Notas iniciais
— Hum, vejo que o seu querido Ludwig se arrependeu, não é? Possivelmente veio correr para os seus braços e se esfregar nesse seu corpo frio de vampiro.
— O que vai fazer com ele? — Aruan estava deitado no chão preso por um encanto e com apenas a sua samba canção. Seu corpo estava ensanguentado com o sangue dos seguranças e do cachorro.
— Eu? Não vou fazer nada. Para isso servem os lacaios, não é? Aqueles dois são bons no que fazem.
Tiros são ouvidos ali perto. Belinda sorrio observando o olhar de desespero de Aruan que estava em choque.
— Não... Ludo...
— Acabou, Aruan. Agora somos só eu e você.
Sergey estava com a sua arma quando viu o corpo da pessoa que ele abateu no chão. Ele se aproximou da pessoa e teve uma grande surpresa. Seu grito de horror ao perceber que ali deitada estava a sua querida Dorothy, ensanguentada, fuzilada e morta... Ele imediatamente largou a arma e a abraçou na falha tentativa de reanimá-la, porém nada surtia efeito. Sua esposa agora não passava de um cadáver pronto para ser putrefado e comido pelos fungos.
Enquanto isso, Ludo, Pierre e Yerai entraram no palácio pela porta dos fundos, local onde havia a antiga besta demoníaca que servia para matar os invasores.
— Precisamos subir ao quarto antes que ela esfaqueie o meu senhor.
Eles perceberam que Sergey estava voltando para dentro do palácio, esconderam e puderam ver o homem com a mulher nos braços. Ele logo a deixou, pegou o elevador e subiu ao andar da suíte.
— O que você quer?
— Por favor, salva a minha mulher.
— O que aconteceu?
— Eu tava caçando aqueles desgraçados agora a pouco, acabei atirando por engano nela. Droga! Com essa escuridão ficou difícil distingui-la dos outros.
— E por que eu teria a tarefa de ajudá-la? Acorda, humano. Esse foi um problema que você mesmo causou. Sinceramente não tenho nada a tratar contigo, homem.
— Mas... sua feitiçaria pode salvá-la...
— Pode, mas não quero. Qual é a dificuldade em entender isso? Deixe eu te dizer algo realmente interessante. Eu usei os dois para o meu propósito. Sei que foram vocês que me libertaram, mas não espere gratidão minha porque nunca foi do meu feitio. Agora saia daqui!
Sergey estava completamente irado com a condessa que não hesitou em sacar sua pistola e apontar para ela. A moça se teletransportou e ficou por trás dele. Sergey caiu da janela de vidro da suíte e parou no gramado.
Aparentemente havia morrido nas mãos da mulher.
— Você realmente é um demônio. Trai seus aliados...
— Olha quem fala. Se você nunca matou alguém, pode me acusar. Você e eu somos iguais e teremos o mesmo destino.
— Como assim?
— Assim que eu te matar, eu também me matarei. Assim vamos os dois juntos para o outro lado da vida.
— Sua louca!
Ela segurou a faca na mão e foi na direção dele. Estava pronta para esfaqueá-lo a qualquer momento. Aruan tentou se soltar, porém não estava conseguindo.
Ludwig e os outros subiram pelas escadas que, naquela circunstância, parecia o meio mais rápido de chegar. Eles só não contavam com uma barreira mágica que a própria Belinda havia feito para impedir a passagem de invasores, exceto os seus dois capangas. Enfim, eles fizeram de tudo para passar, mas não dava certo. Ludo tentou e conseguiu passar livremente.
— Vai! — disse Pierre.
O rapaz correu para o andar superior até chegar no local do corredor que dava acesso à suíte. Ele respirou fundo e arrombou a porta do quarto. Viu Belinda sobre o homem e pronta para matá-lo.
— Você?
— Você esquece que esse livro é meu e fiz com que o Ludo pudesse ter acesso irrestrito a qualquer canto deste palácio e adjacências.
— Maldito!
Ludo se jogou por cima dela e os dois rolaram sobre o tapete do quarto. A moça desapareceu dos olhos dele.
— Você está bem?
— Pensei que você nunca mais iria me perdoar. O que eu fiz foi algo que...
— Só fica em silêncio — Ludo deu um beijo, ainda que confuso. Aruan estava em choque com aquilo. O rapaz beijoqueiro desfez o ritual que paralisou o corpo do conde e assim este conseguiu se levantar.
Belinda começou a bater palmas para o casal que havia acabado de se reconciliar. A moça não gostou de ter sido interrompida nos últimos instantes. Ela ficou invisível por um tempo aos olhos dos dois.
Momentos antes, Belinda havia jogado Sergey para fora da janela da suíte. Era uma altura considerável, apesar dele ter caído sobre o gramado. O homem, por incrível que pareça, conseguiu sobreviver à queda. Com o braço esquerdo quebrado, mancando e sangrando, ele entrou mais uma vez no palácio. Com tamanha dificuldade, ele conseguiu entrar na cozinha.
— Vai me pagar... Vagabunda...
Ele abriu um armário, pegou um pequeno machado e começou a golpear a tubulação de gás que dava para o fogão industrial. Ele bateu tanto que perfurou e começou a sair gás. Retirou um cigarro do bolso, pôs na boca e acendeu seus isqueiro. Ficou fumando por um tempo. Começou a ter crise de risos.
Uma forte explosão aconteceu na cozinha. O fogo se espalhou rapidamente pelos corredores, copa, banheiros de empregados, quartos dos empregados até chegar no salão onde estavam Pierre e Yerai. Eles viram o fogo no teto e não tiveram como avisar ao rapaz que acabara de subir. Tiveram que sair do local para não serem pegos pelo fogo.
— Ludwig — disse Pierre.
Ludo ajudou Aruan a desfazer o ritual de magia negra feito pela bruxa Belinda. O rapaz viu o livro de feitiçaria sobre a cama e foi pegar, mas Belinda surgiu ao seu lado e o empurrou contra a parede.
— Vocês nunca vão me vencer. Nunca! Vou acabar com os dois.
— Tem certeza disso? — Ludwig arrancou a página do feitiço que dava poderes para ela. — O padre Damien antes de morrer me deu uma carta revelando tudo. Mas veio um outro papel revelando o segredo desse livro e o quão é importante para você. Na página 476 há um feitiço para dar poderes às bruxas e se for danificado, a bruxa fica enfraquecida.
— Nunca soube disso. Mas que maneira patética de perder todo o seu poder — falou Aruan.
— Devolva... Oh!
Ludwig segurou a página e começou a rasgá-la na frente da bruxa. Esta ficou se contorcendo no chão como se tivesse uma convulsão. Algo negro saiu de sua boca, nariz e olhos e desapareceu. Belinda já não tinha mais os seus poderes, foram arrancados definitivamente. Ela ficou com tanta raiva do rapaz que segurou sua faca e atirou contra ele.
— NÃO! — gritou Viemont.
Ludo caiu no chão quando foi atingido no seu peito esquerdo.
— Ludo! O que você fez?
— Hum... Ele tirou meus poderes, eu tirei sua vida...
— Maldita — os dentes de Aruan cresceram até ficarem afiados, seus olhos ficaram vermelhos. Ele imediatamente atacou Belinda arrancando-lhe um pedaço da sua jugular. Belinda Viemont morreu banhada em seu próprio sangue.
Aruan cuspiu o pedaço de carne da sua boca e foi ajudar o seu amigo. Este estava sentindo muita dor por causa da facada. O conde teve forças para levá-lo nos braços.
Pierre e Yerai saíram do palácio depois da explosão e do fogo que se espalhara por todos os cômodos. Os quartos, salas, banheiros e áreas de serviços foram completamente arruinados pelas chamas. Pierre começou a se preocupar com o seu irmão.
— Olhe! O meu senhor está trazendo o jovem nos braços.
— Ludo. O que aconteceu?
— Belinda o apunhalou. Mas já acabei com ela.
— Senhor, por que está seminu? — disse o mordomo retirando seu casaco e dando para o outro. — Pode pegar um resfriado.
— Não tenho tempo para isso, homem! O Ludwig está morrendo. Preciso fazer algo urgente e já sei o que farei.
— O quê?
— Senhor, não pode fazer isso. O senhor perderá a sua longevidade e consequentemente a sua memória.
— O que ele vai fazer?
— Ele vai passar a sua condição de vampiro para o seu irmão. Ludwig será exatamente como o meu mestre foi.
— Não me importo de perder minha condição de vampiro. Olhe pelo lado bom, o Ludo vai poder viver e eu poderei viver como um jovem normal.
Aruan colocou as mãos no peito de Ludwig e colocou sua boca perto da boca do outro. Uma aura branca surgiu ao redor dos dois que assustou até mesmo o mordomo e Pierre. O procedimento terminou com Aruan desmaiando e Ludwig acordando subitamente. Pierre abraçou o caçula enquanto Yerai ajudou seu senhor.
— Aruan Viemont... — disse Ludwig.
...
Dias se passaram... Aruan teve as memórias apagadas de tudo o que passou nos últimos duzentos anos. Ficou em coma durante quatro dias e acordou com Ludo ao seu lado. O homem olhou para o outro e o chamou pelo nome.
— Conhece-me?
— Claro. Você não é o Ludwig? Aí, vai namorar comigo ou não? Sou bissexual.
— Urgh! Como você ficou direto. E que jeito de falar é esse?
Aruan pulou sobre Ludo e começou a beijá-lo no rosto. O médico interrompeu aquilo e disse que o paciente só teria alta dois dias depois.
Tempo depois, Aruan e Ludo chegaram em Paris e começaram a namorar. Juntaram-se num apartamento de frente à torre Eiffel.
— Senhor Ludwig, o senhor deseja alguma coisa?
— Não, Yerai. Deixe-nos a sós.
— Certo.
— Cara, que chique. Eu sempre quis ter um mordomo. Será que em outra vida eu fui um conde ou alguém da nobreza?
— Quem sabe. O que tanto tenta tirar dessa bolsa?
— Um livro... fala sobre vampiros. Sempre tive vontade de ser um.
Ludwig achou tão fofo a inocência de Aruan... Infelizmente ele não seria mais o mesmo conde Aruan Viemont de antes. O palácio foi vendido para o governo que irá transformá-lo em museu.
— Que livro é esse?
Aruan fez um suspense até que finalmente mostrou a capa para o namorado. O resultado foi um Ludo completamente surpreso. O livro de "vampiros".... Crepúsculo.
— Hein?! — falou Ludwig. Logo o livro que ele mais odiava.
FIM
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