BEYONDERS
4 Capítulo Três: Anomalia
Notas iniciais
Beverly acordou subitamente com uma respiração intensa como se estivesse sufocada, ela não conseguia ver nada ao redor, tudo estava um breu. A garota sentia que suas costas estavam repousadas em algum material muito duro bem diferente de uma cama, outro detalhe: estava numa espécie de caixa, já que ao tentar se levantar foi impedida pela tampa e depois ao deslizar a mão por toda estrutura ao seu redor notou que era feita de madeira.
_ Onde é que eu estou?
Uma explosão claustrofóbica foi liberada em todos os seus sentidos e a garota começou a se debater loucamente para tentar de alguma forma sair dali, mas era impossível, a caixa não lhe dava muita oportunidade de se mexer e isso só a deixava ainda mais desesperada.
_ EU QUERO SAIR! SOCORRO! – ela desistiu de se mexer e começou a socar o caixão com muita fúria – SOCORRO!
Notando que sua cólera estava agravando ainda mais sua situação, Beverly num lapso de consciência decidiu parar para tomar o fôlego. “Beverly, calma, ou você vai ficar sem ar...”, ela respira lentamente procurando se acalmar, nesse instante ela sentiu seu punho doer, afinal foram muitos socos dado na madeira.
A garota respirou profundamente mais uma vez e decidida, resolve dar mais algumas sequências de socos na madeira da caixa. E após uma boa insistência... “CRACK”, ela ouviu a madeira partir. Instantaneamente Beverly sentiu terra adentrar por onde a madeira quebrara e foi nesse exato momento ao sentir a terra fria em sua pele que Beverly se deu conta de onde estava.
_ Um caixão!? Eu morri? SOCORRO! EU ESTOU VIVA AQUI! SOCORRO! – a garota viu todo o desespero retornar a ela.
Sem alternativas a jovem tornou a socar o caixão buscando angustiadamente escapar daquele lugar seja lá aonde fosse.
Justamente como acordara no caixão, Beverly acordou novamente e no medo do que acabara de experimentar a garota até se sentou na cama que pelo jeito estava de verdade. Beverly tivera um pesadelo, talvez o pior de sua vida.
_ SOCORRO! SOCORRO! – foram os berros dados pela jovem ao sentar-se na cama despertando do sonho traumático.
_ Beverly! Beverly! – Matthew e Rachel se aproximam da cama da filha.
Rachel segura nas mãos da filha e olha fixamente para ela.
_ Calma meu amor, estamos aqui, seu pai e eu... O que aconteceu com você?
_ Mãe... Pai... – ela olha de um para o outro e sente um imenso alívio. – Eu... Eu... Eu estava na praça com o Lucca e o cometa cruzou o céu sobre nós e... – ela tenta se lembrar, mas não vem nada em sua mente, apenas o terrível pesadelo que acabara de ter.
_ Exatamente o que os outros disseram... – Matthew reflete.
_ Outros? – Beverly se posiciona melhor na cama prestando atenção nas palavras dos pais.
_ Sim, querida... Não foi só você... Outros cinco jovens, incluindo o filho de Osborn desmaiaram. – Matthew relata.
_ Osborn? Espera aí... – finalmente Beverly se dá conta de que está numa cama de hospital.
O quarto era de tamanho médio, com uma ausência insossa de decoração, na verdade precisamente o que um quarto de hospital deveria ser e ter: uma cama, um suporte para soro e acesso venoso, um medidor de bpm ao lado da cama, um criado mudo do lado esquerdo com o que talvez seria o prontuário de Beverly e duas poltronas na frente da cama, na qual os pais de Bev estavam sentados.
_ Deixa eu ver se eu entendi... Eu desmaiei durante o show do OneRepublic? – a filha do casal indaga.
_ Sim, durante a passagem do cometa Tunner. – Rachel notifica.
_ Como assim?! – Bev se preocupa.
_ Osborn está investigando, mas até agora não há sinal de nenhuma anomalia em vocês. Ele já fez uma bateria de exames e testes e nada... – Matthew prossegue com as explicações.
_ Disse que o filho dele também desmaiou... – Bev olha para o pai.
_ Sim. Erin Logan também, um rapaz chamado Connor e bom... Amanda e Lucca. – Matthew já espera alguma reação diferente da filha ao mencionar a melhor amiga e o namorado.
_ Amanda e Lucca?! – Beverly se assombra. – Cadê eles? Eles estão bem? Estão... – Beverly se lembra de seu pesadelo e acaba não descartando o pior.
_ Bem, ambos bem... – Matthew conforta. – Acordaram antes de você, na verdade todos já acordaram, tem pelo menos uma meia hora.
_ O Dr. Osborn quer que todos façam uma tomografia da cabeça. É onde todos eles estão e você precisa ir agora. – Rachel segura na mão da filha.
_ E o Alex? Ele está bem?
_ Sim, está sim. Foi ele que ligou para nós e para os Kapstall. Ficou do lado de vocês o tempo todo e provavelmente deve estar com a Amanda agora. – Matthew responde. – Vou chamar Osborn para poder te avaliar. Até daqui a pouco, meu amor. – o pai vai até ela e dá um beijo em sua testa. – Eu te amo muito.
_ Também te amo, pai. – ela sorri ao receber o beijo dele.
Matthew abre a porta do quarto e sai dali seguindo para a direita no corredor. Rachel passa a mão pelo cabelo da filha e agradece mentalmente por tê-la de volta. Como todos os outros cinco jovens que também desmaiaram tinham voltado, os Brave tinham esperanças de que Beverly logo despertaria, contudo a filha do casal se atrasou um pouco, o suficiente para gerar uma momentânea aflição.
Os pais de Bev estavam na cidade vizinha se deliciando de um bom vinho e uma excelente culinária. Matt estava ganhando muitos pontos com a esposa, pois tudo até então tinha sido agradável a ela: a viagem, o lugar, a comida, o vinho, as músicas a companhia do marido. Entrementes após muitas conversas, risadas e juras de amor, a noite fora abruptamente interrompida pela ligação de Alexander Valkonen, o que fez o casal ir velozmente para Follow Rivers.
Ao chegarem na praça da cidade eles testemunharam a cena bizarra de seis macas sendo conduzidas até seis ambulâncias, Bev estava numa delas, Alex ajudou o casal a encontrarem sua filha.
Todos os pais e Alex haviam virado a noite no hospital a espera de seus entes queridos, mas foi apenas nesta manhã que de um a um eles foram acordando.
_ Seu pai não percebeu ainda, mas eu notei... – Rachel muda de assunto, passando mão sobre o dedo em que a aliança de Lucca estava.
_ Sim! Ele me deu a aliança de compromisso. Foi perfeito, mãe. O show, o pedido, depois o cometa... – Bev se rende ao romantismo das lembranças da noite anterior.
_ Seu pai e eu ficamos muito felizes, inclusive seria legal marcamos um jantar. – Rachel sugere.
_ Amei a ideia, mãe. Com certeza Lucca vai ficar animado em ir.
_ Poderíamos convidar a prefeita Martin também. – Rachel pisca para a filha.
_ Perfeito! A prefeita precisa saber que perdeu seu bebê para a filha dos Brave. – Bev fica animada com a ideia do jantar e colocar mesmo que por pouco tempo sua mente nisso, aplacou gradualmente os eventos traumáticos recentes.
Rachel abraça a filha para também de alguma forma ajudar a anestesiar tudo o que ela poderia estar sentindo ou pensando a respeito de sua síncope, o qual Bev retribui sentindo muito conforto e paz. Os abraços de Rachel na opinião de Beverly eram sempre o porto seguro da jovem, a mãe sabia exatamente como transmitir o seu amor através dos abraços que dava na filha.
_ Desculpa interromper esse lindo momento entre vocês, mas vim verificar como está minha paciente. – um homem de jaleco e com um estetoscópio disse ao entrar no quarto de Bev junto a seu pai.
Tratava-se do doutor Jeremiah Osborn, pai de Jared e neurocirurgião do Grand Sloan Hospital. Era fácil associar Jeremiah a Jared, afinal as semelhanças físicas eram notáveis. Beverly nem era tão próxima do Osborn filho, mas teve dificuldade para achar diferenças, talvez, por exemplo, o fato de Jeremiah ser um pouco mais parrudo, com cabelos grisalhos e certamente mais organizados, linhas de expressão e rugas advindos da idade avançada, apenas isso na opinião de Bev, diferenciava-os. Até mesmo as covinhas ao sorrir, Jeremiah exibia.
_ Dr. Osborn, o senhor não interrompe nada, fique à vontade. – Rachel desfaz o abraço com a filha e sorrindo ao médico se afasta dando espaço para que ele se achegasse a ela.
_ Muito obrigado, Rachel. Bom dia, Beverly, fico muito feliz que tenha acordado. – a gentileza de Jeremiah trouxe uma grande tranquilidade a Bev.
_ Bom dia. – Bev sorri a ele. – Desculpa ter assustado vocês.
_ Não precisa se desculpar, você voltou para nós e isso basta. Bom, preciso que encare o meu dedo indicador. – Jeremiah levantou o dedo indicador da mão direita e centralizou ele fronte aos dois olhos de Bev próximo ao seu rosto.
Beverly agiu da maneira que havia sido solicitada a fazer e pela expressão dada por Osborn a garota se tranquilizou.
_ Foco responsivo. Agora continue acompanhando o meu dedo.
Jeremiah movimentou o indicador da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, os olhos de Beverly seguiram a movimentação do médico normalmente gerando mais uma expressão positiva do examinador. Rachel e Matthew um pouco afastados observavam tudo atentamente e não escondiam a expressão de alívio ao verem Bev superar os testes propostos.
_ Da pra vocês se acalmarem, eu ainda não surtei. – Bev caçoa dos pais vendo suas expressões por detrás do Dr. Osborn, o que gera risos em todos ali.
_ Aparentemente Beverly tem razão, relaxem. – Jeremiah concorda ao olhar para os pais da jovem.
Posteriormente o médico apanha no bolso direito de seu jaleco uma mini lanterna e apontando para o olho esquerdo de sua paciente, acende-a. O olho direito também recebe a luz da lanterna bem de perto.
_ Miose à luz normal. – ele constata.
_ Isso é...? – Beverly questiona ao ouvir um termo médico estranho.
_ Ao receber luz nossas pupilas se contraem naturalmente e voltam ao seu tamanho normal na falta desse estímulo. Quando a miose à luz é inexistente pode ser indicativo de algum dano neurológico.
_ Então quer dizer que estou bem?
_ Até aqui, sim, Bev. Mas uma síncope é algo preocupante, não posso liberar você sem antes fazer uma tomografia computadorizada para avaliar suas funções cerebrais. – Osborn expõe de forma firme.
_ Claro doutor, Bev fará tudo o que tiver que ser feito. – Matthew comunica.
_ Já podemos ir então? – Beverly olha para Jeremiah.
_ Ainda não, você precisa se alimentar e se hidratar também. Já pedi para uma enfermeira trazer seu desjejum e bom, vocês podem me encontrar no setor de Exames de Imagem daqui uns 20 minutos, combinado? – Jeremiah orienta olhando cada membro da família.
_ Combinado. – todos respondem em uníssono.
_ Muito bem, família Brave. Se me dão licença, nos vemos daqui a pouco no setor de Exames de Imagem. – ele sorri e vai saindo do quarto, simultaneamente uma das enfermeiras do prédio estava entrando com uma bandeja em mãos.
_ Licença Dr. Osborn e família Brave, vim trazer o desjejum da Beverly. – a mulher negra de cabelo “Maria João” e expressões amistosas adentra o quarto.
_ Enfermeira Larson, fique à vontade, já fiz os testes neurológicos e orientei a família sobre a tomo. – ele avisa a mulher e sai do quarto. – Até mais.
_ Tchau doutor e muito obrigado. – Matthew agradece e se junta a Bev e Rachel acenando ao homem.
_ Olá família. – Larson sorri a todos ali.
_ Bom dia, enfermeira. – Rachel cumprimenta.
_ Oi. Obrigado pelo café da manhã. – Beverly sorri admirando a bandeja com um pão com pasta de amendoim, um copo com suco e pedaços de queijo.
_ Coma bem, Beverly. Tentei caprichar. – Larson repousa a bandeja no colo da paciente.
_ Está com uma cara ótima. – e apanha o pão dando uma mordida nele. – O gosto também está.
_ Ótimo. – Larson se alegra.
_ E os outros meninos continuam bem, enfermeira? – Matthew indaga.
_ Sim. Lucca realizou a tomografia, Erin e Amanda estão lá nesse instante. Após o café Bev vai se unir a Jared e Connor. – Larson detalha.
Como tinham passado a noite no hospital junto a todos os outros pais, tanto Rachel e Matthew acabaram se vinculando aos outros jovens desacordados e o sentimento de ver um a um acordando e aparentando, fora o susto e a estranheza, estarem bem, trouxe a eles uma coisa bem paternal em ralação a todos. Isso não foi algo exclusivo dos pais de Beverly, todos se sentiram assim.
Pernoitando no hospital estavam: Matthew e Rachel Brave, Daphne Logan, Miranda Hastings, a prefeita Martin, Penelope Osborn e Jeremiah Osborn que coincidentemente era o médico de plantão e Alex estava como representante da família Kapstall (os pais de Amanda estavam viajando e ainda não chegaram em Follow Rivers).
Jeremiah abriu a porta de sua sala e sorriu ao ver sua esposa e filho ali: Penélope sentada em uma poltrona no quanto esquerdo do consultório e Jared estava bem relaxado na poltrona de seu pai com os pés na mesa.
_ Jeremiah Osborn finalmente se lembrou de sua fotocópia. – Jared satiriza ao ver o pai entrando.
_ Jared, não é o momento, querido... – Penélope repreende a atitude do filho.
_ Penny não se importe, Jared ainda não superou o fato de eu estar de plantão no dia do show da vida dele. – Jeremiah balança a cabeça negativamente e fecha a porta de seu consultório.
_ Como não superei o jantar da semana passada, meu aniversário três meses atrás e a lista interminável de ausências que poderiam enfraquecer o psicológico de qualquer jovem em maturação. – Jared encara ele com um ar debochado.
_ Não o seu, Jared Osborn, porque você compreende a importância do trabalho do seu pai e sabe que ele sempre busca se redimir. – Jeremiah se aproxima dele e deixa seu estetoscópio na mesa.
_ Claro que compreendo, pai. Mas já se perguntou até que ponto é compreensão ou indiferença minha? Ou melhor até que ponto é compromisso com o trabalho ou indiferença sua? – até Jared se surpreende com a perspicácia da perspectiva que sua reflexão trouxe.
Tanto Jeremiah, quanto Penny sentem um leve desconforto com o que foi dito pelo filho e demoraram alguns segundos para digerirem-no.
_ Você está certo, Jared. – Penny aceita. – Seu pai tem se ausentado bastante e acredito que ele vai rever suas pri...
_ Só o papai, Penny Osborn? – Jared arqueia uma sobrancelha para a mãe. – Onde você estava às 21 e 30 do dia de ontem? – Jeremiah sorri ao ver a esposa sendo colocada contra a parede.
_ É... Bom... – Penelope puxa o ar e solta. – Entendi, entendi... Sabe que não gosto muito de lugares cheios e barulheira, filhote. – Penelope sorri sem graça.
_ Estão vendo? – Jared olha de um para o outro. – Até quando vão colocar gostos pessoais ou compromissos na minha frente?
_ E não é exatamente o que você tem feito, Jared? – Jeremiah refuta.
_ AH RÁ! – Jared se levanta da poltrona do pai ficando em pé.
Penny mais uma vez sabia exatamente onde a conversa iria chegar e já fez uma careta esperando o que o filho identificara na fala do pai.
_ É isso, mas uma vez, é sobre o fato de eu escolher a música ao invés do legado dos Osborn em abraçar a medicina. – Jared encara firmemente de um para o outro.
Jeremiah e Penny permanecem em silêncio, mas as expressões dos pais denunciam para o jovem de que ele estava correto.
A família Osborn era tradicionalíssima, uma das famílias mais influentes de Follow Rivers, talvez uma das mais antigas da cidade e desde onde se sabe, praticamente todos, de geração em geração, se tornavam médicos importantes. O bisavô de Jared, Arthur Osborn fora clínico geral, Josiah o avô, ortopedista, Jeremiah neurocirurgião, a tia de Jared que era irmã de Jeremiah, Cassandra, era ortopedista como o pai, já a filha, Jennifer, se formara recentemente em pediatria.
Partindo desse pressuposto era muito difícil para Jeremiah e também para Penny o fato de Jared fugir de toda essa perspectiva familiar e ter seus sonhos voltados a música.
_ Vamos? Vocês não têm nada a me dizer? – Jared sente seus olhos marejarem em lágrimas e magoado sai da sala do pai.
Jeremiah tenta impedir o filho, mas acaba sendo em vão logo que a intrepidez com que Jared saiu dali foi difícil de acompanhar.
O relacionamento familiar dos Osborn não era conturbado, eles eram uma família boa e de bons princípios, Jeremiah e Penny educaram Jared de maneira efetiva, o garoto nunca apresentou problemas na escola e com as demais pessoas, no entanto nos últimos anos por conta dessa divergência sobre o que deveria ser o futuro do jovem. Os pais queriam que ele ingressasse numa carreira médica, Jared via em seu interior essa forte veia artística e ele não iria abrir mão de viver aquilo que o deixava feliz.
Como uma maneira de protestar essa divisão familiar, Jared passou a agir de maneira mais independente, se destacando das expectativas e padrões impostos pelos pais, o que fortaleceu um dos seus piores defeitos: Jared era mulherengo. Algo que Penny detestava, afinal já perdera as contas de quantas garotas foram introduzidas como “namoradas” do rapaz e tão logo apresentadas, acabavam desaparecendo. Jared mantinha um bom rendimento escolar, talvez um dos melhores, contudo ele não era mais o mesmo para Jeremiah e Penelope.
Os sonhos e atitudes atuais do rapaz deram gênese a muitas discussões, cobranças mútuas e distanciamento (principalmente entre Jared e Jeremiah) como o que acabara de acontecer no consultório.
Jared estava decepcionado com o fato de seus pais não estarem presentes num dos dias mais importantes para sua carreira musical e o motivo era exatamente porque não admitiam a paixão do filho pela música. Após sair da sala ele atravessou o corredor ligeiramente, teria que fazer uma tomografia, mas se não fosse por isso já estaria rumo a saída do hospital. E era para o setor de imagens que ele se encaminhava irritado.
Na direção contrária à do vocalista da Unfollow, vinham Erin e Amanda, ambas finalizaram o exame e compartilhavam suas experiências com a máquina.
_ Se eu ficasse lá mais um segundo sequer tinha surtado. – Amanda descreve.
_ Eu fiquei bem enjoada. – Erin confessa.
_ Eu deveria ter suspeitado que seria uma experiência ruim, você viu a cara do Lucca quando saiu de lá? – Amanda olha para ela.
_ Isso é verdade, parecia que ia vomitar. – Erin ri.
Amanda e Erin apesar de estudarem na mesa sala fazia dois anos não eram oficialmente amigas, elas não se detestavam, longe disso, só não tinham muitas oportunidades de se aproximarem de maneira genuína. Amanda sempre estava com Alex e Bev, já Erin era restritamente próxima de seu time. No ano passado Erin convidou Amanda para integrar a equipe de cheer, convite esse que a cacheada recusou, pois não se identificava com o grupo. Então basicamente a relação delas era limitada as paredes da sala e corredores do colégio.
Entrementes por agora estarem coparticipando de situações juntas começaram a desenvolver bons diálogos, principalmente quando estavam na espera da tomografia. Tanto que Erin que foi após Amanda pediu para que a fotógrafa a esperasse para poderem ir ao saguão juntas, justamente o que estavam fazendo.
_ Falando em cara feia... – Amanda aponta com o olhar Jared que estava uns cinco metros à frente.
_ É melhor não ir estressado fazer a tomo, Osborn. – Erin decide provocá-lo.
Jared sorri ao vê-las e finalmente se distraiu de sua raiva. Para ser sincero, até aquele momento, o rapaz estava tão irritado que sua visão não identificara a aproximação das duas garotas a sua frente.
_ Algum efeito colateral? – ele indaga e se detém em seu caminho.
_ Pode dar alguma interferência na máquina. – Erin debocha.
_ Ou você pode ficar verde, expandir em músculos e passar a gritar por aí: Hulk Esmaga! – Amanda exagera o deboche.
_ Gosto do seu humor. – Jared ri.
_ Estudamos juntos a dois anos, seria muito estranho se não gostasse.
_ Não discordo. – ele comenta e percebe uma boa oportunidade para já se preparar para o que viria a seguir. – Como foi o exame?
_ Bom, foi uma experiência desagradável. No seu caso, pode ser ainda pior pois a computador não vai dar conta de contabilizar tantos neurônios inativos. – Erin continua provocando.
_ Perto de você eles ficam bem ativos. – Jared se aproxima da loira com um sorriso safado.
_ Argh! – Amanda exclama. – A única coisa ativa aqui é meu estômago. – a garota simula um vômito.
Erin recua se sentindo intimidada.
_ Por que estava andando daquele jeito? – a capitã do time de cheer decide mudar de assunto.
_ Andando como? – Jared dissimula.
_ Não sei, parecia irritado com alguma coisa.
_ Tive uma conversa adorável com meus pais... – o semblante de Jared se fecha.
Erin nunca tinha visto aquela expressão na cara de Jared, talvez pelo fato de não ter muita afeição pelo cantor, ou talvez por ele estar sempre com aquele charme e com sorriso no rosto, o que acabou prendendo sua atenção e despertando uma possível empatia.
_ O que houve? – Erin pergunta de forma séria.
_ Se importando comigo, capitã Logan. Cuidado pode ser que tenhamos outro desmaio.
_ Deixa de ser babaca! Você fez algo por mim ontem, o mínimo é eu querer saber o que te chateia. – Erin mantém seu posicionamento firme.
_ Vocês sabem que vão namorar um dia, né? – Amanda manifesta.
_ Estamos só esperando você e o Alex. – Jared ironiza, sabendo que seu colega de banda e a fotógrafa tinham uma amizade questionável.
_ E nossa relação ganha mais um ponto, Osborn. Estamos concordando em algumas coisas. – Erin se vira para Amanda com um sorriso vitorioso no rosto.
_ Vocês são muito baixos, sabia? Mas anda logo, lindão, desabafa aí. – Amanda revira os olhos e fixa sua atenção em Jared.
_ Bom, já que insistem... Resumidamente a família Osborn tem um legado centenário de médicos e profissionais da saúde e bem... Dá para se ver que essa linhagem vitoriosa não está em mim. – Jared narra diante delas.
_ Entendo perfeitamente. – Erin olha para ele de maneira compreensiva.
_ É frustrante para os pais, eles nos geram, nos educam, protegem, investem em nós, então sem se dar conta eles estão projetando coisas a nosso respeito... Mas o que eles não podem é escolher, experimentar e nem viver por nós. Acho que seus pais ainda não se deram conta que você não está mais no controle deles. – Amanda se expressa.
_ Não sabia que era tão filosófica. – Erin se surpreende. – Amanda tem toda razão! Seus pais estão num processo para entender que quem define seu futuro é você mesmo.
_ Eu realmente entendo o lado deles, mas eu não vejo o meu lado sendo entendido.
_ Mas você nasceu para cantar, ontem naquele palco, você foi...
Há uma pausa na fala de Erin, afinal a jovem se dá conta de que estava fervorosamente a ponto de elogiar Jared e que talvez isso estaria excedendo a rivalidade que eles tinham, ainda que a cheerleader percebesse que o comentário que faria seria genuíno.
_ Continua... – Jared dá novamente um sorriso malicioso.
Amanda extremamente perceptiva esboça um sorriso semelhante ao de Jared, pois nitidamente a capitã do time de torcida estava aos poucos cedendo ao que poderia estar sentindo pelo vocalista da Unfollow. Seria uma admiração pelos gestos que ele tinha feito por ela ontem? Ou uma forte atração física que despertara e a garota ainda não entendia? Ou os dois?
_ Bom, mas esse é exatamente o problema. Eles não estavam lá. Na verdade, não sei se já me viram cantando com a banda alguma vez. – Jared evidencia.
_ Fazem bem... Brincadeira! – Amanda brinca. – Desculpa, acabei não resistindo. Mas eles estão perdendo um enorme talento. Sabe, Jared, desde que Alex ingressou na banda eu não tenho incentivado esse sonho dele, possivelmente porque tenho ciúmes do meu fotógrafo me trocando para estar com vocês. Tá bom, esse detalhe é um exagero, mas acho que todo mundo da escola não creditava muito vocês... – Amanda levanta um dedo como se dissesse para ele esperar para que ela pudesse concluir sua fala. – Mas... Ontem no festival, vocês fizeram história. Vocês também Erin. – Amanda olha para a capitã.
_ Muito obrigado, Amanda!
_ Sim, muito obrigado mesmo. – Erin também agradece.
_ Continua Osborn... Um dia seus pais vão te ver e vão perceber o que você exatamente é. – Amanda conforta o vocalista.
_ Amanda Kapstall você é necessária. – Jared enaltece ao perceber que a fotógrafa elevou seu astral.
_ Totalmente. – Erin pisca para a cacheada.
_ Bem-vindos! Ao grupo seleto de pessoas que podem contar comigo. – Amanda acena para eles com uma expressão orgulhosa.
_ Tem que pagar alguma taxa de inscrição? – Erin indaga a ela.
_ Pra falar a verdade tem sim, um sundae no Follow Up me parece um preço aceitável. – Amanda pisca para ela. – Vou pegar um suco, querem? – Amanda indica uma cantina que fica à esquerda do corredor onde estavam.
_ Não, obrigado. – Jared agradece.
_ Pega para mim? Te espero lá no saguão. – Erin diz.
_ Claro... – Amanda dá um sorriso sugestivo e sai dali. Erin e Jared entendem perfeitamente que o sorriso sugestivo se tratava do fato deles ficarem sozinhos.
_ Sabe... Aproveitando que ela não está aqui. – Jared principia demonstrando um pouco de seriedade. – Parei para pensar agora, o que aconteceu com aquele abusador?
_ Uma boa pergunta. Eu apaguei, você também. Minha mãe não falou nada sobre isso, apenas me questionou o motivo de eu estar no estacionamento com dois garotos, sendo que um deles estava todo machucado. Tive que dizer que fomos ajudar o Connor quando vimos que ele estava apartando uma briga. – Erin repara a careta de Jared. – O quê? Num foi tão ruim, na verdade é quase a verdade tirando o fato de que eu quase fui abusada e que você deu uma de Homem Aranha.
_ Engraçadinha... Sabe que foi meu ato heroico que te livrou daquele louco. Quem é ele a propósito?
_ Não te interessa, por enquanto. – Erin responde áspera. – Ele deve ter f22ugido.
Jared se aproxima de Erin e segura em sua mão e olha ela profundamente decidindo ser firme.
_ Olha Erin... Nos detestamos há um bom tempo, grande parte se deve pelo seu ego do tamanho de Oklahoma, mas tanto eu quanto você precisamos admitir que estamos juntos nessa. Você não pode lidar com isso sozinha. Quero que saiba que eu estou com você.
Durante o discurso de Jared, Erin alterou suas reações a cada nova frase do rapaz, entrementes esse final a deixou sem reação. Ele olhava-a penetrantemente querendo transparecer para ela uma espécie de confiança. Erin também olhou nos olhos dele e depois de alguns segundos ali sem saber como responder sentiu seu rosto queimar, estava corando. Instintivamente, a garota recuou e rejeitou completamente permanecer naquela situação.
_ Jared sou muito grata pelo que fez, mas eu consigo me virar com essa situação, tá legal? Até mais. – a loira se afasta e vai saindo dali.
_ Mantenho o que disse, capitã. – Jared sorri vendo que possivelmente a garota o evitara porquê de alguma forma ele estava intimidando-a.
Posteriormente, o rapaz de cabelos rebeldes se vira e se encaminha para o setor de Exames e Imagens do Grand Sloan Hospital.
Amanda adentra a cantina e já abre um largo sorriso ao notar que Connor estava ali, pela maneira com que ele agia estava tendo dificuldades com a vending machine que ficava ao lado esquerdo do espaço. Ao fundo tinha um balcão com duas funcionárias que serviam lanches e sucos naturais a pacientes e acompanhantes. Havia um salão com oito mesas todos com seis bancos para as refeições. Antes de se aproximar de Connor, a cacheada deu uma boa olhada no ambiente e pode ver algumas das pessoas ali. Em especial: uma criança vestida de roupa de hospital e com o cabelo totalmente raspado se servia de um lanche natural com um casal que Amanda deduziu serem seus pais, duas mulheres de jaleco no canto direito que certamente eram médicas da instituição e próximo a Connor um homem também vestido de roupa de paciente e com um daqueles suportes de soro com um conteúdo pingando a conta-gotas em seu acesso venoso.
_ Hey segurança. – Amanda chama atenção dele ao se aproximar. – Problemas com a máquina?
_ Hey fotógrafa! – ele sorri animadamente para ela. – É bom ver um rosto conhecido. – ele abraça ela.
Amanda retribui o abraço e tem o mesmo sentimento que ele. O fato de ter praticamente desmaiado diante de toda a cidade já era algo extremamente bizarro, mas dividir esse protagonismo indesejável com Lucca, Erin, Jared, Bev e Connor parecia de alguma forma diminuir a estranheza do momento. De uma coisa Amanda tinha certeza, essa experiência assustadora iria de alguma forma unir os jovens, era o que ela sentia após ter se aproximado de Erin e Jared.
_ Como você está? – Amanda passa a mão no rosto dele notando alguns curativos.
Connor devido ao fato da luta corporal contra Cole Davenport, recebeu alguns curativos pequenos que encobriam dois cortes acima do olho direito e um corte na porção também direita de seu lábio inferior.
_ Estou bem, apavorado com toda essa situação, mas estou bem. – ele sorri a ela.
_ E isso aqui? – ela pergunta ainda com a mão num dos curativos.
_ Tive que lidar com um babaca que queria forçar alguma coisa contra a Erin. – Connor sente a raiva que sentira no momento que brigava com Cole e cerra seu punho.
_ Erin não me contou isso. – Amanda fica surpresa. – Mas e esse cara?
_ Infelizmente não sei mais o que aconteceu... Conseguimos derrubar ele, só que depois Erin, Jared e eu desmaiamos. – Connor narra toda a história que se lembra.
_ Que loucura esse desmaio, não é?
_ Com certeza, mas Amanda não creio que seja algo aleatório, sabe. Tenho uma teoria. – ele olha reflexivo para ela.
_ Qual? – ela o encara.
_ Não sei por que fomos nós seis, mas a única coisa que todos tem em comum é o fato do cometa Tunner estar riscando o céu no exato momento. – Connor passa a mão direita na barba, gesto que ele sempre fazia quando parecia pensativo.
_ Eu ainda não havia pensado sobre isso, minhas perguntas para o Alex quando acordei foram tão superficiais, tipo: O meu desmaio parou o show? – Amanda sorri um tanto envergonhada.
_ Uma boa pergunta. – Connor ri.
_ Alex disse que eles deram uma pausa de 30 minutos pelo ocorrido e depois Lia anunciou que o show continuaria e que todos iríamos ser hospitalizados, mas que estávamos com os sinais vitais normais. – Amanda resume.
_ Melhor... Que vergonha. – ele coloca a mão no rosto e maneia a cabeça de forma negativa.
_ E sobre sua teoria, se fosse ontem instantes antes do desmaio, talvez eu rejeitaria e acharia que você pirou. Só que é inegável que as causas do nosso apagão não são naturais, então me parece que tenha uma certa coerência o que diz. Mas porque o cometa nos afetou e não a todos? – Amanda arqueia uma sobrancelha para ele.
_ Não sei, talvez uma condição genética em comum? – Connor acaba percebendo que possivelmente estava pensando em coisas irreais e refuta sua própria teoria. – Meu Deus, o que estamos falando?
_ É o que eu falei, Connor, independente do que tiver acontecido, não é algo comum, é... Uma... Anomalia. – Amanda afirma convicta.
_ Você está certa. – ele respira profundamente e depois solta o ar.
_ Claro que estou. E bem... Você vai pegar seja lá o quer pegar aí, ou não? – ela aponta com a cabeça a vending machine.
_ Eu não sei o que está acontecendo com ela. – Connor explana. – Coloquei o valor e ela de repente desligou, fui conferir se a tomada tinha desplugado, mas ela está no seu devido lugar.
_ Tenta dar uma pancada nela, sempre funciona. – Amanda sugere e ao perceber uma expressão negativa do rapaz decide convencê-lo. – Vamos lá, você não vai quebrar nada. Eu acho. – ela sorri e olha para ele.
_ Não parece uma boa ideia. – Connor argumenta.
_ Se você não fizer eu faço, quero um suco. – ela dá de ombros.
_ Tá legal. – Connor vai até a lateral da máquina e mirando bem dá uma palmada nela.
O barulho acaba chamando a atenção do paciente com acesso venoso que estava mais próximo deles. Connor sorri sem graça pelo flagra e depois acaba se decepcionando por não ter acontecido nada de diferente na máquina.
_ Vai de novo. – Amanda pede.
Connor concorda com a cabeça e mirando mais uma vez aplica um pouco mais de força na segunda pancada com relação a primeira. O rapaz sente como se alguma descarga elétrica tivesse ocorrido no exato momento em que tocara na máquina, imediatamente ele olha para Amanda querendo ver se ela tinha visto ou percebido o que ele tinha certeza que acontecera. Todavia Amanda estava com um sorriso largo, afinal após a segunda pancada a máquina no mesmo instante voltara a funcionar e inclusive liberou pela pequena comporta no canto inferior esquerdo uma lata de refrigerante que Connor tinha comprado anteriormente.
_ Eu disse que daria certo! – Amanda comemora e apanhando o refri que estava na comporta entrega para ele.
Connor ainda estava estagnado com uma expressão de estranheza, mas talvez suas percepções sobre o que tinha acontecido ao tocar na vending machine não fosse algo de sua cabeça, afinal quando ele notou que Amanda estava entregando o refrigerante e foi tentar apanhar chegou a vez de Amanda sentir uma descarga elétrica. Reativamente ambos deram um passo para trás e a lata de refrigerante foi solta da mão de ambos. Amanda ao notar que por conta do susto que tomara ao tomar o choque tinha deixada a lata cair, buscou ligeiramente tentar apanhá-la no ar. Absurdamente perante os dois de forma clara a lata interrompeu sua queda ao chão ficando por alguns segundos imóvel no ar, como se não houvesse gravidade, foi o tempo suficiente para Amanda apanhá-la.
_ O que... O que aconteceu? – Connor encara ela abismado.
_ Ah eu... Eu não sei... Acho que a máquina energizou a sua mão de alguma forma, senti um choque. – ela omiti o fato de que a lata congelou no ar.
_ Não só isso... A lata... Ela... Você viu? Impossível não ter... – Connor foi interrompido.
_ Eu não vi nada. – ela fala um pouco ríspida.
Logicamente tinha visto a mesma coisa que Connor, mas eram tantas informações que a jovem decidiu ignorar mais uma bizarrice em menos de vinte quatro horas de sua síncope compartilhada com outra cinco pessoas.
_ Essa lata... – Connor apanha da mão dela. – Ela parou no ar. – Connor examinava-a como se um cientista tivesse encontrado alguma descoberta importante.
Amanda se mantinha em negação, a fotógrafa cruzou os braços e ficou olhando para as atitudes de Connor, não só ela, Connor era julgado pelo paciente que estava próximo com seu suporte de soro.
_ Espera só. – Connor estica o braço que estava com a lata de refrigerante para frente.
_ Você não está pensando em... – Amanda mal consegue concluir a frase, Connor solta a garrafa e a mesma cai ao chão sem nenhuma anormalidade, apenas o fato de que Connor realmente tinha feito o que fez.
_ Connor?! – Amanda pega-a do chão e entrega para ele. – Pirou? Sorte que ela não estourou com a queda.
_ É que... – Connor suspira. – Desculpe, devo estar surtando. – Connor passa a mão pelo rosto.
_ Acredite Connor, todos nós estamos, não é só você. – Amanda se aproxima dele e coloca uma das mãos no peito dele. – Pode se sentir confortável de surtar comigo. Vamos precisar um do outro até entendermos melhor o que exatamente aconteceu. – Amanda olha nos olhos dele e sorri buscando acalmá-lo.
_ Obrigado por me entender... – Connor sorri pra ela.
Amanda cora seu rosto instantaneamente, Connor tinha uma mistura muito interessante de olhar misterioso e expressões gentis. Possivelmente sua pinta de misterioso se dava por sua barba bem-feita e voz grossa, mas seu sorriso e olhar traziam muita leveza algo que Amanda não podia negar que gostava muito nele.
_ Bom, está na hora de eu ir fazer a tomografia, na verdade eu já deveria estar lá. – Connor olha o relógio na cantina. – Te vejo depois?
_ Claro, vou estar no saguão com o restante do pessoal, preciso esperar meus pais chegarem.
_ Perfeito. Tchau Amanda. – Connor se aproxima e dá um beijo na bochecha dela e posteriormente se afasta seguindo até o setor de imagens do hospital.
_ Tchau Connor. – Amanda sorri olhando para ele, enquanto se distancia, logo após ela coloca a mão na região onde ele beijou e seu sorriso fica ainda maior.
_ Ai Amanda, será o melhor momento pra você se apaixonar? – ela questiona a si mesma, enquanto balança a cabeça negativamente, depois se inclina para colocar o dinheiro para o suco que compraria para ela e Erin.
Beverly estava há pelo menos uns cinco metros da porta de entrada da área de Exames e Imagens do Grant Sloan Hospital e mesmo que estivesse se esforçando bastante não conseguiu tirar de sua mente o fato de que, pouco antes de acordar e receber todas as informações dos pais e de Jeremiah Osborn sobre o que acontecera em seu tempo desacordada, ela tivera um pesadelo terrível no qual estava enterrada e como aquilo era traumatizante.
Na verdade, Bev buscava encontrar um propósito para aquilo, por isso pensava: “Será um sinal de que realmente morri e por muito lutar e me esforçar eu voltei a consciência?”
Mas a jovem logo refutava tal teoria, afinal seus pais e o médico não mencionaram em nenhum momento que ela tivesse tido alguma parada cardiorrespiratória ou algo semelhante no tempo em que estava apagada. Seja lá qual fosse a razão para cada um dos absurdos que estavam acontecendo com ela e com os outros cinco jovens que também sucumbiram lá na praça, teria que ficar para outro momento, pois afinal de contas, Beverly abriu a porta da sala e ao se deparar com o aparelho de tomografia centralizado ali, se lembrou que nunca realizara o exame e que fazê-lo não parecia nada convidativo.
O aparelho era todo branco e tinha duas partes distintas, uma cama almofadada que naquele momento estava sendo ocupada por Jared Osborn, e logo atrás o que na definição de Beverly parecia-se muito com uma rosquinha gigante igualmente branquíssima. Jared estava com a cabeça e somente ela dentro da rosquinha gigante, a máquina fazia um som muito irritante e semelhante a um assobio muito agudo.
Quando a tomografia é iniciada, o tubo e seus detectores giram 360º em torno do paciente, emitindo a radiação necessária para o registro de imagens. A mesa em que o paciente fica também se movimenta, a fim de melhorar as posições para os cortes tomográficos. Cada estrutura anatômica da região examinada absorve mais ou menos radiação, de acordo com a sua densidade. Em seguida, o feixe de raios-X atinge os detectores, produzindo sinais que são transmitidos a um computador com um programa que transforma esses dados em imagens.
No computador havia um rapaz de jaleco e óculos com cabelos castanhos claros e estava muito atento a tela a sua frente, possivelmente não deve ter notado a presença de Beverly.
_ Oi srta. Brave, me chamo Evelyn Mills, sou enfermeira e estou auxiliando o Dr. Fabray que é nosso especialista na captação de imagens... – a enfermeira indica o rapaz do computador. – Ele está realizando o exame com o Jared Osborn, logo logo estaremos te avaliando, pode se sentar ali. – agora ela indica um banco que preenchia toda a parede ao fundo da sala, no qual ela pode enxergar Connor sentado também aguardando por sua vez.
_ Olá, muito obrigada, enfermeira Mills. – a jovem sorri a ela e vai se dirigindo até o banco.
_ Oi, lembra de mim? – Connor pergunta ao vê-la se aproximando de onde estava.
_ Oi, me lembro sim, Connor, não é? – ela sorri e decide se sentar perto dele, afinal era sua única opção de companhia ali.
_ Sim e você é a amiga da Amanda, Beverly. – ele sorri amistosamente de volta a ela.
_ E como você está? – ela indaga esperando que ele compartilhasse dos mesmos sentimentos dela.
_ Pra ser sincero, estou assustado. Tudo o que tem acontecido até aqui é tão anormal. Não é todo dia que você desmaia aparentemente sem nenhum motivo e quando acorda descobre que outras cinco pessoas também estão na mesma situação que você. – ele expressa.
_ É exatamente como estou me sentido... Assustada, confusa e muito preocupada. Será que temos alguma doença mental?
_ Não! – ele ri da hipótese dela. – Definitivamente não.
_ Eu não sei mais o que pensar... – ela corresponde ao riso dele também rindo.
_ Minha mente também está pensando em muitas coisas, mas algo me diz que nós vamos ter as respostas das perguntas que temos agora, precisamos apenas ter paciência. – Connor tenta acalmá-la, ele também estava com a cabeça a mil, mas após o momento que teve com Amanda e a maneira como tinha deixado a garota desconfortável com suas desconfianças o fez frear um pouco no seu eu investigativo.
_ Vou tentar fazer isso. – ela concorda com ele. – Você se machucou quando desmaiou? – ela sinaliza os pequenos curativos no rosto do rapaz.
_ Na verdade, isso foi antes do desmaio, tive que me envolver numa briga, mas está tudo bem... Não precisa se preocupar com isso. – Connor tranquiliza-a. – Me conte mais sobre você?
_ Sobre mim, bem... O que exatamente quer saber?
_ Bom, que tal começarmos com sua cor, sua comida favorita, música do momento, defeito e qualidade, coisas do tipo... – ele arqueia uma das sobrancelhas olhando para ela.
_ Uau! Que investigação... Devo me preocupar?
_ Claro que não, você precisa se distrair um pouco e eu preciso te conhecer melhor, então...
Beverly não deveria, mas acabou ficando ruborizada com a fala dele e talvez com seu olhar que no ponto de vista dela tinha algo de muito envolvente.
_ Já que você não me responde, vou começar: Minha cor é o azul marinho, pizza, minha música é Beautiful Things por conta da apresentação da Unfollow e também por não sair da minha cabeça desde então, defeito seria muitas vezes fugir de alguns sentimentos e não lidar com eles e minha qualidade acho que é a gentileza e prestatividade.
_ Muito interessante. – ela ajeita o cabelo que caíra sobre seu rosto. – Parece um cara bacana, Connor. Já eu, vejamos... Minha cor é o branco, também amo pizza, acho que minha música do momento é If I Die Young. Defeito? Talvez seria não saber dizer não em algumas situações e qualidade principal é a minha compaixão e o fato de eu ser muito pacificadora.
_ Gosto de saber que você é assim. – Connor nota que na mão direita dela havia alguma coisa brilhava refletindo a iluminação do lugar. – Linda a aliança. – ele elogia ao notar o anel.
_ Muito obrigada. Ganhei ele ontem de Lucca, meu namorado. – ela olha para a aliança em sua mão e sorri radiante.
_ Ele fez uma excelente escolha.
_ Sim, o anel é muito lindo mesmo. – Beverly continua admirando o acessório.
_ Eu estava falando de você. – Connor sorri admirando-a.
Beverly se sentiria bastante envergonhada com a situação, mas foi poupada disso, afinal Jared foi liberado da máquina a frente deles e o Dr. Fabray que estava em silêncio até então anuncia chamando a atenção de ambos.
_ Muito obrigado, Jared. Avaliaremos a sua tomografia junto com a dos demais, pode esperar no saguão que seu pai e eu iremos dar notícias dos resultados obtidos. – Fabray se levanta e observa o jovem.
Jared parecia um pouco atordoado e faz sinal positivo com a cabeça e depois flexionou o tronco como seu fosse vomitar, mas o alarme foi falso.
_ Tudo bem, Jared? – a enfermeira se aproxima deles.
_ Estou sim, um pouco enjoado, mas vai passar. – ele informa.
_ Na saída da nossa sala depois de andar um pouco você vai encontrar a cantina do hospital. Pode pegar algo para comer ou beber um suco. – Fabray sugere.
_ Farei isso, doutor. Muito obrigado vocês dois. – Jared sorri a ele e para a enfermeira Mills.
_ Não precisa agradecer, Osborn. – Fabray sorri a ele.
_ Vou te acompanhar até a saída, Jared. – Evelyn Mills comunica.
_ É um pouco desagradável pessoal, mas vocês vão dar conta. – Jared avisa Connor e Beverly quando vê o olhar de ambos aflitos para ele.
_ Sua cara não está muito animadora. – Connor brinca com ele.
_ Vocês não viram a de vocês. – Jared ri. – Relaxem.
_ Vamos nos esforçar, Jared. – Beverly sorri a ele.
Mills abre a porta e o vocalista da Unfollow sai dali, após isso a enfermeira torna a fechar a porta e olha para os dois jovens restantes para fazer o exame.
_ Quem quer ser o primeiro? – Mills pergunta indo até a uma mesa que ficava ao lado do aparelho de tomografia e pegando um dispenser de álcool em gel e algumas folhas de papel toalha descartável, tratou de limpar o local onde ou Bev ou Connor iriam se deitar para efetuar a investigação por imagem.
_ Pode ir você. – Connor olha para a Bev. – Vou estar aqui por perto não precisa ter medo.
_ Tá bem. – ela sorri se sentindo encorajada e vai até o local onde Mills estava.
_ Muito Beverly, preciso só explicar algumas coisas... – Fabray principia ao ver ela se aproximando. – Vejo que está vestida com os moletons que damos aos nossos pacientes, são próprios para esse tipo de exame, está com seu celular?
_ Não, doutor. – ela responde.
_ Então pode se deitar. – Fabray pediu a ela gentilmente indicando a mesa de exame com a mão direita.
Beverly faz sinal positivo com a cabeça e antes de se deitar na cama com a ajuda de Mills, a garota da uma olhada para Connor sentado no fim da sala e ambos trocam sorrisos e acenos.
_ Alguém está te dando muito apoio. – Mills comenta quando ela termina de se posicionar.
_ Sim, Connor é bem gentil. – Beverly sorri para a mulher.
_ Bom, Beverly, vou precisar que a partir do momento em que a mesa se deslocar para dentro do tubo de raio-X, você não se mexa mais. Não vai demorar. – Fabray estica a mão e entrega a enfermeira Mills uma espécie de controle remoto. – Isto que a enfermeira irá te entregar é um botão de emergência. Pode apertá-lo caso não esteja bem, infelizmente só podemos parar o exame caso você realmente não tenha mais condições de fazê-lo, em todo caso iremos tentar te confortar de alguma forma.
_ Entendi doutor Fabray. – Beverly sorri para ele um pouco nervoso e segura na mão esquerda o controle de botão único para emergência.
_ Vamos começar então. – ele parece apertar alguns botões em seu computador e não demora muito para que a cama onde Beverly estava deitada comece a deslocar para trás.
A jovem tenta respirar vagarosamente para que seus batimentos não subissem aumentando ainda mais sua tensão e nervosismo com a situação em que estava. Rapidamente a morena viu toda sua cabeça, pescoço e um pouco do seu busto adentrarem a (em suas próprias palavras) “rosquinha gigante”. Luzes se acenderam na máquina que forçaram Bev a fechar os olhos, posteriormente algo dentro do tubo pareceu girar e ganhar velocidade a cada segundo, por isso o barulho ensurdecedor e extremamente agudo que ouvira quando entrou a sala.
De início Bev queria realmente sair dali, o barulho era muito desconfortável e também tinha o fato de não poder se mover que gerava, mesmo que a jovem não quisesse, uma sensação claustrofóbica, no entanto depois de uns dois ou três minutos ali, Bev decide relaxar por completo e quem sabe conseguiria cochilar.
Assombrosamente algumas imagens começaram a vir na mente de Beverly de maneira involuntária, eram flashes imprecisos que à medida que ela se concentrava em entendê-los, foram gradualmente tomando nitidez e finalmente Bev conseguiu identificar do que se tratava. “Primeiramente Bev uma placa de um cruzamento de ruas: Waterside Street com a Sloan Street. Na esquina desse cruzamento havia um café chamado Mozzicato Caffe e em sua fachada havia um relógio eletrônico que marcava 10 horas e 20 minutos. De repente uma bela mulher saia desse estabelecimento com seu copo de café e alguns papéis na mão, vestia uma saia preta e uma camisa num rosa bebê, possivelmente trabalhava como secretária ou em alguma função jurídica por conta da maneira que se vestia. Ela parecia bastante inquieta tanto que saiu em disparada da cafeteria e atravessou a rua sem olhar para os lados, até que então uma forte e ensurdecedora buzina foi ouvida”.
Bev ficou tão assustada com as imagens que vira que acabou apertando o botão de emergência de maneira instintiva.
_ Calma, Beverly, não se mexa, já estamos acabando. – Mills pediu a jovem com uma voz serena buscando acalmá-la ao ver a luz vermelha de emergência piscando na máquina.
_ Eu preciso sair... – Beverly se esforçou muito para não mexer, apesar de estar apavorada com a visão que tivera, parecia tão real.
Era como se Beverly estivesse assistindo a tudo o que acontecera de camarote e para ela aquilo era muito realista, semelhante ao pesadelo que tivera mais cedo com o caixão.
“O que está acontecendo com você, Bev? O que essas coisas significam? Quem é essa mulher? Isso é real?”, foram alguns dos muitos pensamentos que passavam pela mente de Bev. Mills notando o forte nervosismo da garota deu um sinal ao Dr. Fabray como se dissesse que o exame deveria parar por ali.
_ Calma Bev... Estou com você. – Connor que percebera tudo o que estava acontecendo se levantou e chegando até a cama onde Beverly estava segurou na mão livre dela.
Beverly sutilmente olhou na direção onde a voz de Connor vinha (ela realmente estava decidida a não se mexer e concluir o exame), ao perceber ele lhe dando apoio, ela sorriu e começou a se acalmar.
_ Estou aqui, não vou soltar sua mão até o final. – ele olhou para ela firmemente.
_ Obrigada. – Beverly sibilou buscando olhar para ele e se concentrar em outra coisa, estranhamente foi algo muito fácil de Bev fazer, já que tinha algo em Connor que chamava a atenção da jovem.
O saguão era um ambiente que se distinguia dos demais do hospital, não só pelo fato de ter mais cores e decoração que qualquer ambiente do prédio, todavia era embalado naquele momento por conversas e risos dos pais e filhos que haviam pernoitado ali e no exato momento aguardavam a chegada de Beverly e Connor, os únicos que ainda não haviam chegado do exame. A distribuição do ambiente estava da seguinte forma: No sofá maior estavam Erin e Daphne Logan, Amanda, Alex e Penelope Osborn; no sofá menor a direita estavam Lucca, Andrea Martin e Miranda Hastings, já as duas poltronas a esquerda eram ocupadas pelos pais de Bev, Matthew e Rachel Brave. A palavra no momento estava com Jared que fora o último a chegar e compartilhava com todos sua experiência desagradável com a máquina ainda em pé de frente para os sofás e poltronas.
_ Juro que achei que vomitaria. – ele divide com todos.
_ Como vocês jovens são dramáticos! – Matthew caçoa do filho dos Osborn. – Tiramos de letra esse exame.
_ Esperem só quando tiverem que fazer uma ressonância. – Andrea Martin desdenha.
_ Exatamente o que pensei. – Penny Osborn concorda com a afirmação da prefeita.
_ Parece uma das conversas que se tem no tempo livre em um asilo. – Amanda sentada num dos sofás ironiza a situação e acaba gerando gargalhadas.
_ A garota está certa. – Matthew ri.
_ Bom, eu tirei de letra. – Lucca fala pomposo.
Erin e Amanda se entreolham e depois começam a rir.
_ As meninas nem precisam rir para eu saber que essa informação não é verídica, Lucca. – Andrea encara o filho desacreditada. – Se bem o conheço deve ter passado mal. Na verdade, Lucca parece ser esse cara forte, mas até hoje morre de medo de agulhas e dentista.
_ MÃE! PRA QUÊ? – Lucca recrimina em alta voz.
Andrea gargalha o que acaba gerando os risos de todos os presentes.
_ Eu também não gosto de dentista, Lucca, pode ficar tranquilo. – Daphne Logan busca confortá-lo.
_ Acho que nada deveria danificar a perfeição que foi sua gestação, mãe, só isso. – Lucca pisca para ela.
_ A petulância desse garoto é absurda, como pode? – Andrea dá um tapa no ombro do filho.
_ Esse é meu futuro genro? – Matthew sinaliza.
_ Calma, sr. Brave... – Lucca fica um tanto embaraçado.
Matthew ri da reação dele.
_ Não precisa se assustar Lucca, Matthew era igual a você na sua idade. Convencido e cheio de si, vivia lançando seu charme em mim. – Rachel olha para o marido.
_ Até o momento que você não resistiu. – Matthew olha para ela com um sorriso satisfeito.
_ Sim... – ela dá um selinho nele. – Vi que deu uma aliança de compromisso para Bev. Estamos felizes por vocês.
_ Sr. e Sra. Brave, me perdoa por não poder comunicar a vocês, é que bem... – Lucca tenta se argumentar.
_ Não tem problema, Lucca. Sabemos que o dia de ontem foi uma loucura, vocês ainda estão se recuperando, então vamos devagar. – o pai de Beverly sorri para o rapaz.
_ Espera aí?! Você deu uma aliança para Beverly?! Por que não me contou, Lucca Martin? – Andrea ficou admirada com o que acabara de ouvir.
_ Eu queria surpreender Bev. Depois com certeza contaríamos a vocês, mas apagamos e... Pra falar a verdade, eu achei que já soubesse prefeita Martin, o seu discurso ontem me deu todas as pistas de que sabia de algo. – Lucca olha para ela esperando extrair a verdade.
_ Você me superestima demais, filho. Claro, sua mãe sabe de muitas coisas, muitas mesmo... – ela pisca para ele. – Mas não todas.
_ Bom, agora todos estão sabendo. – Lucca sorri para eles.
_ Parabéns irmão! – Alex que estava ao lado de Amanda vai até ele e o cumprimenta.
_ Valeu, Alex! – Lucca abraça o amigo.
_ Não ache que essa atitude muda o fato de que está em período de teste, Lucca. Qualquer vacilo e cabeças rolaram. – Amanda fuzila o rapaz de maneira descontraída e toma o restante do seu suco.
_ Claro, sei exatamente que estou sobre a sua jurisdição. – Lucca ri.
_ Não só a dela, garotão. – Matthew se junta a Amanda e encara o filho da prefeita.
_ É Lucca acho que escolheu uma garota muito valiosa. – Penny comenta com o jovem.
_ Tenho muita sorte dela também ter me escolhido. – Lucca não percebeu, mas seus olhos brilharam ao falar sobre Bev.
E talvez o olhar de Lucca tivesse permanecido daquela forma até ele perceber duas pessoas finalizarem o corredor que dava para o saguão. Tratava-se da própria Beverly e Connor, a namorada estava apoiada com o outro jovem e demonstrava estar um pouco fraca. Lucca ao se deparar com a cena correu até lá, sendo seguido por Rachel, Matthew, Amanda e Alexander.
_ Bev! Bev! – todos gritaram quase em uníssono enquanto se aproximavam de Connor.
_ Oi pessoal, eu estou bem. – Beverly sorri ao ver todos ali.
Lucca abraça Beverly e isso faz com que Connor se afaste, ele olha ao redor e percebe a aproximação de sua mãe, logo abre os braços para poder abraçá-la.
_ Como você está meu amor? – Miranda pergunta ao filho.
_ Estou bem, mãe. Beverly ficou um pouco fraca depois da tomografia, aí trouxe ela comigo.
_ Não esperava menos do meu príncipe. – ela beija a bochecha do filho. – Vem vamos nos sentar. – a mãe indica o sofá aonde estava sentada ao lado de Andrea.
Connor acompanha a mãe e dá mais olhada para Bev que ainda estava abraçada a Lucca, a morena abre os olhos e ao ver o olhar de Connor para ela reproduz um “obrigada” com a boca sem emitir som, Bev esperava que com a leitura labial ele entendesse. Connor sorri de volta para ela indicando que entendera perfeitamente.
_ Como você está? – Lucca pergunta a namorada encerrando o abraço e olhando para ela.
_ Estou um pouco fraca, mas agora vendo vocês, já me sinto bem melhor. – Beverly sorri a Lucca e notando a aproximação da mãe a abraça.
Matthew aproveita e também abraça a filha junto a esposa. Os três permanecem ali unidos por alguns segundos.
_ Eu amo vocês. – Beverly fala ao terminar o abraço e olhar de um para o outro. – Vocês também. – Beverly olha para Lucca, Amanda e Alex que estavam ali por perto.
_ Já basta o fato de ter demorado para acordar, agora vir desse jeito. Quer chamar a atenção? – Amanda implica.
_ Impossível competir com você. – Bev sorri para Amanda.
_ Ah! Vem cá. – Amanda abre os braços e ambas se entrelaçam. – Só você para me elevar assim, já viu como está meu cabelo? – Amanda segura alguns de seus cachos. – Parece que acabei de vir de algum daqueles programas terríveis de caça a tornados.
_ Quanto exagero, Amanda. – Beverly sorri sinceramente.
Era uma sensação muito boa poder ter as cinco pessoas que mais amava ali com ela naquele momento de tanta angústia, dúvida e medo. Sim, apesar de tentar não transparecer Beverly estava apavorada com tudo que estava acontecendo. O cometa, o pesadelo de estar enterrada viva, a tomografia e agora por último aquela cena da mulher sendo atropelada. Todavia, felizmente a cada abraço que dava, Bev via seus sentimentos sendo aplacados, agora por exemplo estava nos braços de Alex e sentiu o cheiro gostoso do perfume que o rapaz usava. “Isso tudo é pra Amanda que eu sei”, ela pensou e sorriu encerrando o abraço com ele.
_ Você chegou na hora exata. Lucca estava sendo completamente coagido por seu pai e eu. – Amanda fala orgulhosa. – Parece que ele lhe deu uma aliança, estávamos lembrando que isso não diminui os riscos dele.
_ Isso mesmo Amanda! – Matthew também fala cheio de si.
_ Claro que não. – Beverly sorri ao ouvir Amanda. – Lucca está bem ciente, não é? – ela olha para o namorado interrogativa.
_ Perfeitamente. – Lucca sorri com eles.
_ Vocês dois, vamos parar de assustar o Lucca. – Rachel intervêm. – Ele está indo bem. Amei o anel, a propósito.
_ Obrigado sra. Brave, sua filha merece muito mais que isso. – ele passa o braço pelo ombro da namorada.
_ Sem querer ser chato, mas não é melhor a Bev se sentar? – Alex interrompe a conversa entre eles.
_ Alex tem razão pessoal, preciso muito. – Bev concorda com ele.
_ Vamos nos sentar então. – Rachel aponta para a poltrona onde estava sentada.
Lucca que estava com o braço envolvido a namorada foi quem a ajudou a se sentar.
Abruptamente a porta principalmente do hospital se abriu e revelou duas pessoas que pareciam desesperadas. Uma delas era um homem parrudo de pele clara, usava um cavanhaque e óculos redondos que não ofuscavam o brilho verde de seus olhos, já a mulher tinha a pele morena e cabelos cacheados que se assemelhavam e muito com os da prefeita Martin. A mulher estava com um casaco verde e calça lisa bege, estava com brincos de argolas grandes e dourados, pulseira igualmente dourada e óculos escuros. Se vestia tão bem que contrastava com o marido que estava bem básico com jeans e camiseta preta e usava apenas um relógio de pulso como acessório.
Não era segredo para ninguém que tratava-se de Kenneth e Amalia Kapstall, os pais de Amanda que possivelmente tinham acabado de chegar de viagem, a semelhança entre pais e filha era notável, já que a fotógrafa tinha uma mistura interessante de traços de ambos, o que mais se destacava era o cabelo idêntico ao da mãe e os olhos que eram tão brilhantes como o do pai.
_ AMANDA! – ambos berraram ao ver a jovem em um dos sofás do saguão.
_ Mãe! Pai! – ela gritou e correu até eles.
_ Meu girassol, como você está? – Amalia questiona ao abraçá-la tão amorosamente que quase não sobrou espaço para que Kenneth pudesse fazer.
_ Eu estou bem, mamãe, juro. – ela sorri ao finalmente poder receber o conforto dos pais.
Kenneth e Amalia faziam três meses que estavam com essa viagem marcada para o Caribe, então tinham partido no início da semana, retornariam no dia seguinte ao que estavam, mas devido ao incidente com a filha no mesmo instante que receberam a ligação de Alexander, prontamente decidiram adiantar o retorno para estarem com a filha. Kenneth e Amalia eram extremamente presentes e amorosos com Amanda, apoiavam as decisões da filha e tinham muito orgulho da mulher que ela estava se tornando a cada dia.
_ Você nos assustou, girassol. – Kenneth fala mansamente.
Mansidão era a principal característica de Kenneth, na verdade ele era obrigado a ser, afinal tanto Amalia como Amanda eram mulheres de personalidades muito fortes e acabavam se equilibrando nessa qualidade tão presente no pai.
_ Eu sei... Eu também fiquei assustada... Acho que todos. – Amanda se vira para trás e olha para cada um ali.
_ Bom dia, pessoal, lamentamos o que aconteceu com as crianças. – ao ver o gesto de Amanda, Amalia notou a presença de todos os que estavam ali e tentou ser empática.
_ Esperamos que seja apenas um susto. – Kenneth acena para eles. – Gostaríamos de ter chegado antes, mas nosso voo que estava previsto para chegar às nove da manhã, atrasou uma hora.
_ Espera! Então que horas são? – Beverly ao escutar a referência ao exato horário em que estavam questiona em alto e bom tom.
_ São 10 e quinze da manhã, meu amor, por quê? – Rachel olha para a filha.
Beverly se levanta da poltrona em que estava sentada num sobressalto e se vira para Lucca.
_ Precisamos ir! – ela comunica a ele e começa a caminhar em direção a saída do hospital.
_ Beverly, querida! O que está acontecendo? – Rachel indaga ao ver a filha sair apressadamente em direção a porta de saída.
_ Eu vou atrás dela, Sr. e Sra. Brave, pode deixar. – Lucca segura nas mãos dos pais de sua namorada e dá um sorriso para que eles se tranquilizassem, posteriormente corre atrás da amada.
_ Obrigado Lucca. – Matt faz sinal positivo com a cabeça e abraça a mulher. – Calma, vai ficar tudo bem.
_ Acalma ela, filho. – Andrea pede.
_ Pode deixar, mãe! – o rapaz berra atendendo ao pedido da mãe, mas nem olha para trás apenas acelera sua velocidade para que pudesse alcançar Bev.
Quando a filha dos Brave passa por Amanda, Kenneth e Amalia, ela decide não olhar para eles para que não a impedissem de sair do prédio.
_ Bev, o que é? – Amanda indaga e consegue ver a expressão de aflição da amiga.
_ Bev? – Kenneth tenta chamar a atenção dela, mas é totalmente ignorado.
_ Vou ver como ela está, nos falamos daqui a pouco, ok? – Amanda olha para os pais.
_ Claro, filha. Vai ver o que está acontecendo com ela. – Amalia incentiva. – Estaremos junto com os outros pais.
_ ALEX! – Amanda clama pelo amigo e acena com a cabeça em direção a Bev e agora Lucca que passou por eles apressadamente.
_ Voltamos já. – Alex se levanta do sofá com um sorriso forçado para o pessoal ali presente e começa a correr na direção de Amanda.
Connor que desde o momento em que Beverly começara a correr estava inquieto, sentia que de alguma forma poderia ajudar a garota, ou que deveria fazer algo ao respeito, então quando viu Alex se levantar e correr na mesma direção que a jovem e Lucca tinham ido, ele igualmente se levantou e também correu sem dar satisfações ou olhar para trás.
_ Connor! – Miranda grita pelo filho, em vão.
Jared olhou para Erin e não precisou de nenhuma palavra emitida pelo cantor, a capitão do time de líder de torcida compreendeu que deveria acompanhar os demais jovens.
_ Vamos trazer todos de volta. – Erin anunciou e junto a Jared correram dali.
_ Esperamos então? – Andrea olhou para todos os pais ali.
_ Esperamos. – Kenneth pronuncia notando que Bev, Lucca, Amanda e Alex já estava do lado de fora do hospital e os últimos três jovens já estavam chegando a porta principal.
Beverly já estava na grande escadaria na frente do hospital, a jovem olhava de um lado para o outro tentando localizar algum ponto de referência familiar, infelizmente o único que tinha era o cruzamento e a cafeteria. Sim, Beverly estava se movendo pela visão que tivera na sala de tomografia, tudo era tão real e palpável em sua mente que na mais sutil menção ao horário próximo ao que tinha visto, fez com que todos os seus músculos se movessem para confirmar ou descartar a veracidade do que tinha vislumbrado.
_ O que exatamente estamos procurando? – Lucca se aproxima dela.
_ Estamos na Sloan Street, preciso saber onde é o cruzamento com a Waterside Street. – Beverly expõe ao namorado, feliz por ele fazer o mínimo de perguntas possíveis.
Nem ela estava totalmente convencida do que estava fazendo, então não queria precisar convencer ninguém, mas apenas queria seguir seus instintos e impedir o desastre que suspeitava que estava prestes a acontecer.
_ É o cruzamento do Mozzicato. – Alex diz chegando até eles. – O que está acontecendo?
_ O que você disse? – Beverly olha para ele inquisidora.
_ Mozzicato? – Alex responde. – Beverly o que você tem? – Alex estava levemente assustado, já que a amiga parecia extremamente determinada.
_ Isso, onde fica?
_ Fica à duas quadras naquela direção, Alex e eu gostamos de ir lá de vez em quando. – Amanda aponta o caminho para Beverly e é surpreendida quando a amiga mal espera que ela conclua sua frase e sai correndo na direção indicada. – Bev!? Espera! – a jovem corre atrás da amiga.
Alexander e Lucca se olham e decidem também acompanhá-las. Connor surge na saída do hospital e ao ver os outros quatros jovens correndo segue na mesma direção, não demora muito para que Jared e Erin façam o mesmo.
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_ Não faço ideia, capitã. Mas senti que não deveria ficar lá parado. – ele responde e acelera suas passadas.
Beverly cruza pelas pessoas evitando trombar nelas, mas ela não poderia perder tempo, afinal provavelmente restavam menos de três minutos para o que poderia acontecer.
_ Licença! Licença! – ela clamava buscando desviar das pessoas que andavam tranquilamente pelas ruas.
_ Beverly! O que está acontecendo? – Amanda berrava vindo logo atrás recebendo olhares confusos e irritados de algumas pessoas.
_ Eu preciso chegar na cafeteria antes das 10 e 20, Amanda! – Beverly comunica.
_ O que vai acontecer lá? – Lucca que tinha ouvido a namorada se explicar, interroga vindo um pouco atrás de Amanda junto a Alex.
Beverly não responde ao questionamento de Lucca, já que ao invés disso decidiu usar suas energias para acelerar ainda mais a corrida, então velozmente ela atravessa um cruzamento que por sorte estava com sinal vermelho para os motoristas. Ao fim desse cruzamento, Beverly acidentalmente acabou esbarrando em uma mulher com dois livros nas mãos, infelizmente tanto a mulher quanto os livros vieram ao chão, entretanto Bev a contragosto não pôde parar para prestar socorro a sua vítima.
_ Me perdoe! – ela gritou para que a jovem a ouvisse.
Acabou tendo como resposta um palavrão.
_ Me desculpe por ela. – Amanda pediu também não parando para ajudá-la.
_ Você está bem? – Alex se prontificou ao ver a moça pegando seus livros e ficando de joelhos.
_ Ajuda ela, tá legal, vou alcançar as meninas. – Lucca sugere e passa pelos dois.
_ Eu estou. – a moça se levanta com a ajuda de Alex. – Sua amiga é louca! – ela esbraveja.
_ Confesso que estou começando a questionar isso também. – Alex comenta e depois olha na direção em que Bev, Amanda e Lucca estavam.
_ O que deu nela? – Connor questiona ao transpassar por Alex.
_ NÃO FAÇO IDEIA! – Alex berra para o novo amigo.
O cruzamento em que Bev, Amanda, Alex, Lucca e Connor haviam a poucos segundos ultrapassado, neste instante acende o farol verde o que poderia ter impedido Erin e Jared de atravessar, afinal o vocalista da Unfollow hesitou em seguir caminho, mas Erin advinda de uma coragem que nem ela sabia que tinha pegou na mão do rapaz e o puxou para juntos irromperem o tráfego antes que os carros acelerassem.
_ Você é doida! – Jared pontuou e esticou uma das mãos em sinal de espera para os veículos.
_ Anda logo! – ela continua a correr, ambos levaram muitas vaias e buzinadas.
Até que um dos motoristas devido ao uso do celular, não percebeu o avanço dos dois jovens e acelerou apenas percebendo a sinalização verde que estava a sua frente. Erin notando a movimentação desse carro, parou e espalmou o capô do veículo buscando de alguma forma chamar a atenção do motorista para que ele brecasse. E funcionou, talvez muito além do que Erin desejava, afinal sua mão afundou a lataria do capô de tal maneira que ficou exatamente o desenho de sua mão no amassado.
O motorista freou com o susto advindo da pancada em seu capô e posteriormente buzinou para o casal juvenil diante dele. Neste momento, foi a vez de Jared puxar Erin que estava atônita com o que acabara de fazer, Jared também estava, mas o dano já estava feito e eles precisam era sair logo dali.
_ Como você fez isso? – ele perguntou ao subirem na calçada e continuarem a correr por ela, ignorando totalmente comentários e olhares curiosos ao seu redor.
_ Não sei. Espero que ele só perceba o amassado quando estiver bem longe. – ela comenta ainda assustada.
Beverly finalmente chega ao destino e é por chegar lá que ela percebe o quão real era as imagens que tinha fitado anteriormente. Tudo estava exatamente como tinha visto, as cores, as disposições, cada elemento fazia com que ela revivesse novamente sua visão. Então ela olhou para o relógio digital acima da fachada do Mozzicato Caffe e viu que o relógio estava transicionando de 10 e 19 para 10 e 20.
_ É o horário que mencionou... – Amanda chega do lado da amiga e olhando na direção que ela encarava, enxergou o horário no relógio.
_ Escuta Amanda, vou ser bem breve, eu já estive aqui nesse lugar, nesse exato momento e vi uma mulher sair da cafeteria e ser atropelada. – Beverly simplifica.
_ O quê?! – Amanda fica horrorizada.
_ Confia em mim. – Beverly olha ao redor e percebe algo que não tinha visto antes na visão: o caminhão.
O veículo que iria buzinar ao ser surpreendido pela mulher apressada seria um caminhão e ele acabara de ser liberado de um sinal vermelho no cruzamento que era percursor daquele em que Amanda e Bev estavam.
_ Aquele caminhão! É ele que vai atropelar a... MOÇA! MOÇA! – Beverly berrou quando viu a bela mulher sair do Mozzicato com seu copo de café numa das mãos e a outra com alguns papéis, mas infelizmente a visionária não foi ouvida.
_ Quem vai ser atropelada? – Lucca indagou chegando até elas e ouvindo meia conversa do que tinham dito.
_ ELA! – Beverly e Amanda berram, afinal mesmo que Amanda não acreditasse a princípio no que Bev relatara agora era visível ver a trajetória do caminhão colidindo com a jovem desavisada.
Numa explosão de energia dentro de seu corpo, Lucca disparou em direção ao iminente, ele não fazia ideia do que estava fazendo, mas sentia que conseguiria fazer algo a respeito. Era só atravessar a rua, empurrar a mulher e desviar do caminhão, ele pensou tão velozmente quanto correu na direção do Mozzicato. A reação de Lucca com o que estava prestes a acontecer foi tão rápida que Amanda e Bev colocaram a mão em suas bocas e arregalaram os olhos temendo o que poderia acontecer. Naquele momento Connor chegou ao local e testemunhou o que ele acreditava ser a morte de Lucca.
Lucca implacavelmente chegou no local exato da colisão e empurrou a mulher que voou para a calçada, mas diferente do que pensara, não encontrou tempo algum para poder desviar e apenas se abaixou esperando o impacto.
_ LUCCA! – o berro de Connor, Amanda e Beverly em uníssono foi ensurdecedor e alertou todos os que não estavam prestando atenção na cena.
Beverly sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, mas não teve tempo para chorar, pois milagrosamente esses mesmos olhos testemunharam a coisa mais incrível que já lhe acontecera. Lucca estava precisamente no mesmo lugar, abaixado e abraçado ao próprio corpo. Connor que estava com as duas mãos na cabeça com uma cara de assombro não pode conter um sorriso vitorioso ao ver Lucca ali.
Todos os carros que estavam vindo pela rua pararam, pois acreditavam piamente que o jovem havia sido esmagado pelo caminhão. Já Lucca ouvindo vozes ao seu redor e sentindo a brisa calma da manhã em sua pele, decidiu finalmente sair daquela posição quase fetal e verificar se realmente estava vivo. Assim ele o fez e comprovou o inimaginável, de alguma forma que ele não saberia explicar nem se ele revivesse aquele momento umas cem vezes, estava intacto, contudo não tinha como ele não ter sido atingido, ele lembra claramente que seu último olhar foi para o para-choque do caminhão antes de se encolher. “O que aconteceu comigo? Eu me tornei um fatasma?”, o rapaz pensava, enquanto a partir daquele momento recebia muitos aplausos de todos os presentes, inclusive da moça que ele salvara, que graças a sua valentia só recebera um arranhão no cotovelo direito pela queda, e claro, sujara toda sua roupa de café.
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