Back To Baker
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Era um relato cuidadosamente detalhado sobre o dia de hoje, como se fosse o Watson, claro. Mas havia um porém: Nada de mim nem de Will. Era como se não existíssemos.
Bem, sendo racional, não realmente não existíamos, na verdade, existíamos, só que muitos anos depois de agora (?). Provavelmente o diário só escrevia informações novas à medida que elas aconteciam, fazia sentido, tirando o fato do dele escrever sozinho e estarmos numa época diferente. Hm.
Chatooo... Eu poderia usar isso para ganhar créditos com o Watson e o Sherlock, mas não valia muito agora. Cansada e frustrada, guardei o diário na minha bolsa e fui dormir, com as memórias do menininho na minha cabeça.
Acordei com Salem miando – não que estivesse alto, meu sono estava anormalmente... Hm... Leve. Estranhei. Ele não era esse tipo de gato, se é que me entende, olhei para baixo e me dei de cara com Will, que estava deitado no chão, ao lado da minha cama.
Ele me perscrutou com seus olhos cinzentos, que, de noite, pareciam quase brancos. Ele tinha o mesmo problema que eu.
- Não consegue dormir?
Ele não respondeu e só balançou negativamente a cabeça. Não falara nada desde o que acontecera.
- Você está bem? – Perguntei e pela primeira vez pude ver o Will normal naquela pessoa deitada no chão. Ele me olhou com uma cara irônica, como se falasse: “Com certeza estou maravilhoso...” sarcasticamente. Me permiti um sorriso.
- Pretende ficar aí a noite toda?
- Se não tiver problemas para você...
- Mas vai ficar bem desconfortável. Pode deitar na minha cama, tem um sofá ali no canto...
- Não!! O sofá fica comigo. – Ele se levantou e espreguiçou. Foi pro canto do quarto e levantou o sofá de lá com muita facilidade. Ok, ok, aquilo me impressionou, afinal, ele era um só levantando um sofá grande feito em mairo parte de madeira maciça. Ele a pousou com delicadeza ao lado da minha cama, tendo cuidado para não acordar ninguém. Deitou-se, se aconchegando, tentando fazer com que as pernas compridas coubessem de algum modo, o que foi divertido.
- Eu caibo no sofá, deixa que eu deito aí.
- Não! – Ele continuou, teimoso. Parou de se remexer e segurou minha mão. – Você só precisa fazer isso, Hollyson.
Na verdade, eu também fiquei aliviada. O calor de sua mão gigantesca me davam um conforto e segurança que provavelmente me deixaria dormir.
- Boa noite, Will...
--x—
Acordei de manhã com Will me encarando.
- Ficar me olhando é um novo hobbie seu? – Reclamei. Ele só abriu um grande sorriso. Babaca. Ele soltou minha mão e se sentou. Coçando seus cabelos negros.
- Obrigado e desculpa por hoje, Hollyson. Se não fosse por isso não teria conseguido dormir.
“Nem eu”, pensei. Ainda podia sentir o calor de sua mão. Ele carregou o sofá de volta pro canto do quarto.
— Estou descendo primeiro. – Ele disse, encostando a porta com suavidade. Eu me dei por vencida, caindo na cama enquanto Salem me olhava curiosamente. Meu rosto ardia. Me recompus e desci as escadas. Na cozinha, Sherlock olhou para mim e Will.
- Esses jovens... Parecem hamsters... É só uma brecha e...
Eu e o moreno coramos como se não houvesse amanhã.
- N-Não é...
Watson começou a rir, dando de ombros, o que significava que era para não levarmos a sério.
- Vamos, hamsters, se aprontem que já já vamos. – Holmes apressou, fechando seu jornal.
Subi ao meu quarto para me arrumar, com o livro cuidadosamente guardado ao meu alcance, na bolsa, fui para a mansão junto com os outros para investigá-la. Ok, tudo bem, para Holmes investigá-la e Watson dar palpites enquanto eu e Will provavelmente comíamos biscoito e conversávamos com Anthony.
Ao chegarmos, demos de cara com uma Lady Murray ansiosa.
- U-Um-Uma coisa h-hor-horrível aconteceu!!! – Os olhos arregalados alarmaram a gente.
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