BLOOD - 1ª Temporada - Bullying
9 Meio Anjo, Meio Demônio
Fernando recebeu uma mensagem via whattsapp de um desconhecido. Como pausou para almoçar, ele estava num restaurante perto do trabalho. No momento o rapaz olhava o seu celular, conversava com os amigos, etc.
“Oi”
“Desconhecido? Como pode ter
meu n do whatts? Conheço vc?”
“Sim”
“Vc me conhece?”
“S”
“De onde te conheço?”
“Da escola”
“Especifique”
“Da escola”
“Como catou meu número?”
“SE — Segredo de Estado”
“kkkkkkk fala pô!!!”
“Se eu contasse, te mataria”
“Avá. E pq tá aqui no zap?”
“Para poder falar contigo. Faz
tanto tempo que não nos vemos”
“Se vc uma das garotas que eu ficava ja vou logo
avisando que sou evangélico.
Ñ quero problemas”
“Eu sei que mudou de vida e mimimi”
“vc esta aqui perto?”
“Sim”
“Eu posso vê-lo ou vê-la?”
“Sim. Olhe para o seu lado esquerdo”
Fernando olhou na sequência. Como o restaurante não era totalmente fechado, dava para ver as pessoas na parte de fora da rua. O rapaz observou um homem mexendo no celular. Percebeu que ele era moreno escuro, mas não o reconhecia. Outra mensagem no celular.
“É você ali? N te conheço”
“Será? 31 de outubro de 2010
lembra agora?”
Fernando se levantou imediatamente da cadeira, bastante assustado. O garçom perguntou se ele estava bem, mas o rapaz não respondeu. Este ficou estático olhando Fábio. Outra mensagem no celular.
“O que quer comigo?”
“Vingança. R.I.P”
Um caminhão passou na frente de Fernando. Ele perguntou ao garçom se estava vendo uma pessoa do outro lado da rua, mas Fábio havia desaparecido.
─ Tem certeza que viu o Fábio?
─ Tenho! Ele pegou o número do meu celular e mandou uma mensagem pelo whattsapp. Olha aqui. Quando o vi no outro lado da rua, ele disse para eu descansar em paz, Rest in Peace. Com certeza ele vai querer me prejudicar. Lucas, o que faço?
─ Eu vou ligar pro meu pai. Ele deve saber o que fazer.
─ Eu sempre soube que um dia ele iria se vingar. Ele está matando de um por um. Estou com tanto medo...
─ Não vou deixar isso barato. Esse Fábio vai ter o que merece ─ disse Lucas determinado a ajudar o amigo.
MEIO ANJO, MEIO DEMÔNIO
Special Guest Star:
Pastora Clemilda Freitas
À noite, Juca saiu do clube em que praticava esportes. O rapaz entrou no vestiário masculino a fim de tomar um banho antes de retornar para casa. Guardou sua mochila no armário, pegou a toalha e entrou no banheiro. Enquanto banhava-se com a água morna, algo caiu no chão interrompendo-o.
─ Tem alguém ai? ─ perguntou tentando obter uma resposta.
─ Sou eu, André. Esqueci minha carteira.
─ Não esquece de fechar a porta.
─ Tá bom.
Juca enxugou-se, vestiu a sua calça jeans e regata. O rapaz era forte pois treinava praticamente todos os dias, além de ser um ótimo lutador. Saiu do clube pelo estacionamento do subsolo e pegou o seu carro. Ficou parado, sentado no banco do carro. Sentiu a respiração de alguém atrás do seu pescoço, virou-se, mas não viu ninguém. Já era tarde, quase dez da noite. Foi embora.
Assim que chegou na porta do apartamento, Juca percebeu que a fechadura estava com arranhões característicos de arrombamento. Contudo, ainda estava trancado. Acendeu a luz da sala e quase infarta ao ver um homem usando capuz parado bem à sua frente.
─ Quem é você?
─ Agora não está me reconhecendo, Juca?
─ Não pode ser ─ disse Juca rindo feito louco. ─ Fábio, veio até mim para se vingar. Mas eu nunca fui condenado, rapaz.
─ Mas eu o vi quando matou o meu irmão. Nunca vou me esquecer disso.
─ Quanto quer para sair da minha vida. Cinco mil, dez mil?
─ Não quero dinheiro. Quero que você morra.
─ Negão, vou logo avisando que comigo as coisas não serão tão fáceis como foi com aqueles idiotas que matou.
Juca foi para cima de Fábio que defendeu-se. os dois foram parar sobre a mesa de centro que quebrou com o impacto. Fábio levou vários socos, mas logo revidou. Juca estava com hematomas no rosto depois da briga, mas continuava de pé. O outro também.
─ Aguentou direitinho, nego. Vem pra cima. Não? Então eu vou.
Fábio pegou a arma de choque e aproveitou o momento certo para eletrocutar o outro. Juca caiu desmaiado.
Depois de algum tempo desacordado, Juca acordou amarrado na cadeira da sala. O apartamento estava escuro e apenas luzes de velas ficaram acesas. Ele tentou se desamarrar, porém não conseguiu. Fábio apareceu diante deles.
─ Sabia que depois daquela noite, eu jurei vingança. Deixei de ser evangélico, vendi a minha alma ao Diabo e hoje estou conseguindo o que quero. Claro que tive que estudar, me formar, treinar artes marciais, aprender a hackear, aprender a arrombar fechaduras, porque eu sabia que não seria fácil. Você me deu muito trabalho, no entanto, consegui.
─ Está cometendo um grande erro. Foi o Fernando quem levou você para aquele cheiro do queijo.
─ Mas foi você quem me obrigou a chamar a minha família e quem deu a ordem para serem mortos! Maldito nazista! Está contente por ter destruído uma família negra, filho da puta!? ─ Juca sorria. ─ Não sentiu remorso?
─ Aqui no prédio tem câmeras, no elevador e nas escadas. No meu apartamento, se eu demorar a desligar o sistema de alarme meia-hora que eu abrir a porta, o alarme dá um sinal de alerta para a minha mãe que com certeza vai chamar a polícia.
─ Meia-hora pra mim é mais do que suficiente. Quero que veja os meus aliados.
As quatro sombras ficaram em volta do cativo.
─ Mas que porra é essa?! ─ disse em desespero.
─ São os quatro demônios que eu materializei depois daquele dia. Representam o medo, ódio, tristeza e desespero. Eles estavam seguindo-o durante as últimas semanas, entraram dentro de mim e pude ver o que eles viram. Por isso eu consigo tudo o que quero. Para isso fiz um pacto com Satanás para poder ter esse poder. A moeda de troca são as cinco almas daqueles que me martirizaram.
─ Caralho. Você deve ter ficado louco mesmo.
Fábio colocou duas garrafas pet na frente de Juca. Os recipientes eram verdes, dificultando a visão.
─ Você terá a chance de sair dessa. À sua frente há duas garrafas. Você pode escolher um entre elas. Numa há água e noutra há água com veneno. Você pode fazer isso em trinta segundos a partir de agora.
Juca olhava para as duas garrafas, mas era impossível saber qual era a com água e qual era a envenenada. O tempo acabou e Fábio esperava uma resposta.
─ A da esquerda...
Fábio retirou um revólver da cintura e apontou para o outro. Com o canivete, ele cortou as cordas que amarravam os pulsos do outro.
─ Pega a garrafa e bebe.
─ Cara, por favor...
─ Se não beber, eu posso deixar as coisas mais rápidas.
─ Tudo bem, tudo bem!
Juca bebeu a água da garrafa, esperou mais um tempo e começou a gargalhar.
─ Cara, eu sou mais sortudo do que você imaginava. Hein, filho da puta. Agora me solta.
─ E quem te disse que eu ia te soltar?
Fábio pegou a outra garrafa e jogou sobre o outro. Na verdade não havia garrafa com veneno e sim com álcool. Pegou um cigarro do bolso, pegou uma caixa de fósforo, acendeu o cigarro e jogou o palito ainda aceso sobre Juca. Este pegou fogo, queimou virando uma tocha humana. Fábio saiu do apartamento sem ser notado por vizinhos, pois o lugar era uma cobertura.
Fábio passou pelo sistema de segurança mas os vídeos não o filmavam. Era um dos demônios que impedia que a sua imagem saísse na câmera.
A polícia e os bombeiros foram chamados. O prédio teve que ser evacuado. Nenhuma prova que acusasse Fábio foi encontrada.
...
Clemilda sentiu cheiro de queimado vindo de algum lugar. Era de comida querendo queimar. Saiu do apartamento, foi até a porta do vizinho, bateu várias vezes, mas ninguém respondia. O cheiro estava insuportável.
Fábio apareceu por trás dela.
─ Desculpa, pensei que já estivesse em casa. É que eu senti o cheiro de algo queimando.
─ Deve ter sido o feijão que deixei no fogo, sou muito atrapalhado. Mesmo assim, muito obrigado, senhora Freitas. A senhora é tão gentil comigo.
─ Você me ajuda sempre que preciso carregar as minhas sacolas. Deve ter sido um anjo do Senhor que foi enviado pra cá.
─ Nem tanto assim. Muito obrigado.
Fábio abriu a porta o suficiente para Clemilda ver a imagem de um boneco feito de palha e pano perto da porta. Ela ficou desconfiada, pois aquilo só poderia ser um objeto de magia negra feito por praticantes de vodu.
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