Back To Your Heart
27 Amigos Serão Amigos
Notas iniciais
Capítulo 27: Amigos Serão Amigos
Yamato abriu a porta de seu quarto com o pé direito. Ele estava carregando uma bandeja nas mãos, na qual havia um copo de suco de laranja, algumas torradas e frutas e fatias de pão. Ele olhou ao redor e viu que Sora ainda estava dormindo pacificamente. Sua respiração tranquila o fez sorrir levemente. Também o fez perceber que poderia fazer isso todos os dias de sua vida. Ele colocou a bandeja sobre o criado-mudo e sentou na cama. Ele então se inclinou sobre Sora e a beijou delicadamente na bochecha, fazendo-a resmungar e se mexer um pouco.
“Bom dia, luz do dia.”
“Bom dia. Que horas são?” Sora perguntou enquanto se virava para olhá-lo e esfregou seus olhos.
“Dez da manhã.” Yamato respondeu enquanto a olhava. “Mas não se preocupe, eu já troquei as fraldas dos gêmeos e os alimentei. Também levei a Aiko de volta ao quarto dela mais cedo.”
“Você fez tudo isso? Não precisava! Poderia ter simplesmente me chamado antes.”
“Você estava dormindo tão pacificamente que não quis te acordar. Além disso, não foi problema nenhum para mim.”
“Yama…” A estilista sorriu gentilmente. “Obrigada.”
“É o mínimo que eu poderia fazer, considerando os últimos eventos.”
Sora desviou o olhar. Yamato pegou a mão dela e a segurou entre as dele.
“Então não era só um pesadelo?”
“Não, Sor. Eu sinto muito. Mas tudo vai ficar bem. Eu só não quero que fique mais chateada por causa disso. Eu queria poder fazer algo para te ajudar.”
“Desculpa, Yamato.” Ela olhou para ele novamente; seus olhos levemente lacrimejantes. “Você está tentando me ajudar e eu fico te afastando. Não é justo com você.”
“Tudo bem, Sor. Eu entendo o que você esteja passando. Eu não desejo isso a ninguém. Mas o que eu disse mais cedo é de verdade. Eu quero ser alguém em quem você possa confiar. Eu amo você, nunca se esqueça disso.”
“Eu também amo você, Yama. Eu quero que você me ajude. Nós precisamos nos ajudar.”
“Sempre.” O astronauta colocou seus braços ao redor de sua esposa e a puxou para um abraço apertado.
“Ah meu Deus, você me trouxe café-da-manhã?” Sora perguntou com um tom surpreso.
“Trouxe. Eu trouxe há alguns minutos, mas você estava dormindo. E depois nós acabamos conversando.”
“Por que você é um marido tão dedicado às vezes?”
“Não posso evitar.” Yamato sorriu maliciosamente e piscou. “É parte do meu charme.”
“Você é tão modesto, inacreditável!” A estilista o acertou com um travesseiro e riu.
“Bem, obviamente.” Ele colocou as mãos nos quadris. “É por isso que se apaixonou por mim, certo?”
“Tenho certeza absoluta que não foi. Mas continue se convencendo disso.”
“Você é cruel.” Ele fez bico de brincadeira e voltou sua atenção para a bandeja. “Você quer algo daqui?”
“Morangos.”
“Eu sabia que ia querer eles.” O louro pegou a tigela e se virou para sua esposa novamente. “Eu estava pensando em visitar a Yukino mais tarde.”
“Eu pensei a mesma coisa. Essa será nossa vida agora, não será?”
“Será sim. Mas só por alguns meses. Nós deveríamos agradecer por ela estar saudável e bem.”
“Tem razão.” Sora sorriu para ele. “Você vai me dar esse morango que está segurando ou não?”
“Eu não sei.” Ele olhou para a fruta e sorriu maliciosamente. “Você terá de pegá-lo primeiro.”
Ele colocou o morango na boca e a mulher ruiva revirou os olhos e riu.
“Sabe, se você queria que eu te beijasse, poderia ter só me pedido.” Ela engatinhou em direção a ele.
“Isso não seria tão divertido. E você não estaria fazendo isso.”
“Você é impossível, sabia?” Sora o alcançou e pegou a fruta com sua boca.
“Mas você gosta disso.” Ele respondeu enquanto a puxava para perto e a beijava apaixonadamente.
Mimi colocou café num copo, se dirigiu a sala e encontrou o Koushiro lendo o jornal diário. Ela amarrou a cara e depois riu.
“Alguns hábitos não morrem, eu acho.” Ele olhou por cima do jornal.
“Desculpa. Isso é um habito de gente idosa. Além disso, esses óculos que está usando não te ajudam. Por que não usa a internet ao invés de jornal?”
“Porque eu já trabalho com computadores, amor. Eu herdei esse hábito do meu pai; eu costumava vê-lo fazendo isso todo dia antes de ir à escola e achava tão legal.”
A apresentadora de TV parou de ouvir em algum momento do discurso dele. Sua mente ficou presa numa palavra e ela foi incapaz de processar todo o resto.
“Do que você me chamou?” Ela quase derrubou o copo em suas mãos.
“O que?” Ele levantou uma sobrancelha, num olhar confuso.
“Você me chamou de amor.”
“Do que está…” Koushiro repassou seu discurso em sua mente. “Ah. Isso.”
Mimi guinchou e pulou no pescoço de seu namorado. “Você me chamou de amor!”
“Mimi, querida, não é nada demais.”
“Claro que é! Para alguém como você, é sim.”
Ele começou a ficar envergonhado com a felicidade dela por uma simples palavra, mas sorriu mesmo assim. “Qualquer coisa para minha namorada.”
“Sabe, eu acho que isso pede uma celebração. Devemos dar uma festa!”
“Uma festa?”
“É, você não gosta?” Ela se soltou dele e sentou.
“Eu não me importo, mas dar uma festa por causa de uma palavra é um pouco demais para mim.”
“Não é por causa da palavra, bobinho.” Ela o acertou com a almofada de brincadeira. “É porque nós estamos juntos novamente.”
“Tudo bem, agora entendi.” Ele colocou as mãos nas pernas e olhou para ela. “Eu acho que podemos fazer isso.”
Hikari bateu na porta do antigo quarto do Taichi e entrou quando teve certeza de que ninguém ia responder. Ele estava parado na sacada, apoiado no muro. Ela pôde perceber que algo estava preocupando-o, já que esse era um hábito comum dele sempre que as coisas ficavam difíceis quando eles estavam lutando contra as forças malignas. Certamente, esse não era o caso agora.
“Taichi.” Ela chamou o nome dele suavemente enquanto se aproximava dele. “No que está pensando?”
“Por que as coisas devem ser tão difíceis para as pessoas boas?”
“Ahn? Do que está… Eu acho que sei sobre o que isso é. Você está se sentindo culpado pelo bebê prematuro da Sora e do Yamato.”
O corpo de Taichi ficou rígido, e Hikari sabia que ela tinha acertado em cheio. Ela colocou uma mão tranquilizadora no ombro dele e o apertou levemente.
“Isso não é culpa sua, maninho. Por mais horrível que seja, isso iria acontecer de qualquer jeito.”
“Mas eu poderia ter evitado que acontecesse da primeira vez. Por minha causa, a Sora teve de passar por uma cirurgia e um parto inesperado.”
“Mas ela sobreviveu. Quem sabe o que teria acontecido se você não estivesse lá com ela. Em vez de se culpar, você deveria ser grato porque salvou a vida dela.”
“Eu acho que esse é outro jeito de interpretar isso.” Ele respirou fundo e olhou para ela. “Por que você está sempre vendo o lado bom das coisas?”
“É o que eu faço.” Ela sorriu. “Você sabe que pode sempre contar comigo, certo?”
“Sim. Por que isso agora?”
“Por nada. Eu só queria ter certeza de que você sabia disso.” Ela o abraçou.
“Espera.” Ele se afastou e a examinou. “Você está diferente.”
“Diferente?” Hikari perguntou. “Provavelmente é por causa do casamento.”
“Não. Tem algo a mais, mas eu não sei dizer o que é.”
“É o casamento, Taichi.” Ela se virou antes que ele estragasse a surpresa. “Ah, aliás…” Ela o olhou novamente. “Você pode ter uma surpresa agradável em breve.”
“Ah, uma surpresa?”
“Mas eu não vou falar.”
“Você é má.” O tom animado na voz dele desapareceu.
“Vai valer a pena, eu prometo.”
Mimi e Koushiro estavam andando pela rua até o restaurante onde tinham feito reserva. Eles estavam de braços dados e ambos tinham um largo sorriso no rosto.
“Então o que fez você mudar de ideia sobre a gente?” Mimi perguntou.
“Tentomon. E minha mãe. Eles me fizeram perceber que às vezes é melhor ser feliz do que se apoiar no que acredita.”
“Eles têm razão.”
“Eu queria poder perdoar tão rápido quanto você.”
“Eu nem sempre fui assim. Você viu como era.”
“Vi, sim. Mas você é uma pessoa muito diferente agora.”
“Você também.” Ela olhou para ele. “Você é menos tímido do que costumava ser quando tinha dez anos. E mais bonito também.”
“Sério?” Ele a pegou pela cintura e a puxou para perto dele.
“E muito mais atrevido.” Ela sussurrou, quase sem fôlego.
“Mas você gosta, não gosta?” Ele beijou o pescoço dela e ela sentiu suas pernas perderem o equilíbrio.
“Gosto. Mas precisamos ser atrevidos aqui? Porque eu não sei se vou conseguir falar baixo se você continuar fazendo isso.”
Koushiro sorriu com satisfação contra a pele morna dela e ela estremeceu. Para a sorte – ou azar – deles, a voz de alguém os fez se afastarem um do outro.
“Taichi, o que está fazendo aqui?”
“Eu acabei de sair da casa dos meus pais. Estou vendo que vocês dois estão juntos novamente.”
“Nós nos acertamos há alguns dias. Eu estava mesmo querendo falar com você, aliás.”
“Mesmo?” Ele perguntou com uma sobrancelha levantada.
“Eu quero me desculpar por tudo o que fiz. O que você fez foi terrível, mas o que eu fiz também.”
“Koushiro, eu sinto muito! Você sabe que nunca o magoaria de propósito. Você é um dos meus melhores amigos.”
“Eu sei, Taichi. Você é um dos meus melhores amigos também. Nós somos amigos há tanto tempo que eu odiaria se deixássemos de ser por causa disso.” Ele parou de falar. “O que estou dizendo é que eu quero arrumar as coisas com você.”
“Eu também.” Taichi não conseguiu conter seu sorriso. “Então somos amigos de novo?”
“Com certeza.” Koushiro estendeu o braço para ele, mas o moreno o puxou para um abraço.
“Estou tão feliz que vocês se acertaram!” Mimi disse alegremente enquanto juntava as mãos. “Eu também te devo desculpas, Taichi. Eu não deveria ter te beijado. Não trouxe nada além de mágoa para muitas pessoas. Por isso, eu sinto muito.”
“Tudo bem, Mimi. Foi um momento difícil para você. Você estava vulnerável, eu posso entender.”
“Fico feliz.” Ela sorriu rapidamente. “Mas mesmo assim, sinto muito mesmo.”
“Desculpas aceitas. Vamos seguir em frente e deixar isso para trás.”
“Tudo bem.” O casal disse ao mesmo tempo.
“Eu preciso ir agora. Vou pegar meu filho para podermos escolher um terno legal para mim para o casamento da Hikari.”
“É verdade! Ela e o Takeru vão se casar em dois meses.”
“Vão, sim. Bem, se me derem licença…”
“Claro. Claro.” Koushiro disse. “Vejo você depois.”
“Fico feliz que as coisas estão voltando ao normal.” Mimi disse enquanto eles se viravam e viam seu amigo se afastar.
“Eu também.”
Sora e Yamato estavam parados em frente da seção UTI neonatal do hospital. Yukino estava num berço perto do vidro. Sora colocou sua mão direita no vidro, como se quisesse tocá-la, e Yamato colocou sua mão no ombro dela.
“Ela está dormindo tão pacificamente. É como se ela não tivesse ideia do que está acontecendo.”
“E ela não tem. Eu prefiro desse jeito, para ser sincero. Apesar do fato de ela ser mais frágil do que os outros bebês, eu não acho que ela esteja sofrendo.”
“Você tem razão.” Ela encostou a cabeça no peito dele e ele a abraçou. “Eu não acreditei muito quando você disse que ela era uma versão pequena minha, mas agora estou começando a ver.”
“Se ela herdar sua personalidade, ela vai ser uma versão completa sua.” Yamato disse meio orgulhoso. “Eu vou ter de olhar por ela mais do que olho pela Aiko e a Ayumi, porque haverá muitos garotos atrás dela quando ela crescer. Ela vai ser tão linda quanto sua mãe.”
“Isso é algo que você diria.” Sora sorriu um pouco envergonhada. “Você precisa achar que eu sou bonita. Sou sua esposa.”
“Estou simplesmente falando a verdade.”
“Obrigada.” Ela ficou na ponta dos pés e o beijou na bochecha.
“Yamato!”
O homem olhou para a direita e viu seus pais e o Takeru correndo em direção a eles.
“Oi, o que estão fazendo aqui?”
“Queríamos ver a nova bebê.” Natsuko respondeu. “Como ela está?”
“Ela está ótima, na verdade.” Yamato se virou para olhar a Yukino e seus parentes fizeram o mesmo.
“Ela é tão linda! Ela é muito parecida com você, Sora.”
“Eu estava dizendo isso a ela. Se elas tiverem a mesma personalidade eu estarei com sérios problemas.”
“Yamato!” Sora o acertou no braço de brincadeira. “Isso não é verdade.”
“Estão vendo só?”
Natsuko sorriu. “É bom ver vocês dois rindo e brincando um com o outro. Como vocês dois estão?”
“Está sendo difícil, mas estamos aguentando firme. É um alívio saber que a Yukino está ótima.”
Sora se soltou do Yamato e parou perto do vidro. Ela lentamente levantou a mão e a colocou no vidro, no lugar em que sua filha estava, novamente. O louro a observou com preocupação e simpatia.
“Yukino? Esse é o nome dela?”
“Sim.” Ele se virou para seus pais. “Sora e eu decidimos deixar a Aiko escolher o nome dela.”
“Entendi.” Natsuko se juntou a Sora e sorriu. “É um nome bonito.”
“Por quanto tempo ela vai ficar aqui?”
“Eu não sei. Pode ser por um tempo, já que ela nasceu muito antes do previsto.”
Yamato olhou para Sora e por um momento ele achou que ela fosse desmaiar. Ele andou até ela e colocou uma mão no ombro dela, o que a assustou.
“Ei, você quer comer algo? Podemos ir até a cantina.” Ele levantou as sobrancelhas com surpresa quando ela não reagiu. “Sor?”
“Sim.” Ela balançou a cabeça e sorriu. “Eu poderia comer alguma coisa agora.”
“Você está bem?”
“Estou ótima. Só estava distraída, só isso.”
“Tudo bem.” Ele não ficou muito convencido, mas não quis deixá-la irritada. Ele se virou para seus pais e o Takeru. “Vocês querem se juntar a nós?”
Hikari estava sentada no vaso sanitário, segurando o palito por vários minutos. Ela não sabia se ficava feliz ou desatava a chorar. Ela tinha concordado com isso e agora não havia como desistir.
“Hikari, está tudo bem?” Tailmon perguntou enquanto parava na porta.
“Sim, Tailmon.” Ela não desviou o olhar do palito. “Só estou assimilando a notícia.”
“O que é isso que está segurando?”
“Isso é um teste de gravidez.” Ela suspirou. “Deu positivo.”
“Isso quer dizer que o Yamazaki vai ganhar um irmão ou uma irmã?”
“Isso mesmo.”
“Você já contou ao Takeru?”
“Não, eu queria ter certeza absoluta antes de contar a ele. Além disso, ele foi visitar sua nova sobrinha.”
“Ele não te convidou para ir com ele?”
“Convidou, mas eu acho que é algo só para a família. Eu sei que sou praticamente parte da família deles, mas ainda não oficialmente.”
“Espera, estou confusa. Você é parte da família ou não?”
“Bem, sim e não. Eu vou entrar para a família deles quando casar com o Takeru. Até agora só sou a mãe do filho dele. Filhos.”
“Estou com a sensação de que você não está exatamente feliz com isso.”
“Estou.” Ela segurou o palito contra o peito dela. O olhar triste no rosto dela enquanto ela o fazia provava que ela estava mentindo.
“Então o que há de errado?”
“Eu só acho que deveríamos ter esperado um pouco mais. O Yamazaki só tem dez meses. Eu não sei se consigo lidar com dois bebês.”
“Hikari.” Tailmon segurou a mão dela. “Eu não tenho dúvidas que vai se sair muito bem nisso. O Takeru vai te ajudar, tenho certeza.”
“Tailmon.” Ela enxugou as lágrimas dos olhos. “Eu sei disso, mas eu… eu não sei. Eu acho que estou sob muita pressão ultimamente. Você sabe, com o casamento e todo o resto.”
“Eu queria poder te ajudar, Hikari. Mas sou só um Digimon.”
Hikari não teve como não sorrir. “Você já faz o bastante por mim, Tailmon. Só ter você aqui significa muito.”
Tailmon pulou no colo dela e lhe deu um abraço caloroso, o qual foi retribuído com a mesma intensidade.
“Eu não acredito que a Sora não me contou nada disso!”
“Acalme-se, Mimi.” Koushiro disse em tom baixo. “Tenho certeza de que ela não teve tempo.”
“Mesmo assim. Sou a melhor amiga dela.”
“Não seja tão dura com ela. Ela provavelmente está passando por um momento difícil.”
“Ugh, eu sei.” Ela suspirou. “Eu sei que ela tem o jeito dela de lidar com assuntos sérios, mas eu queria que ela falasse comigo.”
“Eu entendo isso, mas você também estava lidando com seus problemas pessoais.”
“Eu quero fazer algo por ela.”
“Talvez possamos visitá-la. Tenho certeza que ela vai adorar.”
“É uma ótima idéia!” A cozinheira disse animadamente e levantou. “Vou pegar minha bolsa.”
Sora e Yamato estavam voltando à seção neonatal, junto com seus pais e o Takeru. O astronauta não conseguia parar de olhar para sua esposa. O rosto dela tinha ganhado um pouco de cor depois de ter comido. Bem, ela foi forçada a comer. Ele manteve um braço ao redor dela o tempo todo.
“Então, Takeru.” Ele momentaneamente olhou para o seu irmão. “Como está indo seu novo livro?”
“Muito bem, obrigado.” Ele respondeu com um sorriso. “Eu provavelmente o lançarei quando eu e a Hikari voltarmos da nossa lua de mel.”
“É bom ouvir isso! Está animado para o seu casamento?”
“Estou um pouco ansioso. Está tão perto agora. Eu não achava que ia me casar, quanto mais com a Hikari.”
“A vida pode te surpreender às vezes. Eu sei bem.” Ele voltou sua atenção para Sora. “Estou preocupado com você, Sor. Você estava tão contente esta manhã.”
“Estou bem, Yamato. Só não estou exatamente feliz com nossa situação. E vir aqui deixa tudo pior.”
“Eu sei. Nós já conversamos sobre isso e concordamos fazer nosso melhor e lidar com essa situação da melhor forma que pudermos.”
“Estou tentando, eu juro.” Ela encostou a cabeça no peito dele e chorou silenciosamente.
Yamato a puxou para perto dele, incapaz de dizer ou fazer alguma coisa para ajudá-la.
“Vamos, Sora. Onde está sua bravura?” Takeru disse, fazendo todos olharem para ele. “Onde está a menina forte que se recusava a desistir não importasse o quão difícil as coisas estavam?”
“Eu não sei.” Ela balançou a cabeça. “Ela se perdeu em algum lugar eu acho.”
“Bem, você precisa encontrá-la novamente. Eu sei que é duro, mas você precisa ser forte pela Yukino.”
“Eu sei, Takeru. Estou tentando.”
“Ei, Yamato! Sora!”
Todos se viraram e viram o Taichi e a Hikari correndo em direção a eles com seus filhos. Jyou também estava com eles.
“Olá, pessoal.” Yamato sorriu para eles.
“O Jyou disse que vocês estavam aqui, então a Hikari e eu pensamos em fazer uma visita surpresa.”
“Obrigado. Isso significa muito para nós.”
“Então, qual delas é ela?” Hikari perguntou enquanto se aproximava do vidro.
Sora se soltou de Yamato e se juntou a sua futura cunhada.
“A do centro.” Ela apontou para a Yukino.
“Você viu isso, Yamazaki?” A professora levantou seu filho. “Sua prima é uma gracinha. Ela é uma versão menor sua, Sora.”
“Todos estão dizendo isso.”
Ela sorriu pela segunda vez desde que eles chegaram e Yamato fez uma nota mental para agradecer a Hikari por isso mais tarde. Taichi se juntou as mulheres.
“Bem, é verdade.” Ele disse. “Eu nunca vou entender como você e o Yamato conseguem tomar conta de tantas crianças.”
“Não é um problema para nós. Bem, de vez em quando é. Mas eu não mudaria nada.”
“Sora Takenouchi, você é uma mulher morta!”
“Mimi, dá para manter sua voz baixa?” Koushiro implorou. “Estamos num hospital.”
“Por que não me contou tudo?” Mimi perguntou enquanto se aproximava da sua amiga, empurrando Hikari para fora do caminho.
“Mimi, eu não contei a ninguém. Só o Taichi sabia. Isso era algo pessoal.”
“Eu falei a mesma coisa para ela.”
“Você contou ao Taichi, mas não pôde me contar?!”
“Você ouviu o que eu disse?” Sora retrucou com irritação. “Eu disse que não contei a ninguém. O Taichi só soube por que ele estava lá quando eu sofri a droga do acidente! Ele me levou ao hospital!”
“Mimi, já chega!” Yamato disse duramente enquanto se intrometia. “Por que você sempre tem de fazer um escarcéu com as coisas que não está envolvida? Você está bem, Sor?”
“Estou bem. Só preciso ficar sozinha.” Ela disse enquanto se afastava de todos.
“Eu vou falar com ela.” Hikari disse e foi atrás da sua cunhada.
“Yamato, eu sinto muito. Eu não quis…”
“Você deveria ser mais compreensiva com os sentimentos dos outros. A Sora está chateada, então eu gostaria que você parasse de ser o centro das atenções!”
“Ei, Yamato. Está tudo bem com a Sora?”
“Uh, receio que não, Jyou.” Ele suspirou. “Eu queria mesmo falar com você.”
“Mesmo? Podemos conversar agora se quiser.”
“Eu acho que a Sora não está bem. Quero dizer, toda essa situação com a Yukino afetou-a muito. Mais do que eu imaginava que afetaria. Nós falamos sobre isso e ela concordou em tentar ficar mais feliz. Eu não acho que esteja funcionando e estou começando a me preocupar com ela.”
“É, ela está um pouco diferente.”
“Exatamente.” Ele assentiu. “Eu não sei o que fazer para ela se abrir comigo. Eu quero ajudá-la. Sinto que estou tendo de ser forte por nós dois. A Aiko também está preocupada com ela.”
“Eu posso entender. Não é uma situação fácil.”
“Eu acho que ela precisa de tratamento.”
“O que está dizendo?”
“Estou dizendo que ela pode ter depressão pós-parto.”
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