Baby Care
35 Às & Chama

“É um menino, forte e sadio. Tem cabelos cor-de-rosa, mas ainda não abriu os olhos para sabermos a cor. Achei que queria uma menina, mas ele é uma coisinha vermelha muito linda, é um sentimento inexplicável. Vamos criá-lo para ser um homem bom no futuro, respeitoso e direito. Seu nome será Blaze, que significa “chama”. Portgas D. Blaze”
— resposta de Ace para Sabo, logo após o nascimento de Blaze.
Haviam coisas na vida que eram simplesmente impossíveis de se prever e, considerando o caos que foi os últimos dois anos da sua vida, Sabo tinha perfeita ciência disso. Não planejou cuidar de Blaze, não planejou ser horrível nisso, assim como não planejou conhecer uma estranha na rua e torná-la a babá de seu sobrinho. Não planejou se apaixonar por ela, e definitivamente não planejou machucá-la.
No entanto, agora que tudo estava bem de novo, Sabo se viu planejando muitas coisas, ao mesmo tempo que realizava tarefas no presente. Primeiramente, perdoou a dívida que tinha com Kid. Ele não queria aceitar o perdão, mas Sabo fez questão, afinal, sem ele, talvez nunca tivessem achado Koala e Blaze. Ele já havia lhe pago da melhor maneira e a ajuda dele seria um grande acréscimo para a empresa. Depois, reforçou seus laços com a família Trafalgar, e posteriormente com a família Jaguar, as únicas que se mostraram preocupadas com Koala, uma simples “empregada”.
Também mandou agradecimentos para a família de Pudding, em especial à Bigmom, mas ela nunca respondeu. Provavelmente ela não queria se envolver muito com Koala. De qualquer forma, fizera tudo isso em um dia, e sentia-se disposto e renovado como nunca.
— Meu amor?
Sabo entrou no quarto procurando por sua amada. Havia acabado de chegar do trabalho, e não a encontrou em seu quarto. Estavam no meio da tarde, e normalmente Koala tinha aula aquele horário, mas sugeriu que ela não fosse aquele dia. Ela estava no hospital no dia anterior, precisava descansar.
Como não a viu, abriu a porta do banheiro. Ele a encontrou de calcinha, tirando a blusa.
— Sabo-kun — ela corou de leve, mas terminou de tirar a blusa. — não ouvi você chegando, veio muito cedo hoje.
— Hack, Kid e Yamato estão cuidando de tudo pra mim hoje. — deu um abraço nela por trás, beijando a lateral de seu pescoço. — fiquei doido pra chegar logo e te ver.
— Nos vimos hoje de manhã. — ela sorriu, se deliciando com a carícia. — não é possível que tenha dado tempo de sentir saudade.
— Sinto mais saudade a cada minuto que fico longe de você.
Ele beijou seus lábios, passando a mão por sua cintura.
— Vou entrar com você. — ele anunciou, começando a tirar a roupa.
Koala riu de leve, sabendo que não adiantava dizer muito. Havia pensando em tomar uma ducha, mas sentiu que merecia um banho quente e relaxante, então encheu a banheira com água fumegante e sais de banho.
Seu corpo se arrepiou por inteiro ao entrar na banheira e sentir o calor esquentando sua pele. Sabo veio logo depois, com o frasco de shampoo em mãos.
— Posso lavar seu cabelo?
Assentiu, e logo sentiu as mãos dele massageando sua cabeça. Ah, aquilo sim era o paraíso. Fechou os olhos, deliciando-se com a sensação. Gostava de cuidar dos outros, mas ser cuidada às vezes era bom também.
— Onde está o Blaze? — ele perguntou.
— Almoçou, e depois foi tirar a soneca. Deve acordar um pouco antes das crianças chegarem.
— Que bom. Trouxe um pudim pra cada um, pensei em dar quando chegassem.
— Melhor depois do jantar, é mais especial. — ele enxaguou o cabelo dela, tirando toda a espuma. — quer que eu lave o seu também?
— Não precisa. Vem, relaxa aqui comigo.
Ela apoiou as costas no peito dele, e os dois ficaram ali, aproveitando o momento.
Se havia algo que Sabo aprendera com tudo o que havia acontecido, é que tinha que ser totalmente sincero com Koala. Não sabia se devia lhe contar o que lhe afligia logo, ou se deveria esperar o momento certo. Mas quando era o momento certo? A cada minuto que passava, sentia que estava adiando o impossível.
Mas ele tinha medo. Perdê-la seria o mesmo que a morte, e depois de dizer o que tinha que dizer, talvez eles tivessem que se separar, caso ela decidisse assim. Como isso era difícil.
— O que foi? — ela perguntou de repente.
— Huh? — piscou, surpreso. — como você...?
— Eu te conheço. — ela se sentou direito, virando de frente para ele na banheira. — eu percebi que você queria me contar algo desde que eu saí do hospital.
Abriu a boca para responder, mas aí começou a pensar sobre como falar.
— É algo ruim? — ela perguntou calmamente.
— Eu acho... Eu acho que é. — ele desviou os olhos dela, encarando a água. — depois que firmamos o acordo com os americanos, ele impuseram uma condição para mim.
— Qual condição?
Respirou fundo.
— Eles querem que eu vá morar nos Estados Unidos, ou nada feito.
Não levantou os olhos para encará-la, mas sentiu que ela o observava. Deus, Buda, ou o que quer que fosse o ser superior, estava sempre a rir da cara dele e condená-lo ao fracasso total. Nunca conseguia a felicidade completa, sempre havia algo para atrapalhar.
Se não fosse embora, tudo o que sua família construiu e tudo o que seu pai lutou por anos para melhorar iria para o fundo do poço. Por outro lado, ficar significaria viver feliz ao lado de sua amada e das crianças que mais amava na vida. De uma forma ou de outra, ele faria pessoas felizes e perderia algo de muita importância.
No entanto, mas uma vez, ela o surpreendeu. Koala tinha uma linguagem do amor — algo que ouvira falar uma vez sobre — muito específica: a do toque físico. Sempre que tinha oportunidade e, claro, nem sempre de frente de outros, ela o beijava. E na maioria das vezes não era com malícia, mas apenas com carinho, e foi o que fez daquela vez. Acariciou sua bochecha marcada pela cicatriz, bem debaixo do olho, e o beijou bem ali.
— Prometeu que passaria o resto dos dias de nossas vidas dizendo que me ama, não foi?
Ela tinha um sorriso cálido no rosto, e estava tão linda. A pele branca como leite brilhando, os cabelos curtos colados à nuca... Ela era perfeita. Por Deus, como amava aquela mulher.
— Não é uma penitência pra você? Ir embora do Japão? — indagou-a, tentando se certificar de que entendera bem. — teríamos que levar todos conosco, você teria que deixar a universidade...
— Eu nunca vou abandonar os meus próprios sonhos. — ela esclareceu. — posso tentar uma transferência, e se não conseguir, posso prestar para alguma faculdade de lá. As crianças aprenderiam inglês facilmente, tenho certeza disso.
Sem acreditar no que ouvira, ele quase chorou de emoção. Como era bom ser amado! Nunca se perdoaria se atrapalhasse a vida de Koala, mas se ela estava disposta a embarcar nessa aventura junto dele, só tinha a agradecer. E passaria a vida agradecendo-a, ao mesmo tempo que a amava.
— Eu vou resolveu tudo, então. — pegou as mãos dela, acariciando o anel. — assim que souber de mais detalhes de como vai funcionar, eu venho direto contar para você.
— Não tenho dúvida disso. — ela respondeu, e ele sorriu.
Sabo inclinou a cabeça a começou a beijá-la, sentindo os lábios dela molhados pela água. Ela estava ainda mais deliciosa, e apenas aquele beijo conseguiu animá-lo. Quando seus lábios se separaram em busca de ar, ela estava ofegante e corada, claramente excitada.
Puxou-a para perto de si, de forma que suas coxas voluptuosas ficassem ao redor de seu tronco. Seus seios grandes e redondos ficaram bem na sua frente, como se implorassem para ser chupados, e foi o que ele fez. Ergueu o esquerdo com a mão e o abocanhou com vontade, ficando cada vez mais aceso ao ouvi-la gemer.
Quando ele passou a se dedicar ao direito, ela brincou:
— Você parece um bebê.
Ela viu que ele ficou com as orelhas vermelhas, mas ao invés de parar, sugou com mais força, fazendo-a gritar.
No momento em que ele enfim a liberou, ela pôs a mão na água para senti-lo. Ele estava rígido como pedra, e pulsava bastante. Tinha vergonha de admitir, mas também o queria dentro dela, então ela mesma pegou seu membro e alinhou com sua entrada, e ele adentrou com bastante facilidade.
Vê-la subindo e descendo, com seios pulando em sua frente, era o afrodisíaco mais forte que Sabo enfrentara. Depois de algum tempo naquela fricção extasiante, ele sentia que já estava perto de explodir, mas tinha que esperá-la primeiro.
— Koala... — grunhiu.
— Eu já vou... — ela subiu e desceu algumas vezes, até que a sentiu estremecer, e soube ali que ela atingira o clímax. O que, para ele, fora um verdadeiro alívio, pois logo depois ele dera uma estocada mais forte, liberando-se como nunca antes.
A cada vez que eles faziam, sentia que era melhor, e adorava que fosse assim. Koala sentiu-se preenchida pelo líquido dele, uma sensação esquisita, mas que ela já vinha se acostumando e gostando. Ainda dentro dela, Sabo a encostou em seu peito, com o peito subindo e descendo. Os dois estavam muito ofegantes.
— Será que vai ser tudo perfeito assim pra sempre? — ele perguntou.
— No que depender de mim... Sim.
(...)
À noite, Sabo resolveu fazer algo especial. Todos gostavam muito de pizza, então ele mesmo ligou para a pizzaria e pediu todos os sabores disponíveis, decidido a fazer uma festa da pizza. Eles não conseguiriam comer tudo, mas sempre comprava comida a mais para que os empregados pudessem desfrutar também.
— Tem refrigerante de guaraná? — Nina perguntou para ele em português, e se pegou espantado. Ela falara muito bem!
— Com quem aprendeu isso?
— Com o vovô Dragon — ela deu ombros. — ele ensina bem pra gente. Mas tem ou não?
Assentiu, pensando no pai. Onde ele estava, afinal? Precisava descansar e cuidar da saúde, mas não conseguira muito tempo para ficar de olho nele desde que chegara. Provavelmente ele aproveitou o tempo acamado e preso em casa para fazer algo de útil: ensinar aos menores.
— Papai, papai! — Blaze veio correndo, e puxou sua calça. — olha o que eu sei fazê!
Marion veio correndo atrás dele, e quando Blaze apontou a arminha para sua cabeça, se jogou para trás, fingindo de morto, e o menino morreu de rir.
— Viu? — disse o rosado.
— Vi — abaixou-se na altura dos dois. — mas isso aqui é meio violento, não acha?
Blaze parecia bem, mas temia que o sequestro o afetasse de alguma forma, talvez psicologicamente. Se fosse em outros tempos não se importaria, mas era melhor remover dele brinquedos que remetiam a armas.
— Marion — chamou o menino. — por que não pega a bola e vão brincar antes que as pizzas cheguem?
— T-Tá bom!
Eles facilmente abandonaram as arminhas e foram correndo para o quarto dos meninos. Enquanto isso, Sabo arrumava os pratos na mesa junto das meninas.
— ...E aí — Tora continuou a contar. — a professora disse que o meu kanji de “família” era o mais bonito que ela já viu. Eu teria tirado dez naquele teste se não tivesse esquecido o kanji de fogo.
— Mas ele é fácil, é só tentar imaginar o fogo, e que vai se lembrar da forma dele, é muito parecida com uma fogueira. — respondeu.
— Até que faz sentido.
A campainha tocou e as pizzas chegaram, e logo Koala apareceu junto de Shin. Os dois pegaram as pizzas e as colocaram na mesa, enquanto Rock veio com os refrigerantes.
O jantar foi bastante animado, conversaram sobre vários assuntos e riram bastante. Todos gostavam muito de pizza, mas Koala mantinha-os sempre em uma dieta de comida rica em nutrientes. Mas mesmo ela sabia que comer besteiras às vezes não era um grande problema.
— Mamãe — Blaze estava sentado ao lado de Koala, lambuzado de pizza. — o que é isso?
Ele apontava para o pedaço de pizza em seu prato.
— É tomate — ela explicou. — você está acostumado a comer tomate cereja, que é igual a esse, só que pequenininho.
— Pequenininho?
— É, igual você — ela limpou o rosto dele com um lenço. — aqui, fique com o meu pedaço, ele não tem tomate, eu fico com o seu.
— Bigadu!
Aquela paz e harmonia que rondava sua família fazia o coração de Koala ficar aquecido. Ainda estava processando os últimos acontecimentos, mas se sentia bem e segura naquela casa, com Sabo, como nunca antes. Estava certa de que os dois entrariam em uma fase do relacionamento muito diferente das outras, mais maduros e certos do que queriam como um casal.
Observou-o fazer uma brincadeira com seus irmãos à mesa, mas não o repreendeu como era de praxe. Ele estava muito fofo fazendo aquilo. Quando todos já estavam quase gordos de comer pizza, Sabo se lembrou do que trouxera mais cedo.
— Quem quer pudim?!
Todos arregalaram os olhos, falando ao mesmo tempo que queriam, e ele saiu todo orgulhoso ele mesmo para buscar na cozinha.
— Mamãe — Blaze a chamou de novo, mas dessa vez ele ficou de pé na cadeira e pulou para o colo de Koala. — o... O papai copou o de que o pudim?
— De leite — respondeu, passando os braços por seu corpinho. — por que?
— Eu gosto mais de chocolate — ele esclareceu.
Por um momento, ficou encarando seu rosadinho recheado de sardas nas bochechas e no nariz, que ele ganhara por passar mais tempo debaixo do sol brincando. Ele havia mudado muito, e crescido demais desde que o conhecera, sozinho e com uma barra de chocolate na mão. Era engraçado como certas coisas não mudavam. Ele ainda era o mesmo Blaze, e ainda amava chocolate.
Mas era um Blaze diferente também.
— O papai... — começou a dizer, sorrindo orgulhosa. — ele comprou um de outro sabor só pra você.
— Verdade?
— Verdade.
Ele deu um sorrisinho, revelando seus dentinhos pequenos e separados que lembravam uma serrinha.
Desviou o olhar dele ao ouvir um barulho. Parecia uma discussão, e estava longe, mas ao mesmo tempo perto. Juntou as sobrancelhas, com um mal pressentimento. Passou os braços ao redor de Blaze novamente.
— Quero passar agora! — ouviu alguém gritar. — agora mesmo!
Era uma voz masculina, mas que ela não conhecia. Levantou-se com Blaze no colo, e viu Sabo chegando pelo caminho da cozinha.
— Ouviu alguma co...
Quando estava prestes a abrir a boca para responder sobre o que ouvira, as portas da sala de jantar foram arregaçadas de uma vez, revelando um homem de cabelos negros com uma pose de puro ódio e descontrole. Ele olhou em volta e seus olhos pararam em Sabo.
O loiro deixou todos os pudins que carregava caírem no chão, sua expressão mudando totalmente também.
— Sabo! — o homem andou pisando forte até ele. — Como você pôde deixar o meu...!
E então, Sabo levantou o punho e deu um soco tão forte na face do homem que Koala temeu que ele tivesse quebrado o punho. O moreno cambaleou para trás e ficou uns instantes chocado pelo soco, mas logo o revidou, acertando o rosto de Sabo, que caiu no chão.
— Seu...! Seu...! Como ousa?! — o moreno gritou enquanto se atracavam no chão. — era pra você ter cuidado dele!
— Eu ter cuidado dele?! — Sabo gritou de volta. — acorda! Se tem alguém aqui que não pode me cobrar nada é você!
Ele deu um soco no estômago de Sabo, e ali Koala decidiu que era demais. Colocou Blaze atrás de Tora e foi até eles.
— Chega! Chega! — ela se pôs entre os dois, protegendo Sabo estirado no chão com seu próprio corpo. — não encoste mais um dedo nele! Agora!
Ofegante, o homem saiu de cima de Sabo. Ele estava um caco, todo machucado, mas era com Sabo que ela se preocupada. Agora estava com a bochecha ferida, o olho roxo e o lábio cortado.
— Koala... — ele disse ofegante. — deixe que eu resolvo isso.
— Resolver isso o que? Olhe só pra você — disse desesperada, passando a mão pelo rosto dele. E então olhou para o outro homem. — Não sei quem é você, mas não admito violência nessa casa!
Ficou de pé, pondo-se na frente de Sabo enquanto ele se levantava.
O moreno a ignorou, continuando a encarar Sabo com fogo nos olhos. Quando Sabo voltou a ficar de pé, falou:
— É muita ousadia da sua parte voltar aqui e cobrar de mim algo que você mesmo deveria ter feito.
— Eu confiei em você, Sabo. Confiei e agora me decepcionei! Depois de tanto tempo, quando eu finalmente retorno, acho que ele está bem e acabo de descobrir que quase foi morto!
Havia algo de muito familiar naquele homem, mas Koala não sabia dizer o que até então. Mas de repente, algo se iluminou dentro de si, e o roteiro da discussão começou a fazer sentido.
— Se meu filho estivesse bem com você — ouviu ele dizer, limpando o filete de sangue que escorria de sua boca. — ele jamais teria sido sequestrado!
Aquele era Portgas D. Ace, o verdadeiro pai de Blaze.
(...)
Sabo mal podia acreditar. Depois de quase dois anos, seu irmão Ace resolvera aparecer em sua casa e tirar satisfações como se tivesse todo o direito de fazê-lo. Quem ele achava que era? Um pai que abandona um filho não tem qualquer autoridade de cobrar o homem que foi um pai durante a maior parte da vida de uma criança.
Estava com muita raiva, e queria dizer umas poucas e boas para ele, mas lembrou-se de seus filhos. As crianças estavam todas assustadas, e Blaze devia ter se escondido no aparador, pois não o via em lugar algum.
— Koala... — engoliu seco. Ou sangue, nem sabia mais. — leva as crianças lá pra cima, por favor.
— O que? Não, eu não vou deixar vocês dois sozinhos. — respondeu-lhe determinada. — quando eu der de costas, sei que vão começar a se matar.
Continuaram fitando um ao outro, e nenhum dos dois negou.
— Vem, gente — disse Shin, lendo o clima perfeitamente. — vamos subir, anda, vamos.
Ele levou os cinco irmãos, segurando Nina e Aurora cada uma em uma mão. Koala agradeceu mentalmente a ele, orgulhosa do bom irmão mais velho que ele vinha se tornando, mas logo seu humor mudou ao se virar para os outros dois irmãos em sua frente.
— Agora, vocês vão se acalmar e vão se sentar para conversar e resolver tudo o que ficou pendente esse tempo todo. — anunciou.
— Olha aqui, quem é você pra decidir quem vai fazer o que? — Ace falou com Koala.
— Acho bom medir o jeito como fala com ela. — Sabo deu um passo em direção a ele, com mais raiva.
— Sabo-kun, por favor...
— Ele vai começar a fazer isso, Koala, não se preocupe. — uma nova voz foi ouvida, e Dragon apareceu na sala junto de Luffy, Inazuma e alguém que não conseguia ver direito. — Já pedi para passarem um café para nos mantermos acordados, porque a conversa dessa noite vai ser muito longa.
Koala reparou melhor na mulher, e notou como a cor do cabelo dela lhe era tão familiar. Chegou a se lembrar da professora de Blaze, Reiju, e até de sua amiga Rebecca, mas de alguma forma, era diferente. Era um tom como nenhum outro, mas que ela já vira muitas vezes.
Por Deus... Era claro. Aquela era a mãe de Blaze! Ela tinha a cabeça baixa, e mal conseguia ver sua face, mas tinha absoluta certeza disso. Já a vira em fotos e vídeos, e ela não mudara absolutamente nada.
Ace olhou em volta, como se acabasse de se tocar de algo.
— Blaze. — ele disse baixo, em seguida gritou: — O Blaze! Onde está o meu filho?
Sabo estalou a língua, impaciente.
— Acha mesmo que nesse estado...!
— Deixe comigo. — Koala tocou com intimidade o ombro do namorado, que se calou. — sim?
Ele se acalmou um pouco, olhando no fundo de seus olhos.
— Claro, coração.
Tranquilamente, Koala foi até o canto do cômodo, onde ficava um dos aparadores que Blaze mais gostava de se esconder, e parou em frente a ele. Ela se agachou, encarando as portas, e disse com a voz mais doce e maternal do mundo:
— Querido? — o chamou. — você está aí?
Ninguém respondeu, mas escutou o “tchu! Tchu!”, som que o brinquedo dele do Thomas sempre fazia.
— Pode sair aqui um minuto? Um moço quer te conhecer.
Todos a encaravam com expectativa, e aquela foi a primeira vez que Koala realmente se sentira o centro das atenções, mas nada daquilo importava. Não ligava se todos esperavam que ela conseguisse logo tirá-lo dali, ela não obrigaria seu neném em hipótese alguma.
— Você confia em mim? — perguntou. — Hum?
— Shim. — ouviu bem baixinho a voz dele.
— Então pode vir comigo?
Ele ficou quieto por uns segundos, até que abriu uma pequena fresta e olhou por ali, como se se certificasse de que era mesmo Koala. Quando a viu, lentamente, saiu de dentro do móvel e logo pediu colo.
Koala se virou com o menino receoso nos braços, e viu que os olhos de Ace brilharam ao ver o menino tão grande. Certa de que Ace não faria nada de ruim, andou até ficar cara a cara com ele, para que pudesse ver melhor seu filho.
— Blaze... — ele perdeu o fôlego, sorrindo de emoção. — você... Você está enorme.
Levemente desconfortável, o rosado nem se mexeu, olhando para o moreno com estranheza.
— Eu sou o papai. — disse ele. — lembra? O papai!
Como era esperado, Blaze apenas ficou olhando-o sem dizer nada, e o descontentamento foi claro no rosto do Portgas, até que ele pensou em algo.
Ele cantou em um tom baixo e melódico, olhando bem fundo nos pequeninos olhos violeta de seu filho:
“Tommy used to work on the docks, union's been on strike
He's down on his luck, it's tough, so tough”
A expressão de Blaze nada mudou, então ele resolveu ser insistente e continuar:
“Gina works the diner all day working for her man
She brings home her pay, for love, for love...”
E nada. Blaze não reconheceu a música, e sequer deu qualquer indício de que estava interessado nele.
— Essa... — murmurou para si mesmo, desacreditado. — essa era nossa música preferida.
— A música preferida dele não é mais essa. — Sabo se pôs ao lado de Koala. — são as músicas de Frozen.
— Como é?
— Achou mesmo que voltaria e tudo permaneceria como está? Ele é uma pessoa, Ace, não um objeto que você deixa na estante. Você não conhece seu filho.
— Papai! — Blaze pediu para passar para o colo dele, e Ace ficou claramente chocado.
Blaze rapidamente se aninhou no colo do pai, para a consternação do outro.
— Quem conhece seu filho... Somos nós.
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