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11 Capítulo 11
Capítulo 11. Fugas
Riza estava sentada no sofá, fingia estar lendo um livro sobre a história de Amestris, entretanto, sua mente pairava em outro lugar.
Por mais que tentasse esquecer, não conseguia tirar da cabeça os dias que passou em Jamine city, fora quase um sonho, mas agora ela estava lúcida e era hora de esquecer aquele sonho que a cada dia se encontrava mais distante.
O telefone começou a tocar, tirando a jovem tenente de seus devaneios.
- Alô? – Ela falou, o desanimo em sua voz era notável.
- Riza... – A voz do coronel chegou a seus ouvidos, mas ela notou que estava diferente do habitual – Riza, não faça isso comigo. Não deixe que eu me case.
- Você andou bebendo? – ela perguntou incrédula.
- Eu não quero casar com a Anita, Riza, você sabe bem que eu te amo.
- Coronel, tome um banho frio, faça um café bem forte e vá dormir. – ela disse querendo evitar aquela conversa novamente.
- Não quero, Riza! – ele gritou descontrolado, o que assustou a tenente – Pare de fugir! Eu sei que também me ama.
- Você está bêbado. – ela insistiu após deixar escapar um suspiro de cansaço.
- Vem até aqui, Riza. Eu estou perto daquela ponte perto da minha casa.
- Está tarde, coronel... – Ela dizia, mas ele a interrompeu.
- Se você não vier... Eu vou me jogar.
- Você não fala sério. – ela murmurou perplexa.
- Estou sim. – ele vociferou e nem deu tempo para que ela rebatesse desligando o telefone logo em seguida.
- Roy? – Ela falou, mas não obteve resposta.
Sem pensar duas vezes, Riza pegou as chaves do carro e saiu. Estava amedrontada, sabia que Roy nunca faria isso. O problema é que ele nem sequer estava sóbrio.
- Vamos! – ela falou impaciente encarando o sinal fechado, e logo que ficou verde, ela arrancou, sabia onde era a tal ponte e sabia que bem abaixo dela havia um rio profundo.
Não demorou para que ela chegasse ao local, estava escuro, mas logo reconheceu o vulto próximo, e assustou-se ao perceber que era Roy. Ele estava sobre a borda da ponte, olhava para a água que corria abaixo de si enquanto segurava uma garrafa de uísque quase vazia.
- Roy! – ela exclamou exaltada.
- Que bom que veio... Assim posso vê-la uma última vez. – ele disse com a voz arrastada enquanto a encarava – Eu te amo, Riza.
- Desça daí! – ela se aproximou, mas ele recuou um pouco.
- Não posso. – ele abaixou o olhar.
- O que pensa que está fazendo? – ela dizia já sentindo algumas lágrimas rolarem por sua face.
- Já disse que não quero casar com a Anita! Apenas com você... Só com você...
- E pensa que se jogando as coisas vão se resolver? – ela falou com a voz rouca aproximando-se cada vez mais.
- Não se aproxime! – ele advertiu – Eu te amo, Riza. Mas você não me quer, porque sou um inútil, vagabundo, mulherengo, não é?
- Não, não é isso, eu...
- Não! – ele a interrompeu novamente – Prefiro morrer do que tê-la apenas como uma companheira de trabalho...
- Roy, desce, por favor. – ela disse suplicante, as lágrimas ainda desciam fartas por seu rosto. – Por favor...
- Você é linda... – ele disse ainda com a voz arrastada – Saiba que eu sempre, sempre te amarei, Riza.
Ele virou-se e encarou a água de novo, se inclinou um pouco e moveu-se um pouco para a frente, já sentindo faltar um pedaço da borda de cimento.
-NÃÃÃÃÃÃÃOOOO! – Riza gritou desesperada, e num impulso jogou-se para a frente e puxou Roy, que caiu sobre ela. – Não... – ela murmurou enquanto o abraçava fortemente — Não me deixe...
- Riza...? – ele murmurou atordoado enquanto sentia sua mão arder, a garrafa que tinha na mão havia se estilhaçado quando fora de encontro ao chão e feriu-lhe a mão.
- Não seja tão idiota... – ele murmurou cravando as unhas nas costas dele. – Idiota!
- Por que...? Por que você fez isso...?
- Idiota... – ela continuava a murmurar enquanto chorava.
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Depois de ter se acalmado, Riza obrigou Roy a entrar no carro e dirigiu até a casa do moreno, ajudou-o a entrar (ele estava realmente bêbado), depois sentou-o no sofá.
- Vou procurar a caixa de primeiros socorros. – ela disse e partiu a procura da tal caixa.
Quando voltou, Riza encontrou Roy na mesma posição que o havia deixado, não havia movido nem sequer um centímetro.
-Me dê sua mão. – ela diz se ajoelhando na frente dele.
- Por que fez isso? – ele indagou após alguns segundos de silêncio.
- Do que está falando? – Ela perguntou distraída enquanto analisava o ferimento que ainda sangrava e tentava estancá-lo.
- Me salvou. – ele respondeu olhando fixamente para ela.
A mulher parou de mexer na mão de seu superior e ficou encarando o chão em silêncio. Estava sem palavras. Eram poucos que conseguiam tal proeza, e com certeza, Roy Mustang estava no topo da lista.
- Riza? – ele repetiu.
- Não seja bobo, Roy. Você estava fora de si por causa da bebida, não podia deixá-lo se matar! – ela respondeu voltando sua atenção novamente ao ferimento – Agora, responda-me o porquê de ter bebido tanto.
- Eu queria esquecer – Ele respondeu tristemente – Não quero lembrar das burradas que já cometi em minha vida. Principalmente a maior delas.
- A maior? – ela ergueu uma sobrancelha, interessada no assunto.
- Deixar você ir.
- Hã... – ela sentiu a face arder como nunca, estava perplexa com tal revelação.
- Não devia mesmo. – ele continuou – Você foi embora e levou parte de mim consigo.
- Roy, não comece. – ela falou num tom suplicante.
- Eu quero saber apenas de uma coisa. – ele falou sério – Você me ama?
-... – Nada. Apenas silêncio. A boca da tenente não se movia, mas seu coração palpitava enlouquecido dentro do peito.
- Responda-me! – ele falou autoritário, segurando o braço dela fortemente.
- Roy...
- Diga!
- Sim. – ela disse em um murmúrio.
- O-O quê?
- Sim, Roy. Eu te amo. – ela ergueu o olhar para ele, encarando-o hesitante.
Ele sorriu, estava sentindo-se imensamente feliz, tinha a resposta que queria, e, sem pensar duas vezes, a puxou ( Com a mão boa) e a beijou.
Riza vasculhava sua mente à procura da voz que sempre a repreendia por estar agindo tão irracionalmente, porém apenas ouviu àquela voz que sempre era \'do contra\', mas que a incentivou a continuar.
A saudade acumulada e o incentivo de sua \'consciência\' a fez passar os braços ao redor do pescoço do moreno e aprofundar o beijo.
O beijo era meio sofrido, como que se desesperadamente os dois precisassem dele para sobreviver, o gosto do álcool que ainda restava na boca de Roy tornava o beijo com um gosto amargo, mas ao mesmo tempo doce.
Ele a apertou mais contra seu corpo, e foi nesse instante que a tenente ouviu sua razão falar mais alto, ordenando que ela se afastasse daquele que iria apenas fazê-la sofrer.
E ela obedeceu.
No segundo seguinte ela o empurrou e num ímpeto apenas saiu correndo do lugar, e foi até o carro, dando a partida e voltando para a segurança de sua casa. Onde não havia olhos negros que a fazia sentir-se completamente sem chão, desnorteada.
Roy ficou atônito com o que acontecera. Ela partira. Novamente. Balançou negativamente a cabeça, embora não fosse uma derrota, mas sim uma vitória, afinal, ele pôde perceber que ela também precisava dele tanto quanto ele dela.
Olhou para a caixa de primeiros socorros que estava no chão. Abriu o objeto pegou o necessário para fazer o curativo, apenas naquele momento sentia a mão arder, assim como sentia seu sangue borbulhar de emoção.
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Riza deu uma desculpa para faltar à semana seguinte ao trabalho, alegou estar sentindo-se cansada e precisava de um descanso, recebeu uma semana de folga, dada pelo führer, e mesmo que à contragosto Roy assinou o documento.
Ela continuava a fugir. Mesmo depois de ter confessado todo o amor que sentia, mesmo depois de tê-lo salvo da morte, mesmo depois daquele beijo...
O tempo passava. O mês estava quase no fim, assim como a vida de solteiro e toda a esperança de Roy. O casamento que fora marcado para o fim do mês se aproximava assustadoramente. A jovem noiva mostrava-se animada com tal expectativa, Roy, porém, apenas fingia (ou tentava) que compartilhava da mesma alegria de sua noiva e de seus pais.
Sentia falta apenas de suas pessoas naquele momento: Sua amada Riza e seu grande amigo, Hughes.
Os únicos que sempre o apoiavam e o salvavam de algum perigo. Nenhum estava a seu lado no momento em que mais precisava. Bom, nem tanto, ainda que parecesse estranho, podia sentir que Maes sempre o acompanhava. Até podia ouvi-lo dizer em seu habitual tom de deboche.:
- Hehe... Viu no que deu a galinhagem, Mustang? Agora já era... Vai casar!
O amigo sempre lhe dissera para arranjar uma esposa, já que vivia se gabando de como era maravilhoso ter uma mulher ao seu lado. Mas, Roy não sentia essa sensação que o amigo sempre lhe falara, não com Anita, apenas com ela. A única \'guardiã\' que lhe restara, que agora havia se afastado dele, mas com certeza, também sofria tanto ou até mais que ele.
Sabia que os sentimentos da loira estavam despedaçados, embora ela não demonstrasse, sabia que aquele casamento seria demais para o coração frágil que agora possuía.
Ele enfiou as mãos nos bolsos das vestes militares e tocou um objeto frio e arredondado. Tirou-o do bolso e viu que fora o que Luciana lhe dera. Não entendia o sentido daquele presente incomum.
E novamente, desistiu de tentar entender a irmã caçula. Ela e suas loucuras e armações. Agia como uma criança... Não, não. Crianças têm um senso melhor do que Luciana tinha. Era pior que criança, uma adolescente que nunca cresceu.
Novamente veio a mente do coronel os dias de Jasmine city, e, pela a primeira vez, percebeu que a irmã armara tudo para que eles ficassem juntos. E somente quando percebeu isso, também percebeu o significado daquele \'presente\'. Sorriu maliciosamente.
- Com certeza ela tem o sangue dos Mustang nas veias. – ele murmurou para si– Mas... Não acho que isso vá adiantar nessa altura do campeonato. Se eu ao menos tivesse percebido antes...
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