BLOOD - 1ª Temporada - Bullying
8 Oferenda ao Diabo

Fernanda foi muito bem no trabalho surpresa que o seu mais novo professor deu. A garota ficou ajudando o homem a recolher os trabalhos em cada carteira da sala. Ela foi a última aluna a ficar na classe.
— Muito obrigado, Fernanda. Você é muito gentil.
— Só tento ser a mais agradável possível. Sabe, ainda bem que o senhor veio porque eu gosto muito de história, e não temos professor de história há dois meses. A professora titular está afastada por motivos médicos.
Fábio ficou sentado na cadeira, olhou para Fernanda e falou.
— Acho que eu sei quem você é. Seu irmão se chama Fernando?
— Sim. Como sabe disso?
— Ora, bobinha. Fernando e eu fomos os melhores amigos do terceiro ano do ensino médio. Turma de 2010. Divertíamos muito naqueles tempos, bons tempos. Fomos ótimos colegas de classe.
Fábio mentiu descaradamente. Ele só foi conhecer Fernando um dia antes deste traí-lo na noite fatídica. Sequer conversavam antes disso. Fernanda, porém, caiu perfeitamente na lábia do professor.
— Nunca imaginei que o senhor fosse o melhor amigo do meu irmão disse ela meio sem graça.
— Algum problema?
— É que ultimamente coisas estranhas estão acontecendo lá em casa.
— Que tipo de coisas estranhas?
— Minha mãe e meu irmão não querem me envolver, mas eu sei que algo de ruim está acontecendo. Ontem eu vi um coração humano na porta de casa. Eles ficam de cochichos, mas eu sei que é algo grave.
— Você é esperta para uma menina de doze anos. Sua mãe com certeza tem muito orgulho de você. É uma pena que nem ela nem o Fernando confiem em você. Contudo, eu sei que você é muito mais do que aparenta ser.
— Nunca vou me esquecer das palavras do senhor. Enfim, tenho que ir...
— Só uma coisa. Eu quero fazer uma surpresa para o seu irmão, chegou há pouco aqui na capital. Se não for pedir muito, eu quero fazer uma surpresa para ele. Não diga o meu primeiro nome. Fechado?
— Fechado. Preciso ir porque o intervalo já está praticamente acabando.
Fábio arrumou as coisas quando a porta da classe fechou sozinha. Ele já sabia do que aquilo se tratava. Uma figura com uma silhueta negra surgiu na parede à sua frente, sua forma era como de um minotauro, porém, apenas a sombra aparecia. Mais quatro sombras apareceram ao redor dele.
— À noite, eu oferecerei ao meu senhor o que prometi. O pedaço do coração de Caio e a mão de Léo. Em breve, eu pegarei o Juca e oferecerei inteiro a você.
A sombra com chifres desapareceu das suas vistas. Ele recorreu às outras quatro.
— Vocês, fiquem a postos. Quando eu chegar lá, quero que tudo saia como planejamos. Preciso daquele maldito, vulnerável.
As sombras desapareceram ultrapassando a parede. Fábio observou as horas, nesse dia teria apenas mais uma aula. Depois poderia começar a arquitetar o seu próximo plano.
OFERENDA AO DIABO
— Deixa eu ver se entendi direito. Você, há cinco anos, participou daquele massacre contra uma família de negros? — questionou Lambert.
— O líder do grupo disse para mim que eu só podia ser aceito se levasse um negro como oferenda. A princípio, achei que fosse brincadeira deles, mas as coisas pioraram e fugi de lá bem antes deles iniciarem as torturas.
— Você participou do estupro e do assassinato?
— Claro que não! Eu fiquei com medo e fugi bem antes.
— Aí a sua consciência doeu tanto que decidiu virar evangélico como pagamento de sua penitência?
— Não brinque, policial — disse Isaque. — O rapaz é amigo do seu filho, pelo menos leve isso em consideração. Até porque foi o seu próprio filho quem mudou a vida de Fernando.
— Acusar Fábio Silva não vai dar em nada. Não temos provas de que seja ele quem está fazendo isso. Liguei semana passada para Sobral, a promotora de lá acompanhou o caso e falou que tudo está bem. Agora me diga qual o nome do líder do grupo.
— Juca ou João Lucas Vidal.
— Mantém contato com ele?
— Nunca mais o vi pessoalmente. A última vez que tive um contato foi pelo meu instagram. Ele comentou umas fotos que eu publiquei, mas já faz mais de um ano.
— Sabe onde ele mora?
— Não, porém eu sei onde a mãe dele mora. Vai acontecer alguma coisa comigo? Vão me prender?
— Não, mas se você tivesse tocado neles estaria com um problemão hoje. Enviarei uma viatura agora mesmo para esse endereço. E sobre o caso do seu cachorro morto, não faço ideia se tem ligação. Mantenha contato quando sentir algo estranho.
— Sim, senhor — disse Isaque.
Lambert liberou todos, menos Lucas.
— Como está a sua mãe?
— Pai, ela está muito bem. E casada, por sinal.
— Eu errei muito, filho. Errei no passado. Mas eu juro que se pudesse voltar atrás, corrigiria tudo. Só um dia espero que me perdoe.
— Pai, quem sou eu para julgá-lo?
— Hei, quer almoçar comigo hoje?
— É claro.
Fernando voltou com a sua mãe. Os dois estavam em silêncio. Primeiro, passariam no trabalho dele; depois, ela iria trabalhar. No trajeto, ambos estavam parados feito gelo. Angela quebrou o silêncio.
— Doeu dizer a verdade? Fernando, estou falando com você.
— Eu fui exposto ali. O que os irmãos na igreja diriam se ouvissem a minha história?
— Você não pode se punir desse jeito. Era adolescente, na flor da idade... Esquece isso.
Fernando não quis pensar em mais nada.
...
Fábio retornou para o apartamento que estava morando de aluguel. Retirou o lixo da cozinha e o pôs na lixeira fora do apartamento. Deu boa noite aos seus vizinhos e retornou. Foi ao seu quarto, pegou os seus objetos para iniciar o procedimento do ritual de magia negra. Fez um círculo com sangue de animal que guardava na geladeira, colocou velas pretas ao redor, além de imagens de entidades demoníacas. Ficou nu, sentou-se e fez uma prece a Lúcifer.
O rapaz recebeu as quatro entidades, seus olhos ficaram vermelhos sangue. Queimou o pedaço do coração e a mão numa tigela com álcool. O fogo das velas aumentaram e consumiram o conteúdo da tigela.
Retirou de dentro do cesto, três bonecos de vodu, atirou-os no fogo. Os outros dois ele jogou sangue por cima e os deixou de molho dentro de vasilhas de conservas. Apagou as velas e colocou as coisas no seu lugar.
— A próxima vítima — disse retirando a foto de Juca de dentro duma gaveta.
As entidades do mal foram enviadas para prepararem o terreno para o seu próximo ataque.
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