Back To London
1 Londres.
Notas iniciais
Fevereiro de 1949 – Londres, Inglaterra.
No dia seguinte levamos Julia para conhecer Londres e comprar roupas novas. Os rapazes foram ver coisas que os interessava, Natália e Jill ficaram com Julia escolhendo roupas enquanto Lúcia e eu fomos até o correio enviar cartas para nossos pais contando as novidades sobre nós e ao Professor Kirke contando nossa mais nova aventura em Narnia. Quando íamos saindo de lá, encontramos com duas figuras conhecidas.
-Lúcia, Susana , quanto tempo! — Sophie nos abraçou em seguida Josh nos cumprimentou.
-Sophie, Josh, nossa, faz tempo mesmo! — disse Lúcia.
-Como vocês estão? — perguntei.
-Estamos ótimos, chagamos ontem de viagem. E vocês? — perguntou Josh, agora já caminhávamos de volta à loja.
-Melhor impossível. — falou Lúcia. — A Susana que o diga! — ela me lançou um olhar maroto. Eu corei.
-Como assim? — perguntou Sophie.
-Bom... Digamos que a família vai aumentar... — respondi. As sobrancelhas de Josh se ergueram e a boca de Sophie se abriu num “O” antes de ela começar a comemorar.
-Parabéns, Su! — ela me abraçou.
-Obrigada. — retribuí.
-É... Parabéns mesmo... Mas, você e o Caspian são casados? — questionou ele.
-Josh! — ralhou Sophie.
-Agora somos. — sorri enquanto Sophie viu minha aliança.
-Parece que perdemos muitas coisas, Joe! — Sophie riu e nós a acompanhamos. Dobramos na esquina e encontramos os outros vindo na nossa direção.
-Oi, gente! — cumprimentou Josh.
-Sophie, Josh, como vão? — perguntou Nicolas.
-Melhor agora. — Josh riu. Lúcia foi para o lado de Nicolas.
-Deixe eu apresentar vocês. — falou Pedro. — Sophie, Josh, essas são Julia e Jill. — apontou as duas. Os quatro trocaram um aperto de mãos.
-Estamos indo ao parque, você vem? — perguntou Caspian.
-Hm... Bom... — Sophie e Josh trocaram um olhar. — Adoraríamos, mas estamos indo visitar o Johnny... Fica para outro dia.
-Tudo bem. — falei e logo seguimos direções opostas. Certo desconforto me ocorreu, como quando ocorria toda vez com relação a Johnny e à Rabadash, mas abraçar Caspian fez isso sumir.
Quando chegamos ao parque Pedro levou Júlia para experimentar cachorro-quente, Caspian e eu sentamos em um banco, Natália e Edmundo foram para perto do lago, Lúcia arrastou Nicolas para a banca de revistas e Eustáquio e Jill foram comprar sorvete.
Era o mesmo banco da ultima vez, de quando Caspian tinha acabado de chegar e havíamos passado o dia fazendo compras. Mas agora não estávamos só nós dois...
-Cá estamos nós de novo. — comentou Caspian passando o braço por meus ombros. Deitei a cabeça em seu ombro.
-Pois é. — concordei. — Nós três.
Senti que Caspian sorria.
-Falando nisso... Como ele está?
-Bem – sorri – Melhor impossível.
-Como você acha que seus pais vão reagir? — perguntou ele, após alguns segundos.
-Não faço ideia. — confessei. — Talvez eles fiquem intrigados com nosso casamento relâmpago e não vão gostar nem um pouco de não terem participado. — falei.
-Como eles iriam participar? Não tinha como...
-Eu sei... O problema é explicar isso a eles. — eu ri de leve e Caspian me acompanhou.
POV. Eustáquio.
-É estranho voltar depois de tudo o que aconteceu... — comentou Jill. Nós caminhávamos lado a lado, lentamente, por um dos diversos caminhos do parque, meio afastados dos outros; de um lado havia uma fonte e do outro um gramado.
Jill usava um vestido azul, sapatos baixos, os cabelos louros estavam soltos ao vento e em uma das mãos ela trazia seu sorvete. Eu havia encolhido as mangas da camisa até os cotovelos, a mão esquerda no bolso da calça e na direita o sorvete de chocolate.
Eu sorri.
-Você se acostuma. — dei de ombros. Jill riu.
-Será que vamos voltar algum dia? — perguntou.
-Se tem uma coisa que eu aprendi em Narnia é sempre ter esperança. — falei. — E se formos voltar, com certeza será quando menos esperarmos.
Nós trocamos um sorriso e eu perdi a noção do tempo e do espaço.
Ela era tão linda... Tão delicada... Tão... Jill.
A garota que por muitos anos foi a única amiga que tive, e a garota que nos ultimos tempos me tem feito sentir algo que eu nunca tinha sentido antes por pessoa alguma.
Jill corou com meu olhar.
Tão adorável...
-O que foi, Esutáquio? — ela sorriu sem graça. Nós já havíamos parado de andar.
-Você está linda, Jill. — falei automaticamente. Em outras circunstâncias, eu nunca teria dito isso, mas algo estava me guiando, algo em meu peito. Jill ficou sem reação, mas depois riu.
-Que história é essa, Eustáquio?!
-É o que eu acho. — dei de ombros. Jill voltou a ficar sem reação.
-Você nunca me elogiou assim...
Dei um sorriso torto.
-Talvez por que antes você nunca estivesse linda. — provoquei. Jill bateu em meu ombro e nós rimos, dando mais alguns passos.
-Acha mesmo que eu estou linda? — perguntou ela, sem olhar para mim.
-Agora não está mais! — avisei, lançando um pouco de água da fonte nela, apenas algumas gotas chegaram até ela, mas foi o suficiente. Jill correu atrás de mim pelo gramado. Cansamos e paramos. Escorei as costas em uma árvore, Jill apoiou-se com a mão na mesma, ambos ofegando por causa da corrida. Os sorvetes há muito ficaram para trás.
-Você... Está... Sempre linda, Jill. — falei, apoiando-me nos joelhos. Ouvi a risada dela e ela me surpreendeu com um beijo na bochecha. Jill sorria sapeca mordendo o lábio inferior e os olhos brilhantes.
-Você não me pega! — acusou ela antes de sair correndo. Eu ri e logo fui atrás dela.
Ao alcançá-la, segurei-a pela cintura e girei-a de frente para mim, mas ela acabou desequilibrando e caímos na grama. Rimos muito. A medida que foi perdendo a graça, eu ergui-me nos cotovelos para olhar em seu rosto. Jill foi parando de rir e fitou seus olhos nos meus, hipnotizando-me novamente e dessa vez eu não consegui me desvencilhar.
Toquei seu rosto com a ponta dos dedos. Jill pareceu nervosa a medida que eu chegava mais perto, mas não me impediu, muito pelo contrário, ela deixou acontecer. Foi um beijo singelo, porém semelhante a uma corrente elétrica percorrendo todo o meu corpo. Meu coração batia frenético. Era a primeira vez que eu beijava uma garota e nunca pensei com muita ênfase no que isso me faria sentir quando acontecesse, pegando-me de surpresa agora.
Suavemente descolei meus lábios dos dela. Permaneci alguns segundos em silêncio, ainda próximo a ela.
-Não vai dizer nada, Eustáquio? — ela sorriu nervosa.
-Eu gosto de você, Jill... De verdade. — falei. Seus olhos surpresos me fitaram por alguns segundos antes de ela sorrir e levar a mão à minha nuca.
-Era tudo o que eu queria ouvir!
Então puxou-me para outro beijo, dessa vez, não tão singelo como o primeiro.
Notas finais
Beijokas!!
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