BLOOD - 2ª Temporada - Lábios de Sangue
3 Le Cri du sang
─ Pode largar a minha mão?
─ Oh, sim. Desculpe-me pela minha ousadia. Bom, você gosta de música, deu para perceber. Gosta de rock.
─ Adoro. Uma paixão que eu tenho desde criança.
─ Sério? Pelo seu jeito de se vestir e se portar já posso imaginar que gostava desse nicho. Eu por exemplo acho as bandas atuais maçantes, parece que o rock está esgotado com artistas artificiais. Bons tempos eram aqueles em que Elvis Presley e os Beatles faziam sucesso.
─ Eu gosto muito dos Beatles. Queria ter nascido naquela época só para pegar um autógrafo deles.
─ Ludwig, eu tenho todos os discos dos beatles. Originais e limitados. Alguns são autografados inclusive por John Lennon e Paul McCartney.
─ Não. Mentira sua!
─ Eu não minto. Eu tenho uma coleção. Gostaria de ver?
─ Agora? Você mora longe?
─ Sabe aquele castelo em que você deve ter visto no caminho para cá?
─ Sim.
─ Ali é onde moro.
─ Mentira! Caraca, você é da realeza?
─ Eu sou um conde, e isso me faz vangloriar do que sou e do que tenho. Vamos lá, só vão ser alguns minutos. Eu tenho uns discos repetidos e posso dar alguns.
Ludwig ficou pensando, mas aceitou a proposta. Saiu com o conde Aruan até o carro e sentou-se no banco de couro ao lado do motorista. Ambos saíram.
Aruan dirigiu até o seu palácio. Ludo ficou impressionado com a megalomania do lugar, tudo era enorme.
─ Bem-vindo ao meu humilde lar.
─ Nossa. É muito grande.
─ Posso ajudá-lo, senhor?
─ Yerai, este aqui é o Ludwig meu novo melhor amigo.
─ Prazer, senhor.
─ Quanta formalidade. Prazer é o meu, senhor Yerai.
─ Vamos, Ludwig. O meu escritório fica aqui do lado.
Os dois caminharam em direção ao cômodo. Duas portas fechavam o local. O homem pegou uma chave e abriu. O espaço era grande, mas tinha um ar de antigo. As poltronas eram feitas de couro e as paredes de madeira de boa qualidade. O conde foi até uma estante que havia algumas portas, ele abriu e revelou a coleção de vários discos dos Beatles.
─ Uau! Meu Deus. Você realmente tem a coleção completa.
─ Eu te disse. Eu tenho alguns repetidos e posso dá-los a você.
─ Cara, é insano isso aqui. Como você vai me dar uma raridade dessa?
O conde se aproximou por trás dele e disse baixinho em seu ouvido.
─ Eu posso te dar até os discos limitados, se você me der outra coisa.
Ludo praticamente pulou distante de Aruan. O garoto ficou desconfiado com as atitudes do conde.
─ O que foi?
─ Eu não curto essas paradas, cara. É melhor eu ir embora.
─ Mas por que você não curte? Só quero algo em...
Ludo deu um soco na cara de Aruan. O anfitrião quase caiu no chão com a pancada. O jovem pediu desculpas e saiu da mansão. Yerai se aproximou do patrão depois de vê-lo.
─ O que houve?
─ Ele me deu um soco.
─ Quer que eu o mate?
─ Não! O sangue tem que ser dado de uma maneira voluntária, não sob tortura. Eu nunca pensei que aquele garoto fosse um homofóbico. Mas eu vou reverter isso. Ele será meu de um jeito ou de outro. Quer saber? Chame a súcubo agora. Só ela para me ajudar com o meu plano.
LE CRI DU SANG
Special Guest Stars:
Mordomo Yerai
Arrumadeira Frans
Dois corpos estavam em plena comunhão. A cena quente, o ar com cheiro de sexo e sangue e o ambiente escuro dava mais tesão aos dois. Viemont transava com uma mulher de confiança dele, sua amiga. A súcubo que ele tanto admirava pelo seu jeito independente e sutil. Milhares de homens já foram enganados por ela e outros até morreram por ela. Quando ela aparece na vida de um homem, uma desgraça está por vir. A exceção era justamente Aruan Viemont, o conde vampiro. Além de não ser um homem qualquer, já a ajudou no passado libertando-a do purgatório.
Após a transa, ele levantou-se da cama e foi vestir um roupão. A moça continuou deitada nua na cama e fumando um cigarro acoplado num filtro. Ela era branca com longos cabelos negros e ondulados que iam até a cintura. Os seus olhos da cor de petróleo seduziam até o mais decente dos homens.
─ Para você me chamar assim tão depressa é porque há alguma urgência. Você não me contou o que é desde que cheguei.
─ Você sabe que em pelo menos uma década eu preciso beber o sangue de um descendente dos homens lobos. Esse é o preço que eu paguei para ter vida eterna.
─ Lembro perfeitamente.
─ Estou a quase dois anos procurando o portador do sangue, porém deparei-me com frustrações. Um por um, os homens e mulheres que eu transei não serviram para nada. Nenhum era o descendente da Alcateia Lunar. Todavia, ontem eu conheci um rapaz chamado Ludwig. Eu senti a sua corrente de energia correr até mesmo sobre o meu âmago. Esse rapaz é o descendente mais perto. Quero ele.
─ E por que você me chamou?
─ Já mandei um detetive particular ir atrás de informações. A cidade é pequena e não seria difícil. Consegui achar a casa do indivíduo. Ele tem um irmão gay e um cunhado. A sua participação resumirá em transformar um desses sodomitas em héteros. Resumindo: vai tentar fisgar ou o irmão ou o cunhado. Vamos fechar o cerco com aquela família e arrancar o Ludwig de uma vez por todas deles.
─ Você é tão mau. Parece um leão feroz. Engraçado que você teve sorte em conseguir a vida eterna. Mas como tudo o que é bom tem um ônus e um bônus, o bônus é não morrer e o ônus é ter a obrigação de não morrer. Você tem quantos anos? Mais de Duzentos? Foram mais de vinte vítimas nesses últimos três séculos. Eu vou te ajudar. Mas eu quero um favorzinho seu.
─ Que favor?
─ Faz tempo que eu não me divirto. Passarei estes dias aqui no castelo, mas quero que pegue alguns homens para mim. Adoraria torturá-los.
─ Ma Cherie, não é preciso de esforço. É comum gatunos entrarem em minha propriedade. Nunca fui roubado, pois a minha matilha de rotweillers não deixa nem o osso à mostra, além daquela Besta que vive na parte de trás da casa. Enfim, falarei com Yerai para prender os cães só esta noite. Arrume-se, vamos para a casa do meu querido Ludwig não Beethoven.
...
Pierre e sua mãe colocavam o café da manhã na mesa quando Lorenzo apareceu devagar até chegar próximo ao namorado. Chamou o rapaz um instante para conversarem.
─ O que você quer, Lore?
─ Estou preocupado com o seu irmão.
─ Ele te fez algum mal?
─ Não, não é isso. Bem, ele voltou ontem pra casa e estava próximo de anoitecer. Ele chegou estranho, esquisito e aparentemente com raiva.
─ O Ludo estando feliz, isso sim seria estranho.
─ Espera, falo sério. Eu sou psicólogo e conheço quando uma pessoa está alterada. Acho que o seu irmão teve problemas na rua pois ele não poderia sair daqui com raiva e chegar aqui com mais raiva ainda.
─ Acredite, amor, Ludo sempre foi marrento assim. Mas eu juro que ficarei de olho nele.
Lorenzo ficou mais calmo.
Enquanto isso, o casal Bulankov faziam mais vítimas. Dessa vez uma família de vírus vampiresco que morava na periferia da cidade. Eles arrombaram a casa, mataram os idosos, irmãos, pai e deixaram apenas a mãe com o seu filhinho.
─ Por favor... não faça mal ao meu bebê ─ disse a mulher apavorada.
Dorothy olhou para o marido e sorriu. Depois deu a adaga de prata para ele.
─ Acaba logo com a vadia e o monstro que ela carrega no colo. Vou estar esperando do lado de fora.
─ Xiu, não vai doer nada.
Sergey pegou a mulher pelos cabelos, deu vários socos na cara dela e pegou a criança. Ela tentou correr para pegá-lo de volta, mas levou uma punhalada na barriga.
Dorothy estava sentada na picape, com o vidro aberto e olhando a rua. Dois caras que estavam próximos dali conversavam a respeito deles assaltarem o Palácio de Lures e Viemont, pois havia rumores que os moradores eram vampiros e que havia um tesouro lá. Eles perceberam que a mulher estava olhando para eles, tentaram se aproximar dela, mas recuaram ao ver o revólver na mão dela.
─ Bando de maricas!
Sergey havia chegado bem na hora com dois frascos de conserva. Ele guardou o coração da mulher e do bebezinho dentro de cada pote.
─ Quem eram aqueles?
─ Em casa eu te explico.
Eles foram embora.
PALÁCIO LURES E VIEMONT
A súcubo se vestiu para aquela noite de domingo que seria inesquecível. Enquanto isso a arrumadeira deixava a cama do seu patrão em ordem.
Franzinne Frans era uma imigrante italiana que chegou na mansão por volta da Primeira Guerra Mundial. Ela era agora o fantasma da senhora Frans depois de morta e que vaga como arrumadeira naquele palácio assombrado. Tanto que ela era muito pálida, mas bastante dinâmica. Era uma simpática senhora com idade de pelo menos uns 60 anos, cabelos curtos ondulados e usava óculos.
─ Vem cá, eu nunca te perguntei. Mas como conheceu o Viemont?
─ Ah, madame, conheci o patrão Viemont ainda criança. Eu ainda era criança quando em 1917 cheguei pela primeira vez na França. Eu estava órfã depois que papai e mamãe foram vítimas da guerra e por sermos judeus na época. Eu tinha 10 quando em Roma, um senhor me ofereceu abrigo. Agradeço tudo ao senhor Viemont desde então. Morri em 1967 depois de uma crise de tuberculose.
─ Você é um fantasma, Yerai e Viemont são dois vampiros, eu sou uma súcubo. Ou seja, nada de normal ocorre dentro deste palácio. Coitado daquele que quiser invadir aqui. Esses corredores têm vida própria.
─ São os familiares do senhor Viemont. Enquanto este lugar ficar de pé, qualquer espírito fica vagando por estes corredores. Não queira morrer aqui, senhorita.
─ Frans, diga-me uma coisa. O que há exatamente naquele mausoléu aqui do lado da mansão?
─ Desculpa, senhorita, o meu patrão não quer que os outros saibam.
─ E não quero mesmo. Afinal aquilo é o passado e somente os museus vivem do passado. Você está deslumbrante. Pode ir, Frans.
─ Sim, senhor.
─ Nossa, está mais informal. Camisa polo rosa com bermuda. Jamais te vi assim! Você adora roupas sociais com suspensórios!
─ Ma Cherie, sempre tenho uma primeira vez na vida. Irei à luta. Vamos?
Os dois saíram da mansão. O motorista os levou para a cidade.
Enquanto isso, Lúcia foi ver se o seu filho caçula estava bem. Ele assistia a um programa local quando a mulher chegou de surpresa.
─ Mãe!
─ Oi pra você também, filho. Agora é sério. Por que você tratou tão mal o seu irmão?
─ Não tratei mal. Apenas ele que fica enchendo o meu saco o tempo todo. Aquele viado de mer...
─ Ops. Não fale assim.
─ Tudo bem. Papai morreu de desgosto, a senhora sabe muito bem disso.
─ Não ponha mais o seu pai nisso. Você está equivocado.
Ludo ficou inconformado.
─ Só mais uma coisa, o que fez ontem à tarde? Chegou com raiva, nem quis muito papo com a gente.
─ Já te disse. Eu fiquei com dor de cabeça.
─ Ludo, visita!
Ludo e sua mãe ficaram sem entender nada. Lorenzo havia ficado louco?
Antes fosse. O rapaz abriu a porta quando a campainha não parava de tocar. Já era quase seis da tarde quando ele abriu a porta e viu os convidados não convidados na porta. Lorenzo olhou para Aruan como se fosse a última coisa a ver em vida. A súcubo passeou seus olhos sobre o corpo do ruivo enquanto Aruan manteve-se sério.
─ Quem são vocês?
─ Sou Aruan Viemont, amigo do Ludwig. E esta é Jane Rafaelli, minha irmã. Conhecemos Ludwig desde muito tempo quando batíamos papo via Facebook. Ele está?
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