Notas iniciais
I FEEL GOOD, TANÃNÃNÃNÃNÃ 8) Capítulo final õ'

Fugiram na mesma noite. O guarda à porta da cela não contestou nada, e quando Mia lhe indagou, Henry respondeu apenas:

— Uma pessoa sem língua não pode falar. — Lançou a ela um olhar sério. — Ele perdeu a língua há um bom tempo. Foi antes de eu me tornar rei. Obra de meu pai, imagino.

Mia não perguntou mais nada depois disso.Henry a levou até os estábulos. Preparou dois cavalos para eles e ambos montaram, saindo na noite, usando mantos com capuz para se esconder.

Alcançaram o bosque onde Mia contara a Henry a verdade sobre a família Cigam. As árvores, que naquela época pareceram misteriosas, agora pareciam sombrias e assustadoras, mal dando brechas para a luz do luar passar até eles.

Tinham alcançado o riacho quando ouviram o som de cascos atrás deles. Mia olhou para Henry, desesperada. Seu rei arregalou os olhos.

— Não é possível! — Ele olhou para trás e então para Mia. — Vamos. Atravessamos o riacho e nos escondemos nas árvores do outro lado. — Ele hesitou. — Você pode...

Ela sabia o que ele ia pedir. Não precisava de sua varinha para aquilo.

Agitou as mãos e as águas do riacho se separaram, formando um canal para que eles passassem. Tinham começado a atravessá-lo quando os cavaleiros que os perseguiam saíram detrás das árvores.

Lorde Robert os liderava. Atrás dele vinham pelo menos vinte homens do rei.

— Ali! — Gritou o velho conselheiro. — A bruxa enfeitiçou o rei! Está fugindo com ele!

— Não! — Henry fez seu cavalo parar e olhou para Mia. — Vá! Fuja!

— Henry... — Por um momento ela perdeu a concentração. A água do riacho os atingiu com força, voltando ao seu curso. Ela gritou por Henry, preocupada com ele, mas quando conseguiu alcançar a margem, viu que ele já estava lá.

Lorde Robert o segurava pelos braços. O rei parecia lutar, tentando explicar, aos gritos, que Mia não o enfeitiçara. Antes que ela pudesse fazer algum movimento, dois guardas a agarraram pelos braços e a ergueram, levando-a até Robert. O homem voltou seus olhos negros para ela.

— Você é perigosa demais, bruxa. — Cuspiu para ela. — É arriscado demais deixar que viva até amanhã.

— Não! — Henry tentou alcançá-la, mas Robert fez um gesto, e dois guardas seguraram o rei. O jovem lutou contra os guardas, lágrimas escorrendo pelo rosto. Robert puxou uma faca de caça de seu cinto, aproximando a lâmina do pescoço de Mia.

— Será rápido. — Ele garantiu a ela com um sorriso maldoso, e então olhou para o rei. — Não se preocupe Vossa Alteza. Esta bruxa aqui não o enfeitiçará mais.

— Não, não a machuque! Não! Mia!

Mas ele não pôde fazer nada. Mia sentiu a lâmina fria em seu pescoço, o corte rápido e profundo. Sentiu-se sufocar, por um momento, entre sangue e dor; tentou levar as mãos ao pescoço, mas estava sem forças para lutar. Antes que pudesse fazer qualquer outro movimento, sua consciência começou a se esvair e sua visão escureceu.


O rei encarou as frutinhas em suas mãos. Eram pequenas, menores que cerejas, e arroxeadas. Ele contara dez delas.

Ergueu os olhos para o espelho mais uma vez. Estava vestido em azul e turquesa, sua coroa assentando perfeitamente em seus cabelos. Mas seus olhos, que antes tinham sido tão vivos, agora pareciam frios como gelo, e sob eles havia círculos escuros indicando as noites sem sonos.

Ele se lembrava do momento em que Robert Agronn cortara a garganta de Mia. Henry nunca chegara a ouvir o som que ela fizera enquanto sufocava, porque estava gritando. Assim que os guardas deixaram o corpo sem vida a garota cair no chão, Robert virara-se para Henry e lhe esbofeteara, abrindo-lhe o lábio inferior.

— Você é louco? — Gritara o homem para ele. — Arriscar sua coroa assim? Tens sorte que ninguém além de mim sabe dessa traição, caso contrário, serias executado também.

Henry quis dizer a ele “Então me execute!”, mas não encontrara sua voz. Sua boca tinha gosto de sangue e ele sentia seu corpo inteiro tremer, mas não soube dizer se era de raiva, de frio ou de pesar.

Voltaram para o castelo e Robert espalhou a história de que Mia tinha enfeitiçado Henry. Ele não contestou nada e passou o resto dos dias em seus aposentos, sem forças para sair da cama. Disse que sentia-se indisposto e que Robert seria regente enquanto ele não estivesse bem; ouvira os criados cochicharem que ele estava assim por ainda estar enfeitiçado, e quisera mandar que suas línguas fossem arrancadas.

Apenas uma semana atrás, então, Robert lhe avisara de sua nova noiva: sua filha Anyha. Henry não contestara; na verdade, não falou nada. Apenas lançou um olhar cheio de ódio ao homem.

Agora, no dia de seu casamento, parado em frente ao espelho, ele refletiu sobre os últimos dias. Tinha sido um péssimo rei, e isso o envergonhava, mas não se arrependia do que fizera. E nem me arrependerei do que estou prestes a fazer.

Respirou fundo e fechou a mão em punho em torno das frutinhas. Tentava reunir coragem para fazer aquilo. Sabia que deixaria um caos atrás de si assim que morresse – não tinha herdeiro algum. Robert provavelmente tentaria reclamar o trono para si, e talvez isso gerasse uma guerra. Seu povo iria sangrar e passar fome. E tudo por minha causa.

Reabriu a mão. Oh, meu deus. Sinto muito.

Enfiou as frutas na boca, uma a uma. Tinham um gosto ácido, mas ao mesmo tempo adocicado. Engoliu-as e ergueu os olhos para fitar sua imagem no espelho uma última vez.

No instante seguinte, ele sentiu suas pernas fraquejarem. Sua consciência já tinha se esvaído quando seu corpo atingiu o chão.

Notas finais
Quem tentar me matar terá o nome anotado no meu Death Note u_u' -QQQn
Foi isso, acabou, até mais, quem curtiu curtiu, quem não curtiu vai pra ponte que partiu -n
Sério agora '-'
Eu gostei particularmente dessa história, e espero que vocês tenham gostado também ^^ não me odeiem porque Henry e Mia morreram, afinal, Romeu e Julieta também morreram e nem por isso quiseram matar o Shakespeare u_u' ounão -q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!