Notas iniciais
Acho que demorei muito... fiquei muito enrolada, admito. Mas aqui está um cap. que eu achei que ficou muito perfeito ♥ Espero que gostem! Ah, quase esqueci: temos a aparição de um personagem original.

Quando eu consegui me levantar fui à busca de alguém. Queria saber quem era aquela mulher e onde eu estava. Não achei ninguém apenas um bilhete: “Faça o que fizer, não use sua magia e nem saia de casa. Ai você estará segura. Volto logo, te amo”.

— Ótimo... — revirei os olhos e fui explorar a casa. Não era tão grande assim. Apenas um andar com dois quarto, uma suíte, um banheiro pequeno, uma cozinho e... um porão enorme.

— Não colocaria a mão ai, querida. — uma senhora mais velha surgiu. — As duas bruxas que estavam com sua mãe colocaram um feitiço ai. Não pode ser aberto por ninguém até que as três voltem.

— Eu... — dei um passo para trás. — Conheço a senhora?

— Iria ficar surpresa se você lembra-se quem eu era. — a mais velha sorriu para mim e deu um passo a frente. — Sou Mary Dumas.

Obvio que já tinha ouvido falar dela e sem nem pensar fui abraça-la. Ela, de certo modo, era uma avó para mim e a única ligação que eu tinha com Jackson. Não lembrava muito dela, apenas quando eu estava em New Orleans que convivia com ela, ou seja, quando eu era um bebê... e eu ainda tinha meu pai por perto.

— Você está grande! — a velha me soltou do abraço para me olhar fundo nos olhos. — E parece muito com sua mãe! Menos os olhos...

— Se parecem com os dos meus pais. — sorri para ela. — Todos os amigos que nos acolheram dizem isso.

— Sim, claro. — a velha sorriu de volta para mim. — Ah, quase me esqueci, sua mãe deixou um bilhete...

— Eu já o encontrei. E já o li, Mary.

— Você deve estar com fome, querida. — Mary se direcionou a cozinha e apenas a segui. — Dormiu por dois dias.

— Onde estamos? — perguntei sentando-me à mesa da cozinha. — E Tyler Lockwood?

— O lobisomem? Vai ficar bem. — a mais velha começou a mexer na galadeira buscando algo. — Estamos em um lugar bem distante de Mystic Falls... e New Orleans também.

— Onde exatamente?

— Norte de Montana, Great Falls. — não me escapou um suspiro e logo depois veio um sorriso: já havia estado ali bem perto, minha morada mais longa havia sido a poucos quilômetros dali. Será que a cidadezinha em que vivi ainda estava do mesmo jeito? Será que meu único amigo ainda estava lá? — Se quiser mais é só falar. — Mary me entregou um prato com um sanduiche e um copo de suco de laranja, assim que vi a comida, meu estomago roncou.

Fiquei alguns minutos conversando com Mary a respeito sobre tudo: como ela havia parado ali, se ela estava em uma matilha, como estava sendo a vida dela, quantos anos ela tinha...

— Não se pergunta a idade de uma mulher. — ela me falou e não consegui segurar o riso. “Até que ela é uma boa mulher”, pensei.

— Aqui é muito gostoso de ficar. — comentei assim que terminei o quarto copo de suco de laranja. Sim, estava com muita fome e sede.

— Estamos no verão, tudo é agradável. — Mary sorriu para mim e colocou o prato e o copo na pia.

— Se quiser eu lavo. — me levantei indo até pia.

— Não precisa — ela continuou com o sorriso no rosto. — Você está como convidada.

— Tudo bem então. — fico a observando a lavar a louça para continuarmos os “fatos inúteis” sobre a nossa vida. Mary estava indo para a sala, e eu a acompanhando, quando alguém bateu na porta. Fique quieta, Mary sibilou para mim. Apenas voltei para a cozinha e esperei Mary falar alguma coisa.

Ela está aqui, não é?

— Não posso dizer.

— Mary, ouça. Se ela continuar aqui, Marcel virá atrás. Vai deixar sua matilha em perigo?

— Não será só a minha, a sua também, Pietro. Ela pertence a minha matilha, o que restou dela. E vou fazer com que ela fique viva. Se quiser que a sua também fique, cale a boca e não conte a ninguém.

— Mary Dumas, você está sobre meu território. Respeite as minhas regras ou suma.

— Pietro já conversamos. Hope é parte lobisomem, ela tem os genes, ela é uma de nós. Lobos se ajudam.

— Ela ainda não ativou a maldição...

Fiquei ali escutando a pequena discussão deles até não aguentar mais. Sai de trás da parede da cozinha e fui para perto deles.

— O deixe dizer o que quiser Mary... — minha voz soou um pouco mais leve do que eu esperava, mas ainda saiu com o efeito que eu queria: o tal Pietro deu um passo para trás a me ver. E eu quase fiz o mesmo ao vê-lo, pois não espera ver um garoto quase da minha idade conversando com Mary, espera alguém mais velho, alguém da idade dela.

— Uau, a gloriosa Mikaelson tão procurada! — o garoto zombou. — Sabia que é um prazer em te conhecer?

— Pietro, ela é metade bruxa, pode acabar com você e ativar a maldição que você deseja tanto ver. — Mary falou e pude ver um sorriso de esboçar nos lábios do garoto.

— Se ela usar magia, os bruxos daquela besta vão acha-la e vai ser divertido isso.

— Vai ser mais divertido do que isso. — falei. Bem, não aguentava ficar quieta quando havia ameaças no ar. — Eu te mato com minha magia, ativo minha maldição, Marcel vem atrás de mim, mata toda minha família e ainda me mata, me transformo em vampira, completo minha transição e o mato, pois sou a única poderosa o bastante para isso.

— Um belo plano... — Pietro riu. — Apenas por uma falha: Marcel vai matar todos aqueles que te ajudarem. Não quero estar nessa lista.

— Vamos fazer o seguinte então: não me perturbe e eu não falo para Marcel te colocar na lista, que tal? — dei um típico sorriso sarcástico.

— Nossa, parece seu pai.

— Você o conheceu? — foi como uma pergunta reflexo. Sempre perguntava isso, sempre queria saber como meu pai era. Não aos olhos de mamãe, aos olhos dos vencidos. Uma dica: um bom jeito de conhecer alguém é saber todas as versões dessa pessoa.

— Não, apenas histórias. — ele deu de ombros. — E elas contaram todas as coisas sujas que seu pai fez. Não acredito que ainda está o procurando.

Acho que se não fosse Mary para me segurar teria dado mais do que um soco na cara dele.

— Viu só? — ele falou colocando a mão no nariz para perceber que havia quebrado. — Ela é igual ele. Pode ter sido criada pela mãe, mas os genes do pai sempre vão estar presentes.

— Cale sua boca. — rosnei. Não tinha nada de me arrepender, não havia usado magia ou saído de casa. Pietro se encontrava com os pés quase dentro da casa e eu apenas dei um soco no nariz dele.

— Chega, vocês parecem duas crianças. — Mary o puxou para dentro. — Isso acontece quando você se envolve com um Mikaelson.

— Está falando para mim? Ou para si mesmo? — Pietro perguntou. Procurei os olhos de Mary, mas ela virou-se e foi até a cozinha pegar um pano para o garoto se limpar.

— Não quero brigas na minha casa. — Mary voltou com o pano molhando e entregou para Pietro.

— E eu não quero ela no meu território. — Pietro rosnou apontando a cabeça para mim. — Melhor! Nenhum Crescente.

— Não pode fazer isso. — Mary falou um pouco mais alta fazendo com que desse um eco na sua voz. — Você não é o Alpha, Pietro. Age como um, mas não é.

— Meu pai está morrendo. — Pietro falou na mesma altura. — Ele está morrendo por culpa da sua matilha.

— Se não fosse Hayley para encontra-lo, você não teria achado seu pai. — Mary continuava firme. — Duas matilhas das sete podem acabar por esse seu sentimento, Pietro. Acabar com o desejo de ver Marcel ser derrubado.

— Enquanto um lobo de cada matilha viver, o desejo não acaba. — Pietro retrucou. Entregou o pano, agora sujo de sangue, a Mary e me deu um ultimo olhar e sair pela porta.

— Desculpe, ele é impossível assim. — a mais velha indo para a lavanderia para colocar o pano sujo. — Pietro ficou assim depois que tudo isso começou.

— Tudo isso o que?

— Seu nascimento encadeou várias coisas... uma delas, a besta de Lucian criou. — ela fez uma pausa. — Sua mãe lhe contou sobre Lucian, não contou?

...

Minha mãe, Jô e Lize chegaram eram quase 19h30min. Não sabia o que elas haviam feito o dia inteiro. Fiquei sem notícias delas e elas sem notícias sobre mim.

— Demoraram. — falei assim que as três notaram a minha presença. — Podiam ter ligado, mandado um bilhete mais amplo do que aquele, até mandar sinais de fumaça, eu aceito!

— Hope, calma. — minha mãe riu. Apenas ri fraco. — Fomos achar uma bruxa para te encobrir...

— Por que não estamos procurando as sete matilhas para, pelo menos, achar uma das curas? — a cortei.

— Hope, você sabe que estamos tentando. — minha mãe sentou-se no sofá ao meu lado.

— Mãe, eu tinha seis anos quando você me prometeu que iriamos buscar papai. — comecei a me descontrolar. — Mãe você me prometeu. O que fez até agora?

— Jô, Lize, podem me deixar a sós com ela? — minha mãe se virou para elas. As duas assentiram e foram para um quarto. — Hope, te deixar segura é a prioridade.

— Achar as curas é segundo plano? Trazer meu pai de volta terceiro? — perguntei um tom acima.

— Não fale assim. — minha mãe segurou meu ombro. — Você sabe que tudo isso, as curas, seu pai, você, são prioridade.

— Se eu fosse prioridade, por que com o meu nascimento coisas piores desencadeariam? — não contive uma lágrima.

— Hope, querida, tudo que acontece há consequências, algumas boas e outras piores. — minha mãe me pegou no colo e limpou a lágrima solitária. — Ter você foi a melhor coisa que aconteceu para os Mikaelson.

— A linhagem de papai ter desfeita foi algo bom? Eu não lembrar meus tios? Do meu pai? Ter inimigos herdados de vocês? Ou ainda ter uma besta atrás de mim?

— Não filha... — ela me abraçou forte. — Você não trouxe coisas ruins... você trouxe as melhores coisas que a nossa família poderia desejar! Você trouxe luz, Hope, luz e...

— Esperança. — completei a abraçando mais forte. — Mas eu preciso, preciso mesmo que me conte tudo. Começando por eu estar encoberta ou não?

— Claro, claro. — ela sorriu para mim e limpou uma lágrima solitária. E então me contou tudo. Tudo que ela sabia e suspeitava da nossa família, tudo o que eu perdi, tudo que valia a pena e tudo que não valia.

Nossa conversa terminou quase meia noite. Minha mãe foi deitar e eu ainda fiquei lá no sofá esperando alguma coisa. Estava encoberta, então poderia fazer feitiços simples, como acender algumas velas. Não sabia se podia usar minha magia para ver meus tios de novo, não iria arriscar.

Por um impulso peguei algumas folhas em branco e uma caneta e sai da casa de Mary. Sentia a grama fria em meus pés e o relento das plantas nos meus braços. Aquilo era algo bom, aquela sensação era muito gostosa, me fazia sentir em uma lembrança.

Com essa sensação na mente, procurei um cantinho para me sentar e comecei a fazer algo que fazia apenas quando eu era pequena: uma carta para cada tio. Claro que na época não era uma carta escrita, era uma carta desenhada.

...

— Buu. — senti uma mão nas minhas costas e dei um pulo. — Não se assuste!

— Pietro! — não evitei dar um tapa no braço dele e ele apenas riu.

— Até que você é forte para uma bruxinha. — ele sentou-se do meu lado. — O que estava fazendo? — ele pegou os papeis, mas logo tomei.

— Não é da sua conta. — dei de ombros escondendo os papeis. — O que faz aqui?

— Bem, não sou eu invadindo o território dos outros. — ele riu. Como ele via graça naquilo? — Mas queria te pedir desculpas. — e então o sorriso e transformou em uma cara séria. — Não queria falar daquele jeito com você ou com Mary.

— Tudo bem, eu que deveria estar pedindo desculpas, afinal quebrei seu nariz. — respiro fundo. — O que Mary está fazendo aqui com a matilha dela? Eles deveriam estar no Bayou.

— Nós deveríamos estar em outro lugar também. — ele suspirou olhando as estrelas. — Mary trouxe a matilha para cá para se juntar com outra matilha que era forte, mas agora está fraca.

— Que seria a sua matilha. — uma conclusão um pouco idiota. — Que seria...?

— Barry.

— Ah, entendi. E como isso tudo funciona? Dividir o mesmo território, digo.

— Bem, o território é nosso e não fundimos as matilhas, então cada um tem o seu canto, mas não podemos interferir um nos assuntos pessoais dos outros.

— E eu? O fato de você ter vindo hoje de manhã.

— Digamos que você não seja um assunto pessoal e sim um desejo coletivo. — ele deu de ombros. — Existem pessoas que acreditam que você possa trazer a paz para todos, mesmo sendo uma Mikaelson.

— Por que dizem isso?

— Bem, essas pessoas acreditam que você seja parte bruxa, lobisomem e vampira, os seres mais poderosos do mundo sobrenatural.

— E você acredita nisso também?

— Em parte, sim. — ele deu de ombros. — É meio impossível isso acontecer.

— Então eu sou impossível? Então você está sonhando? — não contive a risada, e ele apenas negou. E começamos a falar sobre fatos inúteis de nossas vidas. Claro, eu tinha um pouco mais de histórias do que ele, afinal Pietro havia vivido em apenas duas cidades em sua vida, já eu havia conhecido cada canto do país.

Notas finais
Então, o que acharam? Gostaram do Pietro? Estou pensando em deixa-lo na fic, mas tudo depende da opinião de vocês! Aguardo os comentários jsjsjs ♥