Notas iniciais
ANTEPENÚLTIMO CAPÍTULO

5 ANOS ANTES

─ Venha, querido. É por aqui ─ disse a mulher abrindo a porta do quarto da nova casa do adolescente.

Fábio recebeu um novo lar depois que teve a sua família destruída na capital. O rapaz agora morava com a sua prima, advogada Marta Brandão, em Sobral. A mulher, que era mais velha do que ele, sempre gostou do primo mesmo morando distante dele. Ajudou em tudo sobre o caso e fez de tudo para colocar os elementos na cadeia.

─ Aqui parece ser muito grande pra mim ─ disse ele.

─ Não se preocupe, querido. Aqui somos classe média e temos condições financeiras favoráveis. Você deve estar péssimo, não é? Quer falar algo sobre aquele dia?

─ Não, obrigado. Prefiro não me lembrar.

─ Tudo bem, eu vou sair para o fórum. Qualquer coisa é só falar com a minha mãe.

Fábio afirmou e Marta saiu. O rapaz desfez as malas e colocou as roupas no guarda-roupa. Depois de ter feito tudo isso aceitou um lanche da tia e ficou lendo um livro na cama.

─ A Bela e a Fera? Tentando esquecer a dor.

Ele olhou para o lado e viu o homem de social sentado na cadeira do quarto. Ele parecia ser jovem, mas não era tão moderno assim.

─ Já pensou naquela proposta que eu te fiz quando esteve no hospital?

─ Pensei. A minha resposta é não.

─ Ora, deixe de bobagens. Coisas assim não acontecem com qualquer um. É como ganhar na loteria. O Diabo em pessoa dando-lhe a chance única de se vingar. A vingança é a verdadeira justiça enquanto burocratas corruptos tentam impedir que a vida de um cidadão seja reconfortado com leis absurdas. Uma utopia.

─ Se você é realmente o Diabo em pessoa, como posso ter a certeza?

─ Porque eu posso ser qualquer um na Terra ─ a voz era da mãe de Fábio. Este se virou e viu a sua mãe em pé diante dele.

─ Mãe...

O Diabo voltou à sua forma anterior. Retirou um documento enrolado como pergaminho do paletó e o desenrolou.

─ A morte da sua mãe não terá nenhuma justiça. Eu prevejo o futuro. Faça o que peço e terá o poder de materializar 4 demônios obedientes e, se completar o seu trabalho, terá vida eterna. Marque com o seu sangue naquela linha.

O Diabo foi até o jovem e espetou o dedo indicador da mão direita com uma agulha. Fábio pingou sangue no documento. Agora a sua alma era do Diabo.

─ Sou Lúcifer, o anjo caído. Se precisar de minha orientação é só oferecer sangue de um animal. Eu poderei dar-lhe instruções adicionais. Aguarde o meu contato.

O homem desapareceu.

Naquela mesma noite, Fábio se acordou como se tivesse despertado de um pesadelo. Contudo, percebeu quatro crianças negras sentadas no seu quarto. Elas tinham olhos vermelhos e vestiam uma roupa preta. Ele acendeu a luz e elas desapareceram, mas quando apagou, elas reaparecem sentadas. Fábio percebeu que aquelas crianças eram os quatro demônios preparados para ajudá-lo.

LÚCIFER E OS 4 DEMÔNIOS

Special Guest Stars:

Pastora Clemilda Freitas

Detetive Alexandre

Promotora Marta Brandão

e Lúcifer

Hospital de Traumas de Fortaleza, 28 de outubro de 2015

Jonas estava esperando alguma informação do médico a respeito do acidente que o seu filho sofreu há pouco tempo. O policial foi o primeiro a chegar mesmo com as críticas da mãe do garoto.

Fernando também soube do acontecido e foi ao hospital depois que Lambert havia ligado para ele.

─ Tive que sair no meio da aula para vir até aqui? Como ele tá?

─ Eu não sei. A minha ex-esposa já quase me relou aqui e o médico não veio ainda.

O médico chegou. A mãe de Lucas foi a primeira a perguntar sobre o filho. Lambert também não ficou atrás.

─ Como ele está, doutor? ─ perguntou a mulher.

─ Não foi algo tão grave, mas teve duas costelas fraturadas e o braço esquerdo. Ele está consciente e quis conversar com uma única pessoa.

─ Quem, doutor? ─ perguntou Lambert.

─ Alguém chamado Fernando Fitzgerald.

Eles ficaram confusos, mas permitiram que o rapaz fosse falar com o amigo. Fernando entrou e viu Lucas todo enfaixado.

─ Sente-se como uma múmia agora? Você adora história sobre múmias.

─ Puxa, Fe. Resolveu fazer piadinhas, foi?

─ Como isso aconteceu, cara? Eu não te vi na aula.

─ Eu fui conversar com o Fábio.

─ O quê? Por que fez isso?

─ Eu quis provar que você havia mudado. Ele também mudou muito. Agora se parece com os algozes que fizeram atrocidades com ele. Escuta, Fábio virou um sociopata. Eu tenho certeza que foi ele quem matou os outros quatro.

─ Cara, o que eu faço?

─ Não se preocupe. Falarei com o meu pai para proteger a sua família. Aquele imbecil não vai fazer mais nenhum mal. E tem mais...

─ Mais?

─ Acho que foi ele o responsável do meu acidente. Quando eu atravessei a pista, consegui ver Fábio do outro lado da rua. Isso era impossível, pois ele estava no andar do apartamento dele. Fernando, escute, toma cuidado com esse sujeito. Ele está muito mais perigoso que os seus ex-amigos nazistas.

Fernando foi chamado pela enfermeira e saiu. Foi se encontrar com Lambert. Ao mesmo tempo, um outro policial chegou chamando Jonas. Alexandre chegou com um ferimento no ombro esquerdo.

─ O que foi isso?

─ Senhor, o tal Fábio tentou matar o casal de pastores.

─ Como é? O pastor Isaque? ─ perguntou Fernando.

Uma maca com Isaque passou entre eles e Clemilda chorava muito. Ela estava realmente assustada. Nunca viu algo tão terrível assim.

...

MINUTOS ANTES...

Alexandre ficou no térreo do edifício, mas resolveu dar uma passadinha no andar do suspeito. Por incrível que pareça, o elevador estava interditado à noite por um motivo desconhecido. Ele foi tentar subir as escadas, mas também havia uma placa. Perguntou ao porteiro, mas o homem não soube explicar. O policial subiu pelas escadas, mas parecia que havia óleo nos degraus. Estava escorregadio. Viu a imagem de um menino nos degraus mais acima. Ele ria da cara do policial. Alex teve que se esforçar bastante para subir.

Enquanto isso, Clemilda tentou fechar a porta, mas Fábio arrombou mesmo assim. Ela correu para o telefone, mas o homem destruiu. Depois correu para o quarto, mas o invasor conseguiu abraçá-la e os dois caíram no chão. Isaque surgiu de repente, pegou uma garrafa de vidro e quebrou-a na cabeça do invasor.

Antes que os dois pudessem sair, um dos demônios, que estava do lado de fora, fechou a porta e ambos ficaram trancados. Fábio lutou com Isaque o deixou inconsciente.

─ Vocês evangélicos filhos da puta são todos hipócritas. Vem cá.

Fábio arrastou Clemilda pelos cabelos e a levou até o quarto dela. Despiu-a e depois começou a estuprá-la no chão mesmo. Isaque acordou e o agarrou por trás, mas Fábio puxou um canivete da cintura e enfiou no estômago do pastor. Depois pegou as bíblias que estavam sobre a estante e as queimou falando que o Diabo era maior que Cristo. O invasor puxou o canivete de Isaque e foi tentar matar a mulher.

Alexandre arrombou a porta e entrou com tudo. Viu Fábio. Segurou a sua arma, mas Fábio teve tempo de jogá-la contra o ombro do policial e fugir. Alexandre pediu reforço, mas o invasor já havia fugido do prédio.

...

Angela foi confortar Clemilda por tudo o que ele passou. A mulher ainda não se esqueceu daqueles momentos terríveis que teve com o psicopata.

Jonas Lambert pediu, por telefone, um mandado de prisão para Fábio o mais rápido possível. Dessa vez ele tinha certeza que o assassino em série era a vítima do dia 31 de outubro de 2010.

Fernando lamentava-se porque achou que era o culpado por tudo o que estava acontecendo.

─ Não se culpe, querido. Você não tem culpa ─ disse Angela.

─ Eu sei, mas se eu não tivesse feito aquilo com ele no passado, vocês não estariam passando por tudo isso.

─ Deixa de bobagens. O único culpado disso tudo é aquele rapaz ─ afirmou Lambert categoricamente.

Passou-se a noite e o dia seguinte. Isaque foi operado e passava bem, Lucas também melhorou, mas ainda tinha que ficar em observação no hospital. Fernando ficou tão preocupado que o seu rendimento no trabalho não estava sendo bom. Pediu para que o seu chefe o liberasse mais cedo, alegando que estava se sentindo doente. Ficou determinado a passar a tarde toda com a família.

Enquanto isso, Fábio ficou escondido num lugar desconhecido. Era escuro e úmido. Ele não parava de pensar no seu rival.

─ O que está esperando? ─ perguntou o Diabo.

─ Senhor?

─ Você falhou na última missão e não tem coragem para matar o Fernando. O que ele fez para você no passado é abominável. Ele precisa pagar pelo que fez e se para isso outras pessoas pagarem por ele, que seja. Ligue para ela. A irmã mais nova dele te deu o número. Use-a para atraí-lo.

Lúcifer desapareceu. Fábio pegou o celular e ligou para Fernanda. Combinou se encontrar com ela numa praça.

PRAÇA DAS FLORES, 29 de outubro de 2015

Angela foi buscar o sorvete tanto para ela como para a sua filha. Nandinha combinou se encontrar com o professor assim que chegasse em casa, pois este havia dito que daria um presente para o seu irmão. Enquanto a mãe dela estava do outro lado da pista, o homem se sentou ao seu lado no banco.

─ A Bela e a Fera? Adoro.

─ Professor? O que faz aqui?

─ Só quis dar uma visita à minha aluna preferida.

─ Não combinamos nos encontrar na minha casa?

─ É que ocorreu uma mudança de plano.

Ele passou a mão de frente ao rosto dela e a menina desmaiou. Os quatro demônios impediram que as pessoas passassem pelo local. Fábio segurou a criança nos braços e a colocou dentro de uma pequena van e saiu.

Angela derrubou os sorvetes quando viu que a sua filha não estava mais lá. O desespero tomou conta. A única coisa que fez foi gritar.

─ NÃO!!!

As pessoas acordaram de seus transes.

─ Minha filha, alguém viu a minha filha? Nandinha? Nandinha!!

Fábio sorria enquanto dirigia levando Nandinha como refém.