Notas iniciais
Como eu disse no último capítulo, este aqui será um especial de três momentos importantes na vida da Sora e do Yamato como um casal. Eu cortei a cena da primeira vez porque ela tem uma parte muito explícita e eu não sei a idade de quem está lendo essa fic, então achei melhor tirar. Separei os momentos com asteriscos. Espero que gostem! Por favor comentem.

Capítulo 22: A Primeira Vez

Yamato sentou num banco no saguão enquanto esperava sua ficante descer. Ele só não morreu de frio porque o porteiro foi gentil o bastante para deixa-lo entrar. Ele ajeitou seu cachecol e olhou no seu relógio. Sora estava demorando muito para descer. Mulheres tinham o seu próprio tempo; ele aprendeu isso observando seu pai reclamar de sua mãe sempre que tinham um encontro. O louro suspirou e começou a jogar no celular para ajudar a passar o tempo.

“Yamato, eu sinto muito!” A menina ruiva correu até ele. “Não consegui achar roupas decentes para vestir.”

Yamato olhou para cima e seu queixo caiu em choque. Sora estava estonteante. Ela estava usando um vestido branco com mangas longas meio transparentes e sapatos plataforma brancos. O vestido ia até os joelhos dela. Ela também estava usando um cachecol rosa ao redor do pescoço e carregava um casaco azul-bebê.

“Como eu estou?” Ela perguntou, se virando.

Ela não precisou esperar pela resposta dele. O olhar no rosto dele estava bem claro para ela. Ela sentiu orgulho de si mesma; sua missão estava cumprida.

“Podemos ir?” Sora parou na frente dele e suas pernas o fizeram acordar do seu devaneio.

“Sim, sim. Claro.”Yamato se levantou e tentou se concentrar no que fizer em seguida.

Ele se virou para pegar seu casaco, mas ele já estava nas mãos dele. Sora riu com a falta de habilidade do seu ficante. Ela tocou o braço dele, o que o fez olhá-la nos olhos.

“Yamato, o que está fazendo?”

“Eu… eu…” Ele suspirou. “Não faço ideia. Desculpe, Sora. Estou nervoso.”

“Eu posso ver.” Ela sorriu. “Também estou nervosa. Não quero causar uma má primeira impressão.”

“Não tem como você fazer isso.” Ele sorriu sugestivamente. “Sua primeira impressão não poderia ser melhor.”

Sora ficou muito vermelha. Ela teria de se acostumar com tais comentários dali em diante.

“Então, onde estamos indo?”

“Não vou dizer. Eu quero te surpreender.”

“Oh, uma surpresa? Eu gosto disso.”

“Você está morrendo de curiosidade para saber aonde vou te levar, não está?”

“Bem, sim.” Ela admitiu. “Eu gostei que você tenha decidido me surpreender. Mas eu tenho medo de não estar usando as roupas apropriadas para a ocasião. É véspera de Ano Novo afinal.”

“Não se preocupe. Suas roupas estão ótimas.”

“Obrigada.” Sora fingiu ajeitar o vestido. “Você também não está tão mal.”

Ela o olhou de cima a baixo, fazendo-o sorrir orgulhosamente para si mesmo e corar com o comentário dela. Eles pararam na porta da frente.

“Obrigado.” Ele pegou o casaco dela e ficou atrás dela. “Deixe-me te ajudar.”

“Um cavalheiro?” Sora não conseguiu esconder seu choque. “É muito difícil encontrar garotos gentis ultimamente.”

“Eu sou muito mais do que aparento.”

“Eu sempre soube que você era mais sensível do que os outros meninos. Achava que tinha a ver com seu passado ou algo assim. Desculpe.” Ela percebeu que tinha falado demais. “Estou nervosa novamente.”

“Não, está tudo bem.” Ele disse com um sorriso enquanto lhe oferecia seu braço.

“Bem, nós devemos ir, eu acredito.” Ela aceitou a oferta dele e eles saíram do prédio.

“Então você disse que é muito mais do que aparenta.” Sora disse enquanto eles andavam pela rua. “Eu estava pensando que talvez pudéssemos nos conhecer um pouco melhor. Quero dizer, eu te conheço, mas muita coisa mudou desde então.”

“É, eu também acho.” Yamato olhou para ela. “Você começa.”

“Tudo bem.” Ela tentou pensar em algo. “Banda ou artista favorito?”

“Bem… depende do meu humor. Eu gosto de rock, obviamente. Eu acho que não tenho uma banda ou artista favorito, embora eu goste muito do Queen. Você já ouviu alguma música deles?”

“Só algumas.” A menina deu de ombros. “Minha mãe não gosta de nada além das canções tradicionais japonesas e fica irritada sempre que tento colocar algo diferente no rádio. Então, eu não posso realmente ouvir algo de fora.”

“É uma pena. Há grandes bandas por aí. Eu podia te mostrar algumas delas se você quiser.”

“Claro!” Sora disse alegremente. “Isso significa que vamos sair de novo?”

“Sim. Quero dizer, se você ainda quiser depois desta noite.”

“Veremos.” Ela sorriu misteriosamente. “Certo, sua vez.”

“Passatempo favorito.”

“Vejamos… eu gosto de ler romances adolescentes.” Ela riu e ele sorriu. “Não me julgue. Eu também passei a gostar de fazer arranjos de flores por causa da minha mãe. Ah e eu gosto de andar de bicicleta no parque. E você?”

“Eu gosto de tudo relacionado a música, você sabe.” Sora assentiu e ele continuou. “Eu queria formar uma banda quando estava tendo aulas de baixo. Não tenho certeza se isso é o que eu quero fazer profissionalmente.”

“Temos apenas catorze anos, temos muito tempo para planejarmos nosso futuro.”

“Tem razão.” Ele parou na frente de um restaurante. “Chegamos.”

O resto de noite correu incrivelmente para ambos. Eles puderam saborear uma refeição maravilhosa e o nervosismo deles tinha desaparecido, permitindo-os apreciar a presença um do outro.

“Então aonde vamos agora?” Sora perguntou enquanto o garçom tirava os últimos itens da mesa e se levantou. “Ou a noite acabou?”

“Não, nós ainda vamos a outro lugar.” Yamato disse sugestivamente. “A menos que queira me dispensar.”

“Não, não.” Ela disse rapidamente. “Eu estou gostando.”

“Eu também.” Ele sorriu. “Siga-me.”

“Você poderia pelo menos me dizer onde está me levando agora. Já tive minha cota de surpresas esta noite.”

“Tudo bem, você venceu. Nós vamos à Torre de Tóquio.”

“Ah meu Deus!” Sora disse animadamente. “Eu adoro lá.”

“Você precisava ver como ela está lindamente decorada para as festas de fim de ano.”

“Aposto que está.” Ela olhou para um relógio digital gigante na avenida. “É quase dez para meia-noite! Precisamos nos apressar se quisermos chegar a tempo.”

A menina ruiva pegou a mão do Yamato e eles correram em direção à torre.

Dez minutos depois, eles estavam admirando a vista da Torre de Tóquio. Sora tinha um largo sorriso no rosto quando Yamato veio por trás e colocou seus braços ao redor da cintura dela. O gesto dele a fez corar um pouco.

“Para que isso?” Ela perguntou enquanto colocava as mãos dela sobre as dele.

“Feliz Ano Novo.” Ele a girou para poder ver o rosto dela e a beijou suavemente nos lábios.

*****

Sora colocou os últimos itens na mesa. Ela estava planejando um jantar romântico para o Dia dos Namorados daquele ano. Ela e Yamato estavam namorando há pouco mais de dois anos e eles alugaram um chalé nas montanhas para celebrar essa data especial. A garota tinha acabado de acender a última vela quando ele chegou.

“Sor, cheguei.”

“Yama!” Sora disse alegremente enquanto o recepcionava. “Você demorou mais para chegar aqui do que disse.”

“Você sentiu minha falta?” Ele provocou enquanto tirava seu casaco e se aproximava dela.

“Eu não disse isso.” Ela tentou consertar, mas foi em vão; ela foi pega.

“Ah que pena.” Ele fez bico depois de colocar seus braços ao redor da cintura dela, puxando-a para perto dele. “Parece que alguém não vai ganhar presente.”

“Isso não é justo.” Sora bateu no peito dele de brincadeira. “Bem, você também não vai ganhar o seu.”

“Qual é! Eu tenho sido um bom namorado, não tenho?” Yamato perguntou com um sorriso.

“Veremos.” A menina tentou não rir. “Como foi sua sessão de esqui?”

“Ótima. Eu não caí dessa vez, o que é um milagre. O tempo está perfeito; que pena que você não pôde ir comigo.”

A jogadora de tênis olhou nos olhos dele; os braços dele ainda estavam na sua cintura.

“Eu sei. Eu estava fazendo algo especial para nós esta noite.”

“Qual é o motivo?”

“Você não sabe?” Sora perguntou surpresa, incerta se ele estava brincando ou não. “Hoje é Dia dos Namorados, lembra?”

“É mesmo.” Um sorriso se formou nos lábios dele enquanto ele se inclinava e a beijava apaixonadamente. “Feliz Dia dos Namorados, Sor.”

Sora sentiu como se tivesse sido tirada do chão. Toda vez que ele a beijava ela tinha essa sensação; era assustadora, mas excitante. Se alguém lhe dissesse que o amor causaria tantas borboletas no estômago, ela cairia na risada e diria que não existia tal coisa. E então ela ficou mais íntima do Yamato. Eles compartilhavam quase tudo um com o outro. Essa aproximação permitiu que eles se provocassem de uma forma não tão inocente. Ela não saberia dizer qual deles foi o primeiro a perceber que sentia algo pelo outro, já que as insinuações começaram de ambos os lados ao mesmo tempo. Yamato gosta de dizer que foi ele quem tomou a iniciativa de convidá-la para sair e sempre se gaba disso com o Taichi, que ainda tentava encontrar a coragem de chamar a Mimi para sair. Sora se afastou do Yamato quando sentiu a mão dele levantando a blusa dela.

“O que houve, Sor?” Ele perguntou. “Eu achei que você quisesse isso.”

“Eu quero. Eu quero.” Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, evitando contato ocular com ele. “É só que… estou apavorada, Yamato.”

O menino de olhos azuis não conseguiu segurar um sorriso. “Você não precisa se preocupar. Eu não vou te machucar.”

“Não estou preocupada com isso. Tenho medo de te desapontar de verdade e isso fizer você terminar comigo.”

“Isso não vai acontecer, Sor. Eu acho que você já deveria saber disso.” Ele gentilmente levantou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele. “Eu não sou o tipo de garoto que deixa a namorada sozinha depois disso.”

Sua mão parou na bochecha dela e ela inclinou a cabeça um pouco e fechou os olhos enquanto tocava a mão no rosto dela.

“Eu sei.” Sora disse depois de um tempo. “Estou prestes a tomar um grande passo na minha vida. Não vou me perdoar se não puder fazer você… chegar lá.”

“Você quer dizer...?” Yamato a viu assentindo e sorriu. “Não seja tão dura consigo mesma. A primeira vez nem sempre sai como planejamos. Isso não quer dizer que vai acontecer com a gente.” Ele completou rapidamente. “Não precisamos fazer isso se você não quiser. Eu posso esperar o tempo que você precisar.”

“Yama.” Ela o olhou, seus olhos cheios de lágrimas. “Não sei se estou pronta. Só tenho dezesseis anos.”

“Eu posso esperar, Sor.” O louro esfregou os braços dela. “Nós estamos juntos há mais de dois anos. Isso não é só curtição; eu queria ter algo sério com você. Eu sei que você é a mulher da minha vida há algum tempo já.”

“Yamato.” Sora continuou a observá-lo; dessa vez as lágrimas estavam caindo de seus olhos cor de canela. “Eu amo você. Eu sei que você é a pessoa certa para mim também. Ninguém consegue fazer eu me sentir como se tudo desaparecesse quando você me beija. Todas as minhas preocupações, todos os meus problemas… todos eles somem quando estou nos seus braços. É onde eu fico segura.”

Yamato gentilmente a puxou para perto dele. “Deixe-me fazer você se sentir segura esta noite.”

A jogadora de tênis sentiu seu coração parar de bater. Ela colocou seus braços ao redor do pescoço dele enquanto seus lábios tocaram, levando a um beijo apaixonado. O louro então pegou a mão dela e a levou ao quarto.

“Isso foi… incrível.”

Sora sorriu e se aconchegou perto dele. “Você nunca falha em me surpreender. Eu te amo, Yama.”

Ela descansou a cabeça no peito dele e fechou seus olhos. O louro começou a mexer no cabelo dela gentilmente.

“Eu também te amo, Sor.”

*****

Sora pulou da cama e tentou encontrar seus chinelos. Ela estava ficando irritada com o fato de não poder ver mais os seus pés. Ela estava prestes a dar á luz, já que estava com quase quarenta semanas. Yamato e ela iam ter uma menininha. Eles mal podiam esconder sua felicidade quando o médico lhes contou o sexo. Suas famílias ficaram muito felizes quando eles descobriram. Takeru ficou animado durante toda a gravidez dela, dizendo que não poderia esperar para segurar sua sobrinha e que ele seria o melhor tio do mundo. Sora mal podia esperar para ver sua filha também, mas ela também estava com medo do parto. Quando ela finalmente encontrou seus sapatos, ela os calçou e foi ao banheiro.

“Sor, você está bem?” Yamato perguntou enquanto parava na porta.

“Estou ótima. Eu só odeio ir ao banheiro a cada cinco minutos.” Ela reclamou.

“Já está acabando, só tenha um pouco mais de paciência.”

“É fácil para você dizer, você nunca vai ter que carregar uma vida dentro de você por nove meses e engordar.”

“E temperamental também.” Ele falou enquanto entrava no quarto deles.

“Eu ouvi isso!” Ela gritou do banheiro.

“Eu também te amo.” Yamato disse brincando.

“Nós não vamos ter outro filho!”

“Vamos, Sor.”

“Não me venha com ‘Sor’. Estou cansada, Yamato. De verdade.” Ela abriu a porta e o encarou.

“Você sabe o quão solitário um filho único pode ficar.” Ele veio por trás dela e esfregou seus braços suavemente.

“Eu odeio me sentir feia.”

“Você não está feia. É o oposto, na verdade. Eu acho que você está radiante, de um jeito diferente.”

“Por favor.” Sora não acreditou nele. “Eu ainda não entendo como os homens acham mulheres grávidas sensuais e bonitas.”

“Acredite em mim, nós achamos.” Ele esperou por uma resposta. “Sor, você está bem?”

“Yama.”

“Sim?”

“Eu acho que minha bolsa estourou.”

“O que?!” Ele quase engasgou com a comida.

Sora estava se sentindo extremamente desconfortável deitada na cama do hospital. Ela chegou há horas e só tinha cinco centímetros de dilatação. Ela suspirou com irritação quando o Yamato voltou.

“Como você está se sentindo?”

“Irritada porque ela não quer sair.”

Ele sorriu. “Você precisará ser mais paciente.”

“Você avisou nossos pais?”

“Sim, e eles estão a caminho. Eu também avisei aos outros. O Taichi deve chegar a qualquer momento.”

“Ótimo.” Ela disse de cara amarrada.

“Você está confortável? Precisa de algo?”

“Sim, eu quero que esse bebê saia logo. Estou ficando frustrada, Yamato.”

“Eu sei, Sor.” Ele disse gentilmente. “Eu sei que isso está sendo difícil para você. A Aiko vai chegar quando estiver pronta.”

“Você tem razão. Mas quanto mais eu vou ter de esperar? Eu vou ser péssima nisso, ela nem está aqui ainda e eu já estou reclamando.”

“Você vai ser ótima nisso.” Yamato disse enquanto afagava o cabelo dela. “Toda essa irritação vai sumir assim que você ver o rosto dela, eu prometo.”

“Espero que sim. Ah!” Sora se curvou de dor. “Eu não sabia que isso doeria tanto.”

“Ela quer sair, Sor. Vamos vê-la antes do que imaginávamos.”

“Como está se sentindo, Sora?” A médica perguntou com um sorriso enquanto entrava no quarto.

“Podemos fazer uma cirurgia para tirá-la? Eu não quero mais parto normal. Está demorando muito.”

“Acho que podemos começar agora.” A doutora verificou quantos centímetros de dilatação Sora tinha e foi se preparar para o procedimento. “Está com quase dez centímetros; é hora de começar a forçar.”

“Não posso fazer isso, doutora. Vai doer.”

“Você consegue, Sor.” Yamato pegou sua mão. “Nossa filha está chegando. Você está louca para vê-la, lembra?”

“Eu não sabia que teria que ser assim!” Ela resmungou.

“Sora, eu preciso que você comece a empurrar quando contar até três. Um, dois, três.”

A estilista se curvou e começou a fazer força. Ela apertou a mão do seu marido mais forte e ele a sentiu começar a perder a circulação.

“Continue assim, estou quase a vendo.”

“AAAAAAAAAAH!”

“A cabeça dela saiu. Continue fazendo força, Sora. Está quase acabando.”

“Não consigo. Não tenho mais força.”

“Tem, sim. Só mais um empurrão e acabou.”

Sora reuniu toda a força que conseguiu e empurrou o máximo que pôde. Ela só relaxou quando ouviu o primeiro choro de sua filha. Ela estava sentindo tantas emoções que começou a chorar. Mais lágrimas caíram dos olhos dela quando ela a segurou em seus braços. Yamato a beijou na bochecha e a abraçou.

“Ela parece com você.”

“Seja bem-vinda, Aiko.” Ele segurou as mãozinhas de sua filha. “Eu disse que você conseguiria. Eu te amo, Sor.”

“Eu também te amo, Yama.” Sora o beijou nos lábios suavemente.

Notas finais
No próximo capítulo eu vou retomar de onde parei no capítulo 21.