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7 Dama de gelo 10 x Dama de fogo 0
Notas iniciais
Esse capítulo foi um problemão pra sair...
Mais uma vez pensei em escrever uma coisa e no final saiu outra.
Ainda tentei escrever do jeito que eu queria mil vezes mais a história cismava e cair para esse lado então vamos ver que confusão vai sair disso tudo.
Essa é meio que uma fic de mistério então tenham um pouquinho de paciência que devagarzinho vamos descobrir as coisas, mas... Vamos fazê-lo junto com a Bella por isso talvez os principais mistérios não sejam revelados tão logo. Veremos...
Esse capítulo segue a linha dos outros anteriores esclarece um ponto mais cria outros tantos a desvendar.
Espero que gostem!
Boa leitura!
Dia novo. Vida nova.
Literalmente.
Ontem eu era apenas Isabella, uma mulher sem sobrenome e sem passado.
Hoje eu sou Isabella Marie Swan Cullen.
Isabella Cullen pra resumir meu novo título.
Título esse que agora me pertencia novamente de acordo com a papelada em minhas mãos.
Olhei aos papéis pela vigésima vez antes de guardá-los na pasta. E colocar a pasta na gaveta.
Três dias tinham se passado desde aquele dia em que Edward e eu tivemos a nossa primeira conversa no apartamento.
Três dias que passaram em agitação constante.
Primeiro por causa da mudança.
Após um dia inteiro de deliberação de prós e contras, eu e Alice finalmente decidimos que seria realmente uma boa ideia nos mudarmos para o apartamento de Edward.
Ou deveria dizer nosso apartamento?
Enfim... Passamos toda a manhã de ontem nisso, porque embora não houvesse muito que levar de um local ao outro, havia uma serie de pequenos detalhes que requereram nossa atenção. Tais como contatar os milhares de agentes financeiros da Alice para informar a mudança de endereço ou fechar a conta do hotel. Coisas desse tipo.
Bem... Passada a parte da mudança de hospedagem chegou a hora de nos ocuparmos da mudança da minha documentação.
Passei oficialmente de Morta a não morta.
Os advogados de Edward, que a propósito era liderados por Emmet, cuidaram de praticamente tudo, mas ainda assim tive que prestar algumas declarações pra esclarecer todo o ocorrido, além de apresentar a minha documentação do hospital para que não houvesse dúvidas da minha versão da realidade.
O juiz que oficializou toda a papelada, por coincidência, era um amigo da minha tia Claire (A qual eu ainda não conhecia) e facilitou e muito todo o processo porque ao que parece já me conhecia há muito tempo.
Segundo Rosalie me falou ele até esteve em meu funeral.
Trágico né?!...Ou não,mas enfim...
Voltando ao que interessa...
Então hoje eu estava aqui com identificação e número de seguro social renovados, além de claro um novo documento reatestando a legalidade do meu casamento com Edward, seguido de outro papel em constatava a anulação do outro casamento do Edward.
Edward fez questão que eu ficasse com uma cópia dos dois, como se pra me provar que toda essa estória de casamento era real mesmo.
E Putz...Era mesmo real.
Eu era casada.
Oficialmente claro, porque extra-oficialmente eu Edward estávamos ainda naquela fase estranha de pós-primeiro encontro.
Olhei no relógio, já era quase duas da tarde.
Já fazia um dia e algumas horas que morávamos juntos, mas eu ainda não o vi desde que estivemos juntos em frente ao juiz anteontem.
Eu sentia que ele estava extremamente feliz, mas às vezes também me pareceu detectar uma ponta de preocupação em seu rosto perfeito. Talvez essa preocupação tivesse haver com sua outra esposa...ops...ex-esposa Victória...Ou talvez tivesse haver comigo mesmo, mas eu francamente não queria pensar nisso agora.
No primeiro dia que se seguiu a redescoberta da minha identidade eu pensei tanto e em tantos assuntos diferentes que eu pensei que iria pirar...
Mas depois eu resolvi meio que ir levando a vida, seguindo a maré sem me preocupar excessivamente com nada. Já que isso não ajudava em nada.
Não importa o quanto eu me preocupasse ou forçasse os meus pensamentos, nada adiantava.
A minha memória não voltava e os meus problemas não se solucionavam então pra que sofrer mais do que o necessário né?!
Então eu estava assim... Indo pela maré.
Hoje eu e Edward jantaríamos a sós aqui no apartamento. Seria uma espécie de encontro, mas aqui em casa mesmo.
Ideia de Alice claro, que Edward acatou com muito entusiasmo e eu não tive alternativa se não acatar também.
Hoje Edward e eu daríamos mais um passo na nossa reaproximação e eu sinceramente esperava que esse passo culminasse em um beijo como o que nós demos há uns dias atrás.
Caramba esse beijo não me saía da cabeça.
Foi tão bom...
-Pronta?
Voltei à realidade bruscamente, quando Alice apareceu na porta do meu quarto. Peguei meu diário, onde cada dia eu escrevia uma nota ou duas, e o guardei na gaveta da minha mesa de cabeceira. Edward me instalou no “nosso quarto” enquanto ele foi para um de hóspedes no final do corredor.
Acho que ele tinha a esperança que o ambiente familiar me ajudasse melhor a lembrar dele e... De tudo mais, mas até agora nada.
Nem um flash ou dejavú.
Mas... Eu estava aqui a bem pouco tempo então acho que ainda havia esperança.
Levantei e peguei minha bolsa.
-Ponta. -Afirmei e armei-me de coragem e segui Alice pelo corredor em direção as escadas.
Estávamos de saída para a próxima parada do “meu retorno” como Isabella Cullen.
A última parada eu creio.
A minha tia Claire.
Edward queria nos acompanhar, mas um compromisso de última hora o prendeu e ficamos de nos ver no jantar mesmo, então seríamos eu e Alice que abençoada seja desmarcou outra grande reunião para me acompanhar.
Uns minutos depois estávamos em meu carro (segundo Edward...), mas era Alice quem dirigia a grande Mercedes prata.
O nosso encontro com a tia Claire foi marcado previamente por Rosalie, que também estaria presente, por isso eu estava mais tranquila a respeito do que esperar dessa tarde. Tia Claire já estava por dentro da história toda através da família Cullen, então acho que não haveria tanto drama essa tarde como ouve em nosso “quase” primeiro encontro.
O porteiro do prédio onde ela morava nos deu passe livre, mesmo me olhando com certo ar de incômodo. Juro que fiquei esperando ele fazer o sinal da cruz assim que passássemos mais ele se manteve estoico até que estivemos no elevador.
Só depois que já estava no elevador é que um ventinho frio se instalou em meu estômago, mas como vinha fazendo nesses últimos anos de pós-coma enfrentaria mais essa situação com a cara e com a coragem.
A porta do apartamento nos foi aberta por uma espécie de mordomo, um senhor na casa dos sessenta bem vestido e com um ar empertigado. Ele me olhou fixamente por um momento antes de se recompor completamente, quer dizer, mais ou menos já que ainda havia um pouco de agua em seus olhos quando nos encaminhou à sala, onde Rosalie e a minha tia Claire nos esperava.
Assim que entramos, elas se levantaram, enquanto eu e Alice nos aproximávamos até estarmos de frente pra elas.
A minha tia era uma mulher bem bonita, daquele tipo que mesmo estando na casa dos sessenta não parecia ter passado da casa dos quarenta. Acho que muito disso era culpa da sua postura elegante ou do seu sorriso doce.
Ela me olhava com olhos emocionados e eu esperava que o nosso primeiro encontro fosse algo semelhante ao que aconteceu comigo e com Rosalie, mas ela me surpreendeu ao simplesmente pegar minhas mãos, aperta-las e me dar um olhar de preocupação maternal.
-Como você está minha querida?
-Bem eu acho- Respondi meio encabulada -Sabe como é... Um passo de cada vez.
-Entendo. Vamos todas nos sentar um pouco?-Ela perguntou e nos encaminhou para os sofás um pouco mais atrás. -Eu sou Claire aliás- Ela falou mais para Alice do que pra mim.-Tia Claire como as meninas aqui costumam me chamar. -Ele indicou a Rosalie com a cabeça ao falar isso .-Ficaria muito feliz se você me chamasse assim também Alice.
-Eu vou então tia Claire. -Alice deu um sorriso simpático pra ela.
Ótimo se é amiga da minha Isabella é parte da família também.
-Obrigada-Ela reiterou.
-Mas me diga minha querida-Ela se voltou pra mim-Carlisle me contou tudo o que aconteceu com você e Rosalie complementou a história agora pouco. Que loucura... Deve estar sendo bem difícil pra você Isabella.
-Um pouco- Admiti sendo sincera — Mais em geral prefiro ser otimista e pensar que poderia ser pior... Eu tenho sorte em estar viva, não só por não ter estado naquele avião, mas por ter sobrevivido a um acidente terrível e a um coma complicado, então procuro não ficar me lamentando pela perda da minha memória.
Rosalie sorriu- O copo sempre está meio cheio rã?!Você não mudou nada mesmo...
Sorri de volta.
-Talvez não mesmo... -Voltei minha atenção para a minha tia -É óbvio que é angustiante não ter acesso ao meu passado... Caramba! Eu daria algo por me lembrar do dia do meu casamento!-Brinquei com a aliança em meu dedo e prossegui- Mais eu estou bastante otimista agora que encontrei vocês que eu ainda vá recuperar todas essas lembranças perdidas.
-Eu também estou otimista minha filha. Eu também. -Ela falou e apertou minha mão- Mais o que os médicos dizem disso tudo?
-Eles dizem que meu cérebro aparentemente está normal, mas como já se passou bastante tempo desde que acordei do coma eles não estão muito otimistas.
-Entendo. Eu quero fazer tudo o que puder pra te ajudar a lembrar, mas quero que saiba que independente de você lembrar ou não, eu ainda estarei aqui pra vc. Sempre. E eu espero... Que mesmo se você não se lembrar... De mim... -Ela começou a se emocionar-Eu espero... Espero que você ainda me deixe fazer parte da sua vida.
Os seus olhos eram tão sinceros que por muito pouco não me emocionei junto.
-Eu ficaria feliz-Depois de uma ligeira pausa emendei — Tia Claire.
Ela levantou e veio até mim me estendendo os braços. Eu prontamente me pus de pé e acolhi o abraço. Após esse momento o gelo entre nós meio que se quebrou e prosseguimos a conversa se não como família pelo menos como grandes amigas.
A tia Claire se dispôs a nos contar toda a minha história desde o dia em que cheguei a sua casa acompanhada do meu pai aos oito anos até o dia em que saí de casa para me casar com Edward aos 19. Nós, claro, acatamos a ideia e passamos o resto da tarde em meio à histórias e fotografias.
-Eu me casei meio cedo não?-Perguntei quando ela chegou à parte do casamento.
-É verdade. Eu no início protestei um pouco lembra Rosalie?
-Ô se lembro. -Rosalie confirmou- Acho que foi uma das poucas vezes em que vocês brigaram né tia Claire?
-Verdade, mas não chegou bem a ser uma briga... Eu só achava que a Bella era nova demais pra casar. Queria que ela esperasse ainda alguns anos, terminasse a faculdade, viajasse um pouco mais e tal. Curtisse um pouco a solteirice sabe? Mais foi impossível negociar com você ou com Edward. Vocês se amavam tanto e estavam tão felizes que eu não tive muita escolha a não ser aceitar a sua vontade Bella. O que devo dizer não me pareceu uma escolha errada depois que eu vi como vocês formaram um casamento feliz após.
Olhei nostalgicamente para a foto em minhas mãos.
A foto do meu casamento com Edward.
Ele estava atrás de mim com um braço enlaçando minha cintura. Eu estava linda em um vestido de noiva clássico, mais simples feito em seda adornado com pequenas pérolas. Ambos sorríamos com brilhos nos olhos.
-Eu posso levar essa foto?-Perguntei meio relutante em deixar a foto pra trás.
-Poder pode minha querida, mas você tem um álbum cheinho delas na sua casa. Se eu não me engano estão no armário do fundo no seu closet, ou pelo menos estavam a última vez em que vimos essas fotos juntas.
-Ah... -Devolvi a foto para a pilha-Eu ainda não tive tempo de explorar tudo...Só vai fazer dois dias em que estamos lá...
-Eu sei querida. Pode levar essa foto se quiser. Eu tenho mais lá dentro. Depois você procura as suas com calma.
Peguei a foto de novo.
-Obrigada.
Seguimos por mais uma hora assim até que o mordomo da tia Claire veio anunciar que o Jasper, irmão da Rosalie, nos aguardava lá em baixo.
-Ah...-Rosalie falou-Eu falei com ele Alice, se ele poderia arrumar uma horinha pra conversar com você hoje, mas ele ficou de me avisar, não sabia que ele ia vir direto aqui.
Ela olhou no relógio, já passavam um pouco das cinco.
-Não faz mal, já está quase na hora de irmos mesmo. Bella tem um compromisso importante e eu vou ter todo o tempo do mundo pra conversar com seu irmão agora.
-Conversar?-Perguntei perdida no bate-papo delas.
-É o irmão da Rose é consultor financeiro, Bella. Ele vai poder me dar uma luz a respeito dos meus investimentos aqui de NY. Eu estou francamente cansada da dor de cabeça que eles veem me dando. -Ela falou séria e eu teria ficado seriamente preocupada com ela se no final ela não tivesse piscado.
-Acho melhor irmos então. -Falei e me levantei- Eu já estava de saída mesmo.
Todas pegaram nossas respectivas bolsas e começamos o ritual da despedida.
-Lembre-se querida, que estou aqui para o que precisar.
-Obrigada, tia Claire. Eu volto um outro dia.
-Espero que sim querida — Ela me beijou e logo foi se despedindo das outras, nos acompanhando até a porta.
Entramos as três no elevador.
-Ham... Rosalie... Você me da uma carona pra casa? Assim Alice pode ficar tranquila com relação ao encontro dela com seu irmão.
-Bella... -Alice já ia protestar, mas Rosalie a cortou.
-Tudo bem Alice. Eu levo a Bella. Eu estou indo pra casa mesmo. Não me custa nada e você pode realmente dar atenção aos seus... Hum... Assuntos com o meu irmão. -Ela terminou prendendo a risada.
-Ok, já que vocês insistem... -Ela sorriu.
Rolei os olhos.
-Certo. Certo.
Uns minutos após eu e Rosalie estávamos em seu carro em direção à casa depois de um rápido encontro com Jasper no andar térreo do prédio da tia Claire.
Chegamos rapidamente e após sairmos do carro, Rosalie ainda me acompanhou até a portaria do meu prédio antes de se despedir de mim.
-Eu essa noite estou viajando com o Emmet e devo ficar todo o final de semana fora, mas vou deixar o celular ligado, qualquer coisa é só me ligar.
-Pode deixar, Rose- a abracei -Vai de avião?-Perguntei curiosa.
Ela estremeceu.
-Vou. Eu acho. Emmet e eu temos conversado e acho que já está na hora de eu enfrentar esse medo de voar. Depois da sua volta eu me sinto um pouco menos apavorada com a ideia de voar. Eu já estou cansada de ficar pra trás toda vez que ele tem que ir.
Segurei sua mão.
-Isso mesmo Rose. Não deixe que esse medo paralise você.
-Você não tem medo de tentar dirigir após o acidente?-Ela perguntou curiosa.
-Ter eu tenho. -Falei refletindo sobre a questão- Mas o meu medo é de não lembrar como se dirige, embora tecnicamente essa parte do meu cérebro deva estar boa já que eu lembro como andar de bicicleta ou comer. Dirigir está na mesma categoria né?!Mais sei lá... Ainda não sei se quero tentar. Pelo menos por agora.
-Entendo. Se você quiser quando eu voltar te levo de novo ao curso de direção que fizemos antes, quando erámos mais novas. O que acha? Você pode começar a aprender de novo desde o começo. NY é uma cidade muito grande pra você ficar andando só a pé ou de taxis o tempo todo.
-Veremos quando você voltar. Eu ainda tenho que pensar no assunto.
-Ok. Até mais-Ela me beijo de novo no rosto- Me liga.
-Pode deixar.
Subi ao apartamento e procurei por Edward, após uns minutos constatei que ele ainda não havia chegado. A Empregada que mais cedo estava por aqui também já tinha ido. Tirei os sapatos e sentei-me no sofá com as pernas dobradas em posição de Buda, enquanto abria a minha bolsa no meu colo e tirava novamente a fotografia do meu casamento de dentro dela.
Olhei para o casal apaixonado na foto e senti uma pontada no coração. Eu queria tanto voltar a ser ela um dia...
A campainha tocou, me assustando um pouco. Nesses quase dois dias que passei aqui pude constatar que o sistema de entrada do prédio era rigorosíssimo então se alguém tinha subido sem ser anunciado deveria ser alguém bem conhecido.
Será que Rosalie esqueceu de me dizer alguma coisa...
Abri a porta e estanquei.
Do outro lado da porta Victória me analisava com aqueles olhos frios que destilavam adagas.
-Posso entrar?-O gelo em sua voz era capaz de congelar a Flórida — Pensei.
Recuperei-me de meu atordoamento e dei espaço com o meu corpo em um convite mudo.
Durante os segundos que ela levou pra entrar e caminhar até a sala tentei especular sobre o motivo de tão inesperada visita.
Edward era claro.
Já previa uma enorme dor de cabeça ao final desse dia...
-Sente-se, por favor. – Ofereci polidamente.
Ela fez uma meio careta, mas se sentou ereta meio de lado, por conta da sua saia preta estilo lápis.
Ela era uma mulher linda, isso eu não podia negar.
Alta, com um pescoço de cisne, super evidenciado nesse momento pelos cabelos presos em um coque elegante, possuía postura, elegância e charme. Além de pernas quilométricas e cabelos platinados.
Os olhos azuis apesar de frios eram um complemento para aquele rosto modelo de beleza.
Minha autoestima caiu dez pontos depois da minha rápida análise e acho que ela notou isso porque me deu um sorriso de superioridade assim que meus olhos encontraram os seus.
Óbvio que ela estava se achando o máximo.
Cá estava eu, descalça, com os meus cabelos castanhos comuns desbaratados, por ter dado um passeio de conversível com Rosalie, e totalmente sem maquiagem.
Senti-me tão inferior a ela que fiquei irritada, não sei se comigo mesmo ou com o idiota do porteiro que não avisou da sua subida. Fui direto ao assunto.
-O que te traz aqui Victória?
-Edward óbvio o que mais. -Ela falou e me deu um olhar se eu fosse uma retardada.
Travei meu maxilar em um sorriso cortês.
Eu já não gostava dela por princípio. Afinal a mulher a minha frente já transou com o Edward.
Várias vezes.
E bem recentemente.
Mais esse “não gostar” estava francamente mudando para um “odiar” devido ao seu comportamento esnobe e irritante. Tentei mais uma vez tratar a situação com calma e educação.
-Edward não está. Sinto em informar...
-Eu sei que ele não está. Porque ele está na minha casa nesse momento.
Fiquei muda.
Vaca.
Ela obviamente tentou provocar uma reação tempestiva em mim, mas como não dei a ela esse gosto permanecendo em silêncio ela suspirou e continuou.
-Ele foi terminar de retirar suas coisas e eu aproveitei para vir ter uma conversa de mulher para mulher com você. — Ela fez uma pausa dramática e eu quase revirei os olhos, mas me controlei a tempo. Conversa de mulher para mulher... Sei... Típica atitude desesperada de mulher abandonada já que a conversa de mulher para homem que ela teve com Edward não teve o efeito que ela esperava...
Ela prosseguiu impassível.
- Eu ouvi o seu relato do que aconteceu e depois Edward e eu conversamos bastante sobre todo esse assunto. Eu não estou feliz com isso, óbvio. Mas a anulação do meu casamento com ele era um fato legal e eu não pude fazer nada para refutar isso, mas vim aqui para ser clara com você. — Ela olhou bem em meus olhos — Eu não vou desistir do Edward. -Eu ia abrir a boca e num acesso de raiva a expulsar, mas ela não me deu chance e continuou. — E vou te dizer o porquê.
Ela se empertigou em seu ar de superioridade e prosseguiu.
-Eu o conheço. Eu o amo. Você francamente pode me dizer o mesmo?-Ela perguntou arqueando uma sobrancelha perfeita pra mim.
Touchê.
A vaca sabia como lutar pelo que queria. E sua forma direta e franca de jogar quase me fez a admirar pela tentativa.
Quase.
Lembrei-me da intensidade do olhar de Edward quando me pediu uma chance para recomeçarmos e foi a minha vez de me sentir superior a ela. Sorri para ela e com deliberada calma repliquei.
-Edward me conhece e me ama. Você Victória, francamente pode dizer o mesmo?-Perguntei de volta.
Ela inesperadamente sorriu. E o meu sorriso vacilou um pouco à sua expressão de contentamento.
-Será que ele a conhece mesmo? Ou ainda... Será que ela a ama mesmo?
O modo como ela formulou as perguntas me desconcertou. Como se soubesse um segredo que eu desconhecia.
Fechei as minhas mãos em punho.
-Eu recomendo que você procure saber exatamente como as coisas eram naquela época antes de dar qualquer coisa por certa. A sua vida não era esse mar de rosas como eles querem fazer você acreditar que era.
Como vencer uma rival que sabia mais sobre a minha vida (e a do meu marido) do que eu mesma?
-Aonde você quer chegar com tudo isso Victória? –Cansada dos seus jogos voltei ao grão da questão. — Eu tive um dia cheio e tenho um compromisso essa noite, então diga o tem para dizer, que infelizmente eu hoje não posso recebê-la como se deve.
Nem nunca se Deus quiser.
-Não cabe a mim te dizer nada no que diz respeito a sua antiga vida, por isso nem vou falar a esse respeito. Vou falar só a respeito do daqui pra frente. Volto a dizer. Eu não vou desistir de Edward facilmente. Eu amo. Você não. Simples assim. Se você tivesse recuperado suas memórias era uma situação absolutamente diferente, mas você não as recuperou e...
-Sério que seria diferente?-Perguntei com ceticismo, interrompendo seu discurso enérgico.
-O que importa é que você não pode dar a ele tudo o que eu posso. –Ela ignorou a minha interrupção e prosseguiu a toda. — Amor, confiança. -Ela fez uma pausa e deu um sorriso meio maldoso — Filhos.
Minhas mãos foram automaticamente para a minha barriga.
Eu era estéril?
Ela leu a pergunta em meus olhos e em minha postura.
-Ao que tudo indica sim Isabella, segundo as fofocas que ouvi na época você fazia tratamentos e mais tratamentos de fertilidade e nada adiantava. O que matava Edward obviamente, que é louco por crianças.
Tentei encontrar as palavras para falar qualquer coisa, mais não consegui.
O golpe foi forte.
Desde que acordei do coma, ou melhor, desde que descobri o meu casamento, eu ainda não havia nem tido tempo de pensar em filhos, mas saber que eu nunca, absolutamente nunca ia poder dar isso a Edward ou sei lá a quem quer que fosse me deixou fraca.
-Eu sinto muito por atirar tais verdades na sua cara- Ela falou com falsa pena.
Vadia.
-Mais eu estou jogando às claras e aviso que vou lutar pra vencer. Edward e eu nos entendemos à perfeição e eu não penso em perder isso o que temos sem lutar.
Engoli através do nó que estava em minha garganta e me fiz de forte.
-Essa luta você já perdeu Victória. — Estiquei a mão e mostrei a minha aliança — Edward já me escolheu. Ele me ama e isso é tão claro como sol ao nascer. Não importa o quanto você lute. Essa é uma luta perdida. Aceite isso. – Falei com muito mais confiança do que eu sentia no momento.
-Pode ser que sim... -Ela sorriu-... Ou pode ser que não... O futuro é muito incerto não acha?-Ela se levantou e tirou um cartão da sua bolsa e me deu.
Eu peguei meio que em piloto automático. Ainda estava muito abalada com nossa conversa para raciocinar com clareza.
-Você vai gostar de investigar nesse endereço. Depois não diga que ninguém te abriu os olhos hein?!
Não a respondi de imediato e ela foi se encaminhando para a porta.
-Não precisa me acompanhar, eu conheço o caminho.
E assim ela partiu enquanto eu ainda estava congelada no sofá da sala.
Que merda acabou de acontecer aqui?
Era completamente irritante todos no mundo saberem mais a respeito de mim mesma do que eu!
Que mistérios estariam escondidos por trás do meu passado?
Eu e Edward estávamos realmente tendo problemas antes da minha morte?
Será que eu realmente era estéril?
Olhei o endereço no cartão. Que merda haveria por trás desse endereço?
Alguma resposta ou somente mais perguntas?
Será que eu deveria mesmo confiar em Victória?
Pelo menos a resposta a essa última questão eu sabia.
Não. É obvio que não.
Uma mulher desprezada era capaz de tudo. –Disse a mim mesma com convicção.
Mas por outro lado... A descarada teve o desplante de vir até aqui e jogar toda essa merda na minha cara, isso não é atitude de quem faz armaçõezinhas e intrigas por trás dos panos ou é?!
A mulher era inteligente disso não me restava a menor dúvida.
Caramba ela conseguiu o que queria!
Destilou seu veneno e me deixou mais confusa do que eu já estava.
Olhei o enderenço em minha mão.
Agora que a semente da dúvida estava na minha cabeça eu não teria paz sem tirar a prova.
Peguei a minha bolsa e saí.
Chamei um taxi e deixei um recado para Edward na portaria.
-Para onde dona?-O motorista perguntou assim que entrei.
-Nesse endereço, por favor. -Mostrei o papel a ele.
Estúpida atitude eu sei, mas nesse momento o impulso era mais forte do que eu.
Eu precisava saber se havia algum fundo de verdade em toda a merda que Victória cuspiu pra mim hoje.
Afundei no banco de trás suando frio conforme o carro se aproximava ao meu destino.
Destino esse que poderia mudar tudo o que eu tinha por certo nesse momento....
Notas finais
Por esse capítulo podemos ter uma ideia mais ou menos do que esperar da Victória na estória.
Ou não?
Cá pra nós nenhuma mulher em são consciência ia deixar um Edward Cullen da vida partir sem brigar por isso. Acho que a atitude dela já era meio que esperada né?!
Agora o ponto é: Ela vai brigar limpo ou vai brigar sujo?
Veremos mais na frente um pouco.
Para quem sentiu falta do Edward no capítulo relaxa que ele vem com tudo no próximo (Acho).
Um beijo enorme.
E tenham paciência comigo que meu note está uma merda e estou tendo que dar cambalhotas para escrever.
Brigadão a vcs que tiraram um tempinho e fizeram uma recomendação a essa fic essa semana:
NYNNACULLEN
CAROLFR2010
Brigadão lindas!
Um beijo enorme a todos os que acompanham!
Que essa semana vcs estejam bastante inspirados tb e eu tenha muitos reviews e recomendações pra responder!
;D
Bjuxxxxx
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