POV Stefan Salvatore

– Como ele está? – Liz me perguntou, quando estávamos sentados na mesa da cozinha.

– Os exames estão em analise – menti, enquanto encarava a figura loira em minha frente.

Os resultados dos exames haviam sido entregue nessa tarde e Charles havia me feito jurar, que eu não preocuparia ainda mais a sua mulher e os seus filhos.

– Eu estou tão preocupada, Stefan – Liz falou me encarando com os seus expressivos olhos azuis – Não sei o que vai ser dessa família, se o pior acontecer – pausou – Eu não sei viver sem o Charles!

– Vai ficar tudo bem – mantive a minha voz neutra.

– Obrigada por está aqui, Stefan – falou – Charles e eu gostamos muito de você – apontou – Você é como se fosse o meu filho e significa muito para mim e Charles, você está presente nessa situação!

– A senhora e Charles são como se fosse da minha família! – falei, apertando levemente a sua mão.

Liz e Charles haviam sido ótimos vizinhos, quando os meus pais haviam falecido. Eles ajudaram na fazenda e cuidaram de duas crianças perdidas. Charles era o exemplo que eu tinha como homem. Ele havia criado muito bem os seus três filhos, cuidava firmemente da fazenda e era completamente respeito por todos em Mystic Falls.

– Eu estou preocupada com a Elena, Stefan – Liz confidenciou, enquanto nos servia o café – Ela está grávida, precisa se alimentar direito – pausou – Ela vive enfurnada no quarto do Charles, ele não vai se perdoar se acontecer algo com essa criança!

– Eu vou conversar com a Elena, mas não se preocupe aparentemente ela está bem! – comentei e Liz bufou.

– Charles até o mês passado estava aparentemente bem – Liz apontou e eu concordei – Desculpe – pediu – Eu estou com muita coisa em minha cabeça, não quero descontar em você – falou sinceramente – Eu só queria que tudo isso acabasse, que o meu marido ficasse bom... – falou, enquanto a primeira lágrima caia em seu rosto – Porque isso foi acontecer com ele, Stefan? Porque coisas ruins só acontecem com pessoas boas?

Eu já havia me feito essa pergunta várias vezes, desde que havia iniciado a minha carreira como oncologista. Já havia presenciado crianças morrerem com câncer, famílias destruídas por aquela doença. Era triste e revoltante. Todos os familiares e pacientes faziam a mesma pergunta: porque eu? Cientificamente eu saberia explicar porque a pessoa acabava desenvolvendo o câncer, mas humanamente nunca soube o que explicar, aos olhos de familiares desesperados.

– Vai ficar tudo bem, Charles já está sendo medicado e o que nos resta é esperar que o medicamento faça efeito e ter fé – falei profissionalmente.

Liz assentiu, enxugando as suas lágrimas e tentando manter-se firme. Eu sabia o quanto era difícil para ela, eu já havia perdido os meus pais. Eu sabia como o sentimento de impotência fazia com a pessoa.

– Você não acha que devíamos convencer a Charles, ir para um hospital em outra cidade? – questionou Liz.

– Nós já fizemos todo o possível, Liz – ponderei – Mas se você quiser uma segunda opinião, fique a vontade – falei – Um amigo meu, trabalha no Hospital Geral da Virginia, se você quiser lhe dou o contado dele!

– Eu não sei – falou – Não quero que ele se desgaste indo para outra cidade, não quero que ele se aborreça ou se preocupe como iremos pagar, você sabe o quanto Charles é cabeça dura, não tenha nada que eu faça que vai muda-lo dessa forma!

– Minha opinião como profissional é que devemos aguardar um pouco, ver como ele vai reagir com os medicamentos e depois pensamos como devemos proceder! – falei e Liz assentiu preocupada.

– Você acha que eu devo ter esperanças? – questionou com os azuis banhados de angustia e medo – Charles vai ficar bom?

Observei a sua figura por alguns segundos, seus olhos estavam suplicantes. Ela necessitava da minha resposta. O câncer de Charles havia se espalhado por todo o corpo, desde que havíamos detectado a doença — há quase um ano -, eu havia insistido para Charles contar a toda a sua família que estava doente, e que ele começasse o tratamento imediatamente. Se fosse naquela época, eu diria que ele tinha cura, mas hoje com o câncer totalmente espalhado pelo seu corpo, só nos restava rezar por um milagre.

Respirei fundo, ganhando tempo para pensar o que responder, Jeremy me salvou chegando à cozinha, totalmente animado.

– Mãe a senhora, não vai adivinhar quem chegou! – pausou hesitante, me encarnado firmemente – Caroline está em casa, mãe! – exclamou, antes que a figura loira e atlética chegasse ao nosso campo de visão e os seus belíssimos olhos azuis encontrassem com os meus.

POV Caroline

Eu odiava Mystic Falls. A cidade era quente de mais, viva de mais e pequena de mais. Todos na cidade se conheciam a gerações, haviam estudados juntos na única escola local e sabiam de todos os detalhes de sua vida. Aliais a fofoca era o passatempo favorito de grande parte da população de Mystic Falls. As senhoras se sentavam à tarde, enfrente as suas casas, para falarem da vida dos outros. Todos sabiam que o filho problemático do prefeito era Gay, que Olivia havia fugido com o Padre Tyler para Londres e que eu havia completamente destruído a vida da minha irmã mais velha.

Voltar a Mystic Falls depois de quase sete anos longes, era como se eu tivesse retornando a minha própria prisão perpétua, onde no lugar das câmaras dos presídios se segurança máxima, estava os olhares atentados dos moradores, esperando qualquer detalhe para me acusarem de outro crime bárbaro e me condenasse a pena de morte.

Poderia parecer loucura da minha cabeça, ou exagero, mas era assim que eu via todos os moradores de Mystic Falls.

Assim que o carro que eu havia locado no aeroporto, cruzou a placa de boas-vindas da cidade, tratei de fechar todas as janelas, rezando para que nenhum dos moradores me visse chegando. Eu tinha um plano, iria chegar à fazenda dos Forbes e convenceria o meu pai que o melhor lugar para ele se tratar era em New York – onde tinha os melhores profissionais do país, especializados em oncologia.

Não fazia sentido ele permanecer naquela cidade, quando eu poderia arcar com as despesas de um bom hospital e de ótimos profissionais. Era para essas situações que servia o dinheiro, e eu tinha o suficiente para gastá-lo com a minha família.

Dirigir por toda estrada principal, contornando o oceano, até chegar a uma estrada de barro. Segui pela estrada, que eu tanto conhecia, e dirigir por mais de vinte minutos até chegar ao portão de ferro que dava acesso a propriedade dos Forbes.

Desci do carro e destravei o portão, com a minha antiga chave da propriedade, e retornei ao carro. A Fazenda Forbes continuava da mesma maneira que eu lembrava, tudo era verde e bem cuidado, os animais deveriam está no pasto e os empregados trabalhando na lavoura, já que não tinha nenhum ali para me recepcionar.

Estacionei o carro em uma das vagas livres, enfrente a casa grande – onde eu havia passado toda a minha infância e juventude, onde eu havia aprendido o verdadeiro sentido da palavra amar.

Suspirei, evitando as lembranças boas e ruins que aquela propriedade me trazia. Tudo aquilo me fazia mal. Eu havia passado da fase de culpa por estragado a vida da minha família, por ter desunido todos, por ter destruído a minha relação com a minha irmã. Porém não fazia sentido toda aquela culpa, não havia sido só eu que havia provocado tudo aquilo, Elena também havia sido a culpada. Mas todos só viam a mim, todos só julgavam a mim, inclusive durante longos anos, eu havia culpado somente a mim mesma, toda dor e sofrimento que havia causado aos meus familiares.

Respirei fundo, reunindo coragem e sair do carro, agarrada com a minha bolsa de colo. Eu só iria precisar de poucas horas naquela casa, só precisava de tempo necessário para convencer o meu pai e arrumar as suas malas, para irmos para o meu apartamento e eu retornaria a minha vida de onde eu havia deixado, ontem à noite.

Caminhei a passos largos, subindo a pequena escadaria, que dava para a entrada principal. O balanço de madeira de dois lugares, os vasos de flores e o jogo de cadeiras províncias, continuavam na mesma posição de sete anos, minha mãe não era fã de revistas de decoração.

Girei a maçaneta da porta de entrada principal, antes que o meu surto de coragem terminasse. A sala branca e iluminada estaria completamente silenciosa, a não ser pelo barulho baixo da TV, meu irmão estava deitado no sofá bege, e assim que me viu deu um pulo no sofá.

– Caroline! – Jeremy exclamou animado, se jogando em meus braços, quase me derrubando.

– Ei! Você cresceu! – exclamei divertida, com toda a sua animação – Jeremy eu não consigo respirar direito! – informei ao meu irmão e ele me soltou com um enorme sorriso no rosto.

Quando eu havia deixado Mystic Falls, Jeremy tinha acabado de completar onze anos. Havíamos nos encontrado algumas vezes, durante os sete anos que havia se passado, e nas férias de verão do ano passado Jeremy havia ficado comigo em New York por algumas semanas, mas as mudanças ainda eram incrivelmente visíveis.

Meu irmão casula estava cada vez mais musculoso e alto. Ele era uns bons trinta centímetros maiores do que eu, no enorme salto quinze que estava usando. Seu cabelo agora estava cortado baixo, devido à temporada final do Futebol Americano. Dentro dos próximos meses, meu irmão casula estava indo para a Universidade da Califórnia, fora dos olhares superprotetores das mulheres de sua vida.

Ao contrário de mim e Elena, que éramos as cópias perfeitas da mamãe e do papai respectivamente, Jeremy era a mistura perfeita dos dois. Ele tinha o sorriso cativante da mamãe e os belíssimos olhos castanhos chocolate do papai. Jeremy havia sido criado cercado por mulheres e as entendia como a palma de sua mão, por isso fazia sucesso entre as garotas de sua idade.

Era uma namorada por semana, fazendo a minha mãe se encher de preocupações, não queria que o seu filho tivesse o mesmo destino que as suas filhas, que não sofresse por amor.

– Não acredito que você veio! – Jeremy exclamou, como se ainda fosse um menininho de dez anos, ao invés de um jovem de dezessete – Elena disse que talvez você não viesse!

– Elena está errada – “como sempre” completei mentalmente, não queria começar a falar da Elena, no primeiro momento em que colocaria os meus pés em casa – Como anda as coisas por aqui? Seja sincero com sua irmã, ela não é mais aquela garotinha chorona! – garanti, tentando fazer graça de toda a situação.

– Difícil, mas talvez melhore – falou acariciando o meu cabelo loiro – Senti a sua falta!

– Não faz nem seis meses que você me viu – brinquei – Mas já estou acostumado com isso, eu sei que sou uma pessoa inesquecível!

– Inesquecivelmente convencida – Jeremy falou – Mas essa casa não é mais a mesma sem você! – Jeremy falou – Mamãe vai ficar feliz ao lhe ver! – anunciou caminhando em direção à cozinha.

– Jeremy, quem está aqui? – questionei temerosa, não queria encontrar com a Elena agora, por mais que isso fosse inevitável, não estava preparada para encontrar a minha irmã naquele momento.

– Venha, você vai ver! – falou continuando o trajeto para a cozinha a passos largos me deixando totalmente para trás.

– Mãe a senhora, não vai adivinhar quem chegou! – escutei Jeremy falar na cozinha– Caroline está em casa, mãe! – exclamou, no momento que eu entrei na cozinha, onde um par de olhos verdes me fitavam surpresos.

Os belíssimos olhos verdes de Stefan estavam presos aos meus, ele estava tão surpreso quanto eu, ao vê-lo ali, aparentemente tomando café-da-manhã com a minha mãe, como se fosse da família. Uma vozinha da minha cabeça me lembrou de que ele sempre seria da família. Minha mãe a tinha como um filho, o primogênito que ela sempre havia desejado.

Stefan havia mudado completamente, ele não lembrava em nada o rapaz que havia me feito sofrer a setes anos atrás. Ele estava visivelmente maduro e muito mais bonito no qual eu me lembrava. O seu corpo musculoso estava evidenciado pela sua camisa polo branca, que marcava levemente seus braços fortes. O nariz reto, combinavam perfeitamente com as covinhas de seu rosto e seus lábios carnudos avermelhados, porém o que mais destacava em seu rostos eram os seus incríveis olhos verdade, que lembravam as copas das árvores no verão.

– Não é maravilhoso que Caroline, tenha voltado para casa? Papai vai adorar a notícia! – Jeremy tagarelou animadíssimo alheio a toda a situação.

– Querida – a voz de minha mãe soou doce – Porque você não avisou a hora que iria chegar? Eu poderia ter ido lhe buscar – mamãe falou, antes de me abraçar.

– Eu loquei um carro no aeroporto – falei assim que ela me largou, de seu abraço aperto – Não queria lhe incomodar, sabia que a senhora estaria ocupada com as atividades da fazenda e com o papai! – falei e ela assentiu.

– Você nunca incomodaria – mamãe falou – Qualquer um de nós poderíamos ter ido lhe pegar, não é Stefan? – questionou se referindo ao seu acompanhante a mesa, me mandando um recado claro que era para cumprimenta-lo.

– Não queria ficar dependente de carro – falei dando de ombros, agradecendo internamente por ter alugado o meu carro, ou iria passar as quatros horas dentro de um carro com Stefan Salvatore, ou pior com a Elena – Stefan! – o cumprimentei estendo a minha mão, evitando que ele me abraçasse ou algo do tipo.

Stefan apertou a minha mão, sem tirar os seus olhos verdes dos meus.

– Seja bem-vinda! – Stefan desejou e eu acenei a positivamente.

Não queria papo com Stefan Salvatore, não sabia o que ele estava fazendo ali. Charles era o meu pai e não o seu, não precisava ficar de vigila em minha casa. Se ele estivesse ali, para tomar conta da fazenda, estava no local errado. Não se toca nenhuma fazenda tomando café, e o meu pai tinha funcionários capacitados para tomar conta de todas as atividades da fazenda, durante a sua ausência.

– Eu quero ver o meu pai! – falei encarando a minha mãe.

– Ele está no nosso quarto – mamãe informou.

– Porque ele não está em um hospital? A senhora disse que o estado dele é delicado! – questionei irritada, meu pai tinha que começar o tratamento imediatamente.

– Ele se recusou de ir a hospital, enquanto você não chegava! – Jeremy me informou, me fazendo revirar os olhos.

– Desde quando ele tem o que esperar? – questionei irritada – Ele precisa ir para um hospital, começar o tratamento e não esperar que eu me deslocasse até aqui – pausei – Vocês enlouqueceram? – questionei atordoada caminhando até a sala, sendo seguida por todos.

– Caroline – minha mãe falou em tom de repreensão, segurando o meu braço antes que eu começasse a subir as escadas, que dava para o primeiro andar, onde se localizava os quartos – Tenha calma, fale baixo!

– Calma? Meu pai esta morrendo e vocês não fizeram nada! – exclamei – E a senhora ainda me pede calma?

– Caroline, sua mãe está certa – Stefan falou calmamente e eu bufei.

– O que ele está fazendo aqui? Que eu saiba ele não é da família! – falei como uma menina mimada de quinze anos, ao invés de vinte e cinco.

– Caroline, pare de agir assim! Sei que você está preocupada com o seu pai, mas você não tem o direito de falar com as pessoas assim – minha mãe me repreendeu – Stefan é bem-vindo a essa casa a qualquer momento, nós só estamos cumprindo as ordens de seu pai, nada mais do que isso! – apontou – Agora suba e vá ver o seu pai, tente não contraria-lo, ou eu vou ter que pedir que você se retire! – minha mãe falou firme soltando o meu braço e eu simplesmente ignorei o seu comentário, subindo as escadas.

Ouvir Dona Liz se desculpando com Stefan, revirei os olhos, minha mãe nunca havia ficado do meu lado com toda confusão que havia acontecido. Para ela, Stefan e Elena estavam certos. Ela culpava somente a mim por tudo que havia acontecido.

Porém, isso não importava mais. Talvez para a Caroline de sete anos atrás, isso a atingisse de alguma maneira. Mas ela aquela garota bobinha não existia mais, ela havia deixado de existir a partir do momento em que havia deixado Mystic Falls naquela noite chuvosa.

Caminhei quase correndo pelo corredor, eu precisava ver o meu pai e tirá-lo daquela casa. Ele precisava de um tratamento, eu pagaria o que fosse para que ele pudesse ficar bom logo. Bati na porta de madeira bege, antes de rodar a maçaneta e entrar em seu quarto.

Encarei a cama de casal, que ficava ao centro do quarto, meu pai estava deitado em sua cama debaixo de suas cobertas. Ele ressonava tranquilamente, senti o meu coração se apertar, meu pai estava doente. Meu pai estava com câncer.

Posicionei-me ao seu lado da cama, sentindo as primeiras lágrimas escorrerem em meu rosto. Meu pai não podia morrer, ele era o meu melhor amigo, meu companheiro, eu não saberia viver sem ele ao meu lado. Eu havia tentado, mas havia falhado amargamente.

Segurei a sua mão delicada, meu pai estava debilitado, suas feições não mentiam que ele estava doente. Porque ninguém tinha o internado? Ele precisava de um tratamento e não de uma filha... Eu não era médica. Eu não tinha a cura para a doença dele.

– Você chegou – a voz frágil do meu pai, chamou a minha atenção.

– Desculpe – pedi enxugando as minhas lágrimas – Eu não queria lhe acordar!

– Já dormir o suficiente por um dia, não se preocupe! – falou estendo uma de suas mãos para acariciar o meu rosto – Quando você chegou?

– Há alguns minutos – informei – Já estou aqui, o senhor já pode ir ao hospital e começar o tratamento! – apontei e meu pai bufou.

– Eu estou bem, Caroline – papai falou – Não preciso ir a um hospital, tenho tudo o que preciso aqui – informou, acariciando o meu rosto.

– O senhor precisa de um especialista – insisti – Precisa de um médico capacitado...

– Eu já tenho um médico capacitado – meu pai falou prontamente – Ele é o melhor especialista do condado da Virginia!

– Não o único – falei – Nós podemos consultar uma segunda opinião, o Hospital de New York tem o melhor centro de oncologia do país! O senhor pode ficar bom, papai!

– Eu não preciso ir a lugar algum, querida – papai falou docemente – O que eu mais precisava está aqui, você está em casa, você está de volta ao seu lar – pausou – Não preciso de remédio melhor do que isso ter a minha família novamente reunida!

– Não seja criança, papai – pedi – O senhor precisa de um médico e um tratamento especializado, se for por causa do dinheiro, o senhor não precisa se preocupar! Eu tenho e quero pagar, para que o senhor fique bom logo...

– Care- meu pai falou o apelido que ele utilizava, quando eu era criança – Você ainda não entendeu? Eu vou morrer querida, eu quero morrer ao lado das pessoas que eu amo e não em um hospital – falou e eu senti as minhas lágrimas escorrerem.

– Papai...

– Elena está certa – papai me interrompeu – Você não veio aqui para passarmos juntos os meus últimos dias, você veio aqui para me transformar em um experimento nas mãos daqueles médicos!

– Não seja injusta comigo, papai – pedi – Só quero o seu melhor! – apontei — Aceito, que o senhor não queira uma segunda opinião médica, nem queira ir para New York, mas o senhor precisa começar o tratamento aqui, urgentemente! – falei ignorando completamente a menção do nome da minha irmã.

– O tratamento não trará resultados, Caroline – papai falou com uma voz cansada – Eu sei que há minha hora está próxima...

– Esqueça essa história papai, eu estou aqui – falei segurando firmemente a sua mão – Lembra, o que o senhor me disse? “Somos nós dois contra o mundo!” – o citei docemente – Será nós dois contra essa maldita doença, seremos nos dois vencendo o câncer! O senhor não pode desistir, quem é que vai me acompanhar até o altar, no dia do meu casamento?

– Sinto muito querida – falou com pesar – Não sei se serei capaz...

– Shhh – o interrompi – Não quero que o senhor pense que irá morrer, nós daremos um jeito, o senhor irá ficar bom, vai ver o Jeremy se forma na Universidade e vai está no dia do meu casamento! Pare de pensar negativo! – implorei.

– Queria ser positiva como você, mas isso você puxou da sua mãe – falou com voz sonolenta – Discutiremos isso mais tarde, você irá ficar aqui, não é? Você estará aqui quando eu acordar?

– Sempre papai, não irei embora até o senhor estiver curado – prometi, antes que ele fechasse os seus olhos e caísse totalmente na escuridão.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e comente para mim saber se devo ou não continuar!!!! beijomeliga xoxo Lay
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.