Notas iniciais
Os envolvidos na noite fatídica estão sendo aterrorizados. Além deles, outras pessoas estão pagando caro. Até onde isso vai dar?

A polícia foi chamada por Angela. Depois de ver um coração humano na porta de casa, ela passou mal, Nandinha vomitou no carpete e Fernando arrepiou-se completamente; dos pés à cabeça.

A polícia civil foi chamada e a perícia forense teve que remover o órgão dali. Usaram técnicas avançadas para verificarem se havia alguma digital estranha ali perto, contudo, infelizmente, não encontraram. Um dos policiais chegou para Angela, que estava sendo amparada pelos filhos, e pediu que ela fosse à delegacia de homicídios registrar um boletim de ocorrência. A princípio ela negou, porém não teve opção pois a polícia praticamente exigiu o seu comparecimento.

Entretanto, não havia como registrar no domingo, pois a delegacia estava praticamente fechada sem plantão. Fernando agradeceu aos policiais e os acompanhou até a porta. Respirou fundo quando tudo aquilo acabou, parecia mais um pesadelo que começou quando chamou Fábio para a armadilhada há cinco anos.

― Mãe, por favor, bebe isso ― disse Fernanda dando um copo de água com açúcar.

― Isso é um pesadelo, pelo amor de Deus. Eu não acredito que isso está acontecendo comigo!

― Mãe se acalma. Fe, acalma ela.

Fernando se aproximou da mãe e a abraçou. O rapaz se entregou ao choro e pedindo para perdoá-lo.

― Não foi culpa sua, querido. O que está acontecendo?

― Mamãe, eu preciso contar algo que eu escondi da senhora por muito tempo. Não consigo guardar mais isso.

Fernanda saiu do quarto da mãe, deixando ambos sozinhos.

― Há cinco anos, eu ajudei a destruir uma família.

O PROFESSOR

Special Guest Star:

Detetive Alexandre

e Pastora Clemilda Freitas

― Porque não me falou isso antes? Meu Senhor, Cristo. O que você fez não tem nome viu? Não tem nome.

― Eu não contei porque temia que reagisse assim. Eu sei que fui um covarde, mas não é fácil. Eu me arrependi, mãe. Perdoa?

― O problema, querido, não sou eu. Pedir perdão é tarde demais porque dois inocentes foram mortos naquela noite. Jesus, eu vi o noticiário e fiquei chocada! Já sei, amanhã vamos à delegacia e você vai falar todos os pormenores para o delegado.

― Não! A senhora não entende? E se eu for preso? Eu não matei ninguém.

― O problema, Fernando, é que a vítima sobrevivente virou um psicopata atrás de vingança com as próprias mãos. O problema agora é ele nos achar aqui e matar a minha família. Estou chocada com tudo isso.

Fernando se ajoelhou para a mãe e tentou implorar por perdão.

― Meu filho, a questão agora não cabe apenas a você. As nossas vidas estão em risco por causa de um maníaco ― ela pegou o celular. ― Droga, o número do pastor só dá caixa-postal. Tudo bem, filho. Não há nada para te desculpar porque, oficialmente, você nunca foi acusado. Mas participar de um grupo de neonazistas? Eu não te dei educação para cuspir no primeiro negro que aparecesse à sua frente.

― Escuta, eu me redimi. Isso o que importa.

Angela abraçou o filho. Fernanda veio depois e os três fizeram uma oração juntos.

Enquanto isso, Antônio Lucas chegou na casa do pastor para ajudá-lo. Recebeu uma ligação do mesmo para falar sobre o cachorro morto. Os dois eram muito próximos, pois foi o pastor quem o instruiu.

― Ainda não posso acreditar nisso. Quem poderia fazer uma barbaridade dessa? ― questionou Isaque ainda perplexo.

― Vocês viram alguém entrando aqui? ― perguntou Lucas. ― Algum ladrão?

― Não, querido. Apenas saímos por poucos minutos justamente para irmos atrás do Scott. Quando eu deparei que o apartamento estava aberto. Foi quando eu vi aquela coisa horrível no banheiro. Quem poderia ter feito isso? ― Clemilda ainda estava assustada mesmo o fato tendo ocorrido um dia antes.

― Seu pai é policial, não é?

― Claro que sim, pastor. O meu pai pode ajudar vocês.

― Querido, isso é mesmo necessário?

― Clemilda, por favor, a sua pergunta cria uma situação paradoxal contigo mesmo. Por um lado, está tremula; no outro, acha que isso não é caso de polícia? Se fosse eu ali pendurado? Lucas, amanhã eu vou aonde o seu pai trabalha registrar um B.O.

...

Segunda-feira, começo de mais uma semana. Muitas coisas aconteceram na passada. Fernando orou para que esta fosse menos hostil tanto para ele quanto para a sua família. Depois de deixar a sua irmã na escola e ter pedido licença onde trabalhava, ele foi à delegacia com a mãe para relatar o caso que ocorreu no domingo.

Lambert olhava uns arquivos com casos que ainda estavam pendentes. Nunca mais esqueceu da visão do inferno quando foi à casa da terceira vítima. Dessa vez o coração da pessoa fora literalmente arrancado do seu corpo. Precisou tomar um calmante para aliviar o estresse das investigações. Foram casos demais em apenas uma única semana. Retirou do bolso da calça a fotografia do seu filho único, mas que infelizmente não morava com ele. O policial Alexandre bateu repetidas vezes na porta do seu gabinete.

― Pode entrar, Alex.

― Tem umas pessoas aí. Dizem que querem falar especificamente com o senhor.

― Se for da corregedoria, pode dizer que atendo mais tarde.

― Não é a corregedoria, pelo contrário, é alguém que você desejaria muito ver. Vai lá.

Lambert levantou-se e saiu. Viu um casal na recepção juntamente com o seu filho, Lucas.

― Filho, o que está fazendo aqui?

― Papai, esses são os pastores da igreja que frequento. Pastor Isaque Freitas e a pastora Clemilda, sua esposa. Este aqui é o meu pai, Jonas Lambert. Afinal, meu sobrenome é Lambert também.

― Em que posso ajudá-los?

Angela chegou com o seu filho. Lucas reconheceu o amigo e foi falar com ele. Enquanto isso, o pastor conversava com o policial.

― O que faz aqui? ― questionou Lucas.

― O que faz aqui digo eu.

― Fernando, o meu pai é policial...

― Refiro-me ao irmão Isaque.

― Aconteceu algo estranho na casa deles. Depois explico. E você?

― Parece que estou sendo perseguido ― Lambert ouviu o que Fernando disse. ― Ontem achamos um órgão humano na porta de casa.

Lambert foi até o rapaz.

― Que tipo de órgão?

― Um coração.

Lambert pediu para que exatamente todos fossem ao seu gabinete. Melhor não avisarem ao delegado ainda. Era um caso que ele já estava familiarizado; possivelmente, imaginou o detetive, que isso teria a ver com as três mortes na semana passada.

...

Fernanda estudava no sexto ano do fundamental. A matéria em que ela ia muito bem era história, porém, ultimamente, não havia professores. Como era uma escola particular, não havia concurso público para os professores.

A garota sentou-se no lado esquerdo da classe, bem próxima ao birô do professor. A aula estava atrasada havia uns quinze minutos, coisa rara. A diretora entrou naquele espaço e pediu a atenção de todos os alunos.

― Como não temos nenhum educador definitivo para esta classe, contratamos uma pessoa bastante inteligente e capaz de tapar essa lacuna. Apresento-lhes o professor Fábio Brandão.

O homem entrou na sala. Fernanda viu um rapaz negro, jovem, vestido numa roupa social e usando óculos. Dava para perceber de longe que ele era forte, pois seus bíceps enrijeciam quando ele dobrava o braço.

― Deixo-os em ótimas mãos ― depois a mulher saiu.

Fábio olhou para Fernanda e sorriu.

Notas finais
Quem será a próxima vítima?