric brigando por algum motivo irrelevante. Guilherme não sabia dizer se o que o incomodava era ficar abraçado desse jeito com Fernando em um lugar tão aberto ou a ideia dos seus amigos. Fernando voltou seu olhar para o menor e sorriu antes de falar de modo que apenas o menor conseguisse ouvir.
— Eu não me surpreenderia se esses dois tivessem um caso. — ele sorriu de canto, recebendo um olhar confuso.
— A Debbie e o Godric? Eu acho que não. — Guilherme retribuiu o sorriso de maneira pequena. Fernando alargou o sorriso sem desviar o olhar dos do novo mascote.
— Qual é, olha a tensão entre eles! Só tem um jeito de curar isso e não é com uma boa amizade, eu já tentei fazer isso.
— Não acho que Debbie tenha paciência para lidar com Godric.
— Godric não é tão ruim, Gui, você nunca teve a chance de conhecê-lo mesmo. Ele pode ser uma ótima pessoa quando você se acostuma com o jeito dele de querer ser sempre o centro das atenções.
— E querer saber de tudo. — Guilherme concluiu, fazendo Fernando concordar com a cabeça.
— Sabe, eu deveria ter te encontrado antes para meu mascote. Você tem sido o melhor até agora.
— Isso porque você se apaixonou por mim, idiota. — Guilherme piscou para o maior que o olhou incrédulo.
— Eu não me apaixonei. — Fernando resmungou.
— Você não é o tipo de pessoa que faz esses tipos de coisa para qualquer um, Fernando. — ele sorriu docemente para o outro. Fernando suspirou e depositou um beijo na testa do menor.
— E você sabe muito bem que não é qualquer um. — ele voltou seu olhar para os olhos do menor, demonstrando seriedade. — Por que você está tão tenso, Gui?
— Não acha que estamos nos precipitando um pouco ao fazer o que vamos? — o olhar de Guilherme se voltou para a rua, esperando o carro de seu padrasto. — Não acho que seja necessário fazer isso, Fer.
— Eu sei que você acha demais, Gui, mas é preciso. E nós vamos estar lá.
— Esse é o problema, vocês estarem lá. A reação não vai ser boa.
— Vamos esperar e descobrir isso quando chegarmos, ok?
O menor concordou com a cabeça quando viu o carro preto se aproximando. Guilherme saiu do abraço do outro e ficou observando enquanto o carro parava na frente do quarteto. Guilherme andou na frente, abrindo a porta da frente e sorrindo para seu padrasto.
— Tudo bem se uns amigos meus forem lá para casa? Nós temos que fazer um trabalho. — a mentira saiu tão naturalmente que Fernando até se assustou, mas era compreensível. O menino passou um longo tempo fugindo. Precisava saber mentir muito bem.
— Claro, você acha que sua mãe não vai achar ruim? — o homem respondeu sorrindo e viu seu enteado negar com a cabeça.
— Ela vai entender quando eu falar com ela.
— Então fala para eles entrarem. — Guilherme sorriu para os outros três e indicou o carro com a cabeça enquanto entrava no veículo e colocava o cinto de segurança. Assim que os três se ajeitaram no banco de trás, Guilherme começou com as apresentações.
— Christian, esses são Fernando, Debbie e Godric. — indicou pela ordem que estavam sentados. Cada um sorriu minimamente para o homem que retribuiu o sorriso do mesmo modo.
— É ótimo saber que Guilherme está conseguindo se adaptar a essa cidade. Hazel vai ficar feliz em ver isso.
Guilherme deixou que o padrasto falasse sem parar enquanto se mantinha quieto e pensativo. Sua mãe era exatamente o problema. Principalmente por ele ter “fugido” de casa e ainda ter visto a reação da mulher. Ela com certeza surtaria quando visse o filho. Primeiro berraria e iria brigar, depois ela o abraçaria enquanto chorava pedindo para que ele não fizesse isso nunca mais. Pelo menos, ele esperava por isso. Não aguentaria que ela reagisse de outra forma. Se ele tivesse a decepcionado tanto a ponto de ela nem ao menos perdoa-lo ou confiar novamente no filho.
E para piorar tudo, Guilherme ainda estava levando “estranhos” para onde eles moravam. O que era um risco e tanto para a segurança dos dois. E ela só ressaltaria isso. Sua mãe era uma pessoa doce, mas quando se tratava da segurança do filho, ela chegava a assustá-lo. E ainda assim, ele não podia culpa-la. Tinha motivos de sobra pra temer.
Quando avistou a grande mansão, ele permitiu que o desespero tomasse mais o seu corpo. Agora era tarde demais para fazer qualquer coisa. Mas lidar com toda essa história ainda o assustava. Por que era tão difícil deixar o passado para trás? Guilherme olhou para trás, encontrando os olhos de Fernando fixos em si. O menino apenas sorriu minimamente para o maior antes de voltar para frente. Ele precisava de coragem para enfrentar tudo isso.
Christian estacionou o carro na garagem e logo os cinco estavam caminhando para a porta que dava acesso a sala de estar da casa. Já dentro, Guilherme sorriu para os amigos e pediu para que eles esperassem um momento enquanto ele ia avisar a mãe sobre as visitas. Antes de sair do cômodo, viu os três sentarem em um sofá e olharem de forma curiosa por toda a sala espaçosa e iluminada.
Guilherme atravessou o curto corredor até a cozinha, abrindo a porta e entrando na mesma. Hazel voltou seu olhar para a porta, curiosa, e arregalou os olhos quando viu o filho entrar na cozinha. A mulher largou o que fazia e correu até o menino, abraçando-o com força. Guilherme estava levemente chocado. Esperava qualquer reação menos essa. Não tardou até que ele sentisse as lágrimas da mãe molhando sua camiseta e ouvir um sussurro baixo.
— Nunca mais me assuste desse jeito, Guilherme. — a mulher se afastou até poder olhar nos olhos avelã do filho. Seu coração acelerou quando o menino sorriu levemente.
— Desculpe, mãe. Eu não queria assustá-la.
— Mas assustou. E se alguma coisa tivesse acontecido com você? E se ele tivesse realmente te achado? Você sabe que está mais exposto dessa vez do que das últimas porque você insistiu que queria manter o seu nome. Você não pode se arriscar tanto Guilherme. Praticamente fugir de casa, desligar o celular. Eu quase enlouqueci. E você deixou o Christian se sentindo culpado porque ele não sabia que eu não queria que você voltasse para aquela escola. Eu tive que contar para ele que está na hora de nós dois irmos embora porque já estamos aqui há muito tempo. — Hazel falava em um tom baixo, mas Guilherme via no olhar da mãe como ela estava desesperada.
— Mãe, eu não quero ir embora. Eu não quero mais fugir. — o menino falou no mesmo tom que a mulher usava. Era um alívio saber que ele não estava tão brava a ponte de não se importar mais.
— Como assim não quer ir embora? Nós não temos que querer, Guilherme, nós precisamos. Se ele nos encontrar... Eu não sei o que ele pode fazer.
— Nós não precisamos! Nós podemos enfrenta-lo. Eu posso enfrenta-lo. Eu gosto daqui e eu sei que você também. Eu sei que você ama o Christian e que não quer deixa-lo. E eu achei alguém que eu amo aqui também além de amigos. Eu nunca tive amigos como esses antes, mãe. Eu... Eu contei a verdade para eles.
— Você enlouqueceu, Guilherme? — a mulher aumentou o tom de voz, soltando o filho e voltando para as panelas, mas ainda observando o menino. — Você tem ideia do risco que você correu contando a verdade?
— Eu sei disso, mãe, mas eles estão dispostos a ajudar. — Guilherme mordeu lentamente o lábio inferior. A mulher voltou a virar totalmente de frente para o filho, chocada.
— E eles vão ajudar como, Guilherme?
— Eles fizeram um plano. E estão aqui para falar com você sobre isso. Pode ser que dê certo, mãe.
— Não tem como ter certeza, Gui.
— Não custa nada tentar. — ele sabia que não era verdade, mas não custava nada mentir para sua mãe e convencê-la do contrário. Ele precisava tentar, mesmo com a possibilidade de tudo acabar mal.
— Onde eles estão?
— Na sala, esperando para falar com você. — a mulher suspirou antes de responder.
— Então mande eles entrarem. — Guilherme sorriu largamente antes de beijar o rosto da mãe e voltar para a sala para chamar os amigos. Era um começo. O começo que ele queria e precisava para poder ter uma vida de paz. E, se tudo desse certo, ele teria sua tão esperada paz em breve.
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