– Vó! Não me assuta desse jeito ou eu morro.

– Lamento querida. Essa não não foi a minha intenção. E então?

– Amei vó. Obrigada. — Marina lhe deu um sorriso mais do que sincero.

André e Liam chegaram bem na hora da confraternização das duas. — E aí está a bruxa! -Exclamou André direcionando um olhar frenético via lazer para a prima.

– Você é tão agradável e hospitaleiro quanto pestinha. — Marina devolveu-lhe olhar frenético via lazer, by lazer.

– Será que a vida nessa casa vai ser sempre assim ou os dois poderiam parar com essa coisa sem sentido. Já que estavam vivendo na mesmo casa e estudando na mesma escola a partir de agora.

– Vó com essa daí não dá. Ela é completamente louca.

– E você é um idiota infantil. Vê se cresce garoto. — Mais uma vez os lazeres eram sentidos em suas trocas de olhar. O fuzilamento era iminente. O ódio era cheirado. Antônia sentiu o cheiro da dificuldade de manter os dois sem brigas por um tempo.

–Quem vira chefe de gangue aos quatorze anos? — Marina lentou as duas sobrancelhas e arregalou os olhos ainda fuzilando André. A verdade é que ela não era chefe da gangue, ela só havia domado os garotos maus e encrenqueiros a parte, como Matheus. A única coisa na qual se considera boa.

– André, por favor... — Pediu Antônia cansada da ladainha infantil dos netos.

André se calou e sentou na mesa, Liam se sentou ao seu lado, Marina em frente ao André e Antônia na cabeceira da mesa. Lugar da chefe da casa, posto do qual ela não ocupou naquela manhã. A suposição de Marina pelo cheiro estava correta obviamente. Além dos que supôs havia a salada de diferentes tipos de verduras e frutas e legumes.

– Obrigada. — Disse Antônia à Sara que voltou para a cozinha, agora ela tinha voltado sua atenção para os netos. Dois dos três em especial. — Eu quero que você dois se tornem mais agradáveis um com o outro. — Ela pegou uma mão de cada um e a segurou. — Vocês são a minha única família, e eu adoraria conviver em harmonia. Já nem penso em paz pois o temperamento dos dois não deixaria. Mas na hora em que formos comer, vocês dois ficarão quietos. — Os dois netos a encararam e engoliram em seco, o tom da voz da velha mudou de um modo tenebroso, essa era a ameaça de voz que eles tanto temiam. Dona Antônia era uma pessoa muito calma e tranquila, porém quando ficava irritada, até os piores demônios correm dela. -Entenderam? -Ela fuzilou os netos que responderam em uníssono.

– Sim. — Cabisbaixos se entreolharam.

– Quem bom. — Antônia sorriu e largou a mão dos netos.

O jantar foi calmo, sem muitas palavras. Mariana estava faminta, tanto que até repetiu. Levou seu prato até a cozinha para lavá-lo, no entanto Sara o tomou de sua mão, dizendo que ficaria desempregada se ela fizesse isso. Marina tentou relutar mas Sara era boa no verbo. Depois do jantar, foi até a sala de televisão, lá estava André e Liam vendo Supernatural, episódio quatorze da segunda temporada. Marina tinha uma queda pelo ator Jensen Ackles, o Dean de Supernatural. Obviamente sua afeição por menino maus refletia na televisão também. Marina se juntou aos primos. Sentou-se no amplo espaço que separava os dois. André a encarou por um par de segundos, dessa vez ela não sabia o que estava acontecendo, não sabia se ele estava irritado por ela estar sentado lá perto dele, ou se era por respirar o mesmo ar, ela não sabia. Seu olhar não dizia nada. Marina teve dor na barriga de tanto rir do episódio da dança lenta com o alien, seus primos também riram muito. Ali estava um momento descontraído do qual ela não esperava.

Seus olhos começaram a pesar, ela lutou contra o sono, mas ele ganhou esse round. Acordou nos braços de alguém. Era André. Marina levou um susto fazendo André se assustar também, o que resultou em uma quada dupla ao chão.

– Por quê você estava me carregando?

– Porque você não deve dormir no sofá e sim na sua cama.

– Se brincar aquele sofá é mais confortável que a minha cama.

– Mas ninguém precisa acordar cedo e ficar olhando pra essa sua cara amassada e inchada logo quando acorda. E amanhã é seu primeiro dia no Delta.

– E o que isso tem haver? -Ele levantou a sobrancelha encarando ele, el queria uma resposta coerente. Há menos de algumas horas os dois havia tido algumas brigas, agora o idiota estava carregando ela pro quarto. Agora estava irritada, mas não irritada por ele ter levado ela e sim por ela ter gostado que ele a levou até lá e cima. Ela era pesada e alta, carregar ela pelas escadas deveria ter sido um tanto difícil. Sentiu algo duro em sua bunda. Ela sabia o que era e não queria ignorar isso. — E por que você tá duro? -Ele ficou pálido com a pergunta. Ela viu percebeu a mudança. ou as mudanças em sua fisionomia.

– Sai de cima de mim Marina. — Ele disse um tom firme. Ela riu.

– Okay. — Ele a encarou por um par de segundos, então os dois se levantaram. Ele foi até o quarto dele a ela até o dela.

Depois de pensar sobre a dureza do primo e os acontecimentos anteriores da noite e do dia anterior, Marina dormiu e sonhou com Matheus. Ele pedia socorro e ela não podia ajudá-lo, ela estava amarrada em uma cadeira enquanto um homem torturava ele de todos os jeitos possíveis, tudo o que ela poia fazer era ficar vendo, então se deu conta de que realmente tinha alguém gritando e não era Matheus, era o Liam.

– Mar a gente vai se atrasar por sua causa se não se levantar agora! — Gritou ele mais uma vez. Marina esqueceu de ativar o despertador, já que nunca precisou de um pra acordar, era sempre seu pai ou sua mãe que a acordava.

Ela levantou num pulo pra fora da cama. Reparou a avó havia deixado um uniforme ali no canto. Era uma blusa verde bandeira, com um triângulo na frente e embaixo escrito delta em branco. Havia uma calça de tactel na cor verde bandeira e uma de malha, também na mesma cor. O Casaco da escola era branco e tinha o logo da escola, em um tamanho grande nas costas em verde e na frente do peito esquerdo havia um logo pequeno com o nome da escola. Ela mexeu um pouco mais e notou que ali havia também um short saia, também verde. A moça então sorriu ao ver o short saia. Não vejo uma dessas desde o jardim de infância, pensou Marina.

Marina tomou um banho rápido e fez sua higiene matinal, a manhã naquele dia estava particularmente fria, optou por usar a calça tactel já calças de malha marcavam muito sua bunda que não era pequena, e sempre que algum cara tinha oportunidade falavam algo sobre o belo traseiro da moça, o que a deixava irritada. Essa bunda foi herdada pelo lado da família de sua mãe, seus primos também tem a bunda grande, e ela não estava nem um pouco afim de chamar mais atenção pra si. Não queria correr o risco de dar uns tabefes em algum palhaço e acabar por ser expulsa novamente correndo o risco de ser mandada para a Escócia.

–Marinaa! Anda logo! — Berrou André no final do corredor.

– Já vou! Que saco! — Terminou de ser arrumar, prendeu os fios castanhos em rabo de cavalo, pegou a mochila com estampa da bandeira da Inglaterra e desceu as escadas pulando os degrau de três em três. Passou na cozinha e pegou metade da banda de banana e enfiou na mochila, sem antes tirar duas da banda pra comer no caminho da escola.