Notas iniciais
~ Flashbacks em itálico. ~ Obrigada pelas reviews! Fico feliz que estejam gostando.

Capítulo 6: O Encontro
Duas semanas se passaram desde que Yamato chegou do espaço. Os Escolhidos decidiram se reunir, embora todos já tivessem visitado o astronauta. Taichi apareceu bem cedo no fim de semana após ele ter voltado, o que irritou muito a Sora. Ele se desculpou depois enfim. É fato conhecido que eles não conseguem ficar bravos um com o outro por muito tempo. Hikari ligou para o seu irmão e cancelou o encontro porque ela estava com medo de dizer a verdade. Taichi ficou muito chateado com isso e estava determinado a descobrir quem era o pai do bebê acima de tudo. Mimi e Koushiro mantiveram seu relacionamento em segredo embora eles estivessem lutando para deixarem suas mãos longes um do outro. Quanto a Sora e Yamato, as coisas estavam… ótimas. Todos estavam surpresos porque eles sempre brigavam por algo. Talvez eles perceberam que era ridículo. Eles também estavam agindo como dois pombinhos, como se tivessem acabado de casar. Aiko estava enojada com isso, juntamente com Taichi. Os adultos alugaram um lugar para a reunião e decidiriam fazer um churrasco. Essas festas eram sempre divertidas e duravam o dia todo. Todos concordaram em não trazerem bebidas alcoólicas por causa das crianças e para evitar qualquer tipo de vergonha.

*****
“Hikari.” Taichi se sentou ao lado dela. “Precisamos conversar.”
Hikari suspirou. Havia um olhar sério no rosto de seu irmão. Ela sabia exatamente sobre o que isso seria. Ele não era necessariamente do tipo que desiste das coisas.
“Taichi.”
“Oh não, não. Não fale isso. E não me olhe desse jeito!”
Todos se viram para ver a pequena discussão deles. Hikari sentiu seu rosto queimar e segurou a mão de Taichi rapidamente, o levando a um lugar particular.
“Você precisa parar de gritar.” Ela disse. “Os outros não precisam saber do que estamos conversando.”
“Então comece me falando o que está acontecendo de verdade.”
“Está bem. Certo.” Ela sentou no muro. “Por onde você quer que eu comece?”
“Que tal do início?”
“Tudo bem.” A mulher respirou fundo. Ela não poderia fugir disso dessa vez.

*****
Sora e Yamato chegaram com seus filhos e foram rapidamente recebidos por Mimi e Koushiro. A estilista usava um vestido azul escuro na altura dos joelhos e sandálias brancas. Seu cabelo estava solto, o que era uma surpresa, pois ele estava sempre preso. Ela também estava usando brincos dourados e um colar de pérolas. Yamato usava uma camisa azul clara com calças e sapatos pretos. Ele estava segurando Ayumi, enquanto Sora estava com Masanori.
“Olá pessoal.”
“Olá Mimi. Koushiro.” Eles disseram juntos.
“Vocês estão tão elegantes!”
Sora sorriu. “Nós viemos de um batizado.”
“É mesmo?”
“Sim. A filha da minha prima tem três meses e foi batizada.”
“Que legal.”
“Chato demais, na verdade.” Yamato disse.
“Eh… eu perdi algo?”
“Yamato não gosta muito desses tipos de eventos.” A mulher ruiva respondeu. “Mas ele sabe o quanto significaria para mim e para a Nakuru se ele fosse, então ele foi.”
“Diga a verdade a ela.” O loiro desviou seu olhar.
Sora lhe deu um olhar mortal, mas não pôde evitar sorrir. Ela agarrou o rosto dele e o virou para ela.
“Você fica tão fofo quando está com ciúmes.”
“O que aconteceu?”
“Yamato ficou com ciúmes porque um homem estava olhando para mim.”
“Olhando para você? Ele estava praticamente te comendo.”
“Você sabe que eu só tenho olhos para você.” Ela o beijou levemente.
“Eu sei.” Ele colocou seus braços em volta da cintura dela.
“Vocês são tão fofos!” Mimi guinchou. “Estou tão feliz que vocês estejam bem agora.”
“Obrigada, Mimi.”
“Nós também estamos.”
“Ei, Yamato, Koushiro. Venham aqui.” Taichi gritou da churrasqueira.
Todos se viraram. Os homens olharam para ele e sorriram.
“Olá, Taichi.”
“Oi, Sora! Você está linda.”
“Obrigada. Não coma toda a carne.” Ela piscou para ele.
“Pode deixar.”
“Tudo bem. Pode ir.” Sora disse quando percebeu que Yamato não saía do lado dela.
“Tem certeza?”
“Tenho sim. Vá se divertir.”
“Certo.”
Eles deram um beijo de despedida. Ele a entregou a filha deles e saiu com o Koushiro. Kouji agarrou a calça dele, então ele se abaixou e o pegou no colo.

*****
“Precisa de ajuda?” Mimi perguntou.
“Não, está tudo bem. Eu consigo.” Sora disse.
“Ah qual é, Sora. Deixe-me te ajudar.”
A estilista sorriu. “Tudo bem.”
Mimi esticou os braços dela para pegar um dos bebês. Ela fez uma voz de bebê engraçada e Masanori se jogou para ela.
“Masanori gosta de você. Ele não faz isso com todo mundo.”
“Você gosta da titia Mimi, não gosta?”
Ele sorriu para ela e ela guinchou. “Eu quero um bebê, Sora.”
As duas ficaram sérias. Aiko então falou, quebrando o silêncio.
“A Rika vem, mãe?”
“Não faço idéia, querida. Não tenho falado com a Miyako ultimamente. Mas você pode ir ao parquinho se quiser. Só avise seu pai primeiro, tá?”
“Certo!” Ela saiu correndo.
“Então…” Sora se virou para Mimi. “Você quer um bebê, hein?”
“Sim, quero.”
“Você e Koushiro estão namorando?”
Mimi suspirou. Ela não conseguia esconder nada da sua melhor amiga.
“Bem, sim. Nós meio que estamos, não sei.”
“Diga a ele que você quer um bebê.”
“Sora, nós estamos saindo há apenas duas semanas. Não posso simplesmente chegar nele e dizer que quero ser mãe.”
“Por que não?”
“Porque ele surtaria! E eu realmente não quero perdê-lo.”
“Você tem razão. Então como estão as coisas com ele?”
“Não poderiam estar melhores, Sora! Ele é tão romântico e atencioso. Pena que você não conseguiu ver esse lado dele por inteiro.”
“Não como você, com certeza. Mas você sabe que ele foi meu primeiro beijo, e eu o dele.”
“É, você me contou. Você tem mais história com o Yamato, o Taichi e o Koushiro do que Takeru tem com a Hikari, e vamos admitir, eles têm muita!”
Sora riu. “Eu nunca tive nada com o Taichi. É verdade, enfim. Oh, aliás, Yamato gosta que falem que meu primeiro beijo foi com o Koushiro, então não conte, certo?”
“Certo. Mas eu não entendo qual o drama. Você não foi o primeiro beijo dele também.”
“Sim, mas ele gosta desse jeito. Deixa as coisas mais românticas, sabe?”
“Entendo. Como aconteceu seu beijo com o Koushiro afinal de contas?”
A estilista começou a contar à Mimi a história enquanto as memórias preenchiam sua mente.

O treino de tênis tinha acabado de terminar. Sora foi até o banco e juntou suas coisas. Enquanto estava saindo, alguém se aproximou dela.
“Olá, Sora!”
Ela se virou para ver quem era. “Koushiro? O que está fazendo aqui?”
“Eu queria falar com você.”
“Sério?”
“Sim. Você está livre agora?”
“Claro.” Ela olhou em seu relógio. “Você quer ir à algum lugar?”
“Seria ótimo.” Ele disse fracamente.
“Você está bem?”
“Estou ótimo. Só preciso de um conselho.”
“Ah, entendo.”
“Eu não posso contar com o Taichi para isso. Ele não é tão bom com esse tipo de coisa.”
Sora não pôde evitar sorrir. Ela sabia o tipo de problema que o Koushiro estava tendo, e Taichi definitivamente não era a escolha mais sensata.
“Posso assumir que está tendo problemas amorosos, certo?”
“Acho que se pode dizer que sim.” Ele corou levemente.
“Você não precisa ficar envergonhado, Koushiro. Todos nós os temos em algum momento.”
“Está dizendo que você já teve?”
“Bem, não acho que aconteça somente uma vez. Mas, sim, é o que estou dizendo. Na verdade, estou tendo agora.”
“Sério?”
“Aham.”
“Você não precisa me contar se não quiser.”
“Não, tudo bem. Mas talvez você queira se sentar antes.”
Koushiro não conseguiu evitar sorrir. Sora sabia como aliviar a tensão e ele já não estava mais com tanto medo assim.
“Ultimamente, eu venho…” A garota ruiva começou. “Bem, eu estou gostando de um garoto.”
“Quem?” Ele perguntou, curioso para saber.
“É… é… do Yamato.”
“O quê?”
“Eu acho que gosto do Yamato.” Ela suspirou. “Mas eu acho que ele nem me vê como uma garota.”
“Eu te entendo.” Koushiro olhou para ela. “Mas você não vai saber se não contar a ele. Quem sabe? Talvez ele também goste de você e só está esperando por um sinal vindo de você.”
“Você acha mesmo?”
“Por que não? O que pode acontecer?”
“Ele poderia dizer não.” Sora pausou. “Mas você está certo. Não tenho como saber o que ele dirá se não falar. Enfim, de volta ao seu problema. Você gosta de alguém?”
O viciado em computadores pôde sentir suas bochechas queimarem de vergonha e torceu para Sora não pensar que ele era idiota. A menina ruiva sorriu e colocou a mão no ombro dele, o fazendo olhar para ela.
“Está tudo bem, Koushiro. Pode confiar em mim, não vou caçoar de você. Mas não vou te forçar a falar.”
“Obrigado, Sora. Eu não sei como falar.”
“Não acho que há um jeito certo de fazer isso. Nunca há um momento certo também.”
“Você poderia...” Ele disse, inseguro. “Você poderia me ajudar com algo?”
“Claro. O que é?”
“Eu meio que preciso saber se beijo bem ou não.”
Koushiro corou fortemente dessa vez, e Sora não conseguiu conter um sorriso.
“Claro que sim.”
Ele não conseguiu acreditar no que tinha ouvido. Ela estava mesmo concordando com isso?!
“O que?”
“Eu também preciso saber. Não quero passar vergonha se eu me declarar para o Yamato.”
O menino sorriu de volta para ela. Ele não podia agradecê-la o bastante. Eles se viraram e se aproximaram. Koushiro ficou realmente surpreso quando Sora tomou a iniciativa. Ele só conseguiu relaxar após alguns segundos. Eles se separaram depois de alguns minutos.
“Então…” Ela perguntou, um pouco envergonhada.
“Uau.”
“Eu fui bem?”
“Sim.” Ele olhou para baixo. “Obrigado novamente, Sora.”
“Sempre que precisar.” Ela sorriu.

“Isso é fofo, Sora.”
“Obrigada.” Ela sorriu. “Acho que o Koushiro estava realmente assustado com a situação toda. Eu não o culpo, na verdade. Sei que o primeiro beijo é sempre assustador.”
“Nem me fale.” Mimi olhou para o bebê em seus braços. “Você acha que o Koushiro é o cara certo?”
“Acho que você vai descobrir sozinha. Mas vocês formam um casal lindo.”
Masanori bocejou no colo da Mimi e a mulher deu um sorriso carinhoso.
“É a hora de ele dormir.” Sora estendeu seu braço livre. “Vamos, garotinho. Yamato está com os carrinhos dos bebês. Eu já volto.”
“Tudo bem.”

*****
“Hikari.” Taichi disse. “Conversaremos sobre isso depois. Preciso pôr a conversa em dia com o melhor amigo.”
Ele olhou para o Yamato e ambos sorriram. Hikari concordou e se levantou. Takeru a observou e depois saiu também.
“Bem, nesse caso vou deixar vocês sozinhos.”
“Não seja ridículo, Koushiro.”
“Você pode ficar e conversar com a gente.”
"Obrigado rapazes.”
“Então Yamato, o que há com você hoje?”
“Perdão?”
“Qual é. Você sabe que não pode me enganar. Sei que aconteceu algo.” O moreno se sentou. “Então desembucha.”
“É que…” Yamato suspirou. “Esse cara estava…”
“Yama, você pode pegar o Masanori e colocá-lo no carrinho?”
Todos os homens se viraram para Sora, estava claro que ela tinha dificuldade em segurar os bebês no colo. Yamato rapidamente levantou e correu para sua esposa. Ele pegou seu filho e o segurou firme.
“Ele finalmente dormiu.”
“Ainda bem.” A estilista olhou para o Taichi e o Koushiro. “Cadê o Kouji?”
“Está no parquinho com a Aiko.”
“Você deixou os dois sozinhos?” Ela perguntou um pouco duramente.
“Se acalme, tá? Jyou está com eles.”
“Ótimo. Não podemos deixá-los sozinhos.”
Yamato girou seus olhos. “Eu sei.”
Sora fechou a cara com o jeito dele. “Sabe, você não pode ficar bravo comigo por causa daquele homem. Aconteceu, mas não foi recíproco. Eu amo você, Yamato.”
“Eu sei. Eu também te amo. Mas você sabe como eu sou às vezes.”
“Sim, eu sei. Conversaremos novamente quando você se acalmar.”
Ela foi embora e se dirigiu até a Mimi.
“Então…” Taichi disse relutantemente. “O que exatamente aconteceu?”

*****
“Ei, Hikari!”
A mulher se virou e viu Takeru a seguindo. Ela corou um pouco.
“Olá, Takeru. O que houve?”
“Só queria ver se está tudo bem com você.”
“Sim, tudo ótimo.” Ela suspirou. “Takeru, tem algo que você precisa saber.”
“O que?”
“Venha.” Ela segurou a mão dele. “Não podemos falar sobre isso aqui.”

*****
“Esse cara… Sora e eu fomos a um batizado e esse homem não parava de observá-la.”
Taichi caiu na risada. Yamato e Koushiro olharam para ele, surpresos.
“O que há de tão engraçado?”
“Desde quando o seu lado ciumento toma conta de você?”
“Como?”
“Está claro para mim que não agüenta homens observando sua mulher.”
“Que gênio.” Koushiro caçoou.
“Cale a boca, Koushiro.”
“Sim, e daí? Eu amo a Sora, ela é minha esposa. Então é claro que eu não gosto quando outros homens ficam olhando para ela.” Ele sibilou.
“Nossa, não precisa surtar.”
“Rapazes, não vamos brigar.”
“Só estou dizendo que não precisa se preocupar com isso. A Sora é louca por você, todos sabem disso. Eu sei com certeza que ela não olharia para outro homem a não ser você.”
“Disso eu sei. Mas eu não confio em outros homens ao redor dela.”
“Olha, eu sei que ela é bonita e gostosa, mas ela sabe se defender. A verdade é que a Sora é a mulher mais fiel entre a Mimi e a Hikari, especialmente.”
“O que isso quer dizer?” Koushiro disse alto. “Está dizendo que a Mimi não é fiel?”
“Se acalme, cara. Desculpe. Não foi isso que eu quis dizer. Sei que a Mimi pode ser fiel, já namorei ela.”
“Qual é o problema afinal?” Yamato perguntou. “Não é como se você estivesse namorando ela.”
Taichi e Koushiro se entreolharam. O loiro olhou para eles surpreso.
“O que? Não me diga que está namorando a Mimi?”
“Estou.” O homem ruivo respondeu num tom baixo.
“A Sora sabe disso?”
“Acho que sim. Não sei se a Mimi lhe contou.”
“Não acredito que ela escondeu isso de mim.” Ele se levantou.
“O que vai fazer?” Taichi perguntou.
“Preciso falar com ela.”
“Ei, ei, ei!” O moreno impediu Yamato de sair. “Isso não é culpa dela.”
“Saia do meu caminho.”
“Yamato, por favor.” Taichi tentou empurrá-lo. “Não faça algo que vá se arrepender.”
“Você não entende. Não devemos esconder coisas um do outro.”
“Olha só quem fala.”
“O que você quer dizer com isso?”
“Você sabe o que eu quis dizer.”
“Já chega!” Koushiro gritou de repente. “Sora não escondeu nada de você. Ela não te contou porque não é problema dela. Não é um segredo dela. É um segredo meu! É um segredo da Mimi! Então não culpe minha amiga por algo que ela nem fez.”
“O que está acontecendo?”
Sora e Mimi se juntaram a eles. Jyou estava com elas.
“Nada.”
“Yamato está sendo…”
“Eu disse nada!” Ele berrou.
“Se não é nada, então porque está berrando?”
O loiro olhou para Sora e respirou fundo. Ele então começou a se afastar.
“Yamato, onde está indo?”
“Para casa.”
“Mas nós deveríamos celebrar. É três de Agosto, lembra?”
“Não estou a fim.”
Masanori chorava incontrolavelmente por causa da gritaria. Sora esfregou seu rosto e suspirou em frustração. Então ela se virou para o seu bebê e tentou acalmá-lo.

*****
"Então, o que quer me contar?”
“Eu não sei mais o que fazer, Takeru. Não posso inventar mais desculpas para fazê-lo desistir.”
“Do que está falando?”
“Preciso da sua ajuda.” Ela agarrou o braço dele nervosamente.
“Se não me disser o que está acontecendo, não há nada que eu possa fazer.”
“É o Taichi.”
“O que tem ele? Hikari, se acalme! Você está tremendo.”
“É claro! Estou apavorada.”
“Mas por quê?” Takeru a sentou. “Respire fundo.”
Hikari olhou para ele e tentou se acalmar. Ele sempre a fazia se sentir melhor.
“Taichi está desconfiado do Yamazaki.”
“O que?”
“Acho que ele sabe do nosso filho.”
“Vamos oficializar então.”
“O quê?”