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10 Capítulo 10
Capítulo 10. DistanciamentoRoy dormia profundamente em seu quarto, sua noite fora demorada, após sair do quarto de Hawkeye ele ainda tomou uns goles de uísque e ficou pensando em seu destino inevitável. Depois de se embebedar com o uísque ele acabou chorando como uma criança inconsolada, entretanto, logo adormeceu.A voz de Riza ecoava em seus sonhos, \' Eu te amo\'. Ele sabia que aquelas palavras eram sinceras, mas que nunca mais as ouviria saindo da boca de Riza, apenas em seus sonhos, como naquele exato momento.Tudo havia entrado nos eixos. Seus maiores sonhos haviam se concretizado. Havia subido de posição e tinha a seu lado a mulher que amava. Claro, sentia falta de Hughes naquele momento de felicidade para ele, mas sabia que, de onde quer que estivesse, o amigo estivesse com certeza estaria orgulhoso e sentindo a mesmo felicidade de Roy.
Ele sentiu um leve filete de luz solar entrar pelas fretas da janela, friccionou os olhos querendo voltar a dormir, porém, quando foi se virar sentiu um leve peso sobre seu ombro e então percebeu que Riza ainda estava adormecida. Em seu dedo anelar estava a aliança de ouro e brilhantes que ele havia comprado. Perfeita nela.Sorriu e beijou levemente seu rosto. Ela se mexeu um pouco e abriu os olhos castanho-rubi e o encarou antes de sorrir ternamente.- Bom dia, senhora Mustang. – ele disse beijando agora seus lábios.- Que horas são? – ela perguntou olhando para o relógio no criado mudo ao lado da cama – Ai, meu Deus! Está muito tarde. Você desligou o despertador, não foi, Roy? – ela lançou um olhar de reprovação para ele.- Como assim está tarde? – ele falou analisando o horário marcado no relógio – São apenas seis e vinte da manhã!- Eu já deveria estar de pé há vinte minutos! – ela se apressou para ir tomar um banho, mas antes que pudesse ficar de pé, Roy a puxou e beijou-lhe novamente.- Relaxa, Riza. Você é minha esposa agora. Não faz mal nenhum se você se atrasar um pouquinho.- Ora, senhor marechal, eu posso ser sua esposa, mas ainda continuo a mesma Riza de antes, nada de atrasos.- Hum, tem certeza? Realmente não quer fixa aqui com o seu maridinho? – ele roçou os lábios nos dela, provocando-a; O que a fez relaxar e o puxou para aprofundar o beijo.Porém quando abriu os olhos, já não eram os lábios de Riza que estavam sobre os seus, e sim, os de Anita que resolvera acordá-lo de um jeito diferente.- O que está fazendo? – Roy falou exasperado afastando Anita de si.- Desculpe, eu apenas queria fazer uma surpresa. – ela respondeu entristecida.- Que horas são? – ele respondeu aborrecido- Sete e meia.- Droga... – ele resmungou levantando-se- Desculpe, esqueci de que não gosta de acordar cedo.- É, Anita, eu realmente odeio acordar cedo.- Não faço mais isso, eu juro. – ela fez menção de que iria beijá-lo novamente, mas ele não permitiu.- Vou tomar um banho. – ele foi até seu armário, tirou uma toalha e roupas limpas e logo em seguida partiu deixando Anita sozinha no quarto.Estava distraído, a noite não fora das melhores, sentia-se derrotado, porém toda aquela sensação desapareceu num segundo quando passou pelo o quarto de Riza viu e a porta aberta, mas no interior não estava Riza... E nem nada que pertencia a ela.Roy ficou apavorado, e num impulso desceu as escadas e encontrou Luciana na sala lendo algum livro.- Cadê ela? Onde está a Riza? – ele perguntou temendo a resposta da irmã.- Roy... – Luciana disse com pesar na voz – Ela foi embora. Saiu bem cedo.- Mas... Como?! – ele estava atordoado demais para conseguir por seus pensamentos em ordem.- Ela disse algo sobre ter muito trabalho na Central e que já estava mais que na hora de voltar. Tomou um copo de suco porque a mamãe insistiu e depois partiu para a estação. Eu sinto muito...- Não... – ele murmurou sentindo o ar abandonar seus pulmões.X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-xA tenente olhava inconsolada para as imagens borradas que passavam através da janela. Depois que Roy saíra de seu quarto na noite anterior ela chorou, como não fazia há muito tempo, e acabou por passar o resto da noite em claro pensando nos dias em que ficara na cidade natal de Roy.\"Esqueça tudo, Riza! Você tem que seguir em frente. Você é forte, conseguirá!\" – Ela disse para si mesma.\"Não sem ele. Já o teve antes, e agora sem ele, você não é nada.\" – E depois de muito tempo aquela vozinha voltou a atormentá-la com as verdades que ela preferia ignorar.\"Cala a boca...\" – ela rebateu mentalmente sentindo algumas lágrimas escorrendo por seu rosto.\"Não! Você é uma tonta! Devia ter ficado lá e lutado pelo homem que você ama. Aquela seria perfeitamente capaz de se livrar daquela mulher.\" — a voz insistiu\"Os pais dele não aceitariam...\" – Tentava encontrar uma saída, algo que fizesse a voz parar.\"Sabe muito bem que não é verdade. Você os conquistou. Eles adorariam lhe ter como nora.\"\"Eles não aceitariam que Roy quebrasse a promessa...\"
\"Huh... Você mais que ninguém sabe que aquela promessa não existe! Ele a traiu por seis anos!\" – aquilo fez com que Riza se calasse. Ela o esperara. Sempre. Morria de ciúmes por vê-lo nos braços de outra e desejava que ela estivesse ali. Teve tudo o que sempre quis, porém tudo escapou por entre seus dedos. E não havia chance alguma de recuperar.Friccionou os olhos fortemente todas aquelas lembranças invadiam sua cabeça, tentou distrair seus pensamentos lembrando do caos que o QG deveria estar, e forçou um sorriso ao lembrar que Hayate a espera, e que em algumas horas estaria em casa, porém Roy prevaleceu sobre qualquer pensamento da tenente e ela voltou a chorar convulsivamente. E logo, adormeceu pensando nele...X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-xRoy subiu as escadas com passos lentos e pesados. Estava desanimado. Não, aquilo era pouco. Estava arrasado. Sabia que aquela \'fuga estratégica\' significava que ela não o deixaria tentar novamente. Ele teria que casar com Anita como havia prometido a seus pais... E ainda teria que conviver com a mulher que ama como se ela não estivesse ali. Como se nada tivesse acontecido.Ficou demorados minutos debaixo d\'água, sentindo as pequenas gotículas deslizarem pelo corpo, mas nada daquilo o tirava de seus devaneios. Sentiu quando algumas lágrimas saltaram teimosamente de seus olhos e se misturaram a água do chuveiro, e logo Roy desabou num choro triste.- Riza... Riza!! – ele murmurou sentindo o coração se comprimir dentro do peito.X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-xDuas semana haviam se passado. Roy e Anita haviam voltado a Central dois dias após a quartel a situação não estava das melhores, Riza mal dirigia a palavra a ele, e sempre que ele puxava assunto ela dava um jeito de escapar. Mas era inegável que os dois sofriam.O dia do casamento já havia sido marcado. Dentro de duas semanas Roy e Anita se casariam, sua família foi a Central para ajudá-los com os preparativos de última hora (O casamento já é de última hora ¬¬)O coronel passava pelo corredor e viu a sua tenente vindo o sentido oposto, ela não olhou para ele, estava cansado de tanta frivolidade, então quando ela passou perto dele ele a segurou com força pelo o braço.- O que está fazendo, solte-me!- Precisamos para conversar. – ele apertou mais o braço dela.- Está me machucando!- Venha. – ele a ignorou e a arrastou para um armário de limpeza e trancou a porta.- O que quer?- Conversar com você!- Não temos nada para conversar e eu tenho trabalho a fazer. – ela fez menção de que iria sair, mas ele a puxou e prensou contra a parede.- Pare de me evitar!- Não estou o evitando.- Então o que é isso que está fazendo?- Já disse que não temos nada a conversar.- Sei que está machucada, assim como eu estou, mas podemos enfrentar isso, Riza. Juntos.- O que podemos enfrentar juntos, coronel? Claro, o trabalho, não é? Só assim podemos ficar juntos. Como chefe e subordinada.- Riza...- Abre a porta, coronel.- Não!- ABRA!- Vai fazer de novo?- Do que está falando?- Fugir. Assim como você fugiu de Jasmine City. Vai fugir de seus sentimentos.- ... – ela ficou um tempo em silêncio – Abra a porta.Sem ver outra alternativa, o coronel abriu a porta e a tenente logo saiu voltando para o escritório e deixou o coronel sentindo-se um fracassado.X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-xOs dias continuavam passando e os dois não conseguiam saber quantos já haviam passado... Três? Quinze? Um mês?Aos poucos o casamento se aproximava, deixando o coronel e a tenente em um estado de depressão profundo, todos percebiam como haviam mudado, o coronel não estava sarcástico, não dava em cima das secretárias ou fazia insinuações para Havoc, quanto a Riza estava um pouco dispersa, às vezes confundia os documentos, e andava triste pelos cantos do QG.A situação estava fora de controle.- Oiii, Roy! – Luciana praticamente arrombou a porta e entrou sem cerimônias- O que faz aqui, Luciana? – Roy perguntou nervoso- Eu vim ver meu irmãozinho.- Não podia esperar que eu chegasse em casa?- Não. Cadê a Riza?- Não sei. – ele disse cabisbaixo- Vocês ainda não estão se falando?-...- Você é um idiota. ¬¬- O quê?- Devia tê-la pedido em casamento quando teve a chance e desmanchado esse noivado com a Anita beeem antes.- Luciana, sai daqui. – ele disse nervoso.- por que?- Porque senão, eu vou cometer um crime incinerando a minha própria irmã.- Você está louco, Roy.- Eu?-Você. Louco pela a Riza. – ela deu risadinha, mas Roy apenas ficou mais nervoso.- Louco pra te incinerar...- Tá, tá... Já vou. Não me espere, vou fazer comprar com a sua noiva bruxa.Ela disse e saiu da sala.O dia transcorreu como vinha sido ultimamente, nada de conversas entre Roy e Riza, apenas sobre trabalho e essas ainda eram muito limitadas. A depressão de Roy aumentava.X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x- Boa noite, Roy. – Luciana entrou, Roy já havia chegado em casa há algum tempo, mas estava tão perdido pensando em como sua vida havia dado um giro completo que nem percebeu o tempo passar.- Oi...- Eu e a bruxa da sua noiva compramos um monte de coisas. – ela disse meio irritada, e logo depois foi para a cozinha. – Hei, mano você tem comprar comida pra cá, sabia? – ela disse anda mais aborrecida quando voltou a sala. – Você é muito desleixado.- O quê?! – Roy rebateu revoltado – quem é você para me dizer isso.- Sua irmã. – ela respondeu no mesmo tom- Por que você não ficou em um hotel como o resto do pessoal, hein?- Porque eu queria te fazer companhia, mas se eu tô te atrapalhando tanto eu vou embora. – ela disse fingindo estar ofendida, aquela discussão toda deu uma bela idéia a ela.A jovem Mustang foi até o quarto em que estava juntou todas as suas coisas, ligou para os pais avisando que estava indo para o hotel, e foi até a sala onde Roy continuava sentado em sua poltrona.- Boa noite, Roy. – ela disse ainda fingindo-se de irritada, e foi até o irmão. – Sei que você está cheio de problemas, mas eu ainda te amo – disse sem alterar o tom – Portanto, eu espero que isso seja útil.Ela disse e depositou um pequeno objeto redondo nas mãos do moreno que olhou confusa para o objeto e depois para a irmã.- Espero que faça a coisa certa, Roy. – ela disse num sussurro e depois abriu a porta e saiu.Roy continuava a olhar atônito para o \'presente\' que sua irmã lhe dera. O que ela pensava que ele iria fazer com aquilo?Desistiu de tentar entender a irmã, era impossível. Levantou-se e se serviu de um uísque, um copo atrás do outro.
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