Baby Care
20 Praia

“Pare de se envolver nos problemas dos outros. Entendo que queira ajudar, mas esse problema é dela, Ace, não seu. Ela já te recusou, acabou. Siga a sua vida. Brigando ou não com outras gangues, ela não é responsabilidade sua”
— carta de Sabo para Ace, quando Bonney o recusou.
— Já chegamu? — Blaze perguntou.
— Não — Sabo respondeu.
— E gora?
— Também não.
Koala sorriu, se virando para ver Blaze impaciente na cadeirinha.
O dia já amanhecia e, diferente dos outros dias normais, aquele em específico ela acordou em um carro.
As férias de verão finalmente começaram e, conforme o planejamento de Sabo, resolveram fazer uma pequena viagem. A ideia inicial de seu patrão era chamar apenas um pequeno grupo de pessoas, no entanto, quanto mais pessoas eram postas na lista, mas teriam que convidar.
No fim, Luffy e todos os seus amigos foram chamados, além de Pudding, é claro, e Hiyori com seu irmãozinho, para substituir o convite dela para ir à piscina pública. No início a moça ficara um pouco receosa, mas conseguira convencê-la com as palavras certas.
— Poxa, seria tão divertido para Blaze e Momonosuke. Poder brincar na areia, aproveitar as férias juntos...
Assim como Koala com Blaze, Hiyori fazia qualquer coisa para ver Momonosuke feliz, e aceitara fazer a viagem junto dos amigos e da família de Sabo. Ali, no carro dele, iam os cinco juntos, mas atrás e na frente outros três carros vinham acompanhando, tendo Nami, Kohza — o namorado de Vivi — e Franky como motoristas. Nojiko, a irmã mais velha de Nami, também estava no grupo, pois estava com a perna quebrada de um acidente de carro. Como fora liberada pelo hospital, não foi problema ir com eles.
A grande viagem, que mais parecia uma excursão escolar de quatorze alunos, tinha como destino Shirahama, em Wakayama, uma das muitas cidades turística em que a família Monkey tinha propriedades. Como não era algo muito exagerado e, no fim, teria que ir para ajudar a cuidar de Blaze, Koala foi sem muita cerimônia.
(...)
Não estava mentalmente para ver a casa, de fato. Na verdade, estava longe de ser a simples casinha na praia que Sabo descrevera. Era, na verdade, uma verdadeira mansão, com dois andares e uma estrutura aparentemente ocidental. Deveria ter adivinhado. Bem que desconfiou se uma casinha poderia comportar todas aquelas pessoas, principalmente uma casinha com uma praia particular.
— Paia! Paia! — Blaze começou a correr, procurando seus brinquedos de praia na bolsa.
— Blaze, primeiro vamos arrumar as coisas, não vamos à praia agora. — Koala explicou a ele.
— Não adianta, ele não vai ouvir — Hiyori riu. — veja Momonosuke, está fazendo a mesma coisa. Ah, não! Não mexa aí! Momo, vai virar tudo!
A moça foi até o irmão para adverti-lo. Aqueles dois juntos seriam um terror.
Ao pensar isso, Pudding apareceu ao seu lado. Para a pessoa que inventara a ideia da viagem, ela não parecia muito empolgada. Estava bonita, usando roupas típicas de área tropical e com dois coques no lugar das maria-chiquinha habituais, mas parecia tão apática que nem sua beleza melhorava seu aparente humor ruim.
— Os rapazes subiram com as malas? — ela perguntou.
— Sim, estavam bem pesadas. Principalmente a de Nami-san. Quem visse acharia que ela passaria um mês. — brincou, e Pudding respondeu com um sorriso fraco. — o que foi? Enjoo no carro?
— Não, é só que... — suspirou. — Sanji ia pegar carona em um dos carros, no de Vivi, mas quando ele viu que eu estava nele, ele...
— Não me diga que ele trocou de carro.
Assentiu.
— Ele foi pro carro do Luffy e obrigou o Zoro a ir pro carro do Franky.
— Talvez ele tenha achado que seria apertado.
— Só tinha eu e Nojiko-san no banco de trás, e não somos muito grandes — argumentou, séria. — está bem claro que ele quer me evitar. Mas tudo bem, é só eu dançar conforme a música e ficar na minha. Viemos pra cá pra nos divertir.
Enquanto essa situação não fosse resolvida, Pudding não iria se divertir. Diferentemente do que ela planejava, tanto ela quanto Nami e Robin estavam ali com os namorados. Tentaria dar atenção a ela, mas tinha que cuidar de Blaze, e não podia ser cem por cento presente.
Por fim, Blaze e Momo finalmente tiraram uma soneca. Todos haviam saído na madrugada anterior, e enfrentaram mais de quatro horas de viagem de carro. Koala até dera a ideia de ir de trem, mas Sabo explicou que, com tanta gente, seria mais complicado, além de não valer a pena pois demoraria mais tempo. Com isso, todos ficaram cansado, principalmente os pequenos.
— Sabo-kun? — abriu a porta do quarto.
Lá estava ele, arrumando Blaze adormecido em um futom no chão.
— Koala — ele sorriu ao vê-la. — vem aqui.
Ele se sentou na cama e ela foi para o lado dele.
— Sabe, eu estou um pouco preocupada com Pudding.
— É mesmo?
Aos poucos, ele a puxava para que deitasse. Sem perceber, deixou-se ir.
— É. Acho que tem a ver com Sanji.
— Hmm...
A mão dele acariciava seus cabelos, vez ou outra cheirando-os.
— Tenho medo que ela se sinta sozinha aqui.
— Entendo...
— Acho que nós deveríamos... — ela parou de falar ao ver como estavam. — Sabo-kun! Você não estava me escutando.
— Claro que estava.
— Não estava não, você está — ela corou, notando uma das mãos dele em sua cintura, quase na nádega. — me tocando.
“Desculpa por te achar irresistivelmente deliciosa” ele quase disse, mas engoliu as palavras. Desistindo de um beijo quente e uns amassos, jogou-se na cama de braços abertos.
— Koala, não acho que seja bom se envolver nisso — ele opinou. — Pudding e Sanji têm suas questões particulares, quase todos aqui sabem disso. Sei que ela é sua amiga, e que quer a felicidade dela — encostou a bochecha na cabeça dela. — mas se não der certo, só vai trazer infelicidade pra você.
— Mas eles precisam conversar um com o outro. Há tantas coisas que não foram ditas, tantos...
Mistérios, completou em sua cabeça. Não disse nada, temendo que ele interpretasse aquilo como uma espécie de indireta. De forma alguma queria que ele se sentisse pressionado a falar sobre seus próprios demônios, mas não podia evitar sentir a necessidade de saber.
Após um tempo em silêncio, ele disse:
— Coração, você é livre para fazer o que quiser, mas recomendo que viva sua própria história, sem querer ser o autor de outras. O melhor que pode fazer é dar um pequeno empurrãozinho.
— Como o que?
— Não sei, uma dica, talvez. Você é criativa, vai saber o que fazer.
(...)
— Olha, mamãe! Olha! O má!
Blaze estava eufórico, puxando a mão de Koala.
— Você não pode ir pra lá sozinho, tá bom? — Sabo pegou o menino no colo, colocando-o junto com Momo na piscina inflável.
Blaze estava adorável, com um chapéu para o sol, calção de banho e bastante protetor solar no rosto. Ele já tinha sardas demais no rosto, não precisava de mais. E, além disso, o sol estava um pouco forte. Sugeriu que Sabo pusesse a piscina debaixo do guarda-sol, para que as crianças não se queimassem.
— Koala, você é uma verdadeira mamãe — Hiyori observou.
— Mamãe? Eu?
Era estranho pensar em si mesma como uma mãe. Há não muito tempo atrás, era uma colegial como qualquer outra.
— É — a outra assentiu.
Estavam as duas sentadas na areia, ao lado de Blaze e Momo. Os rapazes se dividiram em grupos, alguns jogando vôlei, enquanto outro grupo formava uma roda, chutando a bola uns para os outros dentro de um círculo. Era como uma espécie de mini-jogo, e era Sabo quem os ensinava. Certamente algo brasileiro.
— E que papai, hein? — Hiyori seguiu o olhar de Koala com uma expressão pervertida.
— Kozuki-san!
— Ah, por favor, Koala — a esverdeado revirou os olhos. — Sabo-san é um colírio para os olhos, um dos mais bonitos daqui. Só perde para...
Hiyori se calou quando Zoro saiu da roda e foi para uma espreguiçadeira, a uns dez metros delas. O semblante da amiga fez algo estalar dentro de si, e no mesmo instante lembrou-se de uma vez que ela lhe dissera que já namorou com um amigo do irmão de Sabo.
— Não me diga que... — arregalou os olhos. — já namorou Zoro-san?
Se fosse verdade, acabara de criar uma situação bem chata para Robin. Ela não dera nenhum sinal de estar chateada, mas Hiyori era praticamente sua convidada. Se sentia responsável pela presença dela ali.
— Já, mas era quando éramos jovenzinhos — ela deu de ombro. — não pense seriamente sobre isso. Eu sei que ele está namorando a Robin-san, e por mim tudo bem. Eu inclusive gostei bastante dela, pelo pouco que vi é madura e elegante.
— Por que vocês terminaram?
Hiyori forçou um sorriso, olhando para a areia.
— Eu era muito imatura pra ele. Nós nos gostávamos, mas estávamos sempre nos machucando. Principalmente eu — explicou. — se tivéssemos nos conhecido no tempo certo, acho que teria dado certo. Se como a Robin-san, eu fosse calma e madura. Hoje eu melhorei, mas — olhou Zoro de canto. — ele achou uma outra pessoa, e é feliz com ela.
No fundo, sentia que Hiyori ainda tinha uma ponta de sentimento por ele. Talvez sempre teria. Era estranho ver uma moça tão bela quanto ela — talvez a mais linda que vira na vida — sofrer por amor. Situações como essa aconteciam com todas as mulheres, independente de sua aparência.
Talvez, pensou, como Hiyori e Zoro, Sanji e Pudding não deram certo porque ainda eram novos quando se tornaram noivos. É, era uma possibilidade, e estava tentada a acreditar.
(...)
— Olha lá ele, dando em cima da Nojiko-san! — Pudding exclamou, enfiando um monte de comida na boca — é um sem-vergonha, mesmo! Um promíscuo! Cafajeste incorrigível!
Koala até que tentava, mas era difícil defender Sanji. Ele sondava a irmã de Nami, gritando “mellorine” a todo momento e levando drinks para ela, que recostava na espreguiçadeira. As duas estavam um pouco mais afastadas, em uma mesa, enquanto Pudding almoçava e Koala dava comida para Blaze.
— Ela não pode levantar para pegar as bebidas, ele está sendo gentil.
— Oh, sim, gentil, claro! — ela ironizou.
Suspirou. Era difícil lidar com aquilo.
— Pudding, por que isso?
A amiga virou a cabeça de uma vez, confusa.
— Por que deu a ideia dessa viagem? — perguntou tranquila. — você não está feliz.
— Quem disse que eu não estou feliz? — ela franziu o cenho, começando a ficar com raiva.
— Não precisa dizer, está óbvio. Você não sorriu uma vez desde que chegou, apenas resmungou e ficou carrancuda.
— Me desculpe por ser tão chata, achei que podia ser eu mesma com as minhas amigas, mas parece que me enganei.
— Essa é a questão, não está sendo você mesma! — Koala argumentou. — Pudding, você é doce e engraçada, mas tem algo de errado com você.
Farta daquele assunto, Pudding se levantou de uma vez, batendo as pernas na mesa durante a ação. Ela saiu dali, indo em direção ao mar com uma aura tempestuosa envolta de si.
— Ah, Blaze — lamentou-se, arrumando o cabelo rosado dele. — eu sou uma amiga ruim por tentar aconselhá-la?
Blaze sorriu, entendendo que ela brincava com ele. Pelo menos conseguira fazer alguém sorrir aquele dia.
(...)
Por que ela não tirava a blusa?
Sabo não queria parecer um pervertido, mas estava ansioso por ver Koala usando um biquini, mas, por algum motivo, ela usava uma camiseta enorme para cobrir o corpo. Sabia que ela estava de traje de banho. Pedira a Robin para lhe entregar o conjunto, sob o pretexto de ser um presente dela, mas era um presente dele, porque queria vê-la linda em roupas de banho.
Isso não fazia muito sentido. Koala tinha um corpo escultural, mas será que não era confiante o suficiente para isso? Nenhuma das outras garotas parecia envergonhada. Nem Robin, nem Nami, nem Kozuki-san, nem Vivi, nem...
Olhou em volta, procurando Pudding. Podia jurar que ela estava com Koala.
— Tudo bem tirar férias do trabalho no restaurante? — perguntou para Sanji, pegando um dos espetinhos que ele assava na churrasqueira. — nessa época costuma ser bem lotado.
— O velho me devia essa. Trabalho como um condenado a semana toda, inclusive alguns domingos. A última vez que tirei férias — ele pôs outra remessa de espetinhos — foi na viagem pro México, e nem foi para relaxar.
Deu um sorriso irônico.
— E esse é bem o tipo de lazer que você curte.
Os dois entenderam que ele se referia às mulheres.
— Que estranho.
Voltou a olhar para a mesa onde Koala estava. A esta altura, ela já não estava mais ali. Agora brincava na areia com Blaze. Olhou em volta, estranhando algo.
— Viu a Pudding?
— Pudding? — Sanji se virou para ele de uma vez, preocupado. — o que tem ela?
— Não estou vendo ela em lugar nenhum.
— Pode ser que tenha voltado pra casa — o cozinheiro supôs.
— Não, não — Sabo negou com a cabeça — daria para ver ela caminhando até a casa. Ela estava aqui agora pouco. Ali na mesa, almoçand...
Sabo não terminou a frase pois Sanji desatou a correr, quase derrubando-o. Até a comida ele abandonara, coisa que não era de seu feitio. Seguiu a direção em que ele foi, notando que correra para o mar, e agora nadava feito um louco.
— Pudding está se afogando!
Foi Vivi que gritou, e Sabo pôde ver um ponto ao longe no mar se debatendo.
(...)
— Pudding!
Pudding se debatia, tentando, de alguma forma, conseguir nadar para não se afogar. No momento da raiva, acabara de afastando muito do resto do pessoal, ficando numa área mais distante na água. De repente, sentira sua perna esquerda formigar, e não conseguia mais continuar boiando.
Como ela era deprimente. Nem nadar sozinha e zangada ela conseguia. Tinha sempre que acontecer algo de errado.
Mas então alguém a segurou, puxando-a contra seu corpo para que se apoiasse. Aliviada, olhou pra cima, procurando o rosto de seu salvador. Surpreendeu-se ao ver Sanji ali. Por que ele correra por ela? Por que não estava na areia, assando carne e fazendo drinks para a amiga de Koala e a irmã de Nami?
— Sai! Me solta! — começou a tentar se livrar dos braços dele, mas ele apenas a segurou mais forte.
— Se eu te soltar você vai se afogar — ele rebateu, e aos poucos ela parou de tentar.
Virou o rosto, não querendo olhá-lo diretamente.
— Senti que tinha algo de errado quando você sumiu depois de comer — ele falou — não sabe que faz mal nadar depois da refeição? Você podia ter vomitado. Pior, você podia ter morrido. Tenho certeza de que teve cãibra na perna, não foi?
Franziu os lábios.
— E quem é você pra se preocupar comigo?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— Está certo, eu não sou ninguém — Sanji deu um sorriso triste. — vou me esforçar mais pra ficar longe de você, e não incomodá-la.
Ela virou-se para ele.
— Me incomodar? Achava que estava me incomodando?
— É claro — ele respondeu como se fosse óbvio — Pudding, você está sempre olhando para mim com raiva. Normalmente eu tolero isso, porque gosto de todas as mulheres do mundo, mas não suportaria te fazer infeliz. Por isso eu mantenha uma distância educada de você — explicou. — não teria vindo se soubesse que você também viria. Estraguei suas férias.
Ele não podia estar mais errado. Por Deus, esse tempo todo estava pensando errado? Sanji achava que ela o odiava? Isso não podia estar mais longe da verdade.
— Eu achei que você não gostasse de mim. Você sempre deu em cima de todas as meninas! Mas de mim, você...
Sua voz falhou, sentindo vontade de chorar. Engoliu o seco, tentando voltar a falar.
— Eu nunca poderia odiar uma mulher, por mais ruim que ela fosse — a voz do cozinheiro era carregada de emoção e tristeza — você é especial pra mim desde que se tornou minha noiva, Pudding.
O noivado. Finalmente ele tocara no assunto, depois de tanto tempo. Após ele desertar dos Vinsmoke, o noivado entre ele e ela fora desfeito. Sanji, no entanto, ligara para ela naquele mesmo dia, perguntando algo que nunca esquecera em sua mente:
“...mas eu ainda te amo, então, se você estiver disposta, podemos no casar em breve.”
Durante todo esse tempo, ela pensava em como seria sua vida se tivesse aceitado. Provavelmente estaria bem diferente naquele momento.
— Me desculpe por não ter aceitado, eu... — organizou as palavras em sua cabeça. — eu fiquei com tanto medo. A Mama deixou claro que eu não podia nem pensar em vê-lo, que você é uma vergonha, e tantas outras coisas ruins...
Ele assentiu, compreensivo.
— ... e eu disse coisas ruins, não só por causa da Mama, mas porque eu estava tão zangada com você. Tudo estava caminhando tão bem, nossas famílias aprovavam, e então você estragou tudo.
As mãos dele, grande e firmes, a seguravam gentilmente. O cabelo dele estava mais escuro, por causa da água, e levemente bagunçado, deixando à mostra um pedaço da outra sobrancelha. Ele odiava mostrá-la, mas não se importava com isso agora. Não se importou que ela visse.
A dor em sua perna cessou, e nem soube dizer em que momento isso aconteceu. Isso porque os olhos dele, fixos dela, passavam tantas mensagens de conforto que Pudding quase se esquecia que estava em uma praia, no meio do mar, abraçada com a pessoa que sua mãe mais desaprovava, mas que era com quem ela mais queria estar.
Ele levantou o queixo dela, e pôde sentir leve hálito de tabaco ultrapassando os lábios dele.
— Se ainda estiver disposta, podemos recomeçar.
Murchou de leve.
— Eu não posso. A Mama me escolheu. Eu sou a sucessora dela, e vou trabalhar na empresa em duas semanas. Sabe o que isso significa, terei que abdicar da minha vida.
— Por que você tem que fazer isso?
— As ordens da Mama são absolutas.
— Não as obedeça, então.
Ela balançou a cabeça.
— Uma vez, um dos meus irmãos mais velhos foi contra o que a Mama queria. Nunca o conheci, porque isso foi antes de eu nascer, mas o fato é que ele não aceitou o destino que a Mama escolheu para ele. No fim, ele foi para um lugar remoto do país, vivendo de migalhas e alimentando vícios. Meus irmãos atestam: foi a Mama que fez isso com ele.
Foi a vez de Sanji balançar a cabeça.
— Se tem algo que eu aprendi, é que nossos pais não fazem nem metade do que dizem que fariam. Tanto sua mãe quanto meu pai têm muitos filhos, um a mais ou a menos não faz diferença. Seus irmãos estão fazendo medo em você, para que não tenha coragem de sair do ninho.
Refletiu sobre aquilo. Nunca pensara daquela forma.
— M-Mas se eu sair de casar, ela vai parar de...
Parar de dar dinheiro. Ele entendeu na mesma hora.
— Não é fácil, bombom. Eu trabalhei muito, mas, sabe — ele sorriu — no fim, tudo vale a pena. Pode trabalhar no Baratie se quiser. O velho com certeza vai te admitir, você é a confeiteira mais talentosa que eu já vi.
Sorriu também, começando a enxergar um novo futuro.
— Eu protejo você — ele deu-lhe um selinho. — e protejo os seus sonhos.
(...)
— Sabo-kun, Pudding e Sanji estão há um bom tempo na água, não acha?
Koala agachou ao lado dele, que estava deitado na areia fina, branca e fofinha da praia. Blaze estava no lado oposto, jogando areia nele e enterrando-o. A essa altura, quase chegava no queixo.
— Estão? — Sabo forçou a vista, mas era difícil sem poder se mexer muito. — que bom que ele a salvou.
— Não dá para ver com clareza, mas parecem felizes. Será que teremos boas notícias?
— Sua dica deve ter dado certo, então.
— Não consegui aconselhá-la. Pudding saiu com raiva de mim. Foi por isso que ela foi nadar, inclusive. Pobrezinha, me sinto mal por ter incitado isso.
— Tudo aconteceu como deveria, e ela não me parece muito chateada agora. De uma forma ou de outra, conseguiu o que queria. Eles estão conversando.
Sorriu, animada com a ideia.
— Ela vai ficar feliz o resto da semana — respirou fundo, orgulhosa e satisfeita pela amiga. — que outros acontecimentos imprevisíveis será que nos esperam nessas férias?
Sabo relaxou a cabeça, deixando a areia se misturar com seu cabelo.
— Gostaria que não muitos, mas, por algum motivo, sinto que ainda há muita coisa para acontecer...
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