Back In The USSR
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Harrison já estava no Cavern Club fazia um bom quarto de hora quando Starkey entrou. De mão no bolso ele entrou com ar de fanfarrão, e Harrison discretamente abanou a cabeça e suspirou. Provavelmente o parceiro não sairia de lá sem levar um murro.
Harrison bebia aos poucos a bebida. A vodka russa era bem forte. Só o intenso cheiro da bebida a entrar nas narinas do detetive já o fazia arrepiar. Estava a ver um jogo de bilhar ali na sala principal. Porém, assim que entrou reparou uma outra sala anexa, com uma porta de correr quase fechada, onde se jogava poker.
E assim que entrou os seus olhos focaram-se em dois homens da sala principal. Ele apostava tudo em como aqueles dois eram McCartney e Lennon. E ele entendeu por que nomes eles eram conhecidos naquele clube: Python e Casanova.
Starkey evitou olhar o parceiro, mas deu-lhe um olhar rápido. Harrison coçou a orelha esquerda (o sinal deles), dando-lhe a indicação que já sabia quem eram os MI6. O homem sentou-se ao balcão ao lado de uma loira que lá estava.
–Vodka, — Ele falou para o homem atrás do balcão. – e o que quer que seja que a senhorita estava a beber. – Starkey procurava na moça um motivo de distração de forma a observar o bar, mas quando ela olhou para ele, o detetive paralisou por um pouco.
A moça tinha o cabelo loiro, ondulado que lhe emoldurava o rosto quadrado. Starkey ficou sem reação quando ela lhe sorriu e se olharam, olhos azuis em olhos azuis. – Bebo tónico, por favor. – Ela virou os olhos para o bartender, sabendo que deixara o detetive rendido.
–Isto não são sítios para senhoritas como você frequentarem.
–Eu sei. – Ela chegou a boca perto da dele. – Mas trabalho é trabalho, não é assim que dizem?
–Verdade. Mas, que tipo de trabalho pode ter alguém como você para estar aqui?
–Senhorita, o seu tónico. – O bartender falou.
A loira não respondeu ao detetive, afastando-se dele e pegando na bebida. – Nunca o tinha visto por cá.
–É primeira vez. – Ele respondeu, dando uma olhada ao bar. – Foi-me recomendado por um amigo.
–Uhm…Um amigo. – Ela bebeu depois o tónico num gole.
–Então, você já foi tomada ou eu ainda tenho uma chance?
–Bem, isso foi rápido! – Ela deu uma risadinha. A risadinha mais linda que o detetive algum dia tinha escutado. — E a resposta é não. Sou livre para ser tomada.
–Ainda bem. – Ele tomou um gole de vodka e rodou um pouco o banco. – Então, posso assumir que não é a primeira vez que cá vem.
–Já cá estive umas vezes e posso dizer que não queres ter problemas com o Casanova ou o Python.
–Porquê? – Ele perguntou, a voz dele inflamando-se uma oitava.
–Eles são como que os seguranças daqui. O último pobre coitado que arranjou problemas aqui foi direito para o hospital.
–Pff, — Ele bufou, convencido. – tenho a certeza que me safava bem.
–Claro. Experimenta dizer isso às pistolas deles! – Starkey olhou-a de lado e ela disse. – Mas, obviamente que me engano a teu respeito. Um homem tão forte como tu dava conta deles à vontade!
–Eu por acaso noto algum sarcasmo no seu tom de voz? – Starkey chegou bem perto do ouvido dela, dizendo-lhe isso.
–Não. Normalmente confundem os meus elogios com sarcasmo!
–Uhm, vou fingir que acredito. – Ele olhou em volta mais uma vez e coçou a orelha esquerda. Também ele já tinha visto Lennon e McCartney.
Talvez porque McCartney fosse nome mais diplomático, os detetives associaram-no automaticamente ao mesmo homem. Aquele que estava sentado numa mesa, rodeado de mulheres, vestido a rigor. De fato, gravata e até mesmo colete, rindo numa amena cavaqueira. As moças pareciam adorá-lo, e quase competindo para ver quem tinha mais atenção por parte dele. McCartney era o Casanova, o agente do MI6 que se infiltrou nos KGB pelas mulheres.
Lennon estava na mesa atrás com um monte de homens, todos eles brutos, tatuados e com cicatrizes, com vodka e cigarros perto deles. Ele ria com eles também, e tinha uma postura mais maliciosa. No entanto, era ele quem deixava a piada para que todos se rissem. Lennon era por isso Python e o seu disfarce era ser o Britânico que traiu no seu país.
Uma vez entre outra Lennon e McCartney falavam, o que indicava que não escondiam dos KGB que se conheciam. E entre tantas trocas de olhares entre os MI6 e os detetives, as duas duplas apanharam-se uma outra. Lennon e McCartney já sabiam que Starkey e Harrison eram da Scotland Yard, e vice-versa.
Agora só precisavam de uma manobra de distração para conseguirem falar uns com os outros sem levantar suspeitas. E Harrison teve a ideia perfeita que Starkey imediatamente percebeu, mesmo sem ter sido ditas palavras. Harrison veio desde a mesa de bilhar até ao balcão. Sentou-se ao lado da loira, olhando-lhe descaradamente para os peitos.
–Hei, magricela, ela está a falar comigo.
–Mas eu não falei, ó narigudo! – Harrison provocou, enquanto a moça tentava que Starkey se sentasse.
–Pois não, mas eu não gosto dos teus olhos a pousar sobre ela. Podes dar uma volta?
–Não! Não estou a fim disso. Estou aqui tão bem sentado!
–Pois, — Starkey levantou-se num ápice, agarrando na lapela do casaco de Harrison. – então eu faço-te dar uma volta!
Starkey jogou Harrison ao chão e deu-lhe um pontapé para o estômago. Quando se preparava para lhe dar o segundo, Harrison agarrou-lhe na perna e puxou-o, fazendo com que o pequeno homem batesse de força com a cabeça no chão. Rapidamente subiu para cima dele, dando-lhe um murro que o deixou de nariz a pingar sangue.
Starkey deitou as mãos ao pescoço do magricela e deu impulso para o virar e deitar no chão, ficando Starkey sobre o parceiro. Harrison levantou as pernas e pressionou com os pés o peito de Starkey. Reuniu uma grande força e atirou com ele longe. Os dois levantaram-se rapidamente e já Lennon e McCartney caminhavam para eles. O plano tinha resultado.
–Cavalheiros, — Lennon disse atrás de Starkey, torcendo-lhe o braço esquerdo atrás das costas. – vamos continuar esta conversa lá fora.
Também McCartney torcia o braço do outro detetive. Tanto Starkey como Harrison sentiram uma arma a ser discretamente encostada às costas deles e foram obrigados e sair pelas traseiras que dava acesso a um beco escuro. Assim que a porta se fechou foram arremessados contra a parede.
Lennon e McCartney guardaram as armas e desataram a pontapear os dois detetives, perguntando-lhes quem eram eles. Mas eles não diziam uma palavra. Os pontapés começaram nas pernas, que eventualmente desfaleceram e então levavam no peito.
Quando se tornou difícil de respirar e as dores já eram grandes, Starkey e Harrison escorregaram parede abaixo. Lennon não mediu a força do pontapé que deu em Starkey, nem mesmo reparou onde lhe dera o pontapé. Mesmo em cheio na cara. A cabeça dele bateu na parede de tijolo atrás dele, e o detetive caiu deitado no chão, consciente.
McCartney foi mais brando sobre Harrison, colocando-lhe um pé no peito, forçando-o a deitar-se. Os dois MI6 colocaram o pé sobre o peito dos detetives e apontaram-lhes as armas à cara. Os detetives estavam desarmados. Starkey deixara o distintivo e a arma na delegacia e Harrison deixar os pertences dele no carro.
–Última oportunidade, para quem trabalham? – McCartney perguntou.
Nenhum deles falou, então Lennon disse. – Ou falam ou levam um balázio no meio da testa!
–Queres ajuda para puxar o gatilho? – Harrison gozou.
Lennon riu, e os dois MI6 guardaram as armas. – Estes vêm bem ensinados. – Os dois detetives foram levantados pelas lapelas dos casacos e encostados à parede. – Nós topamos logo que são Scotland Yard assim que entraram.
–O vosso jogo está aberto, — McCartney proferiu. – agora podem dizer quem vos mandou aqui?
–A morsa. – Starkey falou tonto e ofegante. – A morsa mandou-nos cá, Lennon. – O detetive disse o nome do agente em voz bem baixa.
–A gente desconfiou disso. – Ele disse, largando-o. O seu parceiro fazia o mesmo.
Harrison e Starkey estavam a escorrer sangue da boca e do nariz, cheios de dores nas costelas mas sabiam que isso era um dos custos do trabalho.
–Passem pela delegacia amanhã. Temos assuntos a discutir. – Harrison comunicou.
–Combinado. – McCartney falou. Ele e Lennon viraram costas e caminharam para a porta.
Antes de entrarem, Lennon virou-se para trás e disse. – Desculpem lá pelas mazelas rapazes. Para a próxima a gente faz pior!
Os dois detetives tomaram um pouco de tempo para recuperarem o máximo que era possível. Starkey olhou para o lado e viu a moça com quem falava passar na rua bem em frente do beco. Ele correu para ela e Harrison deixou-se ficar para trás, percebendo a situação.
–Hei! – Ele saudou-a ofegante.
–Eu avisei-te do Casanova e do Python, não avisei?
–Por ti valeu a pena. – Ele disse sorrindo. -O meu carro está logo ali. – Starkey apontou. – Queres que te leve a casa?
–Conduzir nesse estado? Eu levo-te a casa! E conduzo!
–Achas que podes curar os meus dói-dóis? – Ele sorriu malicioso.
A moça segurou o rosto dele e puxou-o para um beijo. –Acho que sim; dói-dóis curam-se com beijos, estou certa?
–Certíssima! – O homem respondeu entusiasmado, quase já esquecendo as dores.
Ele agarrou-a pela cintura e trouxe a para perto dele. Deu-lhe um beijo molhado, quase só roçando a língua dele na dela. Deixou-lhe um beijo no pescoço e uma pequena mordicadela.
–Não faço curativos na via pública, sabe, senhor?
Starkey puxou as chaves do bolso e deu-lhas para a mão. Ambos mal esperavam por adentrar na casa do detetive…
Notas finais
*Python por causa do grupo de comédia surreal britânico "Monty Phyton"(George Harrison amava os Monty Phyton, só para o caso! xD)
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