#BABYBATWINGS
1 01.
Notas iniciais
Eu ouvi que você tem tido alguns problemas para se encaixar no Mundo.
E eu sei o quanto isso dói.
– Missing You — All Time Low
xx
– Droga. — Nico murmurou contra a respiração, mexendo em seus punhos.
Numa olhada rápida Leo notou que os dedos do garoto estavam machucados. Em um deles estava o anel de caveira, que ele segurava de forma bem firme, quase como se sua vida dependesse do anel como a vida de Frank dependia do gravetinho.
De uma forma meio automática, Leo disse:
– Você devia ir pra enfermaria.
Nico pareceu surpreso com o aviso, pois os dois deveriam ser os tripulantes que menos conversavam no Argo II. O máximo fora um pouco antes, lutando com monstros e deuses das montanhas. Não era nenhuma amizade.
– É… Eu sei. — suspirou. — Eu vou tentar… Passar pela Atena Partenos sem acordar ninguém.
Nico parecia realmente exausto. Sua voz era rouca e desconcertada, já que não a usava a tanto tempo. Leo tentou imaginar a si mesmo preso numa jarra e, por mais que tentasse, não conseguia.
Ele morria antes.
– Quer ajuda? — ofereceu ainda no automático.
Sinceramente Leo estava tão exausto quanto ele, mas sabia fingir um pouco melhor. Ele não conseguia se apoiar, não ia ser apoio pra ninguém. Mas Hazel havia saído e os outros estavam dormindo. Leo não precisava olhar o navio a cada segundo que passava, a ida até a enfermaria era rápida e ele não queria ficar sozinho, ainda mais preocupado com Hazel lá em baixo. Confiava nela, não confiava no mundo.
Nico ficou ainda mais surpreso, se é que era possível. Ele cambaleou de leve e Leo travou onde estava, sem saber se o Filho de Hades queria ajuda ou não. De rosto baixo, ele ergueu a mão no ar e dispensou as dúvidas de Leo, como se tivesse lido seus pensamentos. Isso causou um arrepio no corpo do latino.
– Não. — Nico respondeu. Sua voz estava dura. Então ele se esforçou para relaxar. — Não devia gastar seu tempo com isso.
O tom dele não era de pena. Não esperava nada além de fazer Leo entender que ele devia pensar um pouco nos seus problemas em vez de tentar esquecê-los com os outros. Mas hey, não era nada fácil com monstros e guerras perdidas o assombrando.
Nico lidava bem com isso. Ele estava acostumado. Por isso Leo apenas assentiu — sem mais nada a falar ali — e se virou para os seus controles antes de ouvir os passos meio fracos de Nico se distanciando.
Não podia mentir e dizer que aquela conversa ficaria em sua mente por um tempo.
xx
– Valdez. Valdez. Leo!
Uma voz acompanhou um chacoalho no seu corpo e Leo pulou, batendo contra uma superfície pesada que o fez cair para trás com força no chão de madeira. Ele grunhiu e choramingou, retomando seus sentidos e acordando da pior forma.
Então conseguiu reconhecer quem estava perto de si: Não era nenhum monstro feito de sombras ou uma mulher assustadoramente bonita ansiando para matá-lo, como no seu sonho. Era apenas Nico Di Angelo, parecendo preocupado.
– Por que você estava abraçado com a Deusa Nice? — Nico perguntou mais curioso com o fato do que com a reação de Leo. O latino demorou um pouco para entender o que ele dizia, até que a ficha caiu (e a vergonha bateu).
Leo havia batido contra Nice porque estava dormindo abraçado com ela. Provavelmente havia a confundido com o travesseiro que abraçava durante seus pesadelos. Acordar em abrigos com o travesseiro nos braços não era muito agradável para o magrelo e já com mal reputação Leo.
– Nós dois… Simplesmente nos aproximamos. — Leo resmungou sonolento, levantando-se e se afastando de Nico, para ter um pouco de espaço e conforto.
– Seria bom se ela garantisse a nossa vitória. — Nico comentou distraído, e Leo não evitou ficar surpreso com a indiferença dele sobre a sua estupidez aguda.
– Por que veio aqui?
– Jason me pediu para ver você. — Nico lançou os olhos escuros na direção de Leo. — Ele quer uma reunião no refeitório agora.
– Oh. — Leo piscou, olhando pelos lados para achar algo que lhe mostrasse as horas. — Café da manhã?
– Se você tem estômago. — Nico deu de ombros, e Leo percebeu como ele estava magro. Dizer que se podia ver os ossos do menino era o menor dos problemas. Quantos anos ele tinha na teoria? Treze, quatorze? Nico parecia estar crescendo ainda, e faltava simples dois centímetros para chegar na altura de Leo (que nunca foi alto em toda a sua vida). — Hey! — Nico chamou, tirando-o do torpor. Leo nem tinha percebido que continuava parado viajando. — Eu não vou te esperar. — isso pareceu um resmungo.
Por um segundo bem rápido Leo se questionou se Nico não gostava dele.
xx
Leo estava tentando chamar mais atenção que o normal, usando o bobo do Frank para isso. Fingiu que não, mas olhava para Nico de esguelha a cada cinco segundos, ansiando secretamente por uma reação negativa ou não. Nico era o cara mais inexpressivo que Leo já vira, como se o seu rosto… Fosse uma máscara.
Oh. Que descoberta rápida. Bom, que pessoa não usa uma máscara, mesmo que pequena? Por exemplo Hazel tentava parecer séria e controlada, mas… Não, esse não era um bom exemplo. Ela não estava representando. Tinha capacidade para segurar as suas pontas e demonstrar isso. Frank era bobo e deixava claro em todos os seus aspectos, mesmo assim seus olhos eram sagazes, acompanhando o que era cobrado de si com seriedade, por mais assustado que ele tivesse.
Jason tentava trazer uma rigidez em suas atitudes como a garota do Acampamento Romano que era a sua ex namorada da sua ex vida, Reyna. Mas esse era o seu lado pretor, o filho de Júpiter importante que aprendeu a desenvolver desde criança.
Não eram máscaras, eram como eles queriam ser. Todos os seus amigos se comportavam assim.
Okay, desse jeito o último que restava era Leo. E Leo sorria de mais, o tempo todo. Falava de mais também. Fazia tudo errado de mais também. E respirava de mais também. Tá. Era uma máscara. Okay. Por que Leo não sabia ser de outro jeito, e também não queria. Seria doloroso simplesmente encarar os problemas com muita seriedade, ele preferia ter um "anestésico", algo que o distraísse e distraísse as pessoas perto de si.
Ah não.
Significava que ele e Nico eram parecidos.
(E quando Leo batucou “Eu te amo” na mesa, ele nunca viu, mas Nico o olhava tentando entender por que ele dizia algo do tipo)
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