Back to Life - ByaHime
2 O reinado ainda continua
Suas lágrimas pararam em poucos minutos. Orihime não podia perder seu precioso tempo chorando por algo que acabou há tanto tempo.
Ela agora se deparou com uma de suas mais leais, ou a mais leal, do seu grupo de empregadas de joelhos em frente à ela.
— Riruka. — Orihime chamava o nome da empregada de cabelos rosados.
Riruka não era uma simples empregada, além de leal, ela era como o braço direito de Orihime. Tudo que Orihime passava e tudo o que ela fazia, Riruka sabia. Como uma confidente, ela escutava todos os problemas da ruiva como uma verdadeira amiga.
— Eu estou indo embora, mas saiba que… — Orihime se deu uma pausa em sua própria fala.
Era notório o que a rosada estava pensando: Orihime a deixar no Palácio real. Ela não deixava de ser uma simples empregada, então não poderia ir embora com a senhora que escolheu servir por toda a sua vida.
— Eu não deixarei você aqui, Rikura, você irá embora comigo.
Riruka que estava com sua cabeça baixa, olhando para o chão, rapidamente levou seu olhar para a ruiva que a olhava com um sorriso no rosto. Os olhos da rosada se enchiam de lágrimas.
— Muito obrigada, minha senhora….! Eu prometo servi-la com toda a minha vida.
Orihime esticou sua mão para Riruka, que pegou a mão dela e se levantou.
— Arrume suas coisas, vamos embora em menos de uma hora. — disse a Inoue.
Riruka se curvou e depois saiu do quarto às pressas. Orihime deu uma última olhada ao seu redor, no quarto que foi seu por tantos anos. Tantas lembranças, infelizmente mais ruins que boas.
Ela andou até a sua imensa estante de livros. Seus olhos passavam por cada livro de capa dura, as mais diversas e caras coleções de livros se encontravam ali, em exibição. Esticou sua mão e puxou um livro com a capa de couro, velha e amassada.
Aquele livro era ofuscado pelos restantes que tinham na prateleira, porém ao abrir o livro, aquela estante tremia e uma espécie de porta foi revelada atrás dela.
Orihime sorria ao ver aquela porta, fechou o livro e o deixou sobre a cama. Andou até o lado da estante e a empurrou para o lado, deixando a porta totalmente exposta. Com um leve empurrão na porta com o seu pé, ela conseguiu ver a sala escondida.
As antigas princesas usavam a sala para guardarem seus tesouros, muitas vezes joias extremamente raras e seus vestidos, contudo, ela, Orihime, usava essa sala para guardar outras coisas.
— Leve como sempre. — disse segurando uma das espadas de ferro que estavam penduradas na parede.
O cargo de imperatriz era o mais importante do império junto do imperador. Orihime sabia que ao se sentar no trono da imperatriz, ela seria a mulher mais importante do reino e ninguém poderia ir contra as suas ordens, mas ela não era burra o suficiente para deixar sua vida nas mãos dos outros.
Antes de seu irmão ir embora, ele lhe disse que ninguém era responsável pela vida dela, apenas ela era. Para proteger sua vida, então deveria aprender a lutar por ela.
E foi isso que ela fez desde que entrou para o Palácio. A primeira vez que um assassino invadiu seu quarto e apontou uma espada para o seu pescoço, ela sentiu o peso da coroa sem nunca antes ter a usado.
Sua fama gentil e amável não era totalmente verdade, pois ela só criou tal fama para ser aceita por todos como a futura imperatriz, então todos pensariam que não teria pessoa mais ideal para o cargo que ela, embora isso trouxesse mais assassinos para ela.
Quem iria falhar ao matar uma mulher débil e inocente, não é mesmo? Todos mudaram de ideia ao invadirem o quarto da futura imperatriz de Karakura e serem mortos por essa mulher que julgavam ser débil e inocente.
Logo as tentativas pararam, mas isso não fez com que Orihime parasse de aprimorar suas habilidades na esgrima. Deixando a espada de volta em seu lugar, ela andou até uma caixinha dentro de uma vitrine.
— Aqui está você… — A inoue colocava suas mãos na vitrine e olhava para a caixinha que estava aberta.
Dentro da caixinha, tinha duas presilhas de cabelo, mas não qualquer presilha. Aquela presilha continha o único e maior poder de Orihime: o poder da deusa da criação.
A única pessoa que sabia sobre seu dom era seu irmão mais velho e Riruka. Ela não contou nem mesmo para Ichigo, iria contar depois do casamento, quando teria certeza de que eles jamais iriam se separar.
Esse mundo foi construído por dois deuses: a Deusa da criação e o Deus da destruição; Deuses que andavam lado a lado e mesmo com suas diferenças, eles ainda trabalhavam juntos para manter a paz do mundo, porém havia chegado a hora deles voltarem para o plano celestial.
Para não deixar o mundo em desordem, ambos deram aos humanos uma fração de seu poder, pensando que assim eles buscariam a paz e a harmonia entre eles, entretanto, nada disso aconteceu e a guerra começou. Humanos gananciosos tinham o desejo de dominar os mais fracos e posteriormente, dominar o mundo. Os Deuses, irritados, criaram dois humanos capazes de usarem os mesmo poderes que seus criadores.
Assim, os dois humanos trouxeram a paz para o mundo e sua linhagem foi passando com os anos, porém os poderes foram sumindo ao longo dos tempos. Anos atrás, o poder do Deus da destruição despertou no reino das almas, assim causando a guerra entre as nações.
Agora estavam procurando o poder da Deusa da criação, mas mal sabem eles que a dona de tal poder estava bem debaixo do nariz deles esse tempo todo.
Orihime tirou a caixinha de dentro da vitrine.
— Minha senhora? — Riruka entrou na sala secreta e olhou para a ruiva, que estava de costas para ela.
— Pronta? Vamos embora logo. — A mulher se virou para ela, agora usando suas presilhas.
Surpresa com as presilhas, a rosada sabia muito bem o que isso significava: Orihime já não faria mais questão de esconder seu poder.
Daquela sala, Orihime pegou apenas o necessário, o que achava necessário para ela e fez mais uma mala. Trancou a sala novamente e dessa vez, sem olhar para trás, ela deu as costas para o seu antigo quarto e depois para o palácio real.
Em sua carruagem, ela ficou sentada de frente para a sua empregada e manteve a mesma postura nobre de sempre.
— Em menos de duas horas, logo o reino todo vai saber do seu rompimento com o príncipe herdeiro, isso inclui sua madrasta também. — informou Riruka.
Orihime olhava os empregados colocarem suas malas na carruagem e outros murmuravam entre si.
— É tempo o suficiente. — respondeu a Inoue. — E como anda a carta que mandei para o meu irmão?
— A carta que a senhorita mandou para o seu irmão, o senhor Sora, está quase chegando ao seu destino.
A ruiva sorria satisfeita, fez bem em trazer Riruka consigo, pois ela seria de grande ajuda em um continente que ela nunca antes tinha pisado.
Não demorou muito para a carruagem andar, mas o destino da carruagem era a sua casa, como todos pensavam que ela estava indo, contudo, ao chegar em uma estrada deserta e de terra, a carruagem parou repentinamente.
Ela viu a porta da carruagem abrir e algumas pessoas aparecerem encapuzadas.
— Ei, senhorita! — Uma das pessoas tirava o capuz e abria um sorriso para ela.
— Kugo. — A mulher sorria de volta para o homem.
— São menos bagagens que eu esperava… O palácio por acaso não deixou a senhorita trazer suas coisas? — Um garoto um pouco baixo perguntou desconfiado. Seu nome era Yukio Hans Vorarlberna, um rapaz que vinha de uma família nobre caída.
— Yukio, com certeza a senhorita que não queria trazer as coisas do Palácio. — Disse Shukuro Tsukishima.
Os outros ficaram em silêncio, logo a ruiva saiu da carruagem com a ajuda de Kugo e então viu o cocheiro no chão, aparentemente inconsciente. Ichigo não a deixaria sair do reino, não tão facilmente e para não complicar as coisas, ela estava fugindo.
— Vamos antes que alguém chegue. — falou a moça, colocando um capuz que Riruka deu para ela.
Logo uma outra carruagem saiu de dentro da floresta que cercava a estrada de terra. Um homem mais velho estava sentado conduzindo os cavalos e uma mulher morena puxava outros cavalos de dentro da floresta.
— Tudo pronto. — informou Yukio, dando um pequeno sorriso.
Ela olhava para aquelas pessoas e sorria agradecida, sempre soube que podia contar com sua própria gente, mesmo nos piores momentos.
Logo após entregar no palácio carregando o título de princesa herdeira, ela ficou encarregada de uma rebelião de um grupo de pessoas que queriam tirar a família real do poder por acharem ela indigna, pessoas que já foram machucadas e feridas pela realeza e agora queriam vingança.
Conhecidas como "Xcution", eles perderam tudo o que tinham por culpa dos nobres. Um dos maiores feitos dela foi parar a rebelião e matar todos da organização, pelo menos era o que ela relatava para todos na época. Orihime não matou nenhum membro, porque além de desperdício, ela viu que eles só eram pessoas que estavam sem rumo em suas vidas, cegas pela vingança.
Sendo a única mulher que estendeu a mão para eles e os tirou daquela situação deplorável, Orihime montou seu próprio esquadrão secreto. Pensando nisso, imaginaria o orgulho que seu irmão sentiria disso ao descobrir os feitos da ruiva.
— Vamos para o reino das almas. — Ela se virou para eles, que montavam em seus cavalos e sorria confiante.
Onde quer que ela fosse, eles sempre estariam com ela, pois foi para essa mulher de cabelos ruivos que eles se ajoelharam com suas armas e juraram lealdade até o fim de suas vidas.
[...]
Quatros dias se passaram desde a fuga de Orihime com seu pessoal.
— Se identifiquem! — gritou o soldado.
A ruiva olhou pela janela a neve cair do céu. Viu o chão branco e a muralha em sua frente sendo atolada em neve. Sua atenção foi para o soldado de cabelos vermelhos e armadura brilhante. Sua pele bronzeada, algo estranho pelo clima frio, e suas tatuagens em seu rosto; ele tinha as mãos perto da espada na cintura, pronto para empunhar e atacar se fosse alguém suspeito. Não apenas ele, mas um azulado que observava tudo a distância estava pronto para atacar também.
A Inoue viu quando Kugo e Yukio desceram de seus cavalos, não tinham caras nada amigáveis e sabia que eles iriam piorar a situação se fossem perder a paciência.
— Esperem! — Orihime abriu ela mesma a porta da carroça, fazendo Riruka ficar desesperada pela sua atitude, pois isso era trabalho de um servo e não dela.
A ruiva colocou os pés na neve fofinha e ajeitou seu grosso casaco, enquanto a neve começou a cair em seu cabelo.
— Eu sou Orihime Inoue! Estou aqui para ver meu irmão mais velho, Sora Inoue! — exclamou ela, em bom e alto som para todos os soldados que estavam guardando a fronteira escutassem suas palavras.
Orihime conseguiu chegar ao norte em segurança, entretanto, o que aquelas muralhas poderiam a apresentar?
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