Back To Baker
12 Capítulo 11
Notas iniciais
- Você realmente pretende desafiar Holmes?- Will se certificou. O que aquele menino tinha pensado?
- Hmmm... Sim, é o objetivo em toda essa discussão. — Eu o devolvi um olhar de "Dãã!!".
Ele deu um daqueles seus sorrisinhos maldosos de novo, me fazendo estremecer e atiçando minha curiosidade.
- O que foi??? Fala logo!! — Reclamei em um muxoxo. Will me puxou pelos ombros e trouxe pra perto, como se a gente estivesse estivesse fazendo um planinho.
- E se desafiássemos eles? — Cochichou.
- Eles quem?
- Por acaso você é loira, Hollyson? Sherlock e Watson!!
- Ahhh... — Tudo começou a fazer um leve sentido.
- Então, competimos quem resolve o mistério primeiro.
- Só isso? — Me desapontei. — Vamos perder. É o Holmes!!
- E o Watson não se esqueça. — Ele completou para logo em seguida sacudir a cabeça, como se estivesse se desviando do assunto. — O ponto é, com esse diário não vamos perder, cabeção. — Ele bateu com o diário de leve na minha cabeça. — É simples, nos recusamos a dar informações que coletamos, mas podemos ver as que eles coletaram.
- Mas isso não seria um tipo de trapaça?
- Não se você encarar que esse é o nosso poder e privilégio de pessoas do futuro enquanto o poder e privilégio deles é o Holmes ser de um cara excêntrico pra caraca, mas genial.
Olhei firme nos olhos cinzentos de Will por um minuto.
- Você é um gênio!!!- Eu exclamei, abraçando-o forte.
- Eu sei!!! — Ele abraçou de volta, me levantando.
- E eu não sei... — Uma voz estranha soou no meu quarto.
- Porque vocês, jovens do futuro, são assim. — Completou Holmes, nos assustando. Will me largou quase na mesma hora.
- O que raios você está fazendo aqui??? — Reclamei.
- Ver se meus bichinhos de estimação estão bem. — Ele respondeu simplesmente.
- Está sentindo pena por ter-nos proibido jantar? — Retruquei.
- Mocinha, não sou idiota... — Tossiu — Obviamente não sou idiota, sou um gênio, para não perceber que Sra. Hudson trouxe comida pra vocês.
- Veio só esfregar sua genialidade na nossa cara? — Cruzei os braços, indignada.
- Como se eu precisasse esfregar ela... — Ele deu um riso seco.
- Não, não, não!!! Não é essa a questão! — Explodiu Will.
- Então o que seria? — O detetive deu um sorrisinho de superioridade.
Olhe, o que eu poderia dizer?
Aquilo realmente atiçou Will.
- Vamos então por essa sua genialidade a prova. — Ele empinou o nariz, ai, ai, deve ser divertido ser alto pra poder ficar realmente olhando por cima dos outros. — Eu e a Hollyson te desafiamos, você e o Watson vão investigar a seu bel-prazer, certo? Nós também, um time não pode contar nada do que descobriu um para o outro. O time que desvendar o caso primeiro vence!
- Por favor, criança, isso é totalmente absurdo! Casos não são brincadeiras, mas sim trabalhos!
- Ahhn... — Fiz uma cara propositalmente exagerada de pensativa. — Então você não tem confiança de conseguir resolver sem a nossa ajuda? Faz sentido, deve ter passado o seu tempo, Sherlock.
- Então aceito — Concordou o detetive, mantendo a compostura com dificuldade. — Vou mostrar pra vocês, pirralhos do futuro, que não se deve me subestimar.
- Não vemos a hora.
Holmes saiu batendo a porta.
- Não pegamos pesado demais, Will? Sherlock continua sendo meu herói.
- Não... É divertido demais ver ele, o Senhor Calmão, ficar irritadinho desse jeito.
- Will... Você com certeza é um servo do mal.
- ... Provavelmente! — O moreno sorriu e piscou o olho.
--x--
Novamente na casa da família Murray, ficamos com o dever de tomar conta de Tony, podíamos não descobrir nada, porém como definitivamente saberíamos o que acontecerá com Watson e Holmes, não nos preocupamos.
- Ahh... Seu quarto é muito lindo! — Comentei.
E, sim, era realmente lindo, a falsidade não estava batendo em minha porta esse dia. Típico quarto de riquinho das antigas.
Eu acho.
As paredes eram revestidas de madeira cor de caramelo e brilhosa, assim como o chão, este tinha um enorme tapete felpudo vermelho escuro. Grande parte das paredes estavam cobertas por estantes cheias de livros, e, por algum motivo, — qual será??? — tive impressão que a maioria era sobre jardinagem. No meio das estantes, havia uma escrivaninha, também de madeira, mas essa de um tom mais escuro, uma cadeira que parecia deixar o traseiro um pentágono — porque quadrado é muito pouco — e gavetas, gavetas e, ah, eu já disse gavetas?
Por mais incrível que pareça, tinha espaço pra cama no meio de todas essas estantes e gavetas, mas não sei se realmente deveria considerá-la uma cama, já que ela estava soterrada por mais uma pilha de livros — Deus, de onde tantos livros, garoto? Esqueceu que sua casa tem uma biblioteca?
- Ah... Obrigado. — Disse o loiro encabulado. — Desculpa a bagunça, deixa eu tirar os livros daí para vocês sentarem.
- Não se preocupe. — Sorriu Will. — Sentamos por cima mesmo. — Se dirigiu à cama e ergueu seus glúteos (ui, palavra chique).
- M-Ma- N-Nã... — O desespero nos olhos do pequeno era tanto que deu até pena.
Will e eu não conseguimos segurar o riso.
- Calma, Tony, estamos brincando. — Will acalmou-o.
- Claro, e se esse bundudo OUSASSE encostar aquele traseiro fedido em um lindo e maravilhoso livro eu matava. — Acrescentei, sinceramente. Tanta sinceridade que o moreno me mirou um pouco temerário.
- Bem... Você ouviu. — Ele suspirou, dando de ombros.
- Estou aliviado. — Respondeu Tony como se estivesse brincando, mas sem convencer muito.
Fomos interrompidos quando um sino tocou.
- Ah!! — O loiro exclamou. — Estão me chamando na cozinha. Se me dão licença, eu vou demorar só um segundinho.
- Sem problemas, nós que estamos invadindo sua casa. — Demos tchauzinho enquanto Tony saía apressado do quarto, batendo a porta atrás.
- Hmmm... Vamos ver... — Will murmurou enquanto começava a mexer nos papéis na escrivaninha do pequeno aristocrata.
- O que você acha que está fazendo?? É uma falta de respeito!!
- Blá, blá, blá. Estou só investigando, claro. Pra quê você acha que estamos aqui? Dançar macarena?
- Mas é antiético!
- Mas é antiético! — O moreno falou com a voz fininha, como que me irritando e abriu uma das prateleiras da escrivaninha. — Oh! — Soltou.
- O que foi? — Tentei olhar por cima de seu ombro.
- Nada que te interesse, Srta. Antiética. — Ele começou a ler o que parecia um papel. — Meu. Deus. — Ele exclamou, como se estivesse enojado.
- O que foi, o que foi? — Ele, silencioso, me entregou o papel. Uma página rasgada de um livro.
De um livro gay.
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