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4 De frente para o passado
Notas iniciais
Estou de volta!
Nem demorei muito...
Alguns mistérios serão desvendados agora...
Boa leitura!
Ps:Um megasuperhiper agradecimento à CAROLCULLEN minha Beta e parceira de crime.Valeu carol!!! O tempo que economizei em betar o cap eu escrevi já dois caps das novas versões de BD.Graças a vc vai sair uma porção de caps essa semana!Bjuxx
A mulher vinha atravessando metade do salão em minha direção e embora ela corresse para mim a cena meio que se desenvolvia em câmera lenta. Ela meio chorava meio ria. Todos me olhavam estranho e eu francamente já estava ficando nervosa. Mais do que nervosa na verdade. Em pânico.
De repente senti o ar preso em meus pulmões e sem pensar duas vezes fiz a coisa mais idiota que eu poderia ter feito nesse momento.
Corri.
Voltei correndo em direção ao elevador empurrando todos no caminho e entrei pouco antes dele fechar sendo seguida por uma Alice totalmente esbaforida. A porta se fechou por segundos depois que passamos e tive uma visão rápida do caos que se espalhou na festa antes de entrarmos no elevador. O homem de cabelos de cobre gritou meu nome, mas foi tarde demais, as portas já tinham se fechado.
Abaixei meu corpo pela metade colocando a cabeça entre os joelhos tentando desesperadamente fazer entrar algum ar em meus pulmões que ardiam.
- Bella... Por que... Você... Correu... Sua louca! — Alice falou esbaforida tentando se recuperar da nossa mini fuga.
-Não consigo... respirar... — Arfei as palavras. Entre uma lufada ou outra de ar.
Alice por fim se recuperou em quanto os andares passavam por nós, mas eu ainda estava mal.
-OMG você está tento um ataque de pânico!
Fiz uma careta ainda arfando. Queria dizer dãããã você percebeu? Mas me economizei a miséria de sufocar até a morte só pra debochar dela.
-Feche os olhos.
-Alice...
-Fecha a droga dos olhos!-Ela gritou e fechei-os imediatamente.
-Vamos Bella respira fundo... um... dois... solta o ar.... um... dois...
Fui fazendo como ela falou e aos poucos fui respirando melhor. Por fim fui levantando meu corpo continuando a respirar até abrir os olhos. Nem tive tempo de agradecer e o elevador abriu. Ela saiu me puxando pra fora. Obviamente os seguranças estavam a postos na porta da frente prontos para barrarem a nossa saída, mas Alice foi mais esperta e me puxou correndo e saímos por uma porta lateral do prédio. O porteiro veio atrás e comecei a sentira falta de ar de novo.
-Fica aqui que eu já volto. — Alice falou e foi falar com o pobre homem. Acho que pra explicar um pouco a confusão que causamos. Eu continuei andando quase que automaticamente. A cena que acabamos de presenciar voltando a minha mente desde o começo. Quase sem perceber atravessei a rua em direção ao Central Park. Tirei as sandálias e caminhei descalça sobre a grama. Por fim depois de uns 50 metros sentei num banco de pedra isolado que tinha ali.
Eu estive tão perto o meu passado... E o que eu fiz? Eu fugi.
Talvez aqueles médicos infernais tenham razão afinal. Eu me auto- sabotava com medo do que eu iria descobrir sobre meu passado.
Porque mais eu teria um ataque de pânico agora? Quando não tive um quando acordei ou quando soube a história do meu acidente.
Aquelas pessoas...
Elas eram meu passado eu tinha certeza.
A loira do piano definitivamente. Na foto nos parecíamos bem íntimas. E a mulher que veio em minha direção... Agora revendo a cena em minha cabeça eu percebia os detalhes na sua aparência... Deus eu era parecida com ela! Os mesmo olhos verdes escuros, os mesmo cabelos castanhos escuro quase pretos e o nariz... Deus! Ela podia ser minha mãe! Ou uma irmã mais velha. E o Homem com cabelos de cobre...
A imagem dele vindo em direção ao elevador ficou guardada em minha mente. Ele tentava me alcançar, mas era como... Não sei... Como se estivesse tentando perseguir um sonho ou uma miragem... O desespero de sua face era como se eu fosse sumir ou morrer...
Surpresa Bella! Você sumiu.
Fugiu a muito covarde.
Passei as mãos pelos cabelos. Respirei fundo. Eu tinha que voltar lá... Tinha que ter coragem de enfrentá-los. De enfrentar a mim mesma, ou melhor, ao meu “eu” do passado. Já ia me levantar quando o meu celular toca na bolsa.
Atendi imediatamente já sabendo que era Alice. Só Ela e os meus médicos tinham esse número. Nem falei alô direito e Alice veio atropelando.
- Bella? Onde você está sua louca! Eu mandei você me esperar ao lado do prédio. Você tem noção do pulo que deu meu coração quando vi que você não estava lá?!
- Calma Alice... Eu precisava de um pouco de ar, estou no parque do outro lado da avenida. Eu já estava voltando mesmo... -pigarrei-Você... Hum... Você falou com a mulher ou com cara lá do apartamento?
-Ah eu... Rum-Agora foi ela quem pigarreou- sim... Na verdade eu estou com eles aqui em baixo no saguão e nós nos falamos por alto... Você não vai acreditar no que eles me contaram... O que?- Ela parou de falar e obviamente estava falando com alguém perto dela. Depois de um momento ela voltou ao fone- Bella amiga, vem pra cá que todos precisam ter uma boa conversa. Há muitas coisas que tem que ser ditas. Vem caminhando que eu tô indo ao seu encontro e voltamos juntas.
-Ok. Mas Alice... Todas aquelas pessoas...
-Já foram embora Bella, ou pelo menos a maioria, depois da confusão que arrumamos só ficou a família aqui. Respira fundo e vem que eu estou indo ao seu encontro.
-Ok.
A noite já caía e o parque que antes foi tão acolhedor já começava a ficar com aspecto de lugar perigoso. Andei até a beira da grama e depois coloquei os sapatos para andar pelo calçamento. Atravessei a rua e virei a esquina dando de cara com Alice. Ela nem me esperou falar e já se atirou em meus braços me abraçando. Retribuí porque estava precisando muito de conforto nesse momento. Separamo-nos e ela pegou em minhas mãos.
-Olha... Não vou te enganar pelo que andei escutando por alto esse vai ser um encontro difícil... mais difícil do já imaginávamos. Para você e para eles. Mas eu quero que você respire e lembre-se que eu estou do seu lado. Independente de qualquer coisa ok?
-Ok. -Respirei fundo- Amo você Lice. Obrigada.
-Nada amiga. Lembre- se: Respira fundo e mantenha a calma.
Nos viramos e fomos caminhando de braços dados em direção ao prédio. Do lado de fora, na calçada, ainda estava o porteiro mais velho junto a um senhor, que eu reconheci como sendo um dos que estavam parados ao centro da sala no apartamento. Alice acenou com firmeza e nos encaminhou até eles. Paramos enfrente a eles.
-Senhorita Brandon- O homem a cumprimentou e se virou pra mim- Isabella.- Ele também tinha um brilho estranho nos olhos, embora fosse muito bem controlado -Como já disse antes à senhorita Brandon eu me chamo Carlisle Cullen. Eu vou acompanha-las até em cima de novo, vamos. — Ele fez um gesto para que fossemos na frente.
Nós seguimos e entramos os três no elevador, já que os funcionários ficaram em baixo. Um silêncio desconfortável se instalou assim que as portas se fecharam. Nem Alice que sempre sabe o que falar ousou tecer algum comentário. Após um minuto ou dois eu pigarrei e tentei me desculpar.
-Eu... Hum... Sinto termos estragado a sua festa. Nós deveríamos ter vindo outro dia.
O homem deu um sorriso estranho, como se estivesse apreciando uma piada que só ele conhecesse.
-Está tudo bem. O seu senso de oportunidade foi perfeito na verdade. Ou quase perfeito eu diria.
Antes de eu ter tempo de perguntar o elevador abriu e ele saiu fazendo gesto para o seguirmos. De mãos dadas com Alice voltei em direção ao salão onde toda a confusão aconteceu apenas meia hora antes.
A casa estava vazia. Ou era o que eu pensei, até que ouvi vozes vindo de um cômodo a frente. Continuamos seguindo o Senhor Cullen até chegarmos à outra sala, que na verdade era como uma biblioteca. Era uma sala também grande, com uma lareira e dois sofás num canto e algumas instantes com livros e outros objetos no outro lado. Visualizei bem o interior antes de entrar completamente para tentar ter uma noção do que esperar ao ultrapassar essas portas.
No canto mais afastado em um dos sofás havia três mulheres, duas de um lado e uma mais afastada. A loira do piano tinha os braços em volta de uma senhora mais velha que eu reconheci como sendo o “casal” do senhor que nos acompanhou até aqui.
A moça sozinha era a loira do centro da sala. Ela sentava ereta e rígida, mas estava extremamente pálida, embora mantivesse de certa forma a compostura.
O homem de cabelos de cobre estava parado discutindo algo com outros dois homens, um moreno forte que se parecia bem com ele e um loiro alto. Os três pareciam bastante nervosos. Não vi a mulher que vinha em minha direção na festa e tive vontade de perguntar por ela, mas me contive, depois eu iria procurar saber quem é ela. A discussão cessou no momento em que pisamos na sala de novo. Mais uma vez ouve um momento de silêncio e paralisia, quebrado quando a loira do piano soltou à senhora e se levantou. Em seguida ela veio caminhando lentamente até mim até parar na minha frente. Ficamos por mais uns segundos apenas nos olhando. Lágrimas silenciosas escorreram pelo seu rosto perfeito. E eu a olhava tentando alcançar a emoção que ela sentia, tentando associar esse rosto lindo a uma lembrança ou algo, mas nada me vinha à mente.
Ela deu mais um passo a frente e me abraçou.
-Oh meu Deus... É você mesma...
Eu meio que sem saber o que fazer fiquei parada esperando ela me soltar. Por fim ela me soltou passando a mão pelo rosto para enxugar as lágrimas.
-Desculpe. O tio Carl disse para nós que você não nos reconhece é só... é só que é... Muita emoção ver você depois... Depois de...
-Ok Rosalie. Vamos deixar as meninas se sentarem que todos precisamos de esclarecimentos aqui. Não só nós como elas também. -O Senhor Cullen controlou a situação e nos encaminhou até o sofá. Os outros homens também sentaram em cadeiras ao redor, e embora estivéssemos todos sentados quietos o clima tenso pairava no ar.
Um minuto depois sobreveio uma confusão de vozes quando todos resolveram falar ao mesmo tempo. Eu não entendi muito, eram muitas vozes misturadas perguntando “Por quê?”, “Onde”, “quando”, “o que aconteceu?”.
-Chegaaaaaaaa!-Para acrescentar mais um constrangimento à minha lista infinita de hoje quem gritou foi Alice, que logo se pôs de pé como se fosse a dona da casa. Quando todos se calaram ela continuou- Eu entendo que vocês estejam curiosos, nervosos e até emotivos- Ela fez uma pequena pausa- Mas entendam que também não é nada fácil para nós, ou melhor, para a Bella estar aqui hoje. Então vamos nos acalmar e conversar civilizadamente. — Ela fez outra pausa só pra dar efeito antes de continuar e não pude evitar morder os lábios para prender a risada. Era engraçado ver a pequena Alice colocar um bando marmanjos no chinelo. Meus olhos cruzaram rapidamente a sala a procuro do homem de cabelos de cobre, mas assim que encontrei seu olhar os desviei voltando-os à Alice. Seu olhar era muito intenso. Queimava-me. Alice prosseguiu-Entãooooo, vamos organizar. Nós começamos ou vocês começam?- Ela falou se dirigindo ao senhor que nos trouxe.
-Você está absolutamente certa querida- Ele falou afavelmente- Creio que todos estão um pouco ansiosos. Vamos começar com o acidente que a Bella sofreu. Porque não nos contam sobre ele?
-Okey. Nós começamos. — Alice prosseguiu. -Bella?
Ela passou a bola pra mim, sabendo que era importante eu participar do momento.
Pigarrei.
-Bom... Há quase dois anos ouve um acidente bem... Feio na ponte de Seattle. Eu e Alice estávamos nesse acidente. -Os homens trocaram um olhar estranho, mas me deixaram prosseguir sem interromper- Os nossos carros explodiram pouco depois de sermos retiradas- Falei e apertei à mão de Alice- Falando francamente, temos muita sorte de estarmos vivas- A loira frígida soltou um bufo no canto e foi fuzilada com os olhos por toda a família. A ignorei e continuei. -Eu sobrevivi, mas fiquei em coma por mais de um ano. E quando acordei o que, já faz um ano?-Perguntei a Alice ao meu lado. Deus! O tempo passou tão rápido... -Enfim... Acordei para descobrir que eu não tinha memória e que..-olhei em volta-Aparentemente também não tinha ninguém.
O homem de cabelos de bronze fechou os olhos e baixou a cabeça nas mãos e a loira apertou os punhos enquanto o marmanjo grandão soltava um ”foda” baixinho. Não me deixei intimidar pelas reações e continuei.
-Alice cuidou de mim. Ela me visitava desde antes de eu acordar e assim que o fiz nós nos tornamos grandes amigas. Ela me acompanhou pelos meses infinitos de fisioterapia e por outros tantos meses de busca. -Puxei um saquinho de veludo da minha bolsa e tirei dele a pulseira e o cordão coma aliança. -Os médicos me chamaram Isabella por causa dessa pulseira. E... Nós chegamos até aqui por causa desse anel... Dessa... Aliança. — levantei a aliança em meus dedos. -Nós procuramos por Cullens que tivessem o primeiro nome começado pela letra E. -Fiz uma pausa- Viemos falar com Edward Cullen e com Emmet Cullen na esperança que um deles ou os dois soubessem quem eu sou, ou melhor, quem eu fui antes do acidente.
O homem de cabelos de cobre então se levantou, e andou devagar até a minha frente até parar. O resto das pessoas prenderam o ar, e eu involuntariamente o fiz também.
Deus ele era incrivelmente lindo...
-Eu sou Edward Cullen- Ele falou e delicadamente tirou a Aliança da minha mão. Com sua outra mão ele tomou a minha mão esquerda. — E você é Isabella Cullen — Ele colocou o aro no meu dedo anelar e permaneceu segurando a minha mão-Minha esposa.
Eu olhei da Aliança, que milagrosamente ficou perfeita no meu dedo, para o rosto dele que estava só a milímetros de distância.
Puta merda... Respira Isabella... respira...
Ainda estava tentando achar um equilíbrio na situação quando a loira fria levantou-se de supetão.
-Ex- esposa Edward. Eu é que sou sua esposa agora ou você esqueceu que se casou comigo depois?
A loira do piano se levantou também-
-E a palavra chave nessa frase é “depois”! Tecnicamente a esposa dele é a Bella não é certo Emmett?-Ela perguntou para o grandão que estava no fundo da sala. Ele se levantou.
-Bem...Isso depende Rose. Pelo o que eu tô vendo o caso é complicado...
-Peraí um minutinho-Alice esbravejou e levantou também-Quer dizer que mesmo estando casado com a Bella você foi e se casou com essa outrazinha...
-Outrazinha uma conversa... -A loira, que pelo jeito estava a ponto de perder a frieza se voltou para discutir com Alice...
-Victória chega. -Edward falou ríspido e a mulherzinha imediatamente deteve a réplica e apertou os lábios em desgosto.
Ele se virou pra nós.
-Eu pensei... Todos acreditamos que você estava morta, Isabella. Eu até agora não consigo entender o que aconteceu...
O senhor Cullen interrompeu a todos acalmando os ânimos.
-Você contou a todos o resumo do que aconteceu com você Isabella. -Ele falou em direção a mim, mas com aquele tom que impõe respeito e ninguém ousou abrir a boca pra continuar a discutir. Logo continuou- Que tal agora você ouvir o outro lado da estória? Será que você poderia nos escutar por alguns minutos sem julgar?-Ele olhou para Alice- Será que vocês podem?
Nós nos olhamos e concordamos, embora Alice me pareceu muito contrariada. Sentamo-nos de volta.
-Edward filho, vamos esclarecer um pouco as coisas para a Bella. Conte-nos o que aconteceu naquele dia a dois anos atrás quando nós pensamos que ela estava... Enfim...
Edward entendeu a deixa e continuou.
-A nossa empresa tinha um contrato importante para ser fechado em Boston naquele dia, Emmet deveria ir, mas Rosalie passou mal e ele pediu para que eu fosse- Ele fechou os olhos, mas logo rapidamente os abriu- Eu te falei que eu ia ter que viajar as pressas e nós discutimos... Brigamos e foi... Bem feio- Ele fez uma pausa com os olhos angustiados-Eu fui e voltei no mesmo dia. Quando eu cheguei em casa, aqui, você não estava. Eu achei um bilhete seu em cima da nossa cama dizendo que você recebeu um telefonema do Canadá a respeito do seu pai, ele tinha infartado e estava nas últimas. Você e seu pai não eram próximos, mas você tinha... Você tem um coração enorme e foi correndo para o aeroporto. -Ele engolio em seco. -Antes de ir você anotou o número do voo e o horário, bem como o telefone do hotel em que fez a reserva por telefone.
Olhei pra ele em expectativa, presa na estória. Quando ele baixou a cabeça e ficou em silêncio engasgado com as palavras eu incentivei.
-E...
-E... — Ele levantou a cabeça- E o avião caiu Isabella- ele fez uma pausa- O avião em que você supostamente estava caiu.
Okeyyyyyyyyyyyyyy... Então tá...
Absurdamente nesse momento fiquei feliz. Durante todo o tempo desde que eu acordei, eu me sentia uma estúpida por estar me esforçando e correndo atrás de pessoas que não deram a mínima pra mim. Agora que eu descobri que não é que eles não se importaram comigo, eles apenas não imaginavam que eu estava viva. Eu fui querida um dia. Amada. Eu não era uma completa perdedora, isso era um alívio. Mas e agora? Como ia ser?
Alooou? Eu Isabella estou viva yuppie!!!
Mas...
Não me lembro de nenhum de vocês
E ainda tinha que encarar o fato de que o meu marido estava casado com outra.
Meleca...
Yeah estar viva era o máximo...
-Vocês verificaram mesmo o voo?- Alice perguntou com uma pontada de descrença- Porque alooouu é óbvio que ela não embarcou nele.
Edward olhou para ela com uma cara azeda.
-Eu por acaso tenho cara de estúpido? Óbvio que eu verifiquei várias vezes. Eu não queria acreditar que ela... — Ele respirou- O nome dela constava na lista e ela fez o checape. Eu não entendo o que aconteceu- Ele falou com genuína confusão- A bagagem dela até estava junto com os destroços... O que sobrou da bagagem dela... A mala tinha uma plaquinha de ouro com o nome dela, por isso foi uma das poucas que foram identificáveis...não sobrou praticamente nada, mas a placa era inconfundível...e...e...-Ele calou passando a mão nos cabelos com violência num gesto exasperado.
Quase sem perceber levantei e segurei sua mão tentando confortá-lo.
-Está tudo bem... Você fez o que podia. Não foi sua culpa. — Ele apertou minha mão de volta e fez um movimento como se fosse entrelaçar os nossos dedos, mas percebi a intenção antes e delicadamente soltei sua mão. Sentei-me novamente.
-Então... Eu deveria estar num avião que saia de NY rumo ao Canadá, mas de alguma forma acabei num carro numa ponte em Seattle... Embora ninguém faça ideia do porque disso e eu muito menos- Suspirei- Bem... Poderia ser pior... Eu poderia estar mesmo naquele avião né?! Suponho que sou uma pessoa bem sortuda... Sobrevivi a dois acidentes mortais no mesmo dia, perder a memória é o de menos- Falei tentando brincar e aliviar o clima.
Meu estômago doeu de fome e olhei disfarçadamente as horas já eram quase nove e eu já estava exausta.
Caramba... Eram tantas coisas que tinham que ser esclarecidas...
-A mulher... A que me chamava e chorava mais cedo quem é ela?- Perguntei.
-Ela é sua tia. Mas é mais como se fosse uma mãe desde que ela te criou desde que você era uma criança, seu nome é Claire. Ela teve uma queda de pressão e eu pedi ao meu médico e ao meu motorista que a levassem até em casa. Não se preocupe que não foi nada grave. Ela esperneou um pouco mais eu fiquei e dar notícias suas pra ela. — O senhor Cullen falou.
-Hum... Ok. Você pode me dar o telefone dela? Eu gostaria de ligar para ela amanhã.
-Claro querida, eu só peço que você ligue na parte da tarde. Eu quero conversar com ela antes dela falar com você. Sabe como é... Prepará-la. Afinal não queremos que ela passe mal de novo né?! — Ele falou e me estendeu um cartão que pegou num móvel ao lado.
-Claro que não -peguei o cartão- Obrigada.
Hesitei um pouco, mas logo tirei um cartão meu da bolsa e me virei para Edward.
-Nós obviamente ainda temos que conversar algumas coisas, mas eu confesso que estou exausta. — Ofereci o cartão a ele- Sei que você é muito ocupado, mas se você puder arranjar uma hora para conversarmos eu gostaria muito. — Dei o cartão a ele – E se você ainda tiver algumas coisas minhas, como fotos ou vídeos eu gostaria muito de vê-los também.
-Eu tenho. E vou te ligar amanhã para conversarmos mais.
Ouvi os dentes da esposa, ou melhor, da outra esposa dele trincarem de longe.
Eu e Alice nos levantamos.
-Eu levo vocês até o hotel. — Ele completou, mas a tal da Victória se levantou.
-Sem chance.
Ele ia falar alguma coisa mais um olhar do Cullen pai o fez reconsiderar. O grandão se levantou.
-Eu e Rose levamos elas. À propósito você não se lembra, mas me adorava, eu sou Emmet Cullen- Ele estendeu- Seu cunhado e amigo, além de quebra galho e parceiro de crimes. — Falou com um sorrisão.
Não pude evitar corresponder.
-A Rose aqui- ele falou abraçando a loira do piano- é minha esposa e também sua melhor amiga- ele olhou para Alice- bem era sua melhor amiga, agora eu acredito que ela vai ter que dividir o posto estou certo baixinha?-Ele falou na maior intimidade com Alice, que não levou a mal e sorriu.
-Pode apostar grandão.
Rose riu e a cumprimentou para em seguida me abraçar de novo.
-O loiro no canto afastado é o Jasper, meu irmão e amigo dos meninos. Essa aqui- ela falou puxando a senhora- É Esme mãe de Edward e Emmet.
A senhora cumprimentou Alice e me puxou para um abraço.
-Independente de qualquer coisa, estou muito feliz por tudo ter acontecido do jeito que aconteceu, caso contrário você hoje não estaria mais entre nós. Bem vinda de volta minha filha.
-Hum... Obrigada. Eu acho.
Fui poupada de uma apresentação tardia à mulher do meu marido, por que a mesma já tinha se retirado na confusão.
Obrigada Deus!
Descemos e passamos pela portaria sob o olhar assombrado de várias pessoas que chegavam ao lobby.
15 minutos depois estávamos entrando no quarto do hotel. Rose e Emmet ainda conosco já que insistiram em nos levar até a porta. Durante todo esse tempo todos mantivemos as conversas em nível superficial para desestressar o dia, mas ao chegar ao quarto uma curiosidade mórbida me tocou.
-Rose?
-Hum.
-Eu tive um enterro?- Alice, que estava indo em direção ao quarto conjugado ao me ouvir virou na mesma hora em nossa direção, a mesma curiosidade mórbida expressa em seu semblante. — Quer dizer... Eu sei que vocês não tiveram corpo, mas enfim... Tem uma lápide em algum lugar com o meu nome?
-Na verdade tem. Nós fizemos uma pequena cerimonia e você tem um túmulo lindíssimo no cemitério de Manhattam.
Alice sorriu.
-Isso nós temos que ver heim Bella! Podemos ir lá amanhã depois do almoço. E Rosalie pode ir com a gente não pode?- Rosalie sorriu do entusiasmo infantil de Alice, o que tinha feito muito no caminho para cá, era óbvio que ela e Alice se gostaram de cara.
-Claro, assim podemos conversar mais, ver fotos. Eu quero ajudar a Bella a se lembrar de nós- Ela falou sorrindo, mas logo seu sorriso foi morrendo- Mas caso isso não aconteça eu... Gostaria de tentar ser sua amiga de novo...
-Eu adoraria Rose- a cortei.
Ela sorriu
-Bom vou indo que vocês estão claramente exaustas e eu francamente também estou cansada. Amanhã ligo para o hotel para marcar qualquer coisa ok?!
-Ok. — Falei.
Ela se despediu e foi embora seguida por Emmet.
Quando a porta se fechou fui até a cama e sentei-me agarrando um travesseiro e virei-me para Alice.
-Uau... — Que história- Pensei.
-Eu sei... — Ela respondeu e depois abriu um sorriso sacana- Seu marido é gostoso hein?!
Ri e taquei o travesseiro nela.
-Ele não é meu marido... Não mais de qualquer forma. Ele casou com a loira, a tal Victória.
Ele fez um gesto com a mão como quem tira a importância do assunto.
-Bobagem o homem tá na sua. Tá na cara. Caso perdido de amor eterno. Qualquer um pode ver.
-Amor eterno que não esperou um ano para se envolver com outra. Viu o que o Emmet deixou escapar no carro? Embora ele tenha se casado de novo só há três meses eles já estavam envolvidos há mais de um ano!
-Não foi bem assim Bella, o que ele deu a entender foi que a biscate já perseguia seu marido há mais de um ano, principalmente com a desculpa de “dar consolo”- ela fez aspas com as mãos- E tanto fez que conseguiu pescar o bonitão.
-Sim... — Debochei-... Deve ter sido realmente difícil pesca-lo — falei com um pouquinho de amargura. Não pude evita me sentir um pouco decepcionada por ter sido “substituída” com tanta facilidade.
-Olha Bella- Ela falou sentando-se ao meu lado da cama- Se tem uma lição que eu tirei de tudo isso é que nem tudo é o que parece. Acho bom você “conhecer” primeiro o seu marido antes de julgá-lo.
-Ok, ok, Você está certa. Eu tô exausta, até a minha fome passou, só quero um banho e cama, com licença- Falei e segui para o banheiro.
Despi-me em tempo recorde e me meti na ducha quente. Quando a agua caiu em meu pescoço soltei um gemido de prazer.
Delícia...
Ainda ficava tantas questões á resolver... O que houve com meu pai? Ele morreu? Se recuperou? Será que os Cullens conhecem o tal Daniel que me alugou um carro? Em que eu me formei? Eu trabalhava? Qual era meu segundo nome?
Questões importantes que na confusão ficaram esquecidas.
Independente dos percalços no caminho eu estava feliz de ter encontrado o meu “passado”.
Agora o problema seria encontrar um equilíbrio entre a Isabella do passado e Isabella de agora.
Mas isso eu trabalharia mais tarde.
Bem mais tarde...
Agora eu definitivamente iria dormir umas dez horas diretas. E me preparar para as emoções de amanhã. Afinal não é todo dia em que uma pessoa tem a oportunidade de visitar seu próprio túmulo...
Notas finais
O que acharam da trama?
Gostaram? Não? Opinem!!!
Estou aqui é para escutar vcs!
Agradecimentos especiais a essas três pessoas lindas que com só dois capítulos de fic já recomendaram a estória.
COLORADA
ANA_CANDEO
DEBORA_PAULA
Todas as três minhas leitora e amigas já faz tempo.Obrigada fofas!Adoro vcs!
Bjuxxxxxxxx
E até o próximo cap.
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