Notas iniciais
Prometi um capítulo grande...e aqui está ele.

8 meses depois (ano de 1966)

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Heather tinha nascido havia quase dois meses, mais especificamente sete semanas. Ela tinha nascido na noite de passagem de ano, e Paul faltara à reunião de família para estar com Linda nessa noite, embora ele ainda não percebesse bem o porquê.

Todos aqueles sentimentos eram novos para ele. Paul nunca soubera o que é estar apaixonado e o querer ficar com uma pessoa. Na verdade, ele queria muito ficar com Linda. Isso tornava-se esquisito para quem nunca tinha sentido isso. Mas mais esquisito era querer ficar todo o dia ao lado da menininha.

Quando deixa o trabalho na delegacia vai sempre ter com Linda, ajudando no que é necessário e dando algum escape a Linda nos dias mais difíceis. Às vezes o que ela necessita mesmo é de alguém que esteja um pouco com ela, que converse com ela. Mas desde que Heather nascera, ele nunca pegara nela. Até hoje.

-Linda, posso… posso pegar na Heather um pouquinho?

Linda esboçou um grande sorriso, dizendo. – Claro que sim, Paul.

Delicadamente Linda pousou a menina nos braços de Paul, que estava sentado, e a rodeou com os dois braços para ter a certeza que nada acontecia com a menina. Ele nunca tinha pegado numa criança sem ser o Julian, e John ou Cynthia estavam sempre ao lado. Além disso, ele é o seu padrinho e Julian é o filho dos amigos. No entanto, Heather é a filha de…de alguém que Paul não sabe descrever.

Heather olhava Paul atentamente com os olhos verdes bem arregalados e ele sorriu. Na verdade, ele gargalhou num suspiro. Aquela pequena era um regalo para os olhos dele. Ele sentia até umas pontadas no coração ao vê-la assim tão quieta nos braços dele. Com o dedo indicador ele acariciou a mãozinha dela fechada e ela abriu a mão aos poucos, agarrando no dedo de Paul.

Linda estava ali do lado dele, sorrindo tanto quanto ele ao ver aquilo. E quem sorriu também foi Heather, dando o seu primeiro sorrisinho. E aí Paul se rendeu por completo. Ele coçou a barriguinha dela e Heather se espreguiçou e bocejou.

-Nossa, tanto soninho!

Paul se encostou no sofá e Linda voltou pondo a chupeta na boca da menina que logo a aceitou e fechou os olhos. Paul aconchegou para mais perto do seu peito e daí a pouco já se ouviam as respirações profundas de Heather dormindo.

Ele levantou-se para deitá-la no berço, sendo seguido por Linda, que estava a amar cada segundo do que via. Então quando Paul deitou a menina no berço Linda abraçou-o por trás, rodeando a cintura dele com os seus braços e apoiando o queixo no ombro dele. Ele agarrou nas mãos dela e desapegou os braços dela, olhando-a nos olhos.

-Talvez… talvez eu esteja surpreso da forma como eu preciso de você. Eu sou um homem solitário que está no meio de algo que não entende e só você me pode ajudar, Linda. E talvez… talvez eu tenha até medo da forma como te amo. (n/a: pedacinhos da música “Maybe I’m amazed”)

Ele segurou o rosto dela e a puxou para um beijo terno. Tinha sido 10 meses a segurar esse impulso de a beijar, mas hoje isso acabava. Na altura Linda estava grávida e Paul não quis atentar nada nessa altura. A verdade é que isso só ajudou a construir laços ainda mais fortes com ela. E achava ele que ela o fosse empurrar para longe… mas não. Ela o queria tanto quanto ele a queria a ela.

Os dois se encontravam num jejum de atividade sexual há já 10 meses, cada um por seu motivo. Linda, pela gravidez, McCartney por decidir deixar a vida de mulherengo e se dedicar em construir algo com Linda. Algo sólido. Por isso, não foi de estranhar que estando a pequena Heather dormindo que os dois fossem desfrutar de um momento íntimo e a sós.

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Com o tempo Rick conseguira superar a morte de Eva. Com o tempo e com a ajuda de Maureen. Os dois foram-se tornando muito próximo com o passar do tempo e não bastou sequer dois meses para que os dois assumissem a relação.

Além disso, ele deixou de lado a sua paixão pelo álcool para se dedica pura e simplesmente a Maureen, que já havia sido apelidada pelos rapazes e por ele próprio de Mo. Os dois se pareciam dar bem. Muito bem nada verdade. Ele já a tinha levado a conhecer os seus pais inclusive. Maureen não o fizera pois já lhe tinha confessado que a sua relação com os seus pais não era das melhores.

Mas a maior das surpresas foi há umas semanas depois quando Maureen apareceu com um grande anel no dedo. Rick aprendera a poupar e agora havia dado uso ao dinheiro. E por mais que os amigos lhe dissessem que Maureen era boa pessoa, talvez ele estivesse a dar um passo maior do que a perna. Todos achavam que ele só fizera isso para evitar perdê-la, como acontecera com Eva. Mas na verdade ele tinha outros motivos.

Ele não iria só casar com Maureen, mas também com a criança que se gerava dentro dela. É verdade. Maureen carregava dentro dela o filho de Starkey e ele não podia deixar de estar feliz por isso, porém apreensivo por vir a ser pai pela primeira vez. E estava já decidido que se nascesse rapaz se chamaria Zak e se nascesse rapariga se chamaria Lee.

-Olha aqui! – Maureen falou entusiasmada pegando na mão dele e colocando sobre a barriga dela. – O bebé chutou!

-Eu senti! Eu senti! – Ele disse que nem criança.

Já imaginava ele sendo um garoto grande e forte, de olhos azuis penetrantes, dando-lhe um sorriso desdentado e o chamando de pai. Via-o já fazendo travessuras pela casa e pensava até em levá-lo para a delegacia, para juntos aferroarem Martin.

E se fosse menina? Se fosse menina seria a sua princesa rockeira, de vestido cor-de-rosa e joelhos esfolados, com um sorrisinho adorável na cara e uma parede riscada a lápis atrás dela. Era assim que ele a via, mas sendo sempre a menina do papai. A coisinha mais encantadora e preciosa de todo o mundo.

-Oi, Rick? – Maureen falou levemente. – Rick? Se perdeu outra vez nos pensamentos?

Ele sorriu, afirmando. – Menino ou menina, Mo? Qual você gostava de ter?

-Uma criança saudável. É só isso que me basta.

-É. Acho que eu também só peço isso. – Ele disse dando-lhe um beijo nos lábios.

-Vá lá, Rick, admite: é um rapaz que esperas que nasça.

Ele deu um sorriso e falou para a barriga dela. – Vê lá garotão, eu te espero pra jogarmos à bola!

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Julian estava perto de completar quatro anos e pedia para o aniversário um papagaio para poder ir ao parque nos dias ventosos com o pai e os dois o verem erguer-se no céu. Porém o menino recebia hoje uma outra prenda, e em adianto…

-Se for menina não quero! – Julian resmungou.

-A gente não pode escolher as coisas na vida, filho. – John explicou para o filho com muita calma, tendo-o sentando no seu colo, os dois na sala de espera do hospital.

-Mas eu não quero uma irmãzinha!

-Mas, e se mamãe tiver uma menina? O que a gente faz com ela então?

Ele deu de ombros, emburrado. – Eu vendo ela!

-Você vai ver, se nascer menina você vai adorar!

-Porque você não escolheu nome pra menina então? – Ele lembrou o pai e John engoliu em seco, vendo-se sem resposta para dar.

Ele sempre dissera que só sabia fazer meninos e que Cynthia estava grávida com um menino que se chamaria Sean. No entanto, Cynthia teve que cobrir a outra hipótese possível e fez com que o incrédulo e teimoso John concordasse a que se nascesse menina, que teria o nome de sua mãe, Julia.

-Sr. Lennon? – Uma enfermeira chamou e ele se levantou logo com Julian nos braços. – Pode entrar para ver sua esposa e seu filho.

-Meu filho? Nasceu menino?

-Sim, nasceu um menino. Queira-me acompanhar, por favor. – Ela falou sorrindo.

John colocou Julian no chão que saiu correndo feliz, enquanto falava alto. – Eu tenho um mano! Eu tenho um mano!

Julian abriu a porta do quarto e trepou à cama, se encaixando no colo da mãe. – Nossa, meu amor, como eu senti a sua falta! – Cynthia disse, dando-lhe muitos beijos na cara.

-Onde tá ele? – O garoto perguntou entusiasmado.

Cynthia apenas apontou com o dedo para o pequeno deitado logo ali ao lado da cama enquanto John se debruçava sobre ela, dando-lhe um beijo.

-Oba, como ele é pequenininho! – Julian se virou de repente, perguntando. – Aí, pai, eu não pedi um irmão, mas eu ainda vou ganhar o papagaio de papel?

John e Cynthia riram e John pegou no filho ao colo, olhando o mais pequeno. – Sim, Julian. Você ainda vai ganhar aquele papagaio pelo seu aniversário. E a gente ainda vai fazer um montão de coisas juntos. Mas você sabe que agora Sean vai precisar de mais atenção do papai e da mamãe porque ele é pequeno.

-Eu sei, papai. Só não não me deixar como vovô deixou você…

John o abraçou com força contra o peito, quase chorando enquanto lhe prometia. – Nunca, Julian. Eu nunca, nunca, irei deixar você, nem mamãe nem Sean. Nunca!

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Também George seguira a sua vida. Era um divorciado feliz, e pelo que sabia, também a sua ex-mulher o era. Ele e Pattie mantinham uma relação de amizade, embora com a sua distância. George percebeu que nenhum dos dois se amava o suficiente para ficarem juntos e foi melhor que cada um seguisse o seu caminho.

Mas George ficou um pouco mais compreensivo e apoiou Eric num dia particular. Ele descobriu que Eric tinha sido pai com apenas 17 anos e que a namorada desapareceu, deixando-lhe a criança. E ele tomou conta dele conforme conseguia. Tomou, forma verbal passada, pois o pequeno Conor que agora tinha quatro anos caíra de um prédio, de um medonho 53º andar. Ele escreveu a música mais linda que George algum dia tinha ouvido. Chamava-se “Tears In Heaven”, e ele a cantou no funeral do filho e não deixou ninguém indiferente.

A verdade é que George amadureceu. Tinha agora 22 anos e sabia que casara muito novo. Demasiado novo. E com Olivia, ele cresceu. Umas semanas juntos e perceberam que talvez fossem almas-gêmeas. E afinal, quem era essa Mexicana de nome Olivia de Trinidad Arias?

Olivia é a mais velha de quatro irmãos. Ela tem lá no México dois irmãos, Ron, de quatro anos e Gilbert de doze, e duas irmãs, Chris de nove anos e Linda de oito. E ela? Olivia é uma mocinha de 18 anos apenas, fugida da sua casa, para escapar ao que veria ser a sua vida.

Já estava prometida em casamento e sabia que serviria de nada mais do que mulher para procriar e tratar da casa. E isso era coisa que ela não queria. Ela estava prometida a um barão da droga Mexicano que a vira e gostara dela. E obviamente que ninguém teve a coragem de negar o pedido dele dado ele ser tão perigoso. Apenas Olivia desafiou a autoridade dele, e fugiu num dos seus carregamentos de droga e acabou em Liverpool, literalmente nos braços de George.

E era aí que ela se sentia melhor: nos braços de George.

-Hey. – Olivia falou, levantando a cabeça do peito de George, notando que ele estava muito calado. – Que se passa?

-Estava aqui a pensar no Conor. Coitado do miúdo, e coitado do Eric. Nem acredito que já se passou um mês… Eu quero muito ter um filho, mas… isso se acontecesse alguma coisa com ele?

-Não podes viver a vida com base em medo. Se assim fosse, não sairias à rua para não ser roubado, ou não ser atropelado. Ou nunca cozinharias para não causar um incêndio.

-Ah, não, viver sem comer, isso não! – Ele brincou, fazendo a rir.

-Então vem preguiçoso, — Ela o puxou pelo braço para fora da cama. – eu faço pequeno-almoço.

-É por estas pequenas coisas que eu te adoro. – Ele falou grudando os lábios nos dela.

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Agora, cada um dos quatro detetives tinha aquilo que queria na sua vida. Há quem diga que por detrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher. Eles preferem dizê-lo de outra maneira: ao lado de um grande homem, está uma grande mulher. Porque elas são para se mostrar ao mundo e são motivo de orgulho e felicidade na vida de cada um.

Notas finais
A verdade é que não me apetece acabar aqui. Se calhar vou escrever mais um pouquinho. Avançar mais um pouquinho no tempo...