Baby On Board?
1 Capítulo único
Sexta-feira e íamos ter uma semana só nossa para matarmos a saudade.
Era fim do expediente de Amelia e eu tinha combinado com ela de ir buscá-la no Grey Sloan. Fiquei esperando-a no estacionamento do lado de fora do carro. Quando a vi de longe acenei e ela veio ao meu encontro. Nos beijamos. Abri a porta do carro para ela e depois de fechar fui para o lado do motorista.
— Como foi a sua semana? — Perguntei ao dar a partida no carro e seguir as instruções do GPS para chegar ao apartamento de Amelia.
— Bom, fiz duas cirurgias e outros pequenos atendimentos na emergência. Fora isso a saudade para que hoje chegasse estava a mil.
— Sério? — Perguntei olhando para ela rapidamente e voltando a atenção no trânsito.
— Sim. E o seu?
— Teve bastante demanda no laboratório, mas consegui deixar tudo em ordem antes de vir para Seattle.
Comentei e o GPS avisou que estávamos perto.
— É aquele prédio ali. — Amelia comentou apontando.
Chegamos na portaria, logo a reconheceram como moradora e abriram o portão. Ela foi indicando uma vaga. Estacionei e ela já abriu a porta do seu lado. Desci do carro, peguei minha mala no porta malas, fechei tudo e ativei o alarme.
— É por aqui Kai. — Ela falou e eu fui seguindo-a. Entramos no elevador e o que mais a gente trocava era sorrisos bobos. Seus olhos brilhavam. O elevador parou em seu andar e saímos. Andamos um pouco até pararmos na porta 26.
Entramos e a primeira vista eu escaneei a sala enquanto Amelia fechava a porta. A decoração era bem o estilo dela. Percebi ela colocando a bolsa no aparador próximo da porta.
— Gostou? — Ela perguntou parando na minha frente.
— É tudo o que a gente precisa. — Comentei puxando Amelia pela cintura e aproveitei para roubar vários beijos dela. Como eu sentia falta de seus beijos. Senti ela enroscar seus braços em meu pescoço.
— Como eu estava com saudade disso. — Ela disse se referindo aos beijos depois que nos separamos.
— Eu também estava.
— Vem... — Amelia começou a me puxar pela mão. -... quero te mostrar o resto do apartamento. O último cômodo foi o quarto. Elogiei o espaço em si e parei na janela observando o movimento lá fora. — Tudo bem, babe? — Amelia me perguntou.
— Alguma novidade sobre aquilo?
— Ainda não, está cedo para termos um retorno. — Amelia comentou passando a mão em seu ventre.
Sim. A gente estava tentando engravidar. Era a terceira vez que Amelia se submetia a inseminação. Um mês atrás fizemos a terceira aplicação. Sentei-me ao seu lado na cama e toquei a sua barriga.
— Espero que dessa vez dê certo. — Logo em seguida dei um selinho nela. Me ajeitei para encostar na cabeceira.
— Vai querer algo para o jantar?
— Se você quiser, eu estou dentro. Na verdade eu queria tomar um banho. Estou cansade.
— Vou pedir uma pizza pra nós. O banheiro é ali. — Amelia me indicou a porta. Fui pegar minha mala e tomar um banho. Eu realmente estava precisando. Assim que fechei a porta, escutei a voz de Amelia que estava fazendo o nosso pedido das pizzas.
Por algum tempo fiquei divagando na conversa que tivemos há algum tempo atrás em expandir o amor e chegamos na ideia da inseminação. Confesso que a ideia toda de maternidade e paternidade me assustavam. Eu não tinha ideia de como reagir, como me comportar, o que eu teria que fazer, o que eu não deveria fazer. Nesse quesito eu realmente teria que aprender do zero. Lembro-me até hoje de como Amelia me explicou esse processo. Nas palavras dela: "Sermos pais não é algo que a gente já nasce sabendo com um manual ou algo do tipo. Você realmente aprende de fato do zero, sem saber nada. Quando você percebe que a família vai aumentar é como se seu corpo fizesse uma atualização básica sobre o tema e com o tempo você aprende o resto. Tem horas que você não sabe o que fazer e apenas se deixa levar pelos seus instintos."
Depois dessa conversa que tivemos, passei a pesquisar sobre o assunto em como ser pai, como poderia ajudar a mãe durante a gestação. Saí do banheiro e fui me encontrar com Amelia na cozinha. A pizza chegou enquanto eu estava no banho.
— Tudo bem? Chegou tem uns cinco minutos. — Ela perguntou ao me ver e falou indicando a pizza.
— Sim. Preparada para o nosso passeio de amanhã?
— Lógico.
Jantamos e conversamos sobre algumas coisas. Amelia me contou que algumas coisas mudaram no Grey Sloan. Pequenas mudanças. Enquanto eu limpava o que sujou, Amelia foi fazer sua higiene pessoal. Amanhã nosso dia seria longo. Passaríamos dois dias em uma cabana que encontramos em Michigan. O local era o que a gente estava querendo. Seriam 4 horas de viagem e a gente teria um momento só nosso nesses dias que conseguimos tirar folga de nossos trabalhos.
Acordamos felizes e logo colocamos o pé na estrada. Cerca de quatro horas depois chegamos na cabana que escolhemos. Nos acomodamos na cabana que tinha formato triangular, mas era bem espaçosa. Concordamos que na nossa primeira noite, acenderíamos a fogueira e assaríamos alguns marshmallows. Na manhã seguinte caminhamos pelo local após o café da manhã fria que fazia. Retornamos logo para a cabana. Tivemos uma tarde agradável com a lareira acesa e uma noite melhor ainda. Acordei cedo e deitei de lado para observar Amelia. Levantei com cuidado e preparei o nosso desjejum.
— O cheiro está bom. — Ouvi a voz de Amelia que me abraçou por trás passando os braços em minha cintura.
— Dormiu bem? — Perguntei depois de um selinho.
— Senti sua falta na cama. — Demos outro selinho.
— Eu sei que ia sentir. Afinal, sou irresistível. — Falei me gabando na brincadeira.
— Nem um pouco convencide.
— Nosso café está pronto. — Comentei indicando a mesa organizada. Fizemos o nosso desjejum e depois que limpamos tudo, ficamos um pouco mais na cama antes de começarmos a arrumar as coisas e fazermos nosso check-out com o dono do imóvel.
Quatro horas depois estávamos de volta ao apartamento de Amelia, já com as coisas em seus lugares, de banho tomado e aproveitamos para descansar um pouco no sofá. Amelia estava apoiada com a cabeça em minha perna e aqueles olhos azuis me encaravam.
— Está me encarando porque? — Perguntei mexendo em seu cabelo.
— A gente poderia assistir um filme.
— Sim, podemos. Só se você preparar a pipoca. — Falei.
— Fechado. E você escolher o filme.
Amelia levantou-se indo para a cozinha e eu fiquei na sala escolhendo o filme.
— Tem preferência por algo? — Perguntei para Amelia.
— Algo leve. — Amelia voltou sua atenção ao micro-ondas.
Deixei preparado e fui até Amelia na cozinha ver o que ela estava aprontando. Dei um selinho nela e ela retirou o primeiro pacote e colocou outro logo em seguida. Quando o micro-ondas apitou indicando que o tempo. Peguei meu saco de pipoca e fomos para a sala. Sentei e Amelia sentou-se ao meu lado. Escolhi uma comédia. Dei o play e logo começamos a comer nossa pipoca. Entre uma parte ou outra, a gente se olhava e um selinho vinha logo em seguida. Depois que a pipoca acabou, demorou um pouco para o filme ter seu fim. Amelia recostou-se em mim e ficamos curtindo um momento nosso. Nossas mãos se encontravam. Fiquei beijando sua cabeça.
— Gostou do nosso passeio? — Perguntei.
— Com você foi ainda mais perfeito.
— Vou ter que concordar e sem falar que foi bem agradável.
— Estou bem cansada.
— Se quiser ir deitar, pode ir. Eu termino de organizar aqui.
— Tem certeza?
— Tenho. — Dei um selinho nela antes dela se retirar.
— Te aguardo lá no quarto. — Sorri e vi ela entrar no quarto enquanto eu ajeitava a pouca coisa na cozinha. Ao entrar no quarto, notei que Amelia passava a mão na barriga. Interrompo seu momento fofo dando duas batidas no batente da porta. — Atrapalho alguma coisa?
— Claro que não.
Me junto a Amelia e a envolvo em meus braços depois de encostar na cabeceira da cama.
— Acho que estou ficando gripada.
— E porque diz isso? — Perguntei curiose.
— Assim que vim aqui para o quarto, passei mal e fui vomitar no banheiro. Deve ser alguma virose.
— Okay, vamos ficar de olho nisso. Quer que eu pegue um remédio para você?
— Não precisa. Já tomei um comprimido para a gripe.
Daqui três dias eu iria retornar para Minnesota e os sintomas da gripe de Amelia só pioraram. Os vômitos vinham com mais frequência. Acordamos de manhã e enquanto eu beijava seu rosto em alguns pontos, Amelia levanta rapidamente indo para o banheiro. A gente já tinha perdido as esperanças de que a inseminação pudesse ter dado certo. Foi quando resolvemos que fazer um teste de gravidez não faria mal. Fui até a farmácia mais próxima e comprei dois testes para via das dúvidas. Retornei ao apartamento e entreguei as embalagens para Amelia. Fiquei aguardando na sala e confesso que foram os minutos mais longos da minha vida. Andei de um lado para o outro e parei quando vi Amelia.
— Babe, fala alguma coisa. — Falei preocupade com ela.
Ela veio até mim em silêncio e me entregou o teste de gravidez. Olhei para o teste e em seguida para Amelia.
— Isso significa o que eu estou pensando? — Perguntei curiose sabendo do resultado.
— Exatamente o que você está pensando.
— Tem certeza?
— Eu fiz os dois testes e com o mesmo resultado. Cem por cento de certeza só depois do exame de sangue, mas esses testes explicando o porquê de eu quase colocar as minhas tripas para fora.
— Bebê a bordo? — Perguntei me aproximando de Amelia envolvendo-a pela cintura e lhe dando um beijo.
— Bebê a bordo. Nosso bebê. — Ela respondeu quando paramos o beijo para recuperarmos o fôlego.
— Nosso bebê.
Ficamos abraçades no meio da sala, eu com os braços envolto da sua cintura e seus braços envoltos no meu pescoço. Ela encostou a cabeça em meu ombro e eu apoiei meu queixo no topo da sua cabeça.
— Feliz? — Perguntei.
— Demais e você?
— Muito. — Respondi dando um beijo na sua cabeça. — Amelia?
Ficamos ali na mesma posição balançando nossos corpos em um dança sem sair do lugar. Dei um abraço apertado nela por alguns segundos e ficamos um bom tempo curtindo o nosso momento de felicidade.
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