Back to Baker Street
1 Oneshot
Notas iniciais
Beijos e boa leitura :)
-- Chega, John!
-- Mas... mas...
-- Eu amo você, mas não quero ficar com alguém que não retribui!
-- Como não, Mary? – John estava confuso. – Não me casaria com você se não a amasse.
-- Não se casaria comigo se Sherlock se declarasse pra você!
John bufou.
-- Até você?! Por que todo mundo acha que eu sou gay? Eu sou afeminado ou o que?
-- Não, John, mas quando vocês estão juntos, é impossível não reparar.
John a encarou.
-- Escuta... – Mary deu um sorriso sincero. – Eu realmente não me importo com isso, desde que você seja feliz. Podemos ver um amor verdadeiro no olhar de vocês dois.
Ele corou.
-- Mary, Sherlock e eu somos apenas amigos. Nunca vai passar disso.
-- Vá ser feliz com quem você realmente ama, John... Por favor. Faça isso por mim!
-- Você quer se separar?
-- Quero.
-- Mas foram só dois meses!
-- Dois meses de ouvir você chamando Sherlock no meio da noite. Dois meses de receber ligações da Mrs, Hudson, dizendo que Sherly estava mal e mais depressivo do que de costume. Dois meses de ver o sofrimento de um casal que não pode se unir. Eu amo você, e quero que seja feliz, entendeu?
John encarou o chão.
-- Obrigado, Mary. – John deu um abraço sincero de agradecimento, e ela retribuiu, sorrindo.
-- Vamos, vou te ajudar a arrumar as coisas...
Os dois começaram a pegar as coisas de John e a guardar em caixas. Passaram o dia arrumando, limpando e organizando tudo em grandes caixas de papelão. No final da tarde, tudo estava pronto, e John se despediu de Mary.
-- Espero que encontre alguém que te ame de todo o coração.
-- Ah, John... Espero encontrar alguém que me ame como Sherlock te ama.
John sorriu, envergonhado.
-- Não deixe de dar notícias! – ela disse em voz alta, acenando da porta.
-- Eu te ligo! – John disse, e entrou no táxi que havia parado.
O caminho até Baker Street foi rápido. John empilhou as caixas nos braços, e balançou o batente da porta. Pôde-se ouvir a familiar voz de Mrs. Hudson ao longe, e quando ela abriu a porta, deu um gritinho de felicidade.
-- Ah! Eu sabia, eu sabia! Ainda bem que você voltou! Oh, eu senti tanto a sua falta... – ela abraçou John, que lutava para equilibrar as caixas e ao mesmo tempo retribuir o abraço.
-- Senti sua falta também, Mrs. Hudson... – John disse, ofegante.
-- Venha, venha, dê-me algumas malas, eu vou te ajudar a carregar lá pra cima!
John deu duas malas de mão e uma de rodinhas para Mrs. Hudson, enquanto carregava as caixas empilhadas. Entrou em seu bom e velho quarto, e descarregou as coisas. Ia arrumar, mas decidiu tomar uma xícara de chá primeiro.
-- Onde está Sherlock?
-- Ah, no mercado. Daqui a pouco ele está aqui. – ela disse, dando-lhe a xícara e algumas bolachas.
-- Mas o que fez você vir pra cá novamente?
Ele suspirou e deu uma golada em seu chá.
-- Bem, Mary me expulsou... Mas nós não brigamos. Ela me expulsou porque cismou que o meu lugar é aqui, e eu tenho que correr atrás da minha felicidade.
-- Sua felicidade é com Sherlock, não é?
-- É. Não sei como consegui ficar longe por tanto tempo, sem resolver crimes e tal. – John disse, e Mrs. Hudson sorriu.
-- Se quer saber... – ela disse, quase sussurrando. – eu nunca acreditei muito nesse casamento. Sempre soube que você amava Sherlock.
John se engasgou com o chá.
-- Mrs. Hudson, quantas vezes eu preciso dizer que eu não sou gay?
Ela deu uma risadinha, e levou a xícara dela para a pia. John suspirou e subiu.
Arrumou seu quarto, como se nunca tivesse saído de lá. John pegou sua almofada com a estampa da bandeira, e repôs em sua poltrona. As coisas continuavam intocadas (com a mesma camada de pó). Terminou sua xícara em silêncio, e pôde ouvir o barulho da porta. As borboletas em seu estômago reapareceram, e suas mão começaram a suar.
John ouviu o barulho de passos pela escada, e a sensação só se intensificava.
Sherlock entrou pela porta carregando as compras, e ao ver John sentado na cadeira, deixou-as cair.
-- John?
-- Olá, Sherlock.
Sherlock abriu um sorriso, surpreso e pegou as compras do chão.
-- O que está fazendo aqui?
-- Ora, eu moro aqui, esqueceu?
-- Não, você mora com a sua esposa.
-- Hã... Eu não tenho mais esposa.
-- Bebeu de novo? E Mary?
-- Ela me disse pra eu seguir minha felicidade, e, BUM... – John sinalizou com as mãos. – Aqui estou.
Sherlock o encarou com um sorrisinho, e se virou. John podia jurar que ele havia corado.
-- Mas... mas e você? Continua, hã, solteiro? – John perguntou, lutando contra a gagueira.
-- Sociopata altamente funcional. Você realmente acha que alguém se interessaria? – Sherlock disse, sem olhá-lo.
Claro que eu acho, John pensou.
-- Acredito que sim. Você deve se lembrar. Irene, Janine, Molly...
-- Molly nunca gostou de mim, realmente. Só estava carente.
-- Tanto faz, mas ela teve uma queda por você.
Sherlock continuou virado de costas para John, que tinha certeza de que ele estava revirando os olhos.
-- Mas e Mary?
-- Eu nunca a amei realmente. Era só carente. – ele se virou para a janela, irritado. Era difícil falar sobre sentimentos com Sherlock, principalmente quando isso envolvia os seus próprios. –Ela não queria concorrentes...
Sherlock se virou.
-- É impossível como todas as pessoas acham que somos namorados.
-- Isso te incomoda?
-- B-bem... não exatamente, mas sabe... eu não sou gay. – John procurou as palavras certas, que obviamente, não vieram.
Sherlock concordou com a cabeça, parecendo irritado, e sentou-se em sua poltrona. John o encarou.
Oh, Deus, ele é lindo.
Ao refletir sobre esse pensamento, suspirou frustrado.
Merda, sou gay.
Era mais reconfortante saber que não poderia ser tão ruim. Sempre sentira isso. Desde a primeira vez em que olhou dentro daqueles olhos verde intenso. Sentiu ciúmes de todas as garotas que se aproximaram dele, especialmente Janine. Além de quando eles foram ao palácio de Buckingham, quando Mycroft pisou no lençol que cobria seu corpo nu, impedindo-o de sair, John se esforçou para não olhar para baixo, o que não deu certo.
E por um momento, pensou que ele poderia retribuir. Depois de ele ter arruinado no mínimo dois encontros, ter atitudes estranhas em sua presença, e principalmente, depois do que Magnussen disse.
“Muito difícil encontrar um ponto de pressão sobre você, Mr. Holmes. Mas veja como você se preocupa com John Watson.”
Isso ficou martelando na cabeça de John por um bom tempo.
-- John.
-- Hm...?
-- Você está bem?
“Mas veja como você se preocupa com John Watson.”
-- Hã, estou... Hum, Sherlock, vou me deitar. Estou exausto.
-- Certo...
-- Boa noite.
-- John.
-- Sim?
-- É bom tê-lo de volta.
John sorriu.
-- Eu também acho...
Fechou a porta e se jogou na cama. Ficou um bom tempo apenas imaginando as mil coisas que poderiam acontecer se ele tivesse assumido para si mesmo o quanto gostava de Sherlock. Ao olhar no relógio mais uma vez, era uma hora da manhã. Simplesmente não conseguia dormir.
Uma batida na porta o tirou de seus pensamentos. Sherlock entrou de supetão.
-- Sabia que estava acordado.
John o encarou confuso.
-- O que foi?
-- Queria perguntar se não poderia dormir aqui hoje.
John corou, e esperou que o escuro o camuflasse.
-- Por que?
-- Minha cama está um lixo, e o sofá é desconfortável.
-- Certo, hã, venha... – John cedeu espaço, e Sherlock se deitou.
O calor do corpo dele deixava John ainda mais nervoso. Ele resolveu descartar todos os pensamentos inúteis em sua cabeça, e se virou para dormir.
Sherlock, sem perceber, envolveu seus braços ao redor de John, que não se moveu, mas deu um breve sorriso antes de pegar no sono novamente.
No dia seguinte, Mrs. Hudson foi levar o chá para os dois, como de costume. Mas ao entrar no quarto de Sherlock, ele não estava na cama. Deixou a xícara mesmo assim, e foi entregar a de John, e ao ver a cena a seguir, abriu um largo sorriso.
-- Vocês nunca me enganaram, seus danadinhos...
John estava muito próximo de Sherlock, com o rosto enterrado em seu peito, enquanto Sherlock passava seus braços ao redor dele. Ambos dormiam profundamente, e Sherlock parecia sorrir.
Mrs. Hudson deixou a xícara de John e fechou a porta.
O barulho fez Sherlock acordar, e ele se deu conta que estava abraçado a John. Deu um sorriso, e voltou a dormir, sem perceber que John também estava acordado. Nenhum dos dois pretendia sair de lá tão cedo. John voltou a enterrar a cabeça no peito de Sherlock, aspirando seu perfume, e sentindo sua pele roçar de leve na dele, e murmurou um “eu te amo” baixinho.
Sherlock apertou seu abraço nele.
-- Eu também John... Eu também.
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