Back To London

13 Está na hora.


Notas iniciais
Hey! capítulo novo pra vcs! Divirtam-se!

21 de Setembro de 1949 – Finchley, Inglaterra.

Já se passaram três meses desde o casamento dos meus irmãos, mais de dois desde a partida de meus pais e o noivado de Eustáquio. Morávamos em nossas próprias casas há quase o mesmo tanto de tempo. Levávamos uma vida tranquila, os rapazes trabalhavam com afinco no projeto deles em reuniões diárias nas quais nós meninas nos reuníamos na cozinha ou no jardim para conversar, tomando chá e essas coisas, dando opinião vez ou outra no trabalho deles. Eu gostava disso, das reuniões, era bastante relaxante e, com oito meses completos há algum tempo, um bebê que chegaria a qualquer momento, pés inchados e uma barriga tão grande e pesada que não me deixava ver onde pisava, eu gostava desses momentos.

Hoje era mais um dia desses. Porém nesse, os rapazes tiraram uma folga, então fizemos uma pequena reunião de família na sala de estar da casa de Lúcia e Nícolas. Caspian estava sentado ao meu lado em um dos sofás, de frente ao qual Lúcia e o marido estavam, Julia sentou no lugar vago no sofá que eu estava e Pedro sentou no braço, ao lado dela. Edmundo e Natália sentaram nas poltronas. Sra. Jenn, a governanta, trouxera bolinhos e chocolate quente quando explodimos em uma crise de riso às custas de Edmundo, é claro. Pedro recuperou o fôlego primeiro, dirigindo-se a um Edmundo de cara amarrada.

–Ed. Meu querido irmão. — ele falou pausadamente, o rosto vermelho de tanto rir. — Você tem uma coleção de saias?

–Hm... Tecnicamente, não é uma saia, é um... — levantei a mão para falar.

–Ah, quieta, Su! — riram Pedro e Lúcia, fazendo-me encolher. Edmundo rolou os olhos.

–Em primeiro lugar, ela está certa. Em segundo lugar, sim, eu tenho uma coleção de kilts!

Risos. Nem consegui me segurar diante da cara emburrada dele.

–Ainda bem que ele nunca decidiu sair conosco usando um desses. — comentou Nick com Pedro e Caspian.

–Rá! Você acabou de me dar uma ideia, Nick! — gabou-se Edmundo, vitorioso.

–Ah, droga, Nícolas! — lamentaram Pedro e Caspian antes de bombardearem o terceiro com almofadas.

Outro ataque de risos. Quando o fôlego finalmente começou a voltar, Edmundo puxou o relógio do colete e se pôs de pé.

–Bem, o papo está ótimo, mas está ficando tarde. Acho melhor irmos, Nath. — disse já de pé, sendo imitado pela esposa.

–Sendo assim, acho melhor irmos também, Su. — disse Caspian. — Você tem que descansar.

De repente, numa fração pequena de tempo, já estávamos de pé prontos para sair. Foi quando Lúcia deu um pulo sem sair do sofá.

–Não! Esperem! — guinchou, fazendo-nos parar no mesmo momento.

–O que foi, Lu? — perguntei com um fio de preocupação. Ela pigarreou e trocou um olhar com Nícolas.

–Tem algo que queria contar a vocês. — disse mais tranquila, séria.

–O quê? — perguntou Pedro, tão sério quanto. — Algum problema? Você está bem? Ele machucou você?

–Pedro... — rolei os olhos.

–Não! — protestou Lúcia, quase ultrajada.

–Então...? — instigou Edmundo. A expressão de Lúcia suavizou ao que ela suspirou e abriu um pequeno e tímido sorriso.

–Bom... Eu estou grávida...! — e corou, sorrindo radiante agora, perante nossas expressões de surpresa. Levamos alguns segundos para processar a informação e quando eu estava prestes a abrir um grande sorriso, Pedro assimilou.

–O QUÊ?! — guinchou segundos antes de atravessar o cômodo por cima da mesa de centro e erguer Nick do sofá pela gola da camisa. — Você engravidou minha irmã, seu desgraçado?!

No segundo seguinte Caspian e Edmundo já estavam ao lado dele, tentando fazê-lo soltar o cunhado.

–Pedro, Pedro! — chamou Edmundo.

–Pedro Pevensie, o que você está fazendo?! — ralhou Julia.

–Para, solta ele! — ordenou Lúcia.

–Esse desgraçado desonrou minha irmã! — e Nícolas foi sacolejado.

–Você está louco? — tentou Caspian.

–Chega, Pedro! — gritou Edmundo.

–Vou limpar a honra dela! — anunciou, sacolejando Nícolas ao mesmo tempo que ra impulsionada para trás por Caspian e Edmundo.

–Pedro, você perdeu o juízo?! — esbravejei. — Eles são casados!

Ofegante e com a face vermelha, ele parou, processando minhas palavras. Olhou para mim por cima do ombro e voltou a encarar Nícolas. Os nós de seus dedos afrouxaram.

–Ah – foi o que disse. — Ah, é.

Então deu umas batidinhas no ombro de Nícolas num pedido de desculpas. Caspian e Edmundo o soltaram cautelosamente. Lúcia lançou um olhar abismado, ofendido e confuso ao irmão que limitou-se a voltar ao seu lugar alinhando a roupa e murmurando “as vezes esqueço disso, oras”.

–Então, Lú... — arriscou Edmundo. — O que você dizia?

Lúcia respirou profundamente e abriu um sorriso radiante outra vez.

–Dizia – começou ela. — Que há mais um membro da família a caminho. — e, docemente, pôs a mão sobre o ventre.

Juro que vi Pedro perder a cor e quase desmaiar, mas a explosão de comemoração que se seguiu o impediu de cair.

Lúcia e Nícolas foram cercados por abraços e parabenizações, tão fortes que quase os sufocamos.

–Lúcia, estou tão feliz por você! — disse Natália efusivamente, segurando as mãos de minha irmã. — Mal vejo a a hora de chegar a minha vez!

De esguelha, vi Edmundo engasgar, mas fingiu não ter ouvido a esposa. Nós percebemos e rimos. Nick continuou recebendo os cumprimentos dos rapazes enquanto as mulheres se reuniram numa conversa na qual Lúcia nos contou ter tido certeza de esperar um bebê poucos tempo antes, quando seus dias atrasaram pelo segundo mês seguido. Disse que o plano era nos contar depois que fosse ao médico e confirmasse, mas sua ansiedade não permitiu.

No caminho de volta para casa, tive a sensação de que aquilo não estava acontecendo. Tudo mudou tão depressa. Nossa família cresceu tanto em tão pouco tempo que eu mal podia esperar pelos tempos felizes que viriam mais a frente.

Ao contrário de Edmundo, Pedro ainda não parecia ter absorvido a ideia direito e respondia com respostas curtas e gentis à empolgação de Julia. Já Caspian parecia tão contente quanto Nícolas, afinal, ele sabia o que o amigo devia estar sentindo com a notícia.

Quando chegamos em casa era tarde e nos recolhemos para dormir. Pedro e Julia, que moravam conosco, deram boas noite e se recolheram. Caspian e eu fomos para nosso quarto, o maior da casa, e logo nos agasalhamos na cama que trouxemos do apartamento. Deitei a cabeça no ombro de Caspian e ele envolveu-me com o braço correspondente. Nem deu para perceber exatamente a hora que peguei no sono, só sei que dormia bem como há muitas noites não conseguia, mas então, vindo sorrateiro da escuridão de minha mente, um susto.

Acordei num salto, sequer entendendo como consegui sentar com o impulso, porém logo a barriga grande empurrou meu tronco de volta e apoiei-me na cama para me manter sentada. Do lado de fora, uma tempestade caía com seus raios. Naturalmente, deduzi que assustara-me com um raio. Caspian ainda dormia, então calmamente deitei-me para aconchegar-me ao seu lado outra vez. Estava conseguindo.

–Ah! — arfei, quando uma dor forte raiou de meu ventre.

Estaquei. Ainda sem entender direito, aguardei um pouco mais. Não sei quanto tempo se passou, quando olhei o relógio no criado mudo, vi que já passava de uma hora da manhã, então veio a dor de novo, mais intensa. Gemi, mordendo o lábio. Ao que ela aliviou, sentei de novo com cuidado, desembrulhei-me um pouco e tateei a cama logo encontrando a mancha molhada. Com o coração aos pulos e um sorriso brotando no rosto, balancei Caspian pelo ombro.

–Cas – chamei, ele resmungou. — Caspian. — balancei-o mais forte, ele abriu os olhos devagar no mesmo momento que a dor veio de novo. — Oh!

Ao ver-me empalidecer, Caspian sentou-se num susto.

–Su? — perguntou ainda um pouco zonzo. — Su, o que foi? O que houve?

Tornei-me a ele com a respiração levemente ofegante.

–Está na hora. — disse-lhe, sorrindo. — O bebê vai nascer.

Por um minuto inteiro, Caspian fitou-me imóvel, sem saber o que fazer. Então empalideceu para em seguida quase desmaiar e enfim saltar da cama em pânico.

–Pela Juba do Leão! Vai nascer! Tenho que tirá-la daqui!

–O quê? Caspian, você já viu a tempestade que está caindo lá fora?

Um pouco ofegante ele olhou para a janela se dando conta da impossibilidade do seu plano. Caspian não conseguiu dizer nada, apenas me olhou suplicante, sem saber o que fazer.

–Querido. — falei o mais tranquilo que pude. — Fique calmo. Chame Pedro e Julia, diga a ele para chamar os outros, acho que vou precisar de ajuda.

–Certo. — exprimiu ele, para depois ofegar. — Puxa, vida! Vai nascer, Su! — um sorriso lindo se formou em seu rosto enquanto voltava até mim, sentando na cama e segurando meu rosto entre suas mãos. — Nosso bebê vai nascer!

Sorri de volta antes de Caspian beijar meus lábios e sair para chamar os outros no mesmo momento que gemi de dor outra vez, ansiosa para logo segurar meu bebê nos braços.

Notas finais
Que tal? Não esqueçam dos reviews, ein?