Back to Love
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Felicity Smoak Queen
— Mamãe – Ouço a voz da minha filha enquanto a mesma puxa a barra da minha blusa – Vamos ter que ficar aqui?
— Só por pouco tempo, Molly – Respondo enquanto entramos no apartamento de Reese.
Mike e Peter entram na frente, e começam a observar atentamente os detalhes do local. Eu seguro na mão de Molly, que está envergonhada por estar na casa de alguém que ainda não conhece muito bem.
— Podem ficar à vontade – Reese diz trancando a porta depois que todos entramos – A primeira porta do corredor é um quarto de hospedes, que vocês podem usar, a segunda é o banheiro, e a cozinha é logo ali.
— Muito obrigada – Caitlin diz se aproximando de Peter, e tirando seu casaco, faço o mesmo com os gêmeos.
— Imagina – Reese responde – Eu fico feliz em ajudar, por mais que vocês sejam uma grande família, tudo que estão lidando no momento não é fácil pra ninguém – Ela liga a TV num canal infantil, e logo as crianças já estão distraídas – Vamos até a cozinha, Noah está preparando um lanche.
Me surpreendo um pouco com a forma como ela nos recebe em sua casa. Acabamos de conhece-la, aparentemente ela nem era assim tão próxima de Tommy, e mesmo assim está sendo tão gentil. Não estou acostumada com esse tipo de comportamento das pessoas de Starling City.
Voltamos para a sala, entregando o lanche para as crianças. Reese começa um assunto com Caitlin, que eu não presto muita atenção, só consigo pensar que a essa hora, já estão colocando o plano em pratica, e eu espero que dessa vez de certo.
Jay Halstead
Eles me deram uma ótima explicação do que está acontecendo. Will parecia nervoso, ele está preocupado com o amigo, e pelo jeito já se apegou a essa família.
Felicity Smoak conseguiu os vídeos de uma câmera de segurança próxima ao local onde Oliver, Connor e o garoto, Peter, estavam sendo mantidos. Conseguiu a placa do carro que os tirou de lá, e com meu acesso ao banco de dados da polícia, rastreamos o veículo. Foi o mesmo carro que estava, quando eu cheguei, parado do outro lado da rua, isso apenas confirmou nossas suspeitas, facilitando para descobrir que agora o carro havia voltado para a região das docas.
Eles me contaram sobre suas suspeitas em relação a Ricardo Diaz, e me lembrei que toda a área de galpões das docas, foi comprada pela família Rhodes, e se eles estiverem certos, Diaz é agora o dono daqueles galpões, sendo assim, o lugar perfeito para terem levado Connor e Oliver. Com a ajuda brilhando da Detetive Sarah Lance, bolamos um plano que pode dar certo.
Depois que Felicity e Caitlin saíram para levar as crianças para um lugar seguro, na casa da Reese, começamos a nos preparar para colocar o plano em prática.
Tommy/Connor
Eu e Oliver estamos amarrados em cadeiras de costas um para o outro. Me sinto cansado com toda essa situação.
Respiro fundo fechando os olhos, e vejo a Caitlin, ela está linda e feliz, vejo um garotinho correndo em sua direção e a abraçando, é o Peter. Mantenho os olhos fechados imaginando essa cena. Tudo que eu queria agora é poder estar com a minha família, descobri hoje que sou pai, e já o amo de uma forma que eu nem sei explicar.
— Oliver – Digo abrindo os olhos – Como ele é, o Peter.
— Não vou responder, se está perguntando isso porque acha que não vai poder descobrir sozinho.
— Não é isso, eu só estou muito curioso.
— Ele é muito parecido com você – Ele respira fundo quando responde – Conseguiu notar a semelhança física, mas é muito mais do que isso, ele tem as suas manias.
— Serio? – Fico empolgado em ouvir mais sobre meu filho.
— Ele coloca as mãos nos bolsos quando está nervoso ou triste. Ama óculos escuros, até mesmo se não tiver sol. Ele fala meu nome várias vezes quando está me chamando, como você vazia quando éramos crianças.
— Ele tem os olhos da Caitlin – Digo pensando nela novamente.
— E a inteligência também – Oliver continua – Nisso, ainda bem que ele não puxou a você.
Bato meu ombro no dele pelo comentário. O clima fica mais leve quando começamos os dois a rir. Eu senti muita falta disso, risadas com meu melhor amigo.
A porta do galpão se abre. Como está muito escuro, não consigo ver quem entrou até que o mesmo esteja bem próximo a mim.
— Ricardo Diaz – Digo quando vejo o homem parado na minha frente.
— Quem? – Oliver pergunta atrás de mim.
— E Sebastian Blood – Completo vendo ele entrar atrás de Diaz.
— Senhor Merlyn – Diaz começa dizendo – Eu precisava da sua ajuda, afinal, você era a única testemunha para o que aconteceu. Mas você se acomodou aqui na minha cidade, no meu hospital – Ele se aproxima de mim, pressionando o dedo indicador em meu peito – Creio que se esqueceu por quem estava lutando, e o que sou capaz de fazer.
Ele dá sinal para dois homens que entraram logo em seguida. Os mesmos vão até Oliver e o tiram da cadeira onde estava amarrado. De onde estou não consigo ver, mas pelo som estão batendo muito nele.
Diaz faz outro sinal com a mão, e os homens trazem Oliver até o meu campo de visão, o colocando ajoelhado no chão enquanto um deles aponta uma arma para sua cabeça.
— Eu imaginei essa situação com seu filho, Peter – Diaz diz sem nenhum pingo de culpa na voz – Engraçado né? Como eu conheço mais sobre seu filho do que você. Mas também, eu sempre estive de olho nele.
Ele olha para o homem armado, e o mesmo destrava a arma.
— Então? – Diaz volta a dizer me encarando – Você vai me contar agora quem matou meu pai, ou vou ter que ir atrás daquelas três crianças fofas de novo?
— Não ouse se aproximar dos meus filhos ou do meu sobrinho, seu desgraçado – Oliver cospe as palavras se dirigindo a Diaz.
— Thomas? – Ele apenas ignora Oliver.
— Você já sabe – Digo tentando manter a calma, embora essa situação tenha me deixado apavorado – Ele não pagou o que devia a um traficante, que acabou resolvendo com as próprias mãos.
— Isso é mentira – Diaz grita tão alto que eu me assusto, vejo que Sebastian também não esperava essa reação vinda do homem ao seu lado – Você estava lá com seu pai, mas ele não está mais entre nós para me responder, então diga a verdade, agora.
— Tommy? – Oliver me encara, um pouco confuso – Do que ele está falando?
— Lembra quando a gente tinha oito anos – Digo olhando pro Oliver — Eu e meu pai fomos assaltados, mas meu pai conseguiu me defender, e acabou matando o ladrão? – Encaro Diaz antes de continuar – Foi isso que aconteceu.
— Está insinuando que meu pai era esse tal ladrão? – Diaz parece confuso e irritado ao mesmo tempo.
— Você pediu a verdade – Decido contar a verdade antes que ele faça algo contra Oliver, ou minha família – Então é isso que estou te dando.
— Isso é ridículo, meu pai era um homem honesto e trabalhador.
— Não era assim tão honesto. Seu pai era o maior traficante da cidade. Naquela noite ele não estava bem, provavelmente usou da própria mercadoria, ele abordou eu e meu pai quando estávamos saindo da farmácia, meu pai apenas se defendeu, mas seu pai não resistiu – Conto, e Diaz parece ficar abalado com o que ouve – A policia declarou legitima defesa. Mas meu pai era um homem muito influente na cidade, então o delegado decidiu confirmar que Ricardo Diaz foi morto por um traficante, e que eu e meu pai fomos apenas testemunhas. O resto você já sabe, Ricardo Diaz Jr. foi adotado pelos Rhodes aqui em Chicago.
— Você está mentindo – Ele grita, enquanto aponta sua arma para minha cabeça.
— Acredite no que quiser – Digo ainda tentando manter a calma – Mas essa é a verdade.
Ele parece estar numa guerra interna, tentando decidir se acredita ou não em tudo que acabou de ouvir. Não sei se ele acreditou, mas achei melhor não arriscar, por isso disse a verdade. Verdade essa que eu, uma criança de oito anos, tive que esconder de todas as pessoas ao meu redor, apenas minha mãe sabe.
Só agora noto que Sebastian não está mais dentro do galpão, pois ele entra correndo.
— Temos um problema – Sebastian diz um pouco ofegante.
— Você disse que ele me daria o que eu quero – Diaz diz segurando na gola da camisa de Sebastian.
— De certa forma ele deu – Ele responde, e parece desesperado – Mas agora temos um problema maior. Greg viu alguns carros se aproximando do perímetro.
— Pois que venham – Diaz diz voltando a apontar a arma para mim.
— Você sabe que não pode fazer isso – Sebastian toca no braço de Diaz – Eu ainda preciso dele.
— Mas não dele.
Foi tudo muito rápido. Ouvi a fala de Diaz, e em fração de segundos Oliver estava caído no chão depois dos três disparos. Ouvi tiros vindo do lado de fora do galpão, Diaz e Sebastian fugiram pelos fundos, mas eu não me importava mais, estava preocupado demais com Oliver, já que o mesmo estava imóvel em cima de enorme poça de sangue, então o desespero tomou conta de mim.
Sara entrou correndo em minha direção, mas eu indiquei Oliver com o olhar, ela foi então em sua direção. Ela virou seu corpo e notei que ele estava desacordado. Sara colocou os dedos no pescoço dele e parou por alguns segundos.
— Ele está vivo – Ela disse, o que me fez soltar o ar que nem percebi que havia prendido – Perdeu muito sangue, mas ainda está vivo.
Sara veio me soltar, enquanto vi dois homens armados entrarem no galpão.
— Tudo bem – Sara disse depois de notar meu desespero – Eles são policiais, estão com a gente – Ela voltou até Oliver e pediu que os dois policiais a ajudassem a carrega-lo.
Quando saímos do galpão vi alguns corpos no chão. Jay, irmão do Will veio me ajudar, já que eu estava mancando devido a um machucado no joelho.
— Roy, Thea e Will estão nos carros – Jay diz ao meu lado.
— Ai meu Deus – Thea diz saindo correndo do banco do motorista quando nos vê.
— Oliver precisa de um hospital, agora – Sara diz entrando no banco do carro onde Thea estava.
Começo a ficar zonzo, minha visão fica escura e as pernas bambas.
— Tommy – Ouço o chamado de Thea bem longe, pois estou perdendo a consciência.
Caitlin Snow Merlyn
Eu e Felicity viemos para o hospital o mais rápido possível, assim que Sara nos ligou. Ela não falou muito pelo telefone, mas tudo que sabíamos, era que Tommy havia desmaiado, mas estava bem, enquanto Oliver havia levado três tiros e perdido muito sangue.
Sara ficou com as crianças na sala de espera enquanto uma enfermeira me guiou até o quarto onde Tommy estava.
Quando entrei no quarto vi ele deitado na cama com os olhos fechados. Parecia respirar fundo, como se estivesse muito cansado. Bati na porta antes de entrar totalmente. Imediatamente ele abriu os olhos e me encarou, quando seu olhar encontrou o meu aquele sorriso maravilhoso surgiu em seu rosto, aceitei isso como um convite para que eu me aproximasse.
— Você está vivo – Digo quando chego ao lado da cama, ainda tentando processar em minha mente que isso é mesmo verdade – Eu sabia que esse tempo todo você estava vivo.
O sorriso dele desapareceu e abaixou a cabeça. Tommy respirou fundo antes de voltar a me encarar, agora com culpa em seus olhos.
— Eu sinto muito – Pude ver seus olhos se enxerem de lagrimas, enquanto as minhas já estavam escorrendo – Eu espero que você me perdoe.
— Eu não posso te perdoar – Vi seu rosto se encher de tristeza – Porque eu já te perdoei. Seja lá o que fez você ir embora, eu sei que foi um bom motivo, e com muita calma e no tempo certo você vai me contar tudo.
— Como pode você ser tão maravilhosa? – Um sorriso zombeteiro surgiu em seu rosto, eu amo esse sorriso.
— Acho que é porque eu tenho um marido maravilhoso – Digo me sentando na beirada da cama.
— Eu senti sua falta – Ele pega minha mão e entrelaça nossos dedos – E eu te prometo, que não vou a lugar nenhum sem que você saiba, nunca mais. Prometo que vou fazer o meu melhor para recuperar o tempo perdido. Prometo que vou continuar te amando pelo resto da minha vida, não com a mesma intensidade que amo desde que Oliver e Felicity arranjaram aquele encontro, pois cada dia que se passa meu amor por você só cresce, e esse amor duplicou mais ainda nesse tempo que passei longe de você.
A esse ponto eu já não estava conseguindo controlar minhas lagrimas. Uma mistura de emoções, entre a felicidade e empolgação por reencontra-lo, e a beleza de suas palavras.
— Isso foi uma versão atualizada dos seus votos de casamento? – Digo entre os soluços e lagrimas que eu decidi desistir de tentar controlar.
— Pode se dizer que sim – Ele agora segura minhas duas mãos – Então? Aceita continuar casada comigo, e me aceitar de volta em sua vida?
— Essa é uma pergunta difícil – Finjo estar pensando numa resposta, apenas para ver o pequeno desespero em seu rosto, mas eu começo a rir e isso o deixa mais relaxado, aguardando a resposta – Claro que sim.
Antes que eu terminasse de falar ele já estava me puxando para mais perto. Fechei meus olhos quando ele me beijou. Não sei se foi pelo tempo que passou, pela saudade que senti, ou pela emoção do momento, mas aquele foi o melhor beijo de toda a minha vida.
— Falta uma coisa – Digo quando nos afastamos.
Coloco meus dedos no cordão em meu pescoço, puxando para a frente, e revelando o que estava escondido em baixo da blusa.
— Eu não acredito – Ele parece surpreso com o que está vendo.
— Eu a guardei com muito carinho, esperando pelo momento em que pudesse devolve-la ao dono.
Retiro a aliança do cordão, e a deslizo lentamente em seu dedo, depositando um beijo no lugar, exatamente como fiz pela primeira vez no altar.
— Definitivamente você é maravilhosa – Ele diz antes de me puxar para mais um beijo – E é por isso que eu te amo.
— Eu também te amo – Agora eu me aproximo para beija-lo.
Oliver Queen
Meu quarto está cheio de gente. Tommy está numa cadeira de rodas perto de mim, seu joelho esquerdo está um pouco inchado, Caitlin está ao seu lado e os dois conversam animadamente, Peter está sentado na perna direita de Tommy, apenas observando os pais.
Felicity e Sara estão em um canto do quarto de pé, conversando algo que não consigo ouvir. Os gêmeos estão sentados na beirada da cama onde estou, um de cada lado, Mike está jogando no celular da Felicity e Molly está brincando distraída com seu pequeno coelhinho de pelúcia.
Thea e Roy estão perto da porta, eles discutem algo que não estou entendendo, mas Thea está sorrindo, então decido não me preocupar com a discussão já que ela está feliz.
Eu passei por uma longa cirurgia. Dr. Latham acabou de sair, ele veio explicar sobre como a cirurgia correu bem, e que foi um espanto eu ter levado três tiros e nenhum deles ter atingido um órgão vital. Felicity chamou isso de milagre, depois de ficar um pouco brava por eu me deixar ter sido sequestrado, mas logo em seguida chorar em meu ombro por estar vivo.
— Oi galera – Will diz depois de bater e abrir um pouco a porta, colocando apenas sua cabeça para dentro do quarto – Legal que estão todos aqui – Ele continua e abre totalmente a porta depois que eu aceno, ele entra com uma mulher de jaleco ao seu lado – Pessoal, quero que conheçam a Natalie, minha noiva. Nat, essa é a família do Connor, ou melhor, do Tommy.
— É um enorme prazer conhecer todos vocês – A moça sorri e diz olhando para todos nós – Will me contou um breve resumo do que aconteceu.
— Nat – Tommy diz, e ela se aproxima dele – Essa é Caitlin, minha esposa.
— Muito prazer – Caitlin diz a abraçando.
— O prazer é todo meu – Ela retribui o abraço.
— E esse – Tommy indica Peter, que ainda está em seu colo, sorrindo para a moça – É o Peter, meu filho.
— Muito prazer garoto – Ela sorri, coloca a mão no bolso do jaleco e lhe entrega um pirulito – Você é muito fofo.
— Como diz? – Caitlin olha para o filho.
— Muito obrigado – Peter parece envergonhado – Pelo elogio e pelo pirulito.
Mike e Molly encaram a moça quando ouvem a palavra pirulito, ambos que até agora estavam alheios ao resto do ambiente.
— E vocês, quem são? – Ela pergunta se aproximando da cama.
— Mike.
— Molly.
Cada um diz seu próprio nome.
— Queen – Dizem juntos, o que me enche de orgulho.
— Muito prazer, pequenos Queen’s – Ela diz entregando um pirulito para cada um.
Will e Tommy apresentam o resto de nós. Eu gostei do Will desde o começo, sua dedicação em nos ajudar. E agora a sua noiva também me impressionou. Tommy encontrou bons amigos aqui em Chicago.
— Toda essa quantidade de pessoas é permitida dentro de um quarto, por aqui? – Roy diz, jogando a pergunta no ar.
— Na verdade não – Will responde – Mas qualquer coisa, podem deixar que a gente resolve, fiquem tranquilos.
— Já que todos podemos ficar aqui – Thea diz se aproximando – Eu quero pedir a atenção de todos.
— Pode falar, Thea – Felicity diz ficando ao meu lado.
— Eu ia contar isso ao Oliver e a Felicity na noite que eles chegaram. Mas a Molly estourou o apêndice, viemos para o hospital, vocês encontraram o Tommy, depois nós perdemos o Tommy, então perdemos o Oliver, e eu decidi deixar para contar quando estivéssemos todos juntos, e esse é o momento – Ela respira fundo, eu fico curioso, e pelo rosto dos outros, eles também estão. Ela abre um enorme sorriso antes de continuar – Essa nossa família grande e maluca está prestes a ficar maior, pois eu estou gravida, de três meses.
Felicity, Caitlin e Sara começaram a gritar e abraçar Thea. Will e Natalie pediam silencio. Eu e Tommy nos olhamos, encaramos Roy de forma seria, o deixando um pouco assustado, mas depois sorrimos e o cumprimentamos.
Agora sim, nossa família está completa.
Felicity Smoak Queen
Oliver precisou ficar mais uma semana no hospital depois da cirurgia. Nós revezamos para passar os dias com ele, e os outros curtirem um pouco a cidade.
No dia seguinte ao “resgate” de Oliver e Tommy, Jay veio nos avisar que um carro onde Sebastian Blood estava capotou e não houve sobreviventes, por um momento fiquei até aliviada. Ele também nos contou com uma força tarefa da polícia prendeu Ricardo Diaz, e os mesmo conseguiram, graças a uma denúncia anônima (no caso, eu) sobre ele ter forjado a própria morte e encomendado a da família adotiva.
Sem mais esses dois problemas em nossas vidas, pudemos fazer com as crianças o que viemos fazer aqui, conhecer a cidade.
Depois que Oliver saiu do hospital levamos as crianças para conhecer pontos turísticos do local. Tommy fez questão de ser nosso guia particular, nos mostrando lugares lindos na cidade.
Duas semanas depois, o tempo que havíamos planejado ficar aqui, precisamos voltar. Eu, Oliver, Mike e Molly precisamos sair mais cedo, pois viemos com nosso carro, e precisamos voltar com ele. Caitlin, Sara e Peter ficaram mais um dia para esperar Tommy arrumar todas as suas coisas e voltar com eles de avião.
Tommy/Connor
— É a mesma casa – Digo depois que entro pela porta.
— É a casa que você escolheu – Caitlin diz entrando na minha frente – Não consegui sair dela.
A passos curtos, observo tudo ao redor. A grande parte da decoração continua a mesma, desde quando nos casamos. Pendurado na parede perto da porta está o porta retrato com a nossa foto, no dia do nosso casamento. Percebo que todas as outras fotos pela sala são de Peter, Peter com Caitlin, Peter com Mike e Molly, e muitas de Peter com todos os meus amigos.
— Papai – Peter corre passando por mim e parando no pé da escada – Você precisa conhecer meu quarto – Ele parece muito animado.
— Filho – Caitlin diz calma – Deixa o papai descansar, daqui a pouco você mostra seu quarto e todos os detalhes da casa pra ele – Não consigo evitar de sorrir com o bico que ele faz – Leva sua mochila lá pra cima, e lava as mãos que eu vou fazer um lanche pra você.
Vejo Peter subir as escadas correndo. Continuo a observar o local, e me lembrar dos meses que passei aqui com Caitlin. Ela vai para a cozinha e começa a pegar ingredientes para fazer o lanche de Peter, eu me apoio na bancada que divide a mesma da sala.
Lembranças do nosso primeiro dia nessa casa me vem à mente. Enquanto ela está de costas pra mim, pego seu celular e procuro no Youtube a nossa música.
A música começa e ela me encara imediatamente, coloco o celular em cima da mesa, de forma que os dois ouçam.
— Fire and ice, This love is like fire and ice – Começo a cantar um pouco desafinado — This love is like rain and blue skies— Começo a me mexer de forma engraçada, pois ela começa a rir — Don't let me lose, Still falling for you— Me aproximo dela — Still falling for you.
— Mamãe ama essa música – Ouço a voz de Peter atrás de mim.
— É a música que eu e seu pai ouvimos quando entramos nessa casa pela primeira vez, filho – Caitlin diz sem tirar os olhos de mim.
Vou até Peter, e começo a dançar ao lado dele, que me observa e logo está acompanhando meus passos. Caitlin não consegue parar de rir, enquanto a música continua a tocar.
— We've had our share of mistakes— Continuo a cantar — But all your flaws and scars are mine – paro apontando para ela, e Peter faz o mesmo — Still falling for you.
— Still falling for you – Peter completa aquela parte da música.
— And just like that, All I breathe, All I feel, You are all for me, I'm in— Caitlin canta o refrão da música, como eu queria que ela fizesse — And just like that, All I breathe, All I feel, You are all for me – Ela canta a segunda parte, agora se dirigindo a Peter.
— No one can lift me, catch me, The way that you do — Canto quando coloco Peter sentado na bancada, depois volto a olhar para Caitlin — I'm still falling for you.
A música continua, e eu a beijo, mas logo nos afastamos quando ouvimos Peter reclamar ao nosso lado.
— This love is never growing old, You make it new – Ela continua a cantar acompanhando a música — Still falling for you.
— Still falling for you – Cantamos juntos.
A música continua. Eu seguro em sua mão e a puxo para mais perto de mim, segurando em sua cintura. A guio numa dança divertida, seguindo o ritmo da música. Tento fazer os mesmos passos que fiz com ela na primeira vez nessa casa, ela percebe, pois começa a rir.
Chega o refrão novamente e começamos a cantar juntos. Quando giro com ela, posso ver Peter, ainda na bancada, assistindo o “show” e sorrindo. Quando a música fica mais rápida, corremos até Peter e o enchemos de beijos. Eu o coloco no chão, e o mesmo começa a dançar com a gente quando toca o ultimo refrão da música.
Pego Peter no meu colo, de forma que ele fique entre nós dois.
— No one can lift me, catch me – Canto, abraçando Caitlin com o braço livre — The way that you do.
— I’m still falling for you – Cantamos os dois juntos. Eu encosto nossas testas, e Peter passa seus braços em nós dois, colocando sua testa junto com a nossa.
Nesse momento, eu percebo que agora sim estou em casa. Tudo que passamos foi difícil, mas não impossível de se superar. Vou deixar para trás os cinco anos que passei sem eles, e dedicar o resto da minha vida, para recuperar esse tempo que perdi longe da minha família.
Narrador
O carro-cela transportava Ricardo Diaz até Iron Heights. O juiz decretou que o mesmo fosse mantido preso em sua cidade natal.
Dois policiais armados estavam sentados de frente para ele, não tirando seus olhos do prisioneiro nem por um segundo.
Do lado de fora, quatro viaturas escoltavam o veículo que estrava nos limites de Starling City.
— Isso ainda não acabou, Thomas – Ricardo Diaz disse tão baixo que os policiais não ouviram – Isso ainda não acabou.
Fale com o autor