Back In The USSR
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Um agradecimento especial à MaggotManiaca por me dedicar um capítulo! E claro, as minhas outras leitoras porque vocês também são magníficas!
-Oi! – Rick disse entusiasmado, inclinando-se sobre o balcão.
-Rick! – Eva disse. Surpresa fez-se ouvir na voz dela. – O que fazes aqui?
-Eu vim te buscar para jantarmos.
-O quê? Jantar agora? Eu nem estou em condições para irmos jantar!
-Deixa, estás linda assim! – Ele não aceitaria ‘não’ como resposta, por isso a puxou pela mão.
Rick puxou-a contra o seu corpo e a beijou. Eva tentou-se debater contra o beijo, fazendo que este fosse mesmo furioso, violento e faminto. Ele segurava firmemente a cintura e a face dela, tentado com que ela não desgruda-se dele. Quando Eva se rendeu, ele suavizou o beijo, aprofundando-o. Quando já faltava o ar, ele separou os lábios dos dela, os dois reunindo o fôlego de novo. Ele deu um selinho nela e perguntou:
-Podemos ir?
Eva sorriu e olhou o chão, corando. – Podemos.
Eva agarrou na mão dele e os dois caminharam para a porta. Ela vestia um vestido branco com finas alças e que lhe chegava pelo joelho. Assim que Rick abriu a porta, uma fria brisa balançou o vestido dela e ela arrepiou-se.
Rick tirou o casaco e ajudou-a a vesti-lo. Depois tirou a camisa para fora das calças e colocou o braço em volta do ombro dela. E assim foram os dois caminhando pela rua. – Ok, como eu sou cavalheiro deixo que decidas onde vamos comer.
-Ser cavalheiro ou não saber onde me levar?
-Eu sou obrigado a conhecer todos os restaurantes da zona? – Ele perguntou, fazendo-a abafar uma risadinha com a mão.- E não posso dar numa de cavalheiro, madame?
-Podes, claro que podes ser cavalheiro. Mas como é que fazes para comer então?
-Normalmente tenho o George comigo! Ele é grande apreciador de comida!
-O George!? – Ele disse incrédula. – O magricela do teu amigo?
-Eu sei, eu sei, mas ele come que nem um animal! E eu não quero insultar os animais!
Eva riu outra vez e falou.- Vamos a um restaurante aqui perto. Come-se bem, é bem barato-
-Ah! – Ele grunhiu. – Eu estou-te a dar a chance de me fazeres gastar o meu dinheiro em ti, não te faças rogada!
-O restaurante é o meu favorito, Rick. – Ele admitiu, fazendo-o dobrar a esquina, já que ele andava guiando-se por ela. – Normalmente as coisas mais caras não são as melhores, sabes?
-Mas as maiores são, — Ele olhou-a pelo canto do olho, dando um sorriso pervertido. – certo? – Eva socou-o no ombro. – Se me bateste é porque é verdade!
-Queres ir jantar sozinho? – Ela disse em tom ameaçador.
-Não conseguias dizer-me que não!
Eva parou-o e olhou-o nos olhos. – Não! Eu não vou jantar contigo!
Rick aproximou-se dela dando-lhe um beijo lento, enquanto a mão dela lhe acariciava a coxa sobre o tecido do vestido. Eva foi caminhando para atrás até ficar encostada à parede. Foi então que ele sussurrou. – Diz que não outra vez.
Eva mordeu o lábio e olhou-o diretamente nos olhos novamente, dizendo. – Não!
Rick voltou a beijá-la e outra vez ele lhe pediu que ela o negasse. Eva fez isso mais umas vezes até que Rick disse. – Sua safada! Só dizes que não para eu te beijar!
Eva riu com vontade, divertida com a inocência do detetive. Ela continuou a rir quando o puxou pela mão e ele continuou a olhar a parede de jeito pateta. – Anda logo, Rick! – Eva falou entre risos.
Num movimento súbito ele tirou os olhos da parede e envolveu os braços na cintura dela, dando-lhe um beijo no pescoço. Voltaram a caminhar de mão dada, rindo que nem loucos, e quem os visse diria que eles estavam juntos fazia anos.
Eva não mentira quanto ao restaurante. Era muito simples mas estava com bastantes pessoas lá. A comida era do melhor e os preços realmente eram baixos. Durante todo o jantar Rick fez Eva rir à conta da sua personalidade brincalhona e trapalhona.
E, como se não bastasse, havia uma banda lá a tocar e pessoas a dançar em volta das mesas. Já há muito que Rick os via dançar e sentia um formigueiro correndo-lhe nas pernas. Ele levantou-se, ganhando a coragem para puxar Eva para uma dança.
-Eles são bons. – Rick admitiu, vendo os quatro rapazes tocando.
-Eles são Johnny and The Moondogs. – Eva explicou, já estando a ser puxada do assento por Rick para dançarem.
Rick provou ser muito bom a dançar, tendo estilos de dança criados por ele próprio, mas pisando Eva um monte de vezes. Foi então que fez Eva rodopiar sobre si própria e a deixou bater num empregado que passava naquele momento atrás dela. O homem entornou sobre ela o vinho que trazia, encharcando-a e manchando-lhe o vestido.
Rick imediatamente pagou a refeição e ofereceu-se para pagar também o vinho estragado e saíram. Eva voltou a vestir o casaco e os dois caminhavam mudos pela rua fora.
Ele estava embaraçado com a situação, caminhando lado a lado com ela, de mãos dentro dos bolsos. Então ela decidiu quebrar o gelo. – Podia ter sido pior. Eu podia ter partido alguma coisa!
Rick esboçou um sorriso fraco e continuou entretido a caminhar, olhando o chão e chutando uma pedrinha.
-Hey, Rick, olha para mim. – Como ele não o fez, ela agarrou-lhe na mão e segurou-a, fazendo com ele parasse de andar. – Hey, — Ela sorriu e levou a outra mão à face dele, acarinhando-a. – não aconteceu nada. Não sei porque estás assim. – Foi então que ela admitiu. – Eu gosto de ti assim mesmo.
Ela bicou os lábios dele e esperou pela reação dele. Rick segurou o rosto dela nas duas mãos e beijou-a de forma lenta, saboreando a boca dela. Os dois esboçaram um sorriso e ela esticou a mão para que ele a agarrasse. Em vez disso Rick colocou o braço em redor da cintura dela, deixando-lhe um beijo nos cabelos.
-Creio que nunca lhe mostrei a minha casa. E ainda para mais, precisa tirar essa nódoa de vinho do vestido e do corpo.
-Seria muito amável e cavalheiresco se me deixasse fazê-lo em sua casa.
Durante todo o caminho a mão de Rick brincava com o tecido do vestido, correndo-lhe a perna, a barriga, e até mesmo os seios, de forma discreta. Assim que entrou em casa, ele deu um beijo desenfreado nela, fechando a porta com um pontapé para trás.
Eva tirou o casaco e pendurou na cabeça dele, dizendo. – Ainda sei o caminho para o banheiro. Não preciso que mostre!
-Estou interditado de entrar? – Rick falou, tirando o casaco da cabeça, ouvindo o som dos tacões dela se afastando.
Eva não falou, fechando a porta. Se ele realmente estava disposto a alguma coisa, ele entraria, mas ela se faria difícil. Mas ele não queria parecer um desesperado para querer saltar logo nela. Então espreitou pela fechadura vendo-a já enrolada numa toalha, temperando a água.
Ela fechou a torneira e caminhou para a porta. Ela abriu-a sem que Rick contasse com isso, e ele caiu ajoelhado. Ele olhou para cima e ela disse. – Queres entrar?
Ele acenou com a cabeça e falou. – Eu espero no quarto.
Eva achou estranho, mas eles eram os dois cabeça dura, e se um se fazia difícil, o outro tinha que se fazer mais difícil ainda. Ele sentou-se na beira da cama e tirou os sapatos que lhe esmagavam os pés e deitou-se para trás na cama. O som que ele mais gostava era o da chuva a cair, e isso o fazia adormecer num instante. E parecia que a água a correr nos canos estava a fazer o mesmo efeito nele. Ele fechou os olhos por uns segundos, esperando por ela.
Eva chegou ao quarto envolta na toalha, já que não tinha mais que vestir, e provavelmente nem precisaria e se deparou com aquela coisa adorável deitada na cama. – Rick? Rick? Pára de fingir que estás a dormir! – Ela disse, abanando-o. Mas ele nem se mexeu. – Rick? – Ela chamou mais alto, mas nada. Ele tinha mesmo adormecido.
Eva sorriu. Ainda só tinha estado com ele duas vezes, mas essas duas vezes foram suficiente para saber que ele era um adorável pateta desajeitado. E o facto de ele ter adormecido só comprovava isso mesmo, o que fez Eva dar uma risada. Com outro homem, ela teria achado aquilo insultuoso, mas ele era diferente. Era assim que ele era mesmo, sempre brincalhão. Ele fez Eva rir mais naqueles dois dias do que nos últimos anos.
Ela tentou não ser invasiva, mas procurou no roupeiro alguma coisa para vestir. Achou uma T-shirt que lhe chegava pelo meio da coxa, mesmo ele sendo homem pequeno. E já que ele não tinha nada mais confortável do que calças ou jeans, ela procurou por uns boxers e vestiu-os. Eva gatinhou sobre a cama, chegou perto da testa dele e deixou-lhe um beijo sobre os cabelos, deitando a cabeça no peito dele adormecendo passado pouco tempo.
Rick abriu os olhos com dificuldade. Porque seria que ela estava demorando tanto tempo? Foi quando tomou atenção que já não ouvia a água a correr e sentiu um peso sobre o peito. Quando olhou viu-a a dormir, sentiu a camisa molhada e os cabelos dela já estavam secos. E se eles já estavam enxutos só queria dizer uma coisa. Ele inclinou a cabeça para trás e viu o sol já erguido no céu. Rick coçou os olhos, não se acreditando que tinha dormido a noite toda. E ele achando que só tinha fechado os olhos por meros segundos!
Ele tentou mover-se devagar para não a acordá-la, mas Eva levantou logo a cabeça. – Oi! – Ele depois corou e desviou os olhos dela. – Parece que eu adormeci!
Eva deu uma risada, sentando na cama. – Eu sei, eu reparei!
-Então porque não me acordaste? – Rick questionou, levantando-se.
-Estavas adorável. Não consegui acordar-te! – Ela confessou. Ele deitou-se sobre ela, começando a beijá-la. – Não, Rick! – Ela falou entre risos. – Agora não, tenho que ir trabalhar!
-Preferes o trabalho a mim?
-Sim, prefiro!
-Não vamos começar esse jogo do ‘não’ outra vez, pois não?
-Não. Agora, upa! – Ela empurrou-o, fazendo ficar de joelhos. – Vamos embora!
-Ok, se assim insistes! – Rick levantou-se e puxou-a pelos braços, carregando-a nos braços.
Ele deixou-a na cozinha, e enquanto ele foi trocar de camisa e buscar outro casaco e gravata, ela foi até à casa de banho buscar os sapatos e o vestido.
-Eu não te vou deixar ir assim para a rua. Não quero que todos te vejam as pernas! – Rick reagiu quando viu que ela tinha vestido a sua roupa.– Espera aí. — Ele atirou o casaco e a gravata sobre a mesa e correu ao quarto enquanto apertava a camisa. Consigo trouxe um longo casaco que ela vestiu.
Saíram os dois para o carro dele. Rick ainda estava a dar o nó na gravata e a vestir o casaco. Ele disse que a levaria a casa e até mesmo ao trabalho se necessário, mas Eva preferiu ficar-se só pela primeira parte da oferta. Quando ele lá chegou não podia dizer muito sobre a casa dela porque era num prédio de apartamentos.
-Hey, — Ele sussurrou, quase inaudivelmente, segurando o braço dela antes de ela sair. – quero-te pedir desculpa por ontem à noite.
Ela olhou o vestido, dizendo. – Não preocupes, isto sai facilmente.
-Não estava a falar do vestido. Quer dizer, também, mas não só. Tu entendeste!
-Queres pedir desculpa por me levares a comer ao meu restaurante favorito, por me fazeres rir, por dançares comigo e por me deixares dormir ao teu lado? – Ela olhou-o nos olhos e depois segurou o rosto dele nas duas mãos, dando-lhe um beijo lento. – Eu adorei ontem à noite. Quero lá saber se nós não transamos. Eu amei a noite de ontem. És um cavalheiro, pateta, trapalhão e adorável. – Ela deu-lhe um selinho e encostou a testa à dele, dizendo. – Fizeste-me rir mais em dois dias do que o que eu ri nos últimos anos.
Agora foi ele quem a beijou, aprofundando o lento beijo, levando a mão à face dela. – Então, não há pedidos de desculpa?
-Não palerma. A não ser que a nódoa não saia do vestido! Aí nem sei se desculpas aceito porque este é o meu favorito!
-Se não sair, eu compro-te outro. – Ele disse sorrindo.
Rick recebeu um beijo na bochecha de Eva, que lhe disse. – Obrigada por tudo, Rick. Eu adorei a noite de ontem.
Ele sorriu após ela sair do carro e dirigiu para a delegacia só pensando na sorte que estava a ter. Ele só não queria que a sua vida desse uma reviravolta e toda aquela sorte se tornasse azar.
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n/a: Eu pedi à Helena (PaperbackWriter) para postar no blog dela um desenho que fiz. Ficou meio rançoso porque eu não tenho jeito pra desenhar e ainda por cima foi feito na viagem de carro. Mas de qualquer das maneiras até que não saiu assim tão mal, não acham:
http://meumundopepper-lejr.blogspot.com.br/2012/08/desenho-beatles.html
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