Notas iniciais
O NYAH PRECISA PARAR DE CORTAR MINHAS NOTAS INICIAIS, SÓ DIGO ISSO. EU tinha dito nas últimas notas que os trechos em itálico eram a narração do Rick Riordan, mas olhando melhor, realmente mal dava para notar se não fosse pelo itálico. A guria que me odiava tinha razão: Eu escrevo que nem ele. E se isso me incomoda? Nem um pouquinho, biiitches. E o capítulo é dedicado a Anna Tem TDAH, por que se não fosse por ela eu estava dormindo. (Vai esperar pra eu responder o review sim, bitch) E eu contei errado. Acho que essa fic vai ter onze capítulos. Ow tristeza.

Sucumbindo em memórias
Nós estamos próximos, mas não o bastante
Baby, agora estamos
Se está quebrado podemos remendar
Não jogue fora
–
If You Ever Want To Be In Love — James Bay

xx

Leo lembrou o que a sua mãe dizia sobre café. Se você é o que ingere, nas palavras dela, quem bebia café (e café de verdade) tinha vários sentimentos melancólicos a serem trabalhados. Talvez isso estivesse impregnado no fundo da mente dele, por que quando Leo chegou arrasado naquela cidade a primeira coisa que ele quis foi sentar num lugar confortável, mas não tão cheio para que não tivesse que lidar com os malditos casais turistas humanos que nem faziam ideia que o mundo podia acabar em alguns dias.

Acabou que esse lugar era um café. Leo também queria se lamentar e é, realmente café combina com os sentimentos de merda, não era brincadeira.

Ele sentia como se tivesse falhado com Calypso, mas pior ainda sentia como se o sentimento não fosse correto. Leo devia ser como todos os outros, que a deixaram sem olhar para trás. Que não conseguiam ver um futuro além da ilha com ela.

Mas não estava sendo assim. Talvez por que Leo conhecesse a rejeição como ninguém, e por que ele não era nenhum herói. Basicamente Calypso já era um grande problema.

Pois apesar de Leo estar extremamente feliz por voltar para o navio, havia uma sombra no sentimento. Ele não sabia como encarar Nico, como se tivesse o falhado também. Quer dizer, pensando sobre o que Calypso disse só o fez se sentir pior. Se Nico o correspondesse, ele estaria sofrendo. Verdade, Nico estava acostumado em perder pessoas, mas isso não tornava nada mais fácil.

Leo via como ele se preocupava com Hazel ou Piper, e como ele não conseguia esconder o instinto protetor. Ele queria sim salvar todos, tão diferente do que parecia. E se ele estivesse mais quebrado por sua causa? Gaia sabia destruir quem ele amava. Ela nunca falhava.

Isso o enchia de horror de novo. Gaia podia ir atrás de Nico de verdade, por sua causa. E o mais frustrante de tudo é que Leo não conseguiria se afastar. Ele não era nobre o suficiente para isso. Não, Leo era um otário egoísta. Ali ele não sentia que podia encontrá-lo, agir como o bom amigo que se propôs no início.

Por que aquilo acontecera no final das contas? Por que ele tinha que se apaixonar por Nico Di Angelo? É, o garoto era tão perigoso quanto às suas outras crushs impossíveis, mas não era seu tipo. Ou pelo menos não deveria ser seu tipo! De baixo da camada de adolescente revoltado e assustador, havia alguém muito gentil, muito consciente, muito... Oh, ele era.

Leo não merecia alguém assim, muito menos merecia Calypso. Ele nem havia notado, céus se tivesse ele jurava que teria impedido quando ainda havia tempo. Ah Não. Leo quase engasgou com o café.

Isso não queria dizer que ele amava Nico, certo?

xx

– Leo! — Piper exclamou, de repente próxima o bastante para abraçá-lo. — Eu sabia que você estava bem!

Leo sentiu uma parcela do peso nas costas aliviar e ele a abraçou de volta. Hazel foi a próxima, beijando seu rosto de forma fraternal. Em outra hora, ele teria tido um surto de felicidade interpretando o beijo errado. Frank tinha olhos brilhantes de quem ia abraçá-lo, mas deu um tapão em suas costas em vez disso. Hedge ia fazer o mesmo e provavelmente matar Leo, mas Jason lhe impediu dando um abraço de urso.

Então sobrou Nico. Ele tinha os olhos de cachorrinho arregalados que fizeram o coração de Leo acelerar. Ele parecia não acreditar que Leo estava ali. Um silêncio tenso se pendurou entre os dois, completamente tímidos.

– Se abracem logo! — Piper disse impaciente, empurrando Leo. Ele engasgou. Frank olhou para Jason esperando alguém tão confuso quanto ele, mas o loiro estava sorrindo, meio ansioso. Hazel abriu outro sorrisinho. Mas perturbador mesmo era o treinador Hedge com uma expressão do tipo: "Ah, eu shippo esses dois."

– Q-que bom que está vivo, Valdez. — Nico gaguejou de forma dura, o que era incomum por que ele era perfeito em esconder o que sentia. Leo percebeu como ele parecia bem. Sem a jaqueta, você podia ver como ele recuperara peso, possuindo até alguns músculos. Não estava mais tão pálido e muito menos assustado.

Leo realmente quis não tocá-lo, mas foi impossível e ele abraçou Nico. Pode ouvir o som abafado que Piper fez, junto com a comemoração de Hazel e Nico conseguiu ficar ainda mais tenso. Mas ele não se afastou, e isso foi o suficiente para Leo.

– Huhh, okay — Frank disse parecendo estar morrendo de vergonha alheia. — Que tal a gente tomar café?

Leo segurou o indicador de Nico com o seu de forma discreta, abrindo o primeiro sorriso naquele dia quando o dedo de Nico se fechou com força no seu, como se estivesse com medo que fosse embora.

– Melhor ideia que já saiu da sua boca.

xx

– Ei Nico. — Leo o impediu de sair do convés, nervoso para cacete. Nico podia ter segurado o seu dedo (quanto compromisso, nossa), mas ele estava quieto e recluso, mais do que devia considerando que ele se abria com Leo agora. Ou, deveria. Leo não queria fazer todo aquele progresso para cair de novo. Nico o olhou de cima a baixo, pensativo.

Ele estava repleto de substâncias por conta do trabalho de horas nas máquinas do navio, que estava numa situação terrível, e nem havia terminado ainda. Leo ficou ainda mais nervoso, começando a mexer as pernas, quando Nico pigarreou e apontou com a cabeça para dentro do navio.

Leo ficou meio confuso, mas o seguiu sem pestanejar, por que não era como se Nico fosse um grande amante de PDA (Demonstração de Afeto em Público, e sim, a palavra é inglesa). Mas com certeza Leo não sabia as intenções dele quando entrou na enfermaria, passando pela Athena Partenos.

– Uhh, Nico? — Leo questionou enquanto Nico mexia sobre umas bandejas. Quando ele se virou tinha ambrósia, um remédio de spray e uma faixa.

– Eu estive me machucando desde os onze anos, mas isso é ridículo Leo. — Nico o fez sentar do seu lado numa das camas improvisadas, colocando a ambrósia na boca dele e segurando seus braços. Leo tentou se concentrar no gosto do seu peixe preferido, especialidade da Espanha, que sua mãe fazia aos domingos em vez da ardência. Leo podia suportar o calor, mas aparentemente remédios ainda eram vadias com ele.

E ele sabia que só tomar Néctar e comer Ambrósia não exatamente impedia um machucado de infeccionar. Leo nem havia notado os cortes e arranhões — e eles estavam profundos, próximos de mais de toda aquela graxa e sabe-se mais lá o quê. Era um pouco engraçado como ele quase se matava tentando não deixar seus amigos morrerem num navio inutilizável.

– Você está rindo? — Nico arqueou as sobrancelhas quando ele terminou de enfaixar os braços de Leo.

– Não! Eu estou completamente sério pensando sobre a minha quase morte. — risadas cortaram a fala de Leo. — Acho que eu tive experiências mortais para uma vida toda.

– Eu não sei. — os olhos de Nico estavam claros na luz da enfermaria, eles lembraram Leo de chocolate. — Você devia me contar.

Leo derrubou tudo que havia na cama tentando arrumar espaço para apoiar a mão e, sei lá, recuperar o ar e o raciocínio que Nico estava tirando dele. Por que ele procurou Nico mesmo? Ah é, para resolver as coisas, mas sinceramente duvidava da sua capacidade de fazer qualquer coisa ali.

– Desculpa. — Leo murmurou. É, ele era uma bagunça.

– Wow. — Nico tampou a boca com o punho, parecendo surpreso. — Então você realmente parou em Ogígia.

A boca de Leo caiu.

– Você... Você sabia?

– Eu tive minhas suspeitas. — Nico o observava tanto que seus olhos estavam deixando Leo desconfortável, como se ele pudesse ler os seus pensamentos a qualquer momento. — E ela se apaixonou por você.

– Não foi assim! — Leo não sabia quem ele estava defendendo, Calypso ou ele. — Nós viramos amigos.

Nico abaixou a cabeça.

– Desculpe. Isso não é da minha conta.

Vendo-o se levantar, Leo sentiu vontade de gritar. Ele não podia estar estragando tudo. Não conseguia aceitar. Por isso puxou Nico pelo braço, forçando-o a sentar-se novamente. Em qualquer outro momento Leo teria temido pela a sua vida por ter tocado Nico daquela forma, mas tudo que conseguia pensar era como os seus olhos eram grandes, brilhantes como dois planetas próprios, fazendo Leo lembrar de Vênus, por que tinha uma coloração parecida com a dos olhos de Nico.

Ele engoliu o coração de volta para o peito e deu o máximo de si para falar (a voz quebrou do mesmo jeito):

– Claro que é, por que você pensou que eu estava morto, mesmo por um segundo. E eu preciso pedir desculpa por isso, por ser tão egoísta, eu...

Nico o abraçou. Como um instinto natural, Leo o abraçou de volta e essa foi a primeira vez que ele quebrou abraçando alguém desde que a mãe morrera. Leo tinha medo de não conseguir parar, mas Nico acariciou seus cabelos como a vez que ele desmaiou e o garoto parecia uma ambrósia no corpo do latino. Ele podia dormir ali, mas preferiu prestar atenção no que Nico dizia.

E eles conversaram. Sobre tudo e sobre nada. Leo sentiu uma obrigação de falar sobre Calypso, e Nico fez expressões que o deixou inseguro, mas depois do seu falatório ele apagou outra chama no seu nariz, já sendo a terceira vez (pela proximidade dos dois que não haviam parado de se abraçar de verdade ou pelo o que dizia, sendo mais sincero do que estava habituado, Leo não sabia apontar o motivo) e sério, Nico adorava aquilo. Tentava não parecer tão divertido com a óbvia falta de jeito de Leo, mas estava estampado na sua testa em neon:

EU ADORO QUANDO SE FAZ DE BOBO

– Eu posso te ajudar.

– O-o que?

Leo sentiu medo de queimar Nico, por que havia algo fazendo ginástica olímpica na sua barriga e sua temperatura estava subindo, o coração provavelmente dançando frevo.

Ele realmente era uma garota apaixonada pelo senpai, não era?

– Quando a Guerra acabar e, você sabe, todos sobreviverem, — Nico estava gesticulando como um verdadeiro italiano, o que só acontecia quando ficava nervoso. — eu poderia ir com você até Ogígia para tirá-la de lá.

– J-jura? Você não se incomoda? — Leo estava piscando como louco, provavelmente esperando Nico provar que era uma ilusão.

Ele deu um sorrisinho.

– O que você não faz pelos amigos? — Nico deu um soquinho no ombro de Leo, fazendo o latino entender que ele estava quase interpretando Piper, com o seu tom irônico característico de Filho de Hades (que sempre confundia Leo, por melhor que ele fosse em ironia, tudo parecia incerto de mais com Nico). Mas uma faísca de tristeza passou pelos olhos de Nico.

Ele se levantou, Leo o seguiu. Em vez de o segurar, ele se colocou na sua frente, mostrando toda a sua preocupação e curiosidade, mais transparente ali do que em qualquer hora.

– Me peça qualquer coisa em troca.

– Leo, é um favor, não...

Nico engoliu as palavras quando Leo se aproximou e segurou o seu rosto, e sua mente berrava que ele iria morrer ali, acabar com a amizade que mal começara e que não tinha como dar certo, mas Leo continuou no mesmo lugar por que Nico não o empurrou. Ele devia estar tendo alguma reação do remédio que afetava seu juízo.

– Peça.

Ou eu te beijo agora mesmo.

Os dois ficaram em um silêncio tenso por alguns minutos, e Leo estava recobrando a mente. Ele ia se afastar quando Nico murmurou:

– Então por favor não se esqueça de mim, mesmo com ela.

Aquela frase pareceu ser a coisa mais difícil que Nico já havia dito, e ele era tão pequeno, tão frágil naquele momento que Leo sentiu vontade de cobri-lo.

Antes que pudesse pensar, estava se inclinando para beija-lo, as respirações se misturando, e Nico cerrou os olhos.

– Leo! — essa era a voz de Jason no corredor. — Leo– whoa!– Jason exclamou quando Nico saiu correndo, sem parar mesmo quando esbarrou nele. — O que estava rolando aqui?

Leo havia caído no chão ao ser empurrado, e ele nunca se sentiu tão frustrado. Talvez fosse isso que pessoas frustradas sexualmente sentissem, mas Leo era apenas emocionalmente (chegando nessa parte, Leo já teria morrido).

– Cala a boca Jason. — Leo suspirou, sem ânimo para se irritar de verdade. — Ninguém merece morrer virgem.

– Como é que isso tem haver com Nico? — Jason estava perguntando, mas seu tom dizia claramente que ele não queria saber.

– Caminhos sombrios, bro. Caminhos sombrios.