Back In The USSR
17 Capítulo 17
Era manhã ainda bem cedo e George se levantou e depois de um banho rápido foi ao aparador da sala e tirou de lá os papéis do divórcio. Agarrou numa caneta assinou em todos os sítios que eram necessários. E sorriu. Finalmente se livrava de um casamento de mentira.
E George não tinha nada com que se preocupar. A casa era sua propriedade legal, e não havia nada que Pattie pudesse reclamar como seu. Então saiu, ainda o sol mostrava os primeiros raios direto a casa de Eric. Bateu com força na porta e Eric apareceu, todo descabelado.
–É preciso descaramento para vires aqui a esta hora! – Ele resmungou.
–Olá meu caro cidadão! – George disse de sorriso nos lábios, gozando-o. – Gostaria que entregasse isto à minha ex-mulher, sua atual namorada, — Ele deu os papéis e a aliança a Eric, continuando. – e quero vos desejar muitas felicidades. Que fiquem bem juntos!
–Isto é no gozo, George? – Eric perguntou ainda atordoado de sono.
–Oh, eu não estou a gozar com ninguém. Ela é que gozará contigo e te deixará também!
–Eric, quem é? – Pattie apareceu devagar, espreitando. – Porque demoras tanto?
–Oi queridinha. Desculpa ter-te acordado. – George desceu o degrau da porta, afirmando antes de ir embora. – Eu quando saio da cama consigo mais sexy que esse descabelado aí!
Harrison caminhou para o carro, largando uma gargalhada. Ele sentia-se… bem. Como há muito não se sentia. Agora precisava de comer alguma coisa, mas antes disso ia passar na pensão onde tinha deixado Olivia ainda no dia anterior, para saber como estavam as coisas com ela.
Só depois de bater à porta é que ele se lembrou do quão cedo era, mas reparou que Olivia era madrugadora tal como ele, abrindo rapidamente a porta, já completamente desperta.
–George, que surpresa!
–Estava a passar aqui perto e resolvi ver como está. – Ele mentiu.
–Eu ia agora sair para tomar o pequeno-almoço. Se me quiser acompanhar.
–Será um gosto. Até porque o meu estômago já se está a queixar há algum tempo! – Os dois saíram e George perguntou. – Então, como passou a noite? Nada de dores nem nenhum problema?
–Não, nenhum problema George. – Olivia corou e olhou o chão, não estando habituada a que lhe desse assim tanta atenção.
–Isso é bom… — Ele falou também envergonhado, sentindo o coração aos pulos sem saber que mais dizer.
Os dois estavam numa conversa animada enquanto comiam, começando de se conhecer. Fui quando Olivia tocou devagar no olho negro de George, o fazendo ficar estático, olhando os lábios dela, que já hospital tinha admirado.
–Nossa, esse olho parece muito mau.
–Agora já não dói nada… — Ele falou, completamente enfeitiçado, olhando-a.
George sentiu que distraída e lentamente se aproximava de Olivia. Ele não se conseguia parar, mas a verdade é que também não queria. Só parou quando se viu a meros centímetros da boca dela e suspirou fundo, chegando-se para trás. Pediu desculpas um monte de vezes e Olivia ao reparar que ele tinha ficado constrangido, continuou a conversa, fazendo-o sentir-se confortável outra vez.
Quando acabaram a refeição, George deu boleia a Olivia até a uma área comercial ali perto, pois ela estava disposta a procurar trabalho imediatamente. Depois Harrison foi buscar o seu parceiro a casa, pois esperava que ele estivesse de ressaca e deprimido de novo.
Isso esperava ele… mas quando Rick abriu a porta, parecia um homem novo. A barba que tinha descuidadamente deixado crescer na última semana estava agora aparada, assim como o cabelo. E não foi o espanto de Harrison ao ver uma mulher-a-dias entrando na casa de Starkey, para fazer limpeza. Ele finalmente tinha contratado alguém para lhe limpar e tratar das compras da casa. Foi uma coisa horrível Eva ter morrido, mas que mudou Rick para melhor, nisso não havia dúvida.
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McCartney gemia tentando apertar o botão das calças, mas ele não conseguia mexer o braço. Agora que o efeito dos analgésicos e todas as outras drogas que lhe haviam sido dadas no hospital havia passado, ele sentia dor em cada movimento. Então não viu outra solução senão caminhar para o telefone com a camisa despertada, a gravata pendurada no pescoço e as calças nos tornozelos.
–Preciso de ajudar para me vestir. – Ele disse assim que pegaram no telefone do outro lado.
–Ajuda para vestir? – Lennon falou. – Acabei de pegar a Cyn à estação, estávamos a divertirmo-nos com o Julian e tudo ligas-me a pedir ajuda para te vestires?
–Vá lá! – Paul falou desesperado. – Sabes bem que eu não consigo. Estou de camisa desapertada, gravata pendurada no pescoço e calças no chão!
–Não queres mais nada, não! Estás-me a ver a apertar-te as calças!?
–Traz a Cyn então. Eu preciso de ajuda!
–Como se eu deixasse a minha mulher pôr as mãos em ti, quase nu!
–Então o que é que eu faço? – Ele perguntou impaciente.
–Não sei. Só sei que vou entregar o meu relatório da missão aos Serviços Secretos e se quiseres posso trazer as tuas coisas de lá.
–Sim, e vou andar de boxers o dia todo?
–Desde que o faças dentro de casa, eu não tenho problema com isso!
–Está bem, leva as minhas coisas para a delegacia. Eu depois vou lá ter.
–Vais ir com as calças no chão, é? – John gozou, aproveitando-se da situação.
–Não. Simplesmente já sei a quem ligar. E que me vai ajudar!
Paul desligou a chamada com John e ligou para Linda, que prontamente apareceu para o ajudar.
–Eu peço imensa desculpa, Linda, mas eu não me consigo vestir de maneira alguma!
–Não há problema, Paul. – Ela disse sorrindo.
McCartney perdeu-se nos seus próprios pensamentos enquanto Linda lhe apertava as peças de roupa. Como ele tinha mudado… Pedir desculpa por estar em trajes menores em frente de uma mulher! E a forma como ela está sempre disposta a ajudar, sempre com um sorriso nos lábios.
Paul sentiu o seu coração parar quando olhou o rosto sorridente de Linda, quando esta lhe apertava a gravata. Não haveria sem dúvida alguma sorriso mais bonito do que aquele. E ele sorriu também, a sua mente construindo uma história que nunca tinha feito.
Imaginou-se casado com ela, Linda lhe apertando a gravata pela manhã, antes de ele sair para o emprego. Havia uma pequena menina brincando no chão e Linda com um barrigão, esperando outra criança. Depois deixou um beijo na cabeça da menina, um na barriga de Linda e outro nos lábios dela e saiu para trabalhar. Soava à mais ridícula vida suburbana que Paul nunca quis ter. Mas vendo Linda naquele seu pensamento, ele passara a amar… a querer esse estilo de vida.
–Paul, está tudo bem? – Linda perguntou, vendo-o de olhar vago.
–Sim. Tudo está bem. – Ela virou costas, indo buscar o casaco dele para o ajudar a vesti-lo quando ele agarrou no pulso dela. – Linda, gostava que jantasse cá em casa hoje à noite. Considere compensação pelo jantar em sua casa e por deixar eu e o Julian ficar ontem lá em casa.
Ela esboçou um sorriso sincero, respondendo. – Será um prazer, Paul. E desde já, obrigada.
Paul queria com aquele jantar ficar a conhecer Linda. O que ela faz, o que ela gosta. Mas sobretudo, ele quer contar-lhe que deixara de ser agente do MI6 e que agora ia passar a ser Detetive de Homicídios da Scotland Yard. Isto porque Paul achava que estava a mentir para Linda, pois ela o encontrou lá na delegacia, ainda ele era agente secreto.
Depois de se despedirem, McCartney foi direto para a delegacia onde se encontraria com Lennon. Os dois tinham estado juntos na noite anterior na casa de McCartney, escrevendo os relatórios enquanto Julian brincava ao lado deles. Lennon estava agora nos Serviços Secretos, entregando ambos os relatórios e trazendo as suas coisas e as do parceiro. Assim que chegaram à delegacia foram falar com Martin para saber se podem integrar a divisão de Homicídios da Scotland Yard.
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–Rapazes, — Martin falou para Starkey e Harrison. – vão passar a ser um quarteto.
–O quê? Vamos ter que treinar novatos? – Starkey reclamou.
–Eu acho que vocês vão gostar destes novatos.
–Duvido! – Harrison pronunciou-se.
–Eles são tão ingratos, não são Paul? – Lennon falou atrás deles.
Starkey e Harrison rodaram as cadeiras para os encarar, completamente espantados.
–É bom que não haja dessas partidas pra novatos! – McCartney advertiu.
–São vocês que veem para cá? E o MI6? – Starkey perguntou enquanto Harrison atendia um telefonema.
–A gente despediu-se do MI6.
–Mesmo a calhar. — Harrison falou, levantando-se e vestindo o casaco. – Acharam um corpo mesmo agora. Nada melhor do que aprender no terreno! Venham rapazes!
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