Minha querida Hope,
Não sei quando lerá isso. Como uma criança com dúvidas, uma adolescente cheia de opiniões, ou uma mulher com o mundo aos seus pés.
Escrevo para dizer que amo você e explicar que no pior momento na nossa família, fui chamado para salvar meus parentes, e foi o que fiz.
Por favor, não lamente. Apesar da dor que suportei, fiz isso a serviço daqueles que amo. Meu único arrependimento é estar longe de você.
Seja boa para sua mãe. Encontre conforto sabendo que ela protegerá você. E sei que ela não descansará até reunir nossa família. Até lá, meu sacrifício permitirá que você cresça. Que se torne a filha linda que posso apenas imaginar.
Por favor, lembre-se que você é o legado que essa família sempre desejou, a promessa que lutamos para proteger.
Você é e sempre será... a nossa esperança.
...
Coloquei a carta de volta no envelope e olhei pela janela. Uma nova cidade se aproximava. E uma nova esperança de achar as curas.
— O que foi? — minha mãe me chamou. Limpei uma lágrima solitária.
— Nada. — remexi no banco. — Só estava a lendo, de novo.
Foi no meu aniversário de dez anos. Minha mãe achava que estava perto da cura para acordar tia Freya e então me deu a carta como presente. Na época, não entendia o que ela significava de verdade, só três anos depois que eu entendi.
A carta era a única coisa que fazia me sentir mais próximo do meu pai. Sempre que a lia imaginava sua voz a lendo para mim. Um belo sotaque britânico.
— Bem vinda a Mystic Falls. — minha mãe me tirara dos pensamentos assim que viu a enorme placa se aproximando.
— Já estivemos aqui, quando eu tinha seis anos. — apontei para o “x” no mapa. — O que você quer aqui de novo?
— Na época, coisas ruins estavam acontecendo com as pessoas que podia nos ajudar, Hope. — ela me explicou chegando na cidade.
Minha mãe já havia me contado sobre Mystic Falls. E sobre todos que moravam ali. Imaginava a cidade mais, colorida e cheia. Passamos por algumas ruas onde haviam ainda janelas empoeiradas e madeiras nas portas. Havia um tom de surpresa no rosto de mamãe.
— Não era assim que eu lembrava. — comentei abrindo o vidro para sentir a brisa.
— Você dormiu o tempo todo quando passamos por aqui. — minha mãe riu e virou a esquina. — Me surpreende de você se lembrar de alguma coisa.
— Lembro das árvores, de um céu bonito e de duas meninas da minha idade, eu acho.
— Elas são três anos mais velhas. — minha mãe entrou em uma rua onde havia árvores por toda ela e bem no final uma enorme casa. — Mansão Salvatore. — ela seguiu meu olhar.
Olhei em volta assim que o caminhão parou. Deu para ouvir o barulho dos cachões parando. Saltei do meu banco pegando a minha bolsa e fui para a porta.
— Você espera mesmo que eles abram e nos ajude? — perguntei levando a mão na porta para bater.
— Não muita. — a relação entre minha mãe e eu era mais de melhores amigas do que mãe e filha. Minha mãe é a única amiga que eu tenho, nunca consegui fazer amizades, nunca tentei na verdade.
— Poi... ah! — uma voz saiu da porta. Levantei meus olhos e dera de cara a um par de olhos azuis. — A lobinha e a filha...
— Damon. — minha mãe sorriu fraco. — Pensei que...
— Sim, eu voltei. — ele cortou minha mãe. — Caroline ou Stefan devem ter falado dos detalhes, mas isso não importa. O que querem?
— Informação — falei antes da minha mãe. — Precisamos de algo que vocês sabem.
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