Back To Your Heart
15 Um Novo Ciclo
Capítulo 15: Um Novo Ciclo
Sora estava sentada na cama, olhando uma foto, quando a Aiko entrou e sentou perto dela.“Mãe, por que está olhando essa foto?”“Porque eu queria me lembrar do passado, querida.”“Esse é o papai?”“É, sim.” Ela disse com um sorriso. “Ele tinha apenas onze anos na época.”“Uau, ele realmente tinha cabelo arrepiado.”“E combinava perfeitamente bem com a personalidade rebelde dele. Ele e o Taichi costumavam a brigar muito.”“Sério? Ele e o tio Taichi?”“Isso mesmo.”“Quando ela foi tirada, mãe?”“Isso foi depois da nossa última luta no Mundo Digital. O ovo que a Hikari estava segurando tinha acabado de se quebrar, por isso saímos assim.”“Foi triste dizer adeus para a Piyomon?”“Sim, foi.” O pássaro rosa respondeu enquanto entrava no quarto. “A Sora e eu crescemos muito durante nossa aventura.”“É isso mesmo. Eu aprendi a entender a minha mãe muito mais.”“Como é o Mundo Digital?”“Bem, é tão grande quanto o nosso mundo, mas não tem muitos prédios. É tudo natureza. É um lugar lindo.”“Você me levaria lá algum dia?”“Eu não sei, Aiko.”“Por favor, mãe. Eu sou uma Criança Escolhida também.”“Eu vou pensar nisso. Mas eu não vou prometer nada.”“Obrigada, mãe.” Ela abraçou a Sora e lhe deu um beijo. “Você é a melhor.” *****“Koushiro, onde estamos indo? E por que estamos com pressa?”“Porque não temos tempo a perder, Mimi.” Ele respondeu nervosamente. “Nós estamos indo ao hospital. Eu quero checar o nosso bebê.”“Você poderia ter me dito que agendou uma consulta para mim. Eu teria me vestido apropriadamente.”“Não havia tempo para isso.”“Espera!” Ela gritou e o Koushiro pisou no freio abruptamente. “O que está acontecendo?”“Só estou preocupado com o nosso filho.”“Você acha que nós o perdemos, não é?”“Mimi, nós não o sentimos mexer desde ontem.”“Eu acho que é normal. Só estou de cinco meses.”“Não, não é normal. É por isso que marquei uma consulta.”“Tudo bem, tudo bem. Se significa tanto para você.”“Obrigado.” Ele acelerou novamente e saiu dirigindo. *****Hikari acordou naquela manhã com um largo sorriso no rosto. Ela esfregou seus olhos enquanto pensava na noite anterior. Ela levantou sua mão e admirou sua aliança de noivado, antes de sentir alguém resmungar ao lado dela.“Que horas são?” Takeru perguntou lentamente, sem abrir os olhos.“São dez horas, bela adormecida.” Hikari brincou. “Você dormiu demais.”“Ah, qual é! Hoje é sábado.” Ele disse enquanto jogava um travesseiro nela. “Aliás, nós vamos jantar com nossas famílias hoje.”“O que?!”“Eu quero pedir permissão ao seu pai para te fazer minha esposa.”“Quando isso aconteceu? Quero dizer, quando você falou com a minha mãe e acertou tudo?”“Não posso falar.” Ele provocou. “Eu liguei para a sua mãe antes de sairmos ontem à noite.”“Você é tão trapaceiro, Takeru! Não posso acreditar que fez isso.”“Eu estou falando sério quanto a nós, Hikari.” Ele disse firmemente. “Estou cansado de agir como um adolescente. Nós temos um filho juntos.”“Eu sei. Enfim, acho que também podemos dar uma festa ou algo parecido. Apenas para os Escolhidos e seus filhos.”“É uma boa idéia. Vamos fazer isso.”“Ótimo! Vou arranjar isso.” *****Sora estava cozinhando algo para comer quando o Yamato chegou com o Kouji e os gêmeos da casa de seus pais.“Oi.”“Tem algo cheirando bom.”“O almoço está quase pronto.” Ela o deu um beijo de boas vindas. “Como estão os seus pais?”“Eles estão ótimos. Eles perguntaram de você.”“Eu queria poder ter ido também.” Ela secou as mãos. “Yama, tem algo que eu preciso te dizer.”“Parece sério. O que é?”“A Aiko… ela me perguntou se poderíamos levá-la ao Mundo Digital.”“O que? Como ela sabe…?”“Ela me viu segurando uma foto do nosso ultimo dia lá.”“O que falou para ela?”“Eu disse que teria de pensar no assunto. Eu não sei se essa é uma boa idéia. Quero dizer, nós vamos lá há anos. Quem sabe o que podemos encontrar.”“Você tem razão. Mas eu meio que sinto saudade daquele lugar. Eu adoraria ir lá novamente.”“Mas as coisas mudaram agora. Por mais que eu queira voltar lá, nós temos dois bebês. Não podemos arriscá-los assim.”“Nós não vamos. Eles não irão.”“Não podemos deixá-los aqui sozinhos, Yamato.” Sora disse em tom alto. “Eles não conseguem se defender.”“Eu nunca disse que vamos deixá-los sozinhos. Você e eu vamos revezar. É a única solução.”“É, parece um bom plano. Mesmo assim, temos de falar com os outros e ver se eles concordam com isso.”“Sor, eles não precisam ir junto. Pense nisso como uma viagem ou um piquenique em família. Só nós, a Aiko e o Kouji.”“Eu iria adorar. Não fazemos um piquenique há anos.”“Então estamos entendidos. Podemos ir qualquer dia no próximo mês.”“Para mim está ótimo. Eu vou ligar para os meus pais e ver se eles podem ficar com os gêmeos. Falando nisso, estava pensando em convidar nossos pais para vir jantar aqui semana que vem.”
“Por quê?”“Bem, precisamos contar a eles que vamos ter um filho. Estou quase na metade da gravidez, nós esperamos tempo demais.”“Tudo bem. Eu vou ligar para o Takeru e para os meus pais no fim de semana.”“Certo.” *****Koushiro parou o carro pessimamente e correu para ajudar a Mimi a sair.“Quer se acalmar? Só estou grávida.”“Estamos atrasados para a nossa consulta.”“Koushiro, relaxe. O médico não vai fugir.”“Você sabe o quão difícil foi agendar isso?”“Nossa, tudo bem. Eu vou ficar quieta agora.” Ela disse amargamente.“Obrigado.”“Olá, pessoal.” Jyou disse enquanto colocava um prontuário de lado.“Oi, Jyou. Espero que estejamos dentro do tempo.”“Estão, sim. Koushiro, Mimi, essa é a doutora Ai. Ela vai examinar a Mimi.”“Eu achei que você iria fazer isso.”“Obstetrícia não é minha especialidade, Koushiro. Mas você pode confiar na Dra. Ai, ela é ótima.”“Certo. Obrigado por nos ajudar, Jyou.”“Sempre que precisar.”“Então me sigam, por favor.” A Dra. Ai levou a Mimi e o Koushiro ao seu consultório. ***** Hikari estava olhando seus contatos telefônicos na casa de seus pais. Ela estava nervosa, mas muito feliz. A Sra. Yagami a observava da cozinha, junto com o seu marido.“Ela está radiante, não está?” A Sra. Yagami disse orgulhosamente.“Ela está, sim. Eu não via a Hikari tão feliz assim há muito tempo.”“O Takeru faz bem para ela. Fico feliz que ela tenha finalmente admitido o que ela realmente sente por ele. Eles são almas gêmeas.”“Se você diz…”“O que? Você está com ciúmes?”“Não.” O Sr. Yagami disse rapidamente. “Mas a Hikari é a minha garotinha. Vai ser difícil entregá-la.”“Você já a entregou, querido. Você já a entregou.” A Sra. Yagami andou até sua filha. “Hikari, você está bem?”“Sim. Por que pergunta?”“Você parece ter tanto para fazer, mas não sabe por onde começar.”“Planejar um casamento é difícil, mãe.”“Espera… você e o Takeru já escolheram a data?”“Ainda não.”“Então você não precisa começar a planejar desde já.”“Eu sei. Eu só quero deixar algumas coisas meio que… reservadas.”“Por que você e o Takeru não decidem isso juntos? Eu acho que ele ficará feliz em te ajudar.”“Eu não sei se os homens gostam desses tipos de coisas, mãe. Quero dizer, você viu como o Taichi ficou quando a Akiko pediu as opiniões dele. Felizmente, a cerimônia de casamento deles não foi um desastre.”“É, você tem razão.” A Sra. Yagami disse vagamente, com seu dedo indicador sob o seu queixo. “Mas o Takeru não é o Taichi, então você não pode basear definições gerais no seu irmão. O Yamato foi muito participativo no planejamento do casamento dele com a Sora. Eu acho que é melhor se você se basear nisso.”“Eu vou falar com o Takeru. Talvez ele me ajude. Obrigada, mãe.”“Sempre que precisar, querida. Eu te amo tanto.”“Eu também te amo.” A mulher juntou suas coisas e se levantou. “Você se importaria em tomar conta do Yamazaki por um tempo?”“Não, de jeito nenhum. Você sabe que eu amo ter meu neto por perto.”“Ótimo, obrigada! Eu volto logo.”“Se cuide, querida.”“Pode deixar.” *****“Que dia é hoje?” Sora perguntou enquanto terminava de lavar a louça.“31 de outubro, por quê?”“Droga, eu tenho um exame hoje.”“Um exame?”“Sim. Eu tenho uma consulta na verdade, para ver como o nosso bebê está.”“Que horas?”“Já estou um pouco atrasada.” A estilista respondeu enquanto olhava para o relógio. “Você quer vir comigo?”“Claro. Eu adoraria. Mas você está bem?”“Sim, estou. É só uma consulta de rotina.”“Entendo.”“Parece que você vai ser pai pela primeira vez.” Ela disse com um sorriso.“Acho que eu me desacostumei com isso.”“Bem, nunca é tarde demais para se acostumar de novo.” Sora olhou direto nos olhos do Yamato. “Eu só vou me trocar e depois podemos ir, tudo bem?”“Certo.” *****Mimi e Koushiro estavam sentados no consultório da Dra. Ai. A médica olhava os ultra-sons da Mimi calmamente.“Quando foi a última vez que você teve uma consulta?”“Há umas três semanas.” Mimi respondeu depois de tentar se lembrar.“E quando foi que você sentiu o bebê se mexer pela última vez?”“Ontem.” A cozinheira parou de falar. “Estou começando a ficar preocupada.”A Dra. Ai sorriu enquanto se levantava da cadeira. “Eu vou fazer alguns exames, para me certificar de que está tudo bem com o bebê. Você pode se sentar aqui.”“Tudo bem.” A Mimi se levantou e andou até a maca, com o Koushiro logo atrás dela.Após a Mimi colocar a camisola, ela deitou na maca e a doutora colocou um pouco de gel na barriga dela. Ela sentiu seu corpo estremecer, mas era uma sensação esquisita. A Dra. Ai olhava o monitor enquanto examinava a Mimi. A futura mamãe também olhava para a tela.“Está tudo bem, doutora?” Koushiro perguntou apreensivamente.“Você pode colocar suas roupas novamente, Srta. Tachikawa.” A Dra. Ai disse educadamente. “Depois podemos conversar.”“Certo.” Ela disse enquanto pulava da maca.“Doutora, o bebê está bem, não está?”“Vamos esperar pela Srta. Tachikawa voltar. Mas receio que as coisas não parecem boas para vocês.”“O que?” Mimi disse por trás do Koushiro. “Nós perdemos o bebê, não é?”“Mimi, por que não se senta e deixa a doutora falar com a gente?” Ele pegou a mão dela para confortá-la.“Eu só quero saber a verdade, Koushiro!” Ela puxou sua mão bruscamente. “Se o nosso bebê estiver morto, eu quero saber.”“Se acalme. Ficar nervosa não é bom.”“Por que está tão tranqüilo com isso?” Ela gritou. “Você não se importa com o nosso filho?”“Claro que me importo. Eu só não quero tirar conclusões precipitadas.”“Ótimo.” Mimi disse com raiva e se sentou. “O que você tem para nos dizer?”“Bem… não há um jeito certo de dizer isso.” A Dra. Ai disse firmemente. “Sinto muito, mas… o bebê está morto.”“Tá vendo, eu sabia.”“Você tem certeza, doutora?”“Sim, sinto muito.”“Eu não posso acreditar nisso! É tão injusto.” Mimi chorou. “Eu queria tanto ser mãe.”“Nós podemos tentar novamente daqui a alguns meses, Mimi.”“Mas eu me afeiçoei a este bebê, Koushiro! Como eu posso me livrar dele?”“É difícil, eu sei.” Ele esfregou as costas da Mimi com a sua mão. “Mas nós vamos superar isso juntos, tá bom?”“Eu não quero superar isso.”“Vamos conversar sobre isso quando chegarmos em casa.” Koushiro se levantou e ajudou a Mimi. “Obrigado, doutora.”“Eu é que agradeço. Novamente, eu sinto muitíssimo.”“Não sinta. Não é culpa sua.” Ele sorriu e saiu do consultório dela. *****Takeru estava sentado numa cadeira, e a mesa na frente dele estava cheia de papéis escritos e em brancos. Ele escrevia freneticamente, ele andava inspirado para escrever um novo livro desde que a Hikari concordou em se casar com ele. Ele nunca foi do tipo fã de romances, então isso era um novo desafio para ele. O monte de rascunhos e papéis amassados em bolinhas mostravam que ele estava tendo problemas com isso. O loiro respirou fundo e deu uma pausa quando a campainha tocou. Ele esticou seus braços enquanto ia atender a porta.“Hikari? O que está…?”“Desculpa aparecer assim. Eu estava olhando coisas de casamento e estava pirando.”“Você estava olhando coisas de casamento?”“Sim, só para ter uma idéia.”“Mas nós acabamos de ficarmos noivos. Você quer se casar imediatamente?”“Não.” Ela disse rapidamente. “Quero dizer, nós definitivamente não seguimos a tradição. Eu não sei.”“Você não sabe?”“Quero dizer, nós temos que considerar o Yamazaki. Na idade dele, é bom ter os pais juntos. Por que você fica fazendo essas perguntas retóricas afinal?”“Hikari…” Takeru olhou direto nos olhos cor de noz dela. “Eu me casaria com você agora mesmo se você quisesse. Se você quiser uma cerimônia íntima, para mim também está bom.”“Eu quero que seja algo que nós dois decidimos. Eu quero que você me ajude a escolher de que cor as flores e a decoração vão ser, as músicas que queremos que toquem durante o casamento e na festa e tudo o mais. É o nosso casamento. Devemos planejá-lo juntos.”“Sim, podemos fazer isso juntos.” Ele disse com um sorriso. “Mas primeiro precisamos escolher uma data.”“Certo.” Hikari se sentou e abriu sua agenda. “Que dia você quer?” *****Yamato ajudou Sora a sair do carro e eles entraram no hospital, de mãos dadas.“Eu acho que o nosso bebê ama vir ao hospital, porque ele ou ela não para de se mexer e chutar.”“Isso é bom.” Yamato parou perto de uma cadeira. “Por que não espera aqui enquanto eu falo com a recepcionista?”
“Tudo bem. Você quer que eu segure a Ayumi?”“Não, está tudo bem. Eu posso segurá-la.”“Tudo bem.”Quando o Yamato estava prestes a sair, eles ouviram duas vozes familiares.“Isso é tão injusto. Não posso acreditar.”“Mimi. Koushiro.” Sora se levantou inconscientemente. “O que estão fazendo aqui?”“Nós acabamos de passar por uma consulta. Nós…”“Desculpa.” Mimi o interrompeu, seus olhos focados na Ayumi. “Não posso agüentar isso. Estarei no carro.”“A Mimi está bem?”"Ela parece bem para você?” Koushiro disse um pouco duramente.“Ei, não precisa falar com a minha esposa desse jeito.”“Tudo bem, Yamato. Ela estava chorando… ai meu Deus… ela…”“Infelizmente sim.”“O que? O que aconteceu?” O loiro perguntou.“Então é por isso que ela não conseguia ficar perto de mim. Eu sinto muito, Koushiro. Você está legal?”“Estou bem, eu acho. Eu tenho de apoiar a Mimi agora, então não posso ficar pensando em como eu me sinto.”“Bem, você não precisa carregar todo esse peso sozinho. Estamos aqui por você. Não se esqueça.”“Obrigado, Sora.” Koushiro sorriu. “Mas precisamos ficar sozinhos por um tempo.”“Eu entendo. Bem, diga a Mimi que eu sinto muito pela perda.”“Eu digo. Eu falo com você mais tarde.”“Tchau. Uau, eu não acredito que a Mimi sofreu um aborto.” Sora disse tristemente. “Ela estava tão animada para ser mãe. Ela não merecia isso.”“Eu sei, Sor.” Yamato colocou seus braços ao redor dela, a puxando para perto dele. “Mas eles são jovens e podem tentar de novo.”“Isso é verdade. Mas ainda dói vê-los passar por esse sofrimento.”“Não há nada que possamos fazer.”“Você tem razão. Eu me sinto péssima por estar grávida agora, Yama.”“Não sinta. Não é sua culpa. A Mimi perdeu o bebê porque tinha de ser assim. Teria acontecido se você estivesse grávida ou não.”“Obrigada por ser tão encorajador.”“Sempre que precisar.” Ele a beijou rapidamente. “Devemos ir?”
Notas finais
Espero que gostem do capítulo.Sintam-se a vontade para corrigir eventuais erros, e dar sugestões também.
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