Baby May Cry

2 Aprendendo com Dante a como não cuidar de bebês


Notas iniciais
~Hello pessoinhas do meu S2 Como vão? Cortando o papo furado, mais um capitulo da nossa quase tão insana e engraçada quanto a autora - sqn P.S: Talvez essa semana saia att dupla de ND. Mas isso só depende da minha boa vontade XP

INDO POR PARTES: possuía certa experiência com cuidados de crianças por já ter sido babá na adolescência, estive a cargo de pequeninos das mais variadas idades, entretanto, nunca uma tão nova e delicada. Ela me encarava fixamente, não estranhando tampouco incomodada — o que geralmente era comum pois muitos bebês não curtem nem um pouco ficar nos braços de uma pessoa que não fazia parte de seu pequeno círculo familiar. Os olhos dela tinham uma cintilância pura, uma imagem projetada do que seria a perfeita definição de inocência, além de ser a coisinha mais fofa que ocupou meu braços. Me encantei de imediato pelo sorriso doce e alegre que ela lançava e a curiosidade pelo entorno que a inseriram.

Apesar da fofura, aquela circunstância aterradora foi de zero à cem, certamente diria que seria a mais tensa que enfrentei — sem contar as de quase morte. Aninhada contra meu peito, a bebêzinha adormeceu profunda e tranquilamente, como se estivesse acolhida em um colo familiar. Tudo nela transmitia serenidade e me comoveu com louvores, me fazendo com que me conectara a ela em um instante.

Respirei fundo, reavaliando o ocorrido, ponderando sobre como proceder diante desse desafio.

— É só um neném, não é tão difícil. — disse a mim mesma na tentativa de ficar o mais centrada possível.

Vamos manter tudo sob controle...

— Ah! A gente está ferrado! — conclui desesperada. Fitando o anjinho descansando em meus braços, não conseguindo imaginar como faria para lidar com essa pequena em um lugar que não era dos mais seguros: uma agência de um caçador de demônios.

Isso que é manter o controle da situação.

— Não vamos ficar com ela. — Dante afirmou, o encarei abismada. Ele deve ter chegado na mesma resolução que eu, porém, acabou sendo mais prático e menos envolvido com a menina justamente devido ao histórico da agência não ser o lugar mais seguro. — Aqui não é o espaço adequado pra cuidar de uma criança.

— E o que faremos, então?

Dante se aproximou de mim e fitou, analiticamente, a bebê. Seu semblante sério se mitigou até ser substituída por serenidade suave.

— O jeito é ligar para um hospital ou levá-la a polícia...

Balanço a cabeça.

— Não. Está tarde, pensamos nisso amanhã. — o interrompi, ajeitando o cesto para fazer uma cama improvisada. — Decidiremos o que faremos depois que descansarmos.

— Certo, doçura. — deu de ombros.

Ela se remexeu irrequieta, meio letárgica pelo despertar da soneca e pronta para mostrar o quão bons são seus pulmões, chorando com toda força.

— Temos que arranjar algo para ela comer, fora outras coisas para que possamos aportá-la.

— Não tenho dinheiro, doçura. — respondeu categórico. — E é por isso que disse que seria melhor levá-la a um hospital, lá eles tem recursos para esse tipo de coisa.

Convencer Dante a gastar dinheiro não é tão fácil quanto pensava. Ele tinha razão, não estávamos nas melhores condições, não como se fossemos desprovidos do básico de qualidade de vida, entretanto, ao incluir um bebê na jogada isso seria mais difícil. Uma ideia sondou minha mente e, como não tinha muitas opções para considerar, então o jeito é apelar com as armas que tem disponível. Segurei a criança com um braço e com a mão livre, fiz sinal para Dante se aproximar. Mordi meus lábios numa esdrúxula tentativa de ser sensual.

— Faça isso por mim. — mordisquei minha unha.

Dante enxergou aquilo com graça, rindo.

— O que é isso, doçura? — gargalhou, atraindo atenção da bebê.

Fiquei na ponta dos pés, Dante, vendo que mesmo com muito esforço não o alcançava, abaixou-se para facilitar meu acesso. Sem entrar muito em detalhes, sussurrei sedutoramente algo que mudou totalmente sua opinião — e que ninguém precisa saber.

— Tudo bem, você ganhou. Vamos atrás disso. — sorri empolgada. Como um bom ex-mercenário com bons contatos, Dante arranjou o dinheiro para adquirirmos fórmula e fraldas, o que me aliviou uma preocupação. — Mas, diga, doçura... Como vai sair nessa chuva e ainda encontrar uma loja aberta?

— Quem disse que serei eu que farei isso? — Dante franziu o cenho, e olhou-me com aparente confusão.

Reprimi uma risada.

— Nem pensar.

— Ah, vai sim! — afirmei passando a mão pelo peito de Dante. — Agora.

Praticamente o coloquei para fora. De início, esperava que ele retornasse segundos depois nada satisfeito com meu ímpeto, entretanto, diferente do que imaginei a princípio, não voltou. Demorou um pouco, talvez menos de uma hora, quando o caçador apareceu uma sacola cheia de utensílios, e é claro totalmente molhado. Ele colocou tudo em cima da mesa e retirou o sobretudo, jogando-o no chão.

— Eu espero que realmente cumpra sua parte no trato, doçura. — ele proferiu.

Preparei rapidamente a mamadeira a pequena que bebeu tudo com bastante vontade, esvaziando o recipiente.

— Claro, sempre cumpro que prometo. Agora vamos dormir, amanhã teremos que ver o que faremos.

Dante assentiu, agora seco, pegando a bebê e a levando para o quarto com cuidado e ternura. A chuva tornou-se uma leve garoa quando nós fomos dormir com um suposto novo membro dessa excêntrica — e não muito normal — família.

No meio da madrugada, acordei com um forte e estridente choro, me recordando da presença da pequenina. Resmunguei, dando cotoveladas em Dante para que ele proporcionasse um auxílio. O meio-demônio sequer se mexeu e, se não fosse sua respiração tranquila, juraria que ele estava morto. Relutante e meio grogue, levantei e fui até o pequeno cesto onde Beatrice chorava copiosamente.

— Que foi, bebê? — indaguei, tirando-a berço improvisado. Talvez fosse fome.

Desci as escadas com todo cuidado evitando fazer barulho. Levei Beatrice para a cozinha e com um pouco de dificuldade — já que só tinha uma mão livre — preparei uma nova mamadeira: pus a fórmula na água morna, chacoalhei até que ambas se misturassem bem. Sorri com a visão, chequei a temperatura e como estava ideal, a alimentei pacientemente. Ela bebeu dengosamente e, após encher a barriguinha, a fiz arrotar

— Vamos dormir. — murmurei suavemente para o pedaço de gente nos meus braços.

Subi as escadas e entrei no quarto. Dante ocupava todo espaço da cama. Ignorei a cena e deitei Beatrice no cesto, a observando com doçura e encantamento.

— Boa noite, bebê! — bocejei.

O sono estava tão forte que nem me importei em deitar em cima de Dante. Dormi inalando o perfume inebriante do corpo dele.

No meu despertar, no dia seguinte, me fixei no quanto o clima estava agradável, o ambiente silencioso e o vazio do lado que geralmente Dante escolhia para dormir. Com a visão meio embaçada, vislumbrei a peculiar e igualmente cena de meio-demônio segurando a pequena. Na verdade, pelo que tudo indicava, peguei o flagra dele conversando com ela enquanto a bebê o observava com graça, sorrindo. Ele tentava compreender melhor a origem da empolgação ingênua dela com um “assunto sério”.

— E é exatamente por isso que você não deve sair perseguindo caras estranhos só porque ele tem cara de suspeito. Se for fazer isso, tem que ser armada ou pedir ajuda. Eu posso te acompanhar. — gracejou arrancando outra gargalhada da Bia. — Sou um cavalheiro até para as damas de menos de meio metro. A única coisa que peço em troca é: não gorfe em mim. Estamos combinados?

Dante mostrou a mão para selarem o acordo e Beatrice babou na mão dele em resposta.

— Precisamos estabelecer regras aqui e uma delas é sem babar, mocinha.

Reprimi o riso.

Dante a pegou no colo com extrema delicadeza e a levou consigo para o andar inferior. Meio preguiçosa e contagiada com a diversão de ambos, fui em seu encalço e escutei novamente ele falando de um jeito fofo com a pequenininha.

De repente, ele parou, franzindo o cenho, e ergueu Beatrice e fungou perto dela. A careta que ele fez rompeu a nuvem de sonolência que se abatia em mim e ri absorta. O meio-demônio marchou em minha direção e me entregou a menina.

— Ela tem um presentinho para você, doçura. — afirmou.

— Presente? — questionei confusa, um cheiro estranho invadiu minhas narinas. Aproximei meu nariz do foco do mau odor e, automaticamente, virei o rosto para longe do meu rosto para evitar que aquilo me tomasse.

Beatrice tinha sujado a fralda.

Misericórdia, como uma coisinha tão fofa e cheirosa pode fazer algo tão fedido?

Parecia que um urubu morreu na fralda dela.

— Odiei o presente! — anunciei, querendo afugentar o cheirinho desagradável. — Dante, querido... Troca ela para mim? — pedi querendo soar o mais dócil e sedutora possível.

Vai que funciona, não é?

— Sem chance. Além disso, não sei trocar fraldas como pode perceber. — rebateu, pousando as pernas na mesa e pegando uma fatia da pizza dormida que jazia ali.

Bufei.

Peguei todo que precisava para ajudar na situação. Era uma missão muito arriscada, qualquer movimento brusco poderia fazer a bomba de mau cheiro explodir.

Eu tenho que parar de ver filmes de espionagem.

Com todo cuidado desprendi as abas revelando a maravilhosa surpresa.

Dante fez uma careta.

— Não custava nada me ajudar a trocá-la. — resmunguei, limpando o bumbum da pequenina. — Seu preguiçoso.

— Não tenho jeito com crianças.

— Nem com mulheres. — acrescentei, terminando a limpeza e passando talco. — Não é bebê? — brinquei acariciando a rechonchuda barriguinha de Beatrice.

Ela riu.

— Olha, ela gosta mais de você. — Dante justificou. Ele estava de olhos fechados, totalmente relaxado como se não tivesse me presenteado com uma fralda suja.

— Faz um favor, amorzinho... — comecei irônica. — Joga no lixo para mim?

Atirei a fralda suja e, em vez de jogar para Dante, ela escorregou da minha mão e acabou caindo na pizza.

— Mas o quê...?

Peguei Beatrice devidamente limpa e trocada e olhei pesarosamente para o estrago. Dante encarou a pizza, sua expressão era de total surpresa e horror.

— Minha pizza...

— Opsie, foi mal! — me desculpei. — Bem, agora você tem uma pizza de chocolate. — tentei tirar sarro da situação.

— Merda... — ele resmungou. Eu acabei gargalhando com que ele disse.

×××

Beatrice seria exatamente como qualquer bebê comum se não possuísse um apetite voraz para uma criaturinha tão pequena. Nem sabia a quantidade exata de mamadeiras que ela tomou ao longo da tarde e parecia bastante intuitiva puxando minha blusa como se quisesse que eu desse de mamar da maneira tradicional.

— Desculpa, bebê. Eu não tenho leite. — expliquei, rindo, ciente de que ela não entenderia.

Dante de início observou nossa interação, porém, depois de alguns minutos, se prontificou a voltar ao estado de espírito preguiçoso e inativo com os pés repousado sobre a mesa e uma revista cobrindo o rosto. Por alguma razão estranha e inexplicável, ele não tocou mais no tópico de levá-la ao hospital ou a polícia para irem atrás dos pais.

Para ser honesta, achava difícil a possibilidade de encontrar os progenitores se foram eles que a abandonaram na porta do Devil May Cry. Seja quais foram as motivações deles, não tinha nada no mundo que justificaria tamanha negligência e se Dante estava de acordo, significava que ele era muito mais nobre do que imaginava.

— Ei, Dante, poderia segurá-la por um segundo? — pedi, tirando a revista do rosto de Dante.

— Não dá...

— Obrigada! — o interrompi, obrigando a segurar a pequena.

Dante pegou-a desajeitadamente com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Então nos encontramos novamente, princesa.

Resisti ao impulso de sorrir com a doçura professada pelo meio-demônio. Ele começou a balançá-la de um lado para outro com suavidade, nada que parecesse incomodá-la. Apesar das peripécias, Dante levou bem a sério a situação, mesmo não sendo o homem mais versado na arte do cuidado de um neném.

— Ei, doçura, ela tem um nariz parecido com o seu. — ele a virou momentaneamente pra mim enquanto arrumava as coisas a procura de um livro para entretê-la.

— Meu nariz é bem comum. E ela é bem mais a sua cara.

Dante riu e continuou a balançá-la.

— Se eu fosse você não ficava fazendo isso. — avisei.

— Por que? — antes que eu pudesse responder Beatrice se agitou e vomitou em Dante.

Eu quase engasguei de tanto rir com o desfecho.

— Você acabou de quebrar o acordo.

— Que culpa ela tem?

Beatrice começou a rir.

— Então me sujar é engraçado? — ele resmungou para a bebê que ainda ria. Dante limpou o rosto ainda com Beatrice nos braços. E começou a fazer uma série de caretas, fazendo-a gargalhar ainda mais.

— Acho que não ficamos tanto tempo fora para que já tivessem uma criança! — uma voz feminina debochou. Dante e eu voltamos nossa atenção para as duas figuras na porta: Trish e Lady.

Agora quero ver explicar a situação para elas...

Notas finais
~Podem dizer, Dante é muito preguiçoso mesmo. G__G Eu não conseguia para de rir escrevendo esse capitulo. xD Espero que gostem tanto quanto eu gostei. Beijos :* Até a próxima!