Back to Love
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Tommy/Connor
Eu a vejo. Ela está aqui na minha frente. Seus cabelos avermelhados caem pela lateral de seu rosto quando ela levanta a cabeça para me olhar, seus olhos estão fixos nos meus. Ela abre um sorriso, é o sorriso mais lindo que eu já vi, meu coração começa a bater mais forte por causa daquele sorriso. Eu consigo sentir o perfume dela, é o mesmo perfume que ela usou no nosso casamento. Eu sinto a necessidade de toca-la, mas quando ameaço me aproximar ela começa a desaparecer.
— Caitlin? – Chamo por ela, mas é inútil, porque ela está ficando cada vez mais distante – Caitlin!
— Ele está chamando por ela de novo – Ouço uma voz masculina soar sarcástica atrás de mim, mas quando me viro, está tudo escuro e não tem ninguém. Volto para onde estava antes, mas ela já desapareceu por completo.
Tudo começa a balançar e ouço o motor de um carro, uma dor de cabeça chega de repente e eu caio no chão, no meio daquela imensa escuridão.
— Chegamos – A mesma voz masculina de antes que diz.
Sinto que estou sendo arrastado, depois vem o choque contra a terra seca. Começo a abrir os olhos lentamente, e percebo que o carro na qual eu estava antes, agora está indo embora. Com certa dificuldade eu me levando e começo a observar o lugar. É um centro esportivo abandonado, estou onde acredito que já foi uma pista de corrida, a minha direita vejo um pequeno prédio, onde acredito que eram os banheiros e vestiários, na minha esquerda há um campo de futebol sem cuidados a anos, pois a grama está bem alta, mas posso notar o caminho que se formou com grama amassada, creio que o carro saiu por ali.
A iluminação se da basicamente pela lua, e as lâmpadas nos postes da rua que parece estar bem próxima, quando consigo forças para começar a sair dali outro carro vem de onde o primeiro saiu. Preciso sair da frente para que não me atropelem, o que me faz perder o equilíbrio e ir ao chão novamente. Um homem armado sai do banco do carona e me força a ficar de pé. O motorista desce e vai abrir a porta de trás do carro.
Ele desce do carro e vem em minha direção abotoando o terno. Não consigo nem me mexer, porque o cara armado é gigante perto de mim, e segura meu braço com tanta força que parece que sua mão vai se fundir a minha pele.
— Thomas, Thomas, Thomas – Ele diz balançando a cabeça em negativo e uma expressão de total superioridade – Eu disse para você ficar na linha.
— Oi pra você também, Sebastian.
Caitlin Snow Merlyn
— Então você vai simplesmente entrar num avião viajar para Chicago, só porque a Felicity disse que o Tommy está vivo?
— É exatamente isso, Sara – Digo, mostrando que a resposta já era óbvia – E eu preciso que você cuide do Peter para mim.
— Eu não vou cuidar do Peter para você – Ela diz virando as costas e indo em direção a porta do meu quarto, onde estamos.
— Serio, Sara? – Digo cruzando os braços e a encarando – Justo agora que esta aí sem fazer nada, e eu preciso da sua ajuda, você me diz não?
— Antes de me julgar – Ela diz calma – Me deixe terminar de falar.
— Desculpa, eu estou nervosa, estressada, e animada, feliz, e até com medo – Digo me jogando na cama – Pode continuar.
— Eu não vou cuidar do Peter para você porque eu vou com você pra Chicago – Ela diz se aproximando da cama e eu me sento – Se o Tommy está mesmo vivo e eles o encontraram, eu quero estar lá – Eu a abraço forte – Peter pode ir com a gente, afinal, já está na hora dele conhecer o pai.
Ela tem razão, na verdade, já passou da hora do Peter conhecer o pai. A quase um ano ele me perguntou pela primeira vez pelo pai dele. Eu não consegui dizer outra coisa, além da verdade. Peter pareceu entender a situação. Desde então eu sempre conto a ele histórias do tempo que tivemos juntos. Na nossa sala, perto da entrada, tem um quadro com uma foto nossa, tirada na festa depois do nosso casamento, é a única foto dele que Peter já viu, foi ele quem se recusou a ver outras fotos do pai, ele diz que ficar vendo muitas fotos antigas faria parecer que o pai morreu, e ele não acredita nisso.
Peter diz que quando crescer quer ser um detetive, como sua tia Sara, mas é só porque ele usaria isso para descobrir o que aconteceu com Tommy. Mas ele também tem um plano B. Caso encontre o pai antes de se tornar um detetive, ele será um médico, e vai seguir o pai em sua carreira. Tenho tanto orgulho do meu pequeno.
— Pelo jeito, Peter vai ser médico – Digo limpando uma lagrima que se atreveu a cair.
— O quer? – Sara, diz não entendo.
— Nada não. Vamos, precisamos fazer as malas e ir para o aeroporto o mais rápido possível.
— Sim – Ela parece animada, pois saiu correndo em direção a porta, mas logo voltou ao meu campo de visão – Eu vou avisar o Ray que vou ficar uns dias fora, quer que eu conte para ele o que vamos fazer, ou prefere deixar pra depois?
— Acho que o Tommy vai gostar de dar a boa notícia ao Ray – Digo me lembrando o quanto Tommy e Ray eram amigos, sorrio imaginando a reação do meu amigo ao ver meu marido.
Quando ela sai volto a me sentar na ponta da cama. Toco na aliança de casamento que nunca saiu do meu dedo. Respiro fundo e fecho os olhos enquanto me lembro do dia em que eu as vi pela primeira vez.
Tommy me pediu em casamento pela primeira vez depois do nosso terceiro encontro, e é claro que eu recusei. Eu não tinha dúvidas de que estava apaixonada por ele, mas era muito cedo. Depois do jantar ele me levou para caminhar no parque, eu sorri quando vi um esquilo passar correndo na nossa frente e subir numa arvore. Tommy não tirava os olhos de mim, então ele segurou minhas mãos e apenas perguntou se eu queria me casar com ele, me assustei e respondi que não. Mas ele não parou de sorrir, e apenas disse que não tinha problema, ele iria esperar até eu estar pronta.
Duas semanas depois ele se mudou para um apartamento mais perto do hospital onde estava fazendo seu estágio. Me ofereci para ajudar na mudança. Quando levei uma caixa para onde seria se quarto, vi dentro uma caixa menor, com um post-it colado que dizia: “Para Caitlin, minha Snow”. Não contive a curiosidade, e abri a caixa depois de verificar se ele não estava vindo. Dentro havia uma caixinha de veludo vermelho, antes de abrir ele entrou no quarto, e apenas sorriu quando viu a caixinha em minhas mãos.
Ele se aproximou devagar, pegando a caixinha de minhas mãos enquanto se ajoelhava na minha frente. Lembro perfeitamente o que ele disse depois.
— Não foi bem assim que eu planejei, já estava tudo marcado para um jantar perfeito essa noite, mas eu não estou me aguentando de ansiedade, então vai ser agora. Caitlin, eu sei que faz só duas semanas que eu fiz essa pergunta e você disse não, mas quero que pense em todos os nossos momentos dessas últimas semanas. Eu me apaixonei mais ainda por você, se é que isso é possível. Eu sei também que existe a chance de você me dar a mesma resposta que antes, mas eu não me importo. Tudo que importa é que eu não vou desistir da mulher que eu amo. Eu não comprei um anel de noivado, pois me lembro de ouvir você conversar com a Felicity pelo telefone depois do nosso primeiro encontro, você disse que tinha gostado de mim, mas eu parecia um riquinho filhinho de papai que compraria um anel de noivado mais caro que uma casa. Então optei em ir direto ao ponto principal dessa pergunta – Ele fez uma pausa enquanto abria a caixinha – Você aceita se casar comigo?
Assim que vi lá dentro, as duas alianças de ouro, simples, básicas, mas perfeitas, eu só pude aceitar seu pedido.
Abro os olhos enquanto toco o cordão em meu pescoço, o puxo para frente do meu rosto, revelando o que até então ficava escondido embaixo da blusa, a aliança dele. Tommy me disse que viajaria para Nova York, pois havia sido chamado para participar de uma complexa cirurgia de separação de gêmeos siameses. Fiquei preocupada que ele pudesse perde-la ao retirar para fazer a cirurgia, então pedi que deixasse comigo. Mas ele nunca voltou, e eu nunca consegui tira-la de perto de mim.
— Eu estou indo te encontrar, amor – Digo num sussurro enquanto sorrio encarando sua aliança, e me levanto para fazer as malas.
*~*
— Peter Thomas Snow Merlyn – Digo, mostrando que estou nervosa, e ele está errado – Para de chutar o assento da frente.
— Desculpa mamãe – Ele diz e se encolhe envergonhado.
— É pra mim que você tem que pedir desculpas?
Vejo meu filho levantar do seu assento, saltar as pernas de Sara, que dormia como se não houvesse amanhã, e parar na lateral dos três assentos a nossa frente. Ele se estica para encarar a pessoa sentada no assento em frente ao seu.
— Me desculpa, moço – Ele diz colocando as mãos para trás do corpo – Eu que estava chutando seu assento, e prometo não fazer mais isso.
— Esta desculpado, meu jovem – Ouço a voz de um senhor que parece já de idade – Está tudo bem, pequeno.
Peter sorri, e começa a fazer o percurso de volta para o seu lugar, me levanto para agora eu encarar o senhor sentado na frente dele.
— Eu sinto muito, senhor – Digo quando o senhor simpático me olha – Ele está nervoso, é a primeira vez dele num avião.
— Está tudo bem, crianças são assim mesmo – O senhor sorri – Viajando a passeio?
— Mais ou menos – Respondo, e me inclino para Peter não ouvir – Na verdade, ele está indo conhecer o pai, mas ainda não sabe disso, se soubesse estaria muito mais nervoso.
— Boa sorte para os dois então – Ele sorri, e eu murmuro um obrigado ao mesmo tempo que a comissária anuncia que vamos pousar e eu voltou ao meu lugar colocando o sinto, depois de verificar se Peter está bem seguro.
— Acorda, Sara – Empurro sua perna com meu pé e a vejo acordar lentamente.
— Acorda, tia – Peter diz animado quando vê pela janela os grandes prédios sendo iluminados pelos primeiros raios do sol – Nós chegamos.
Felicity Smoak Queen
— Mas Peter, porque você veio pra cá? – Mike pergunta para o amigo que está sentado na sua frente.
— Eu não sei – Ele diz enquanto empilha um dos blocos que Thea comprou, com a intenção dos meus filhos se distraírem dentro de casa, assim não precisamos trazer brinquedos deles – A mamãe só disse que íamos viajar e encontrar com vocês, ela disse que depois eu ia entender tudo. Já é depois e eu ainda não entendi.
— Nem eu – Mike diz empilhando outro bloco – Nós estamos aqui para visitar a tia Thea, conhecer uma cidade nova e se divertir, não tem nada mais pra entender.
— O que será que eles estão conversando lá embaixo? – Peter pergunta, parando o bloco no ar – e porquê será que nós não podemos ouvir?
— Por que somos crianças, não entendemos os problemas dos adultos – Molly finalmente diz alguma coisa, essa que estava sentada ao lado do irmão e do amigo, e virava o rosto, como uma observadora de ping pong, enquanto ouvia a conversa dos meninos – Somos tão pequenos, que nossas mentes também são pequenas, por isso não podemos entender as coisas grandes dos adultos. Só quando formos grandes como eles – Minha pequena explica sua teoria absurda como se fosse algo tão simples, não consigo evitar de sorrir.
Ouço um “Ah” em uníssono vindo dos garotos, enquanto os mesmos voltam a empilhar os blocos.
Eu estava observando as crianças brincarem no chão do quarto, preferi ficar no corredor, sem que eles me vissem. Eu havia subido para ver como eles estavam, enquanto Oliver e Thea explicavam para Sara e Caitlin tudo que sabemos até agora.
Depois de ligar para a Caitlin ontem à noite, decidimos explicar para o Will a história do Tommy, que ele só o conhecia como Connor. Will parece ser um bom rapaz, parece se importar com Tommy, se não se importasse, não teria se dado ao trabalho de vir até o endereço e procurar a “tal Caitlin”, como ele mesmo disse. Qualquer outra pessoa poderia ter jogado o papel fora, ou chamado a polícia, mas ele se dedicou a fazer o que o Tommy pediu.
Depois de entender o passado de Tommy, ele se comprometeu em conseguir no hospital o máximo de informações que conseguisse, qualquer coisa que explicasse tudo que Tommy fez aqui em Chicago nos últimos cinco anos. Gostei da iniciativa dele, acredito que podemos confiar no Will.
Desço as escadas até a sala, percebo que já explicaram toda a história e agora estão discutindo teorias.
— Nós precisamos levar em conta o que esse Will disse – Sara diz, sentada numa poltrona ao lado de Thea – O Tommy vive aqui esses anos todos como um fantasma, ele com certeza estava se escondendo.
— Pode até ser – Roy diz com uma cara de pensativo – Mas se escondendo de que?
— Se minha mãe estivesse aqui, ela teria a resposta na ponta da língua – Caitlin diz, mas parece mais um pensamento muito alto, do que uma fala mesmo – “Aquele moleque estava se escondendo de você, afinal, não soube ser uma boa esposa, o coitado teve que fugir”.
— Pensem também no fato de que ele foi sequestrado – Percebi que um silencio constrangedor ia se instalar, então decidi me manifestar, enquanto voltava a me sentar no sofá ao lado de Oliver – Se Tommy estava mesmo se escondendo, era de alguém que queria fazer mal a ele, e agora o encontrou.
Caitlin parece estremecer no sofá a nossa frente, só então percebi que falei demais e a assustei.
— Não é por nada não – Oliver se pronuncia – Mas e se estivermos indo pelo caminho errado?
Ele joga a pergunta no ar e todos nós refletimos onde ele quer chegar.
— Tommy passou cinco anos vivendo como um fantasma – Ele continua, aponto para Sara, que comentou isso – E aparentemente, segundo Will, nada mudou – Ele faz uma pausa para ver se nós seguimos seu raciocínio, mas todos ainda estamos confusos sobre onde ele quer chegar – Nós chegamos.
— Mas eu moro aqui a dois anos – Thea diz, não entendendo porque Oliver pensaria aquilo – Sou a irmã dele, e moro aqui a dois anos, e ele estava bem.
— Mas você ainda não o tinha encontrado – Oliver continua, agora se levantando para olhar para todos nós – O fato é que nós voltamos para a vida do Tommy, isso o deixou feliz, como o Will disse, e em seguida ele é sequestrado – Ele faz uma pausa novamente – Nós fomos a mudança drástica na vida monótona de Tommy, e alguém não gostou disso.
— Will disse, que Tommy praticamente implorou por uma vaga no Chicago Med – Sara diz tentando colocar os pingos nos i’s – Por que ele faria isso? Era só procurar uma vaga em outro hospital de Chicago.
— Então ele precisava trabalhar especificamente naquele hospital – Caitlin diz com a voz fraca, pelo choro que até agora ela estava segurando – Mas porquê?
— Talvez porque essa seria a forma desse “alguém” – Roy diz fazendo as aspas no ar com os dedos – Ficar de olho no Tommy.
— E ter certeza de que ele seguiria sua vidinha chata, longe da gente – Digo passando na minha mente todas as pessoas que eu vi ontem à noite no hospital – Alguém de dentro do hospital era responsável por ficar de olho no Tommy.
— E ele provavelmente não sabia disso – Oliver disse ainda de pé, mas agora com os braços cruzados e olhando para mim – Viu como ele conversava abertamente com a gente nos corredores? Se ele soubesse que alguém de dentro o vigiava, ele não agiria daquele jeito em frente às câmeras.
— Felicity – Sara diz, me fazendo “aquele olhar” que eu entendo na hora.
— Agora mesmo – Digo me levando e pegando o notebook do Roy que estava na estante.
Em alguns minutos já tenho acesso a todo o banco de dados do hospital Chicago Med.
— A melhor hacker de toda a internet está de volta – Penso, mas assim que vejo o sorrido do Oliver percebo que disse em voz alta.
Antes que alguém diga alguma coisa a campainha toca. Todos nós olhamos um pouco assustados.
— Relaxa pessoal – Roy diz se levantando e indo abrir a porta – É o Will, convidei ele para almoçar e nos ajudar – Ele diz e cumprimenta Will como se já fossem melhores amigos, mas se conheceram ontem à noite.
— Oi pra todo mundo – Will diz acenando para todos – Embora eu não me lembro de conhecer todo mundo.
— Will – Oliver diz o cumprimentando – Essa é Sara, ela é nossa amiga, e é policial em Starling City – Ele diz apontando para a mesma e depois para Caitlin – E essa é a Caitlin, esposa do Tommy, que você conhece como Connor.
— Claro – Will diz apertando a mão de Caitlin que se aproximou – Como eu já disse ele era um cara fechado e bem triste. Mas quando ele ficou um pouco bêbado, não parava de dizer que o que mais queria era poder voltar para a mulher que ele tanto ama, foi a primeira vez que eu o vi sorrindo, ele estava pensando em você.
— Obrigada, por ter sido um amigo para o meu marido – Caitlin diz forçando um sorriso por trás das lagrimas – Você o conhece como Connor, certo?
— É – Ele responde parecendo confuso – Connor, Tommy, dois nomes pra uma única pessoa, é confuso mas acho que podemos passar por isso, é o nosso obstáculo mais simples.
Seu comentário faz cada um rir um pouco, aliviando um pouco o clima pesado na sala. Entendo agora por que Will insistia em se aproximar de Tommy, os dois são muito parecidos, em outras circunstâncias tenho certeza que seriam grandes amigos.
— Então – Will volta a falar, me acordando de meus pensamentos – Eu falei lá no hospital que o Connor vai tirar o dia de hoje e amanhã como folga, já que ele fez um plantão de três turnos. Eu disse que iria passar no apartamento dele, e ajuda-lo com um assunto pessoal durante meu almoço – Ele para de falar para olhar o relógio no pulso – Eu tenho que estar de volta no hospital até as 14hs.
— Ótimo – Roy diz levantando com Thea logo atrás e vindo até onde os outros estão, perto de mim no outro sofá – Acontece que temos quase certeza de que alguém de dentro do hospital estava vigiando o Tommy, você dizer isso não seria perigoso?
— Certo, então alguém de dentro do hospital estava vigiando ele – Will parece pensativo – Eu só falei disso com a Nat e a chefe do hospital, duas pessoas que vocês podem ter certeza absoluta que são inocentes – Ele diz convicto – E se precisam saber quem trabalha lá dentro eu posso ajudar, posso dar a minha senha do sistema.
— Agradecemos a sua ajuda e disposição, Will – Oliver diz colocando a mão no ombro dele – Mas nós temos a Felicity, e ela é a melhor hacker de toda a internet.
— Serio? – Will olha para mim com um sorriso – Isso é muito legal.
— Só pra deixar claro aqui – Oliver volta a dizer, mas agora muito sério, percebo que ele está com sua cara de ciúmes – Ela é minha esposa.
— Tá legal – Will diz parecendo assustado com a cara que o Oliver dá pra ele, e eu não consigo evitar de rir – Eu entendi isso, e prometo nunca esquecer.
— Mamãe, eu tô com fome – Mike diz atrás de mim.
Quando me viro vejo não só ele, mas Molly e Peter também. Os Três estão sentados na escada, um atrás do outro, um em cada degrau, todos com as mãos e as testas encostadas nas grades do corrimão. Me pergunto a quanto tempo eles estão ali observando tudo e ouvindo nossa conversa.
— Você tinha razão – Peter diz olhando para trás e encarando Molly. Ele estava mais em baixo, Molly no meio, e Mike mais em cima – Nossas cabeças ainda são muito pequenas para entender as conversas dos adultos.
— Eu disse, mas vocês homens nunca acreditam em mim – Só eu dou risada da cena dos pequenos a nossa frente, pois só eu ouvi a discussão dos mesmos mais cedo.
— Nem tanto, Peter – Mike diz se esticando para ver o amigo – Você prestou atenção?
— É verdade – Peter responde arregalando os olhos – Eles estavam falando do meu pai.
— Sim – Molly diz pensativa – Eles estavam falando do tio Tommy.
— Parece que você estava errada, Molly – Mike diz, implicando com a irmã – Nossas cabeças pequenas podem sim entender a conversa dos adultos.
— Você só ouviu o nome do tio Tommy – Molly diz se levantando e passando por Peter – Então eu continuo certa.
— Tudo bem – Thea diz chamando a atenção de todos, que até agora estavam focados nos pequenos – Que tal os três aí me ajudarem a preparar o almoço pra esse monte de gente?
— Eu topo – Mike diz se levantando da escada – Embora eu preferisse já comer – Ele resmunga a última parte.
— Então vamos – Molly chama já na porta da cozinha.
Peter continua sentado na escada, enquanto todos se dispersam pela sala. Caitlin percebe a tristeza no olhar distante do filho, e olha para mim, pedindo ajuda com a situação. Me levanto e vou ao seu lado até onde Peter está.
— Querido – Caitlin diz calmamente – O que foi?
— Nós estamos aqui por causa do papai? – Ele pergunta ainda sem nos olhar.
Caitlin me encara com os olhos cheios de lagrimas, ela vai voltar a chorar.
— Sim, Peter – Digo tocando no seu ombro – Você, sua mãe e sua tia só vieram aqui por causa do seu pai – Faço uma pausa e ele me encara, os olhos iguais aos da mãe, tanto na cor, quanto no brilho das lagrimas se formando – Na verdade, eu e o tio Oliver, nos encontramos com ele. Querido, seu pai precisa de ajuda, e eu prometo que vamos fazer de tudo para ajudá-lo.
— Vocês prometem? – Ele pergunta trocando o olhar entre mim e sua mãe.
— Sim, meu amor – Caitlin diz colocando a mão em seu rosto para conforta-lo – Nós vamos trazer o seu pai de volta, é uma promessa.
Tommy/Connor
Sebastian só queria me assustar ontem à noite. Sinto um calo se formando no alto da minha cabeça, e me lembro das fortes coronhadas que o segurança grandalhão me deu. Minha coluna parece um monte de pedrinhas, depois de ter passado a noite no chão duro de um galpão.
A lembrança da ameaça de Sebastian para não me aproximar de Oliver e Felicity fica rodando na minha cabeça. Como ele sabe que eles me encontraram? Eu sei que meus vizinhos são na verdade seus capangas, mas não tinha como eles terem visto alguma coisa. Sinto alguém tapar minha boca e nariz com um pano, e minha consciência está sendo levada. Só consigo pensar que preciso ficar longe deles para que fiquem seguros. E então eu apago, estou de novo naquela escuridão, e ela está lá, mas está longe, seu perfume me invade, e seu olhar se encontra com o meu, mas quanto mais me aproximo, mais ela se afasta, então eu sei que não é real.
Oliver Queen
Antes do almoço ficar pronto, a Thea me obrigou a ir comprar folhas frescas para fazer uma salada no mercadinho a quatro quadras da casa dela.
Eu percebi que Peter estava chateado por descobrir que seu pai está em perigo, então o convidei para ir comigo, caminhar um pouco e esfriar a cabeça.
— Ei garoto – Digo empurrando seu ombro de leve, estamos na metade do caminho – Não fica tão pra baixo, você sabe que vamos conseguir achar seu pai, ele vai ficar bem.
— É eu sei – ele diz colocando as mãos nos bolsos da calça, agora sim ele está idêntico ao Tommy – É que eu sinto falta dele. É possível eu sentir falta de alguém que nunca conheci, tio Olie?
— Claro que é – Digo quando ele me encara – Seu pai sempre esteve dentro do seu coração, e seu coração está dizendo que tem algo faltando perto de você, que é o seu pai – paro de andar e me agacho na sua frente – Lembre-se garoto, seu pai não sabe que você existe, mas você é um pedacinho dele, quando ele ver você ele vai saber e vai sentir também. E o seu coração vai se tornar completo.
Ele sorri e assenti. Me levanto e volto a andar, agora ele parece mais animado.
Continuo a andar com Peter a minha direita, me distraio por um segundo com um anuncio do outro lado da rua, e quando me dou conta, Peter não está mais caminhando ao meu lado, então o desespero toma conta de mim.
Tommy/Connor
Sinto uma forte dor de cabeça, novamente ela desaparece em meio a escuridão, e eu percebo que estou acordando.
Uma mão pequena e bem quente toca minha bochecha. Abro os olhos lentamente e vejo um garoto debruçado em cima de mim, ele tem a pele branca e bochechas rosadas, um cabelo preto que quase cobre toda sua testa. O garoto sorri enquanto retira os óculos escuros e os pendura na gola de sua camisa, revelando lindos olhos num tom castanho claro quase acinzentado, reconheceria esses olhos em qualquer lugar.
Pode ser a dor de cabeça, ou a na coluna, pode ser a fome, ou eu estou ficando louco mesmo. Mas minha mente cria uma teoria que eu não consigo descartar, então arrisco em encarar o garoto e dizer o que se passa na minha mente agora.
— Filho?
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