Notas iniciais
Este é o primeiro capítulo. Espero que gostem.

Palácio Lures e Viemont

Um palácio sobre a área rural da pacata cidade de Pierrot no sul da França. Lures e Viemont é conhecida por ser a fortaleza de pedra, pois os seus alicerces, muros e demais construções são feitos de rochas ígneas vindas do vulcão Vesúvio da Itália, o mesmo que destruiu a cidade de Pompeia no século I depois de Cristo. Havia uma vasta região entre lagos e floresta em toda a extensão territorial do lugar. Há rumores que a propriedade particular é do tamanho da Cidade do Vaticano.

Passaram-se centenas de anos desde que fora construída em 1345 pela família Lalaurie, uma poderosa família que era bastante conhecida até mesmo fora do seu país. Cada pedra foi carregada por carroças a partir de escravos que iam e levavam desde que Vesúvio ficara em estado de inatividade. Um trabalho de mais de trinta anos até começarem as obras.

Todos os visitantes que passaram ou passarão pela rodovia próxima ao local, viram ou virão as quatro torres mesmo estando a 500 metros de distância apenas do portão principal. Turistas vêm de muitas partes para tirarem fotos, mas não entrar pois ainda existem moradores vivos no palácio.

A cidade é mais conhecida pelo próprio palácio do que por si própria, apesar de ser aconchegante e linda principalmente na primavera.

Há rumores de que os moradores daquele lugar sinistro são imortais ou semi-deuses, mesmo que são pouco vistos pela população ou imprensa. Preferindo assim a discrição.

CIDADE DE PIERROT, NOVEMBRO DE 2015

Passava das 21 horas daquele sábado. O táxi saiu da rodovia e foi para uma pista mais isolada. A muralha revestida de plantas trepadeiras eram vistas e arrepiavam mais do que qualquer creepypasta já lida. O belo rapaz, caucasiano, lábios róseos, másculo, limpo, vestido num traje que nos faz lembrar o Arnold Schwarzenegger no seu tempo de glória como T-800 da franquia Terminator. Parecia exalar masculinidade em cada poro do seu corpo ou em cada micro-buraco da sua jaqueta de couro preta.

O taxista parou o veículo. O rapaz pagou ao velho barbudo um valor em euros. O moço agradeceu e foi embora. O jovem atritou as suas mãos e deu um sopro entre elas numa tentativa de se esquentar do frio de 10 graus Celsius O grande portão tinha pelo menos 10 metros de altura e era feito todo de bronze. Dois leões do mesmo metal era visível bem no alto. Mesmo com esses detalhes seculares e antigos, a residência também possuía tecnologia como interfone.

─ Alô... oi. Sou o Garoto de Programa que o senhor Viemont contratou.

─ Sim, só um momento ─ falou uma voz feminina bastante indiferente.

O portão abriu sozinho por alguns centímetros, o suficiente para o profissional do sexo passar com folga. Havia literalmente uma estrada de pedras onde ele estava sobre. Ao lado dava para ter uma noção da grande variedade de flores e plantas. Um carrinho igual daqueles de golfe veio perto do rapaz. Um senhor com um bigode enorme estava dirigindo. Este era magro, alto e trajava um terno de mordomo.

─ Sente-se. O meu senhor já está esperando.

O moço sentou-se e foi levado pelo mais velho. De perto, o palácio mais parecia um manicômio. As plantas trepadeiras e musgos tomavam boa parte da moradia. Eram inúmeras janelas, muitas delas apagadas, apenas a maior que parecia um vitral estava acesa. O vistante teve que subir o pescoço para observar.

─ O senhor Viemont deve ter gostado muito de você. Ele não costuma chamar rapazes da sua categoria. Venha comigo.

Eles subiram uma escadaria para chegar à porta principal de madeira de excelente qualidade. Brasões, animais de esculturas eram vistos por todo o vasto jardim e até em detalhes nos vidros e nas portas. O mordomo passou um cartão automático na lacuna que ficou no lugar da fechadura. Era muito fácil abrir uma porta que pesava fácil 100 quilos. O piso era também de madeira de ótima qualidade e haviam tapetes indianos pelos pisos.

─ Nossa. O dono disso tudo deve ser muito rico.

─ Sim, ele é. Mas eu te garanto que a fortuna atual dele não passa de 300 milhões de euros. Ele não é pobre, mas também não é muito rico. O dinheiro que o meu senhor tem é o suficiente para ele viver a vida toda sem preocupações econômicas. Pegue o elevador, ele te levará ao quinto andar.

─ Espera, o senhor não vem comigo?

─ O quinto andar é exclusivo do senhor Viemont. Quando chegar lá haverá um corredor. A porta da sua frente é a do meu patrão. Ignore os demais corredores. Agora vá.

O elevador possuía tecnologia e havia sido programado para subir ao quinto andar. Ao chegar no corredor, o rapaz saiu. Havia bustos e quadros por toda a parte. Candelabros e espelhos eram vistos. Ele caminhou para a porta da frente, que estava um pouco aberta. Empurrou-a e viu a suíte riquíssima em detalhes. A cama já ficava próxima à porta e era linda e bastante larga. Os detalhes em ouro chamava atenção. Mas a pessoa que estava de costas observando o lado exterior da casa lhe chamava atenção mais ainda. Era um homem robusto, com seus 1,85m, trajado numa roupa social com suspensório. Provavelmente fumava um charuto. Ele apagou o objeto e se virou.

─ Caralho ─ disse o GP. Obviamente quando viu a aparência do homem. Não era nenhum velho ou coroa com seus 40 anos. A aparência era a de um jovem de uns 25 anos de idade, olhos azuis, loiro, com lábios carnudos, uma covinha no queixo e muita beleza para dar e vender. O recém chegado pensou se ali fosse um deus em forma humana, pela beleza absurda do outro. Depois que percebeu que havia falado errado, desculpou-se.

─ Não se desculpe. Eu costumo ser mais compreensível com os caras informais. Bom, já que você chegou aproveite e se deite na cama. Eu vou ao bar pegar um vinho e uma taça. Qual o seu nome?

─ Rodney.

─ Ah, eu amo o seu nome. Eu tinha um amigo britânico chamado Rodney. Pena que ele já esteja morto.

Viemont caminhou para a direita do rapaz, abriu uma porta ali. Era uma adega.

─ Posso me despir?

─ À vontade, Rodney. A propósito, que mal lhe pergunte, porque entrou nessa vida de prazeres sexuais a domicílio?

─ Estava sem grana e não entrei para a faculdade. Os meus pais são de Paris, mas nasci em Cannes, mas depois viemos para cá. Estava financeiramente desgastado e era difícil arranjar emprego.

─ Nossa, você é mesmo viajado.

─ É ─ ele retirou a jaqueta, camisa, cinto e calça, além dos tênis. ─ Entrei nessa por meio de uns amigos que também são. Afinal, eu sou dono do meu próprio corpo.

─ Concordo plenamente contigo, todos deveríamos ser dominadores de nossos corpos ─ disse vindo com a garrafa e a taça. ─ Religiosos excêntricos vêm com moralidades falsas sobre o certo e o errado. Há preconceitos por todos os lados, machismo, sexismo, racismo. Enquanto houver algo assim o mundo não evolui. Melhoramos desde a revolução francesa, mas estamos muito longe de uma civilização dos deuses. Acredito que estamos vivendo como se vivêssemos no século XIX. Tome.

─ Ah, desculpa. Você trouxe somente uma taça.

─ Compartilho a mesma taça com pessoas especiais, e você é especial. Olha só, vestido nessa Calvin Klein preta e com esse corpo de atleta olímpico. Malha muito?

─ De segunda a sexta.

─ Gosto de transar com homens deliciosos, que preocupam-se com sua saúde física. Desculpe-me se eu esteja sendo preconceituoso com os gordinhos, mas prefiro transar com bíceps, músculos e bundas. Tome, coloque o vinho.

─ Nossa! Um rosé do ano de 1899!

─ Tenho mais desses ─ disse Viemont também se despindo.

O corpo do anfitrião não ficava para trás. O homem era musculoso e bastante perfeito. Seu corpo pálido chamava mais atenção. Rodney ficou logo de pênis duro ao vê-lo sem a roupa e completamente nu.

─ Você vai ser ativo ou passivo?

─ Nunca fui passivo e nunca pretenderei ser.

─ É bom fazer anal.

─ Rodney, há artes que são feitas apenas por certas pessoas. Você tem a sua arte, eu a minha. Nunca me acostumaria fazer sexo anal. Por favor. E pare de me chamar de senhor. Chame-me apenas de Viemont.

Rodney retirou uma camisinha do bolso da jaqueta. Uma chuva começou a cair do lado de fora.

Rodney gemia baixo à medida que recebia as estocadas do seu anfitrião. A luz foi apagada e apenas um abajur foi aceso. Ele recebia as investidas de quatro, sobre o lençol de seda. Enquanto isso bebia mais um pouco de vinho. Viemont investia repetidas vezes, enfiando freneticamente o seu pênis para o fundo do outro rapaz. O loiro beijou as costas do moreno, mas nunca tratava o outro como um promíscuo.

Gemendo baixinho, Viemont gozou. Foram vinte minutos rápidos, sem muita frescura. Um sexo simples, mas amoroso. O anfitrião retirou o seu membro ainda com a camisinha e jogou o plástico no cesto ao lado da cama.

─ Droga. Eu não gozei. Preciso bater uma punheta.

─ Masturbação. Eu faço para você. Sabe o que me dá mais prazer do que o meu próprio prazer? É dar prazer aos outros.

Rodney abriu as pernas e o homem abriu a boca. O garoto de programa ficou extasiado quando o outro fez um sexo oral em seu órgão. Minutos se passaram quando finalmente o moreno teve um orgasmo na boca do seu cliente. Viemont olhou para o rapaz e engoliu o esperma, seguido de uma boa dose de vinho.

─ Por que o espanto?

─ Nunca um cliente meu fez isso. Tomou o meu gozo e depois acompanhado com vinho.

─ Costumo sentir o gosto dos rapazes que eu transo ─ ele pegou o charuto e se sentou ao lado do outro. ─ Eu tinha que fazer isso para ter certeza de que você não é quem eu procuro. Mesmo assim você é uma pessoa especial, Rodney, continue sendo um sujeito de boa índole. Ah, o seu pagamento. Como gostei de você, eu decidi te bajular um pouco mais.

Viemont foi até a escrivaninha ao lado da sua cama, abriu a gaveta e pegou a sua carteira. Retirou 500 euros e deu para o rapaz.

─ Nossa. A minha hora é 150 e você me pagou 3 vezes mais.

─ Isso é por você ser uma pessoa bela por fora quanto por dentro. Agora é hora de partir. Foi um prazer transar com você. Com licença.

─ Espere. Eu posso ao menos tomar um banho?

─ É claro.

Viemont saiu da sua suíte e Rodney ficou mais à vontade naquele ambiente. Minutos depois o garoto de programa acabava de tomar um banho. Saiu do banheiro e vestiu suas roupas. Ele ficou meio embaraçado já que o dono da casa ainda não havia chegado. Ele saiu do quarto, observou o corredor à sua frente e caminhou em direção ao elevador. Quando a porta se abriu, ele viu um homem morto e muito sangue. Logo veio o desespero e não poderia pegar aquele caminho. Tentou achar uma outra saída por alguma escada. Tentou abrir as portas, mas todas estavam trancadas.

─ Quer uma ajudinha? ─ ele olhou pra trás e viu uma pessoa sem olhos falar com ele. O susto foi tanto que ele quase caiu no chão, mas correu. A pessoa vestia-se de branco, era careca e não possuía pés. Flutuava no chão.

Rodney conseguiu o acesso pela escadaria que dava ao quarto andar. Era ainda mais excêntrico, haja vista que não havia iluminação. Ele estava perdido naquela fortaleza. Gritou por Viemont, mas não obteve sucesso. Até que se encostou na parede e percebeu que braços saíram dela para tentar agarrá-lo. Uma criança num triciclo era vista, ou uma sombra parecida com o Rake. Na verdade o palácio era assombrado por espíritos de antepassados.

O rapaz correu quando viu Viemont à sua frente, vestido num roupão. O anfitrião puxou uma faca e perfurou o abdome do outro. Rodney caiu no chão. O dono desferiu mais facadas até matá-lo.

─ Já chega ─ disse ele aos espíritos. ─ A brincadeira acabou. Você vá chamar o Yerai agora ─ disse à sombra que atravessou a parede.

O mordomo levou para a cozinha, o cadáver. Colocou numa grande mesa onde cortava carnes grandes. Viemont estava com uma taça na mão e com o sangue do moço. Bebeu aquele líquido ainda quente.

A cozinheira era tão sinistra quanto o dono. Uma mulher gorda aparentemente com seus cinquenta anos.

─ Quais partes vai querer, senhor? ─ perguntou ela.

─ Corte os peitos e as nádegas, pois o delícia aí tinha de sobra. Ah, corte o pau em dois e faça um bom filé ainda hoje. Gostei de chupar essa rola e agora vou comê-la. E Yerai...

─ Senhor?

─ Fale para Frans arrumar aquela bagunça nos corredores e o meu quarto e avise àquelas criaturinhas do demônio para pararem de aprontar. Infelizmente o desgraçado aí não era quem eu procuro.

─ Sim senhor, eu farei isso.

Viemont saiu da sua casa, ainda bebendo o sangue na taça, e caminhou até onde havia um mausoléu abandonado. O lugar era trancado a sete chaves e ele nunca mais abriu aquele lugar.

─ O tempo está se passando ─ disse ele olhando para a lua.

BLOOD — 2ª TEMPORADA — LÁBIOS DE SANGUE

Personagens principais:

Ludwig van Krauss

Pierre van Krauss

Lorenzo Dandame

Jane Rafaelli

Sergey Bulankov

Dorothy Bulankov

Lúcia van Krauss

com

Padre Arnold Damien

Belinda dé Viemont

e Conde Aruan Sean-Poirot dé Viemont III

LÈVRE DE SANG

Special Guest Star:

Mordomo Yerai

Cidade de Pierrot, Março de 2016

A pacata cidade estava mais aconchegante do que nunca. Seus moradores, comércios e pontos turísticos davam vida a ela.

Numa casa simples viviam um casal de namorados. O rapaz acordou, percebeu que estava sozinho na cama. Ele era moreno claro, mas com olhos da cor petróleo. Não era tão musculoso, mas tinha uma boa disposição física.

─ Lorenzo? ─ chamou ele ao seu namorado. Ele se levantou, viu no relógio que eram quase oito da manhã de sábado. Desceu as escadas para ir à cozinha. ─ Lorenzo, você está aí?

Lorenzo era um rapaz ruivo e magro. Companheiro do outro que havia acabado de acordar. Os dois estavam juntos a mais de dois anos.

O ruivo acabou de falar no telefone quando viu o namorado atrás de si.

─ É você, Pierre. Levei um susto.

─ Por quê? Tava falando com quem?

─ Estava conversando com a sua mãe.

─ Minha mãe?

─ Já se esqueceu? Ela veio passar esses dias aqui conosco. E vai trazer o Ludo.

─ Não posso acreditar. Não quero acreditar que a mamãe vai trazer o imbecil do Ludo.

─ Hei, relaxa. Ele é o seu irmão.

─ E um homofóbico. Já se esqueceu do que ele falou para mim? Queria que eu morresse por ser gay? Não, e o pior, ele culpa a morte do papai a mim. Como se eu tivesse culpa.

─ Querido, relaxa. Isso foi há dois anos. Talvez ele tenha mudado. Vamos dar uma chance para ele.

─ Tudo bem.

Enquanto isso na estrada, Lúcia van Krauss dirigia o seu carro enquanto o seu filho caçula a acompanhava com cara de poucos amigos.

─ O que foi, filho? Sua cara não está nada boa.

─ Como quer que eu fique? Vou para a casa dos boiolas e você ainda quer que eu fique contente.

─ Já falamos a respeito disso ─ Lúcia era aparentemente jovem apesar dos seus quase cinquenta anos.

─ Eu não vou me acostumar que o meu irmão seja um viado, um viado! Os meus amigos da antiga escola me zombavam. Mãe, viadagem é uma doença, homem foi feito para ficar com a mulher. Aparelho excretor não foi feito para ter filho.

─ Ludwig, para, meu filho! Deixa de falar absurdos. Ele é o seu irmão e quer queira ou não, vai ser sempre seu irmão. Aceite, filho. Dói menos.

Ludwig van Krauss era um rapaz no ápice dos seus dezoito anos. Desde que completou a escola, ele nunca se interessou em entrar para a faculdade. Interessou-se em ser músico de uma banda de rock de Paris. Ele possuía até algumas tatuagens características pelo corpo. Um rapaz caucasiano, cabelos loiro escuro e porte não muito atlético, mas ele era alto.

O carro de Lúcia passou ao lado do terreno do Palácio de Lures e Viemont. Ludwig observou as torres passarem pela sua vista.

─ O que foi?

─ Aquele castelo.

─ Você já viu isso muitas vezes.

─ Toda vez que eu vejo fico impressionado.

Finalmente o carro chegou na frente da casa. Lúcia buzinou. Lorenzo foi o primeiro a atender a sogra. A cara de Ludwig era de poucos amigos. Realmente tinha desgosto de ter um irmão homossexual.

Notas finais
Em breve postarei o próximo capítulo.