Back in Black

3 What The Hell Happened With Me?


Notas iniciais
~~ Capítulo reescrito ~~

POV'S Allice;

Já era de madrugada. A noite havia chegado mais rapidamente do que eu gostaria. Felizmente, tinha resolvido os meus problemas com aquele ser problemático. Acabei esgotando minha energia e o meu senso de humor. Toda a vez em que nos víamos era assim. Sempre tínhamos discussões desnecessárias, eu já não aguentava mais ele me jogando na cara o que havia acontecido no passado. Agora, ele havia dado um jeito de descobrir que eu estava me encontrando com os Winchesters.

Mais uma coisa para me preocupar...

Como se não bastasse toda esta confusão, eu havia me esquecido onde deixei o último carro que usei. Então, agora me vejo roubando, ou como eu costumo dizer, "Confiscando temporariamente", um Mustang 1967. Eu não me apego muito a essas coisas mas deixar um Mustang dando sopa, seria muita burrice.

Assim que finalmente consegui colocá-lo na estrada, fui em direção a minha antiga estadia. O lugar não era muito convidativo, na verdade, o local aonde era localizado não chamava muita atenção. Ficava meio longe da cidade e até mesmo da estrada principal.

Estacionei o carro na beira da estrada e fui caminhando.

Chegando lá, me dei conta que não tivera muita sorte estes últimos tempos. O lugar era simplesmente horrível. Algumas partes do piso estavam com grandes buracos no chão, indicando que precisava urgentemente de uma reforma. As madeiras que foram usadas para construir aquilo, estavam se desfazendo e adquirindo novas brechas para a coleção. E as janelas estavam sempre semiabertas, porque não era possível movê-las, estavam emperradas jazia muito tempo.

Mas era o melhor que se podia ter. Pelo menos, para uma pessoa só, e caçada por anjos e demônios.

Em outros aspectos, a casa era segura. Tinha uma estrutura completamente impenetrável para anjos, demônios ou qualquer porra que for. Você deve estar se perguntando, como eu consigo entrar lá? Simples, ou nem tanto assim... Eu sou metade humana e metade anjo, ou seja, as armadilhas para anjos não funcionam comigo assim como qualquer coisa do tipo, mas devo admitir, quando alguém me da um tiro ou coisa assim, dói um pouco.

Ser uma anja caída tem suas vantagens (E desvantagens) .

Acabei chegando na casa, eu não queria voltar lá mas eu tinha de buscar os meus bebês não é mesmo? Quando digo bebês estou me referindo às minhas armas, ou melhor, às minhas bestas e meus arcos e flecha.

Peguei duas mochilas grandes e enfiei todas as minhas armas dentro. Depois peguei mais algumas roupas e saí da casa.

Eu já estava colocando minhas armas dentro do porta-malas do carro, quando avisto... Abaddon.

Porém ela não estava sozinha. Havia um homem com ela. Eles estavam no meio da estrada, como já era de se esperar. Como eu havia me esquecido que tinha uma encruzilhada logo por ali?

– Droga! — exclamo assim que percebo a gravidade e a urgência da situação.

Os dois estava a ponto de se beijar para selar de uma vez o pacto.

Uma pontada de insatisfação e nojo me percorreu. Eu não imaginava que ela era tão baixa a ponto de fazer pactos com andarilhos bobocas.

Na velocidade da luz — ou quase isso -, recarreguei minha besta rapidamente e mirei. Em questão de segundos, ela empurrou o rapaz a sua frente e ele surpreso se desvencilhou dela. Surpresa, ela cambaleou um pouco pro lado e tombou no chão, agarrando a perna ferida e urrando de raiva.

Levantou seu olhar até se encontrar com o meu. Após ela ter percebido quem era, semicerrou os olhos e cerrou os dentes.

– Allice? — Ela pareceu um pouco surpresa, mas logo se recompôs. — Você não pode fazer isso, quem você pensa que é? — Ela disse ,inconformada.

– Ora, ora... Pelo o que me parece, você se rebaixou ao nível de "Vadia da encruzilhada". Pelo que eu sabia, era Crowley quem manjava dessa parte... — Digo a encarando com um sorriso sarcástico no rosto. Antes que ela pudesse responder algo eu continuei: — Eu acho melhor você ir embora, antes que eu perca o restante da minha paciência.

– Você acha mesmo que eu vou te obedecer, como um cachorrinho bobão? Acha mesmo que vou enfiar o rabo entre as pernas e sair correndo, só porque você fez cara feia pra mim? — Ela exclamou. Me encarando com um olhar de deboche.

Sorri em retribuição.

– Deveria obedecer. — Digo enquanto aproximo meu rosto do seu. — Afinal, você não passa de uma cadelinha imunda.

Eu podia matá-la ali e naquele exato momento, mas ainda não tinha recuperado os meus poderes por completo, então apenas a mandei de volta para o inferno, com um simples e rápido exorcismo. Eu esperava mais, Abaddon sempre foi dura na queda. Mas aquela noite, foi como se ela estivesse cansada, então nem pestanejou muito. Eu diria que parecia suspeito o comportamento dela, quase que de uma forma anormal... Quase como se ela... Tivesse planejado tudo, desde o início.

Olhei para o homem ao meu lado. Ele havia participado e testemunhado o exorcismo e eu não sabia muito bem como iria reagir a mim. Durante o ato, ele parecia impassível. Como se não fosse a primeira vez que via algo do tipo e agora que acabou, ele pareceu ter ficado apenas incomodado. Eu me perguntava se era por minha culpa, sabia que era.

Examinei-o rapidamente. Era alto, loiro tinha belíssimos olhos azuis... era bonito. Apesar de eu preferir morenos, não podia negar que ele tinha um belo de um porte físico. Além de me parecer um pouco misterioso e sério.

De alguma forma eu queria experimentar o que é que ele tinha a oferecer. Estava a fim de me divertir e sabia muito bem como...

– E você? Estava procurando fazer este pacto para que? — Ele me encarava seriamente e depois de refletir, respondeu.

– Eu apenas queria que ela trouxesse minha mãe de volta. — Ele diz cabisbaixo, eu podia jurar que por menos de um segundo me pareceu um pouco teatral... Talvez fosse coisa da minha cabeça.

Talvez...

Suspirei chegando perto dele.

– Essa não foi a melhor maneira para conseguir isso. Espero que tenha aprendido a lição, não existem atalhos para esse tipo de coisa.

– E como você sabe? — ele perguntou, tencionando-se, como se estivesse magoado. Se aquilo fosse encenação, me pergunto o motivo de ele não ter ganho o Oscar ainda... — Por acaso, você já passou por algo semelhante para saber?

Suspirei profundamente, sentindo a súbita vontade de responder. Mas de nada adiantaria.

– Algo muito pior. — encarei ele com os olhos semicerrados.

Ele engoliu em seco, percebendo que havia dito baboseiras. Apenas girei sobre os calcanhares, dando-lhe as costas e caminhando para o carro um pouco afastado.

Abri a porta do Mustang, entrando no carro logo em seguida. Joguei a besta no banco de trás e me ajeitei no banco, pronta pra sair daquele lugar. Quando escutei algumas batidas no vidro da janela do carro.

Me virei em direção ao barulho. Era o rapaz loiro de outrora. Abaixei o vidro, de forma casual e encarei ele com expressão neutra.

– Eu... Eu queria saber se você poderia me dar uma carona? — permaneci em silêncio, encarando-o. — Está tarde e acredito que a essa hora não há mais ninguém por aqui...

Apenas assenti levemente com a cabeça, virando-me para a frente. Em poucos segundos ele já havia entrado e estava se ajeitando no banco do carona. Não movi um músculo até ter certeza de que ele havia terminado. Quando, de relance, encarei-o, ele estava me encarando esperando que eu fosse dizer algo.

Apenas dei partida no carro e em silêncio, continuamos a rota.

Alguns minutos se passaram e eu continuava em silêncio, observando a estrada a minha frente. Porém, minha atenção estavam concentrados no homem ao meu lado. O qual, eu havia notado, não desviou o olhar de mim, nem por um minuto.

Suspirei, profundamente irritada.

– Não sou nenhuma obra de arte pra ser apreciada de tal forma. — dito isso, desviei o olhar da estrada e encarei-o nos olhos, por meros segundos. Depois, voltei minha atenção a estrada.

Não precisava encará-lo novamente para perceber que havia ficado encabulado com meu comentário.

– Eu... bom, só queria agradecer...

– Se desculpar, que é bom, nada... — sussurrei baixinho.

– O quê? — indagou.

– Nada. — respondi rapidamente. — Por que é que você acha que deve me agradecer?

Ele pareceu surpreso e por um instante refletiu antes de responder.

– Por não me deixar ter feito o pacto. — disse. — Eu não havia pensado direito nas consequências e... bom, obrigado. De verdade.

Eu o encarei a tempo de ver um sorriso formando em seus lábios. Parecia-me sincero, mas só parecia...

Continuei séria, mas por fim exclamei. Desanimada.

– Não precisa me agradecer. Se eu não o fizesse não poderia me perdoar depois.

– Então, obrigado por se preocupar comigo.

"Eu não estava preocupada com você, estava preocupada com Abaddon" pensei, embora tenha apenas assentido em resposta.

– Você ainda não me disse aonde mora...

Ele sorriu. Um sorriso misterioso. O qual eu não sabia exatamente o que significava, mas tive a ligeira impressão de que não gostaria de saber.

~~//~~

– Chegamos.

Depois de um tempo dirigindo, finalmente cheguei ao destino que ele havia me indicado. O local se parecia muito com um condomínio. As casas alinhadas, uma ao lado da outra, davam esta impressão. O jardim ao lado da casa, me parecia estar um pouco descuidado. Pelo pouco que sei de jardinagem, acredito que ervas daninhas não fazem muito bem para a plantação... E existiam várias espalhadas por entre a grama verde.

Talvez eu estivesse apenas falando baboseiras. Estava de madrugada, e também escuro. Sentia que estava esgotada e necessitando de uma boa noite de sono. O dia fora cheio de emoções, em sua maioria eu não sabia distinguir muito bem. No momento, as únicas coisas que precisava... Era de uma ducha gelada e uma cama repleta de cobertores quentes.

– Obrigado novamente.

Quando me virei para respondê-lo, ocorreu algo que eu não havia planejado. Bom, pelo menos, não agora.

Seu rosto próximo ao meu me deu a privilegiada sensação de um arrepio percorrendo meu corpo. Senti a surpresa indo embora e sendo substituída por um sentimento indefinido. Não tinha certeza se era luxúria ou qualquer outra coisa, mas de uma coisa tinha certeza, era um sentimento carnal.

Ele se aproximou de mim ainda mais, de modo que agora nossos narizes estavam quase se roçando. Sua atenção desviou-se de meus olhos e passeou pelo meu rosto, parando em meus lábios. Assim que alcançou o objetivo, passou a língua suavemente pelos lábios umedecendo-os. Aquela visão me deu a certeza de que dentro de minha cabeça, as coisas que circundavam-na neste exato momento, eram mais carnais e pecaminosas do que eu imaginava.

Meio segundo. Respiração falha e lábios esbarrando-se destrambelhadamente. Levei um breve momento até assimilar a ideia, mas como já era de se esperar, não poupei tempo.

Agarrei sua nuca e prensei ainda mais os lábios nos dele. Senti o corpo dele se tencionar e depois relaxar. Ele havia ficado surpreso, mesmo que por meia fração de tempo. Então, puxou minha perna até seu colo, acariciando toda sua extensão carinhosamente. Me dando arrepios a cada movimento. Joguei os braços sobre seus ombros e puxei levemente seus cabelos.

Aquilo pareceu lhe dar um gás extra. Ele puxou minha perna mais para si e por fim, agarrou meu traseiro. Durante um breve momento, a sensação do couro do banco do carro já não estava mais sobre minhas costas e quando percebi, estava sentada sobre seu colo.

Grunhi com o contato mais ousado de nossas virilhas. Aquele volume que antes eu havia sentido apenas com a perna, agora estava sob mim, quase em um encaixe perfeito se não fosse pelos tecidos.

Resolvi aproveitar um pouco da situação e trazer aquela sensação maravilhosa de volta. Joguei mais uma vez meu quadril contra o dele, senti nossos sexos se roçarem mais uma vez e com isso, gemi baixinho. Ele, por outro lado grunhiu mais alto e senti seus braços rodearem minha cintura.

– Qual o seu nome mesmo? — perguntei e ele riu contra meus lábios, me dando outro beijo.

– Otávio. — respondeu e logo depois inclinou-se sobre meu pescoço.

Ele deslizou a língua sobre meu colo e distribuiu selinhos por toda sua extensão. Puxou meu quadril novamente e empurrou o seu, eu tive a breve impressão de ter enxergado estrelas no fundo do carro. Enquanto ele suspirou contra minha pele, tentando controlar a respiração tensa e eu suspirei tentando me controlar.

– A-A próposito... meu nome é Allice... — respondi trêmula, mordendo os lábios.

Pelo jeito eu já não havia ficado surpresa o suficiente, naquela noite, naquele dia.

– Eu sei. — ele sussurrou quase de forma inaúdivel, mas pelo jeito ele não sabia de tudo sobre mim.

Se soubesse, já deveria perceber que por mais baixo que ele possa sussurrar, um anjo consegue escutar. Mas uma pequena parcela de minha mente dizia que ele tem plena consciência disto e fez propositalmente.

E talvez, transar com ele pra depois me arrepender disto... Não era a melhor opção. Mas eu estava pouco me fudendo e de uma coisa eu tinha certeza: se o cara for um cretino demônio ator trabalhando para Abaddon, não me interessava. Agora, se a transa for bem feita, não haveria arrependimento mais tarde.

Senti que as pressão de suas mãos pesadas e grossas, já não estavam mais sobre minha cintura e agora tentavam tirar a minha blusa.

Quando ele percebeu que eu não havia movido um músculo -não por falta de interesse, mas porque havia esquecido a situação em que estávamos, mesmo que em um breve estado vegetativo-, seus lábios se afastaram de meu colo e por um breve momento senti um vento gélido sobre aquela região. Ele levantou seu olhar e com os olhos semiabertos grunhiu baixinho, com a voz rouca:

– Me deixa te agradecer direito, vai.

Aquele olhar, fora tão inocente quanto à um cachorrinho... Quanto à um menininho levando bronca... Quanto à... Sam.

Meus olhos se arregalaram e durante aquele momento, o sentimento que eu tive foi de vergonha. Quando ao invés de Otávio, eu havia enxergado Sam. Quando ao invés de estar cuidando de Sam, eu estava me atracando com o primeiro homem que havia enxergado.

Neste exato momento eu percebi que estava agindo como uma mulher da vida, ao invés de uma criatura celestial. Aos poucos a sensação de excitação havia sumido. A sensação de borboletas no estomâgo também haviam desaparecido e substituindo-as, vieram a vergonha e culpa, juntamente com a falta de responsabilidade.

Suspirei profundamente, parando com os apertões, beijos, arranhões e suspiros. Parando com o teatro, já estava mais que na hora de assumir a responsabilidade e encarar minha missão com a seriedade apropriada.

Eu nem me reconheço mais. Como eu posso ser idiota a ponto de não pensar no futuro, mas apenas no calor do momento?

Como eu posso ser irresponsável a ponto de transar com um desconhecido, no carro de um desconhecido e ainda pensar em... outro? E como se não bastasse, esse "outro" deveria ser meu protegido e não minha paixão secreta.

Afinal, O QUE DIABOS ACONTECEU COMIGO?

Olhei para o indíviduo a minha frente. Ele estava confuso e pareceu acompanhar cada expressão minha, até finalmente a raiva.

Saí de cima dele e me sentei no banco do motorista. Ajeitei minha roupa amarrotada e meus cabelos desgrenhados, em uma tentativa falha.

– Eu acho melhor você ir pra sua casa...- eu não pude conter minha raiva e muito menos a frieza, só então percebi que havia sido mais cruel do que deveria.

Pouco me importa agora.

Ele me olhou, mais confuso do que antes. Mas não disse nada, apenas se recompôs de maneira desordenada e saiu do carro, mas antes de me dar as costas se apoiou na janela ao meu lado direito e me encarou novamente.

– E-Eu fiz algo de errado...? Desculpe, não queria te pressio...

"Não queria te pressionar" ele acha mesmo que isso adianta agora? Se ele não quisesse mesmo, para começo de conversa: não teria nem tentado me beijar.

Eu tenho certeza absoluta que ele sabia! Ele sabe... Sabe que assim como todos os anjos, eu tenho alguns de meus sentidos mais apurados. Mas também sabe que assim como todos os humanos, e como minha outra metade não divina, eu não era imune aos desejos carnais. E ele SABE disto!

– Tchau.

Dei a partida no carro. Sem virar para o lado pra saber se ao menos ele havia se afastado da janela, acelerei e continuei.

Eu podia ter esclarecido minhas dúvidas com aquele boboca, podia. Podia perguntar de onde ele sabia de mim e o quê exatamente ele achava que sabia sobre mim, podia. Mas não perguntei. Porque eu tenho a ligeira impressão de que esta, não foi a primeira vez em que nos encontramos e eu tenho a ligeira certeza de que não vai ser a última.

Notas finais
E ai hunters capítulo estranho esse, não? :$ Comentem quero saber a opinião de vocês...no próximo capítulo vai ter a grande e tão esperada revelação de Castiel :3 Beijackles e Padakisses *3*