Back to Death
1 Filme
Notas iniciais
— Por que escolhemos logo esse filme? — lamentou Seiko, cobrindo os olhos com um travesseiro. A ruiva estava enrolada num lençol, deitada na sofá.
— Foi você quem escolheu, a culpa é sua — disse e peguei um pouco de pipoca na bacia. — Além disso, também foi você quem decidiu apagar as luzes.
— E foi você quem disse que o filme nem dava medo — rebateu a garota. De repente, a tela se tornou azul e um apresentador surgiu. Se me lembro bem, o nome dele era Okamoto Yoshiaki ou algo do tipo.
— Desculpem-nos por interromper a programação — Yoshiaki começou a falar.
— Não sei se fico feliz ou triste — disse Seiko. — Amaya, aquele é o L?
Eu não respondi. Desde que vi aquela figura que dizia ser L, não tirei os olhos da tela. Não havia nenhuma razão para ele mostrar o rosto. Por que ele estava fazendo aquilo?
— Falando nisso, você apoia Kira? — perguntou Seiko, pegando a bacia de pipoca e comendo o que restou.
— Nunca — respondi. — Ele é um babaca — disse, enquanto observava a tela. Meus olhos se arregalaram ao ver o suposto L caindo na mesa. Ele havia morrido?
— Meu Deus... — a ruiva estava boquiaberta. E ficou ainda mais quando descobriu que aquele não era realmente o famoso detetive. Nós duas estávamos olhando para a tela admiradas, ao ouvir o verdadeiro L contando todo seu plano.
A programação voltou ao normal, mas nenhuma de nós queria voltar a assistir o filme. Aquela briga entre Kira e L havia sido melhor do que muitos filmes por aí, confesso. Seiko decidiu ir ler um livro que ela comprou há alguns dias, mas eu abri meu notebook e comecei a procurar sobre Kira. Quando percebi, já estava de madrugada. De qualquer jeito, eu não ia relaxar até conseguir encontrar alguma razão. Como ele conseguia matar alguém sem nem tocar na pessoa? Eu fiz anotações durante uma hora, mas não concluí nada importante. Por que ele não havia conseguido matar L? Será que ele precisava vê-lo? Não, isso era impossível...
Acabei dormindo no sofá. No dia seguinte, estava parecendo um panda. Passei um pouco de maquiagem para disfarçar, mas não adiantaria, já que eu estava quase morrendo de tanto sono.
Foi apenas um dia normal. Seiko tentou conversar comigo, mas eu consegui fugir dela e fui para a biblioteca. Lá, deitei a cabeça na mesa e dormi. Eu poderia ter ficado lá por horas, mas o sinal me acordou.
Eu não consegui nenhuma informação importante nos dias seguintes. Decidi deixar minha investigação maluca pra lá e estudar para o vestibular. Eu já sabia bastante e tinha certeza que me daria bem, mas estudar mais um pouco não fazia mal.
Quando chegou o dia esperado, recebi uma mensagem da minha irmã desejando boa sorte. Peguei o metrô e cheguei no lugar onde ocorreria a prova bem cedo. Fiquei esperando lá e, quando começou, percebi que não estava muito difícil. Tive algumas dúvidas, mas acho que saí bem.
Alguns dias passaram e eu descobri que havia gabaritado a prova. Meus pais apenas me parabenizaram, enquanto Seiko chegou pulando e quase quebrou meu pescoço. No dia da cerimônia, sentei perto de um garoto que estava sentando de um jeito esquisito. Era difícil não olhar para ele, pois o jovem estava vestindo uma roupa extremamente estranha para uma cerimônia — calça jeans e blusa branca — e parecia que não tinha nem penteado o cabelo.
— E nossa caloura representante, Amaya Kono — um homem disse. Eu fui até o palco, junto de Ryuga Hideki (não era o idol, e sim aquele garoto esquisito) e Raito Yagami (aquele cara bonitinho, o melhor aluno do Japão).
Subi no palco e li aquela parte do discurso. Passei o papel para o Ryuga e tentei não olhar para as pessoas. Senti minhas pernas tremerem, mas fiz o melhor possível para ignorar.
Recebemos aplausos e eu voltei para meu lugar. Percebi que Ryuga estava conversando com Raito. Eu tenho uma incrível mania de ouvir as conversas de outras pessoas. Logo entendi que eles estavam falando sobre Kira, e isso fez com que eu ficasse ainda mais atenta.
— Eu sou L — Ryuga falou. Eu me arrepiei, mas logo concluí que isso era impossível.
— Claro, e eu sou Kira — resmunguei. Quando vi que os dois garotos me encaravam, percebi que havia falado em voz alta e corei.
— Você está ouvindo nossa conversa? — perguntou o garoto esquisito. Droga.
— Não, é que eu percebi que vocês estavam falando sobre Kira, então eu me interessei e... — desisti de tentar me explicar, pois minhas desculpas não eram convincentes.
— Bem, você é suspeita.
— Por quê?
— Você acabou de falar que era Kira.
— Eu estava brincando!
— De qualquer jeito, eu quero a ajuda de vocês na investigação— Ryuga mudou de assunto. Aquilo era sério? Não, ele só podia ser idiota.
Ouvi eles conversarem um pouco, mas não falei nada. Era óbvio que ele era maluco. A cerimônia acabou e eu saí.
— Raito-kun, Amaya-chan, foi um prazer conhecê-los — Ryuga disse.
— Ah, também foi um prazer te conhecer... — falei, um pouco sem jeito. O garoto entrou num carro estranho e foi embora.
Quando cheguei em casa, minha mãe estava preparando uma omelete. Cumprimentei-a e fui para meu quarto. Deitei na cama e decidi ler O Pequeno Príncipe. Ganhei há alguns dias do meu pai, mas nunca havia me interessado pela história . Terminei o livro em uma hora e dormi, com o livro no colo.
No dia seguinte, Raito e Ryuga estavam jogando tênis. Eu sentei em um banco e observei os dois garotos jogando. Ryuga era muito bom e estava ganhando.
— Amaya-chan, você não quer participar? — perguntou ele.
— Eu não sei jogar tênis — expliquei. Na verdade, eu nunca havia jogado uma partida séria. Não me interessava muito.
Ryuga voltou ao jogo. Agora, já havia uma multidão observando e até um juíz. Analisando as expressões dos dois, parecia que eles queriam se matar. Sério, estava ficando até assustada. No final, Raito acabou ganhando. Quando a multidão toda foi embora, só havia Ryuga, Raito e eu na quadra.
— Eu vou embora, tchau — disse e levantei do banco, pegando minha bolsa.
— Você não quer jogar mesmo, Amaya-chan? — perguntou Ryuga. — Eu te ensino.
— Ok... — falei, hesitando um pouco. Peguei uma raquete e fui para um lado da quadra. Ryuga jogou a bolinha, enquanto Raito observava. Ele estava jogando de um jeito fraco, já que eu nem sabia segurar a raquete direito. Corri até a bola e tentei acertá-la, mas só consegui acertar o ar.
Raito se levantou e, junto com Ryuga, veio me ajudar.
— Você segura a raquete assim... — explicou Raito. Tentei imitá-lo. — Quase isso.
Depois que já estava posicionada de um jeito melhor, recomeçamos o jogo. Eu estava jogando melhor (mas isso não quer dizer que eu estava jogando bem, porque não estava) e consegui marcar 2 pontos. Olhei para meu relógio e percebi que já estava tarde. Peguei minha bolsa e me despedi dos garotos.
— Tchau! — acenei para eles.
Os dois se despediram e saí correndo. Quando cheguei em casa, minha mãe me deu um sermão.
— Você nem avisou! — exclamou ela. — Eu fiquei esperando por 2 horas, achei que você tinha sido sequestrada!
— Calma, mãe! — falei, assustada. — Eu estava jogando tênis.
— E nem para me ligar?
— Eu esqueci, mãe!
Depois de receber mais alguns sermões, fui para meu quarto e troquei de roupa. Abri meu notebook e procurei um pouco mais sobre Kira, mas só encontrei idiotices. Decidi ir dormir, já que estava quase morrendo de tanto cansaço e deitei na cama. Fiquei pensando no Ryuga. Será que ele era realmente L?
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